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sábado, 28 de abril de 2012

Eu, enquanto dona de casa





Cresci sem a necessidade de fazer nenhum trabalho doméstico (pesado) em casa. Minha mãe sempre trabalhou dois expedientes e por causa disso, sempre tivemos empregada. Apesar disso, nunca ficamos - meus irmãos e eu - eximidos das responsabilidades. Não era por luxo, como ela dizia, mas por necessidade (dela, de sair para trabalhar)





Arrumávamos a nossa própria cama e preparávamos o próprio lanche. Tudo isso com a nobre missão de nos preparar para a vida, pois passávamos por breves intervalos sem empregada. Quem nunca? E nesse interstício, mamãe botava todo mundo pra ajudar.





Lembro de uma vez, que eu muito bem deitada, gritei o nome da empregada e pedi que me trouxesse água. De repente não mais que de repente, surgiu uma mulher em fúria - a minha mãe. Levei um sermão tão grande, mas tão grande, que dói no meu ouvido até hoje. "Ela está aqui pra arrumar as coisas, pra ficar com vcs e não para satisfazer suas necessidades. Tá aleijada? (perceba a delicadeza em suas palavras) Se levante e vá pegar sua água." Isso num tom agradabilíssimo de uns 362529 decibéis. 





Daí eu casei. E como já falei pra vcs, o fiz sem ter nenhum bem para declarar num imposto de renda. Ou seja, financeiramente prejudicada. As facilidades da casa da mamãe, ficaram para trás. Tinha que me virar do meu jeito, com minhas próprias coisas.
















Lembro com carinho da dificuldade que foi limpar a geladeira pela primeira vez. Gente, que difícil. Ainda sim, limpei melhor do que qualquer profissional do lar. Comecei a ficar orgulhosa de mim. Estaria eu diante de um futuro promissor nessa carreira?





Daí me vi diante de uma pilha de roupas e sem máquina de lavar. Deve ser bem fácil - pensei, baseada nas minhas experiências como lavadora de calcinha no box do banheiro. Nunca pensei que fosse tão difícil. Lavava e praguejava e desejava que todas as lavadeiras do mundo ganhassem milhares de reais pra compensar a dor que vem em seguida, nas costas.





Passar roupa pra mim sempre foi um mistério. Nunca havia tentado. Daí com aquela vontade louca das recém-casadas de mostrar serviço, resolvi me aventurar. E descobri uma vocação surreal pra fazer origami com roupas. Só não entendia o porquê de o Paulinho nunca usar as camisas passadas com tanto amor e tanto afinco.





Um mistério até hoje não solucionado: qual a finalidade de vinco em calça? Pra mim, aquela marca, continua sendo um amassado.





Nem precisa falar da gola da camisa, né? Eu as deixava como o cabelo do bozo.





Paulinho interveio e contratamos uma lavadeira/passadeira, já que a cozinha sempre foi meu forte. Diz ele que era para o meu bem, já que grávida estava, mas desconfio de que ele não aguentava mais passar roupa escondido na madrugada.





Hoje, passados dez anos, já posso dizer que superei muita coisa. 


Quer dizer...exceto por ainda separar ~ roupas difíceis ~ para que ele passe pra mim e por me negar a fazer vinco de calça. 





De resto, sou uma amélia.


Ou finjo muito bem ser.

Começo de vida é sempre assim?










sexta-feira, 27 de abril de 2012

O pândego



Sentado no chão, com vários brinquedos à sua volta, resolve me mostrar suas unhas:



"- Olha só mãe: minhas unhas estão afiadas.

  - eita, é mesmo! - quando levantei pra pegar a tesourinha, ele me puxou.

  - não precisa, mamãe. Já descobri um jeito mais legal pra cortar as unhas.



Intrigada, perguntei : é? como?



- roendo."



Dia das mães é legal, mas o dia da terra é mais legal ainda. Falta muito, mamãe?

(cara de paisagem)



Mamãe, pum é um tipo de ventinho que sai do nosso bumbum, né?



Irmã é um tipo de pessoa muito malvada - depois de um desentendimento com a mesma por causa de umas canetinhas, que ela não empresta por nada nesse mundo.



Daí numa madrugada em que ele provavelmente deve ter perdido o sono, vou ao seu quarto sem saber que ele está acordado e ouço aquela vozinha na escuridão absoluta:



"mamãe, sabia que flô rima com cocô?"



Olha que candura de rima!

Olha que poético!

Depois dizem que meninos são insensíveis...
















terça-feira, 24 de abril de 2012

Operação Ratatouille




Essa casa anda uma loucura e como escolhi vir a essa vida com emoção, além de mãe de dois, também tenho três, eu disse três cachorros, fora o casal de hamsters da Bia.





Patt, a hamster, pariu quatro lindos filhotinhos. Tomamos os cuidados básicos para que ela não os rejeitasse e eles puderam crescer fortes e esbanjando gaiatice. Bia ficou fascinada por ter acompanhado esse nascimento e por estar a frente de todos esses cuidados. Fotografava sem parar a mãe e seus bebês. E a todo instante vinha com um boletim informando a saúde e o desenvolvimento dos bichinhos.





Como a vida não é assim tão fácil, na quinta ela se despediu de todos eles que partiriam para novos lares. De todos três, quer dizer, porque um havia empreendido fuga. Entre lágrimas, ela e o pai procuraram o bebezinho fujão por todo lugar e não o acharam. Mais lágrimas. Várias hipóteses foram levantadas, inclusive de que a mãe, por ele ser o menorzinho da ninhada o teria matado e comido, mas logo foi descartada, porque ele estava grandinho demais pra isso, fora que não foram encontrados vestígios na gaiola.





E não é que durante a madrugada do domingo, depois de assistirmos a um filme, Paulinho foi dar uma olhada nos cachorros e viu uma coisinha correndo. Ficou desconfiado e correu atrás. A performance desse pai foi algo surpreendente!!! Se jogava no chão, se esticava todo para escavucar buracos insólitos (oooiii), até que finalmente o pegou. Estava por trás da casinha da cã. Ela o estava acobertando. A cúmplice.





Quando amanheceu, estávamos bem faceirinhos esperando pra ver a reação da Bia ao saber da volta do filho pródigo. Pois bem, qual não foi a NOSSA surpresa, quando descobrimos que o ratinho havia fugido AGAIN.





O meliante foi facilmente capturado e já está devidamente encarcerado.





OH! WAIT….








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A saga se repete diariamente e hoje, antes de sair para a escola, Bia o achou escondido dentro do tênis do irmão. Sua esperteza nos conquistou e esse danado é o mais novo morador dessa casa.





Otto o chama de Fuginho, Bia de Forrest e Paulinho e eu o chamamos de Belchior.





Gostaria muito de possuir essa habilidade inata de me esconder de vez em quando.





sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Lula e a Baleia




Quando esse filme saiu, não pude vê-lo no cinema. Esperei aparecer na locadora, mas por uma razão ou outra, acabei me esquecendo dele. E o esquecimento durou até essa semana, quando a Warner começou a anunciá-lo para essa sexta-feira. Anotei para não esquecer de novo.





Acabei de assistí-lo e ainda estou em transe.








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“Brooklyn, 1986. Bernard Berkman (Jeff Daniels) já foi um romancista de grande sucesso, sendo que sua esposa Joan (Laura Linney) começa a despontar na área. Tanto Bernard quanto Joan já desistiram de seu casamento, com ambos deixando seus filhos, Walt (Jesse Eisenberg) e Frank (Owen Kline), à própria sorte. Para Walt esta situação serve como aprendizado e amadurecimento, mas para Frank trata-se de uma transição complicada pela qual será obrigado a passar.” 





O pai, Bernard, professor e doutor em literatura, em franca decadência costuma a separar as pessoas cultas dos filisteus – aqueles que não se interessam por livros e filmes. A mulher, Joan, também doutora em literatura, uma romancista em ascenção mantém vários casos extraconjugais e faz questão que o marido saiba.





Depois de 17 anos anunciam a separação. E se vc é filha de pais separados como eu, sabe ou pelo menos deve imaginar o quão doloroso esse momento é.





Walt o filho mais velho, admirador e, a exemplo do pai, tenta estabelecer relações com as garotas através da cultura que não possui. Cita livros que nunca leu e num concurso da escola, assume a autoria de uma música do Pink Floyd (que eu adoro, me deixa!). Tenta superar o pai num clássico exemplo de complexo edipiano.





O filho mais novo, Frank fica do lado da mãe, mas passa a ter comportamentos desagradáveis com a sua própria sexualidade, transferindo para o sexo a amoralidade da mãe.








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O filme não é bonitinho começo, meio e fim, mas nos convida a ver a construção (mesmo desconstruindo) de uma personalidade em meio ao divórcio.








*  a guarda compartilhada é boa pra quem, afinal? como os filhos se sentem?


*  até que ponto o rancor, a inveja do outro atinge os filhos? e qual o limite para a manipulação?








Em meio a uma separação, mesmo amigável, quem mais sofre são eles: os filhos. Em maior ou menor grau, já que estão constantemente impelidos a tomar partido de um ou de outro. Isso pode significar a aproximação ou a rejeição/acusação.





Ficou interessada? Vai passar hoje às 20:30 no Warner Channel.


Não perde.







quarta-feira, 18 de abril de 2012

O que NÃO ENTRA na minha cozinha


Fui criada nos anos 80 e posso te contar uma coisa: sou uma vitoriosa não só por ter sobrevivido, mas por estar com o colesterol melhor do que muita criança por aí.





A pequena introdução é só pra dizer que estou longe de ser exemplo em qualquer coisa, que dirá em hábitos saudáveis. Sedentária, adoradora de coca-cola, comedora compulsiva de chocolate, enfim…mas depois que temos filhos o que entra na minha casa precisa ser muito bem pensado. (mesmo que eu coma porqueira escondida, quem nunca?)





Sim, e justamente por sermos atarefadas, acabamos recorrendo a algumas opções que prometem praticidade e algum sabor.





Depois de algumas informações pinceladas aqui e ali, fui mudando meus hábitos e fazendo as devidas substituições. (ainda que longe do ideal)



O que não entra nessa casa:





Miojo – olha querido, vc quebrou muito galho lá em casa, sabe? inclusive quase fez a Bia ficar viciada em ti, a ponto de pedir todo-santo-dia pra tê-lo à mesa, ignorando solenemente a minha disposição de encarar o fogão. Até sabia que naquele pacotinho de tempero tinha muitos aditivos quimícos e sódio, porque não sou boba, mas ao descobrir que o macarrão também contém gordura e sódio, aí me senti traída, ofendida até! Isso não se faz, o que vivemos foi lindo, mas não me procure nunca mais.





Tablete de caldo industrializado – comecei a usar aos poucos, enquanto ainda era uma estagiária na cozinha. Mas comecei a usar mais e mais, em todos os pratos o tempo inteiro. Já estava compulsiva. Roubava moedas no cofrinho da filha, só pra que não faltasse e eu pudesse consumí-lo cada vez mais. Só percebi que chegara ao fundo do poço, por causa do pedido feito pelo gastroenterologista do marido para que suspendêssemos o uso. Oi, sou a Daniele e estou limpa há 6 anos, 10 dias e 5 horas sem usar essa porqueirinha química cheia de gordura (eca) e sódio. { foi facilmente substituída por temperos naturais.}





Nuggets – quer coisa mais prática? mais gostosinha? que vc pode assar no forno sob o pretexto de  deixá-lo ainda mais light, mais saudável e coisa tal? Precisou que o Jamie Oliver pra me mostrar o que eu já sabia, apesar de não querer crer. Desde então, NUNCA mais isso entrou na minha casa, na minha vida. (assisti junto com a Bia e ela tem um nojo tão grande, tão grande disso….tenta, vai que…)











{ quem me mostrou esse vídeo foi uma amiga - Nicole - a quem sou muito grata!}





Molho de tomate – por mais que na embalagem venha dizendo que é suuuper natural, sem conservante nenhum, não confie. Já dizia meu pai: nada que é industrializado é digno de crédito. Esse item foi removido das nossas vidas, também a pedido do gastrologista do marido que só pode ter uma implicância muito grande comigo. Daí aprendi a fazer molho de tomate caseiro com base nessa receita aqui. Faço e congelo em pequenas porções.



Achocolatado pronto - já repararam como é grossinho? Já imaginaram a quantidade de espessante que deve ter ali? Bom, eu até deixava a Bia tomar de vez em quando e sempre, eu disse sempre, que ela tomava, vomitava.




Batata frita - eu amo, confesso. Apesar de gostar muito, em dez anos de casada, nunca fritei batata na minha casa. Aliás, nunca fritei nada. Não gosto do cheiro do óleo, tenho preguiça de limpar tudo depois e não quero que a exceção faça parte da rotina. Portanto, só comemos fora de casa. E a Bia fez sua própria opção, depois que assistiu na escola, o documentário Super Size me.



O mesmo raciocínio vale para suco em pó artificial e comidas prontas congeladas.




Aham, vc deve estar se perguntando o que faço pra sobreviver em dias de crise, né? Só não me chama de chata, que eu fico tisti.




Tem aqueles dias que vc tem todo tempo do mundo, mas não tem a menor disposição de preparar nada elaborado, nada que suje mais que duas panelas e tem aqueles outros em que vc corre pra lá e pra cá e não sobra tempo pra preparar o almoço como se deve.




E o que tenho pra te dizer não é nada faraônico, portanto vou chover no molhado, mas é do que me valho aqui no meu QG e ficam prontos em menos de meia hora.




Arroz é fácil e se prepara em 15 min no máximo e sempre tem algum sobrando na geladeira. Dificilmente faço arroz branco tem sempre uma paradinha pra incrementar e agregar valor nutricional. Tempero com bastante alho e escolho dentre as opções: brócolis, cenoura e vagem, abóbora ralada ou espinafre. Tenho sempre uma boa porção congelada para emergências.




Ovo/Omelete – qual o problema com o coitado do ovo, minha gente? Que preconceito com esse pobrezinho que só tem proteína pra te ofertar? E dizem que criança precisa comer pelo menos 3x por semana, sabia? Quando dá tempo preparo uma omelete maneira com o que tiver na geladeira (peito de peru cortadinho, cebola, tomate e orégano) e se não tiver tempo para frescurinhas, frito e sirvo com arroz e salada verde. Simples assim e a meu ver, mais nutritivo que miojo.




É sempre bom ter salada pronta. Compro aqueles pacotes, só os de folhas, no supermercado. Na hora do sufoco é só passar a mão.




Massa – essa é a comida n° 1 para dias preguiçosos. Em ocasiões especiais, uso uma receita mais elaborada, mas em dias assim, ela vem mais simplezinha. Coloco a massa pra cozinhar e enquanto ela não fica pronta, preparo um molho branco, cozinho brócolis no vapor, pico e misturo tudo e pra dar um toque, salpico alho frito por cima. Sirvo com queijo parmesão ralado. Outra saída, mas essa demanda um pouco mais de tempo, é fazer um refogado de berinjela, tomate, alho, cebola. Também compro aquelas massas prontas de gnochi, ravioli, capelleti....



Também curto fazer um sanduichinho de berinjela com molho de tomate, manjericão e queijo. É rápido e super saboroso. E as crianças (daqui) curtem.



Somos vegetarianos em dias de crise.





Muita coisa ainda precisa ser mudada nesta casa, vamos nos desprendendo de antigos hábitos aos poucos e dispostos a aprender novos. 




Olha que ironia: estou escrevendo esse texto bebendo coca-cola e comendo doritos. Porque o importante na vida, é ter coerência, confere?




Mas que as crianças fiquem fora disso. O que está na mesa da família é responsabilidade dos pais.


E vcs, já pensaram em rever os hábitos alimentares?

Como se viram em dias de crise?





* escrevi aqui sobre como ensinei meus filhos a comer.

* hoje no blog Comer para Crescer um texto ótimo - Você tem medo de dizer não para o seu filho?









terça-feira, 17 de abril de 2012

Boladona sem neurose




Só aviso uma coisa: vcs estão tendo uma péssima impressão a meu respeito.





Lembram desse texto aqui, que fala sobre ir para a casa dos amiguinhos, onde digo que deixei ir, tudo ok e tal? Muitas de vcs deixaram comentários dizendo que jamais permitiriam, outras me parabenizando (brigada) pela minha coragem. (hahaha)





Senta aí, amigue que vou te contar um segredo.





Sou altamente, extremamente preocupada a respeito de filhos em casas alheias e descobri que esse tipo de comportamento é genético (e que estou me curando, grazadeus). Explico: minha mãe é funcionária pública, trabalha no fórum e foi nesse ambiente que cresci e também trabalhei boa parte da minha vida. Ou seja: sempre que eu pedia pra ir pra algum lugar, ela vinha com o teor de algum processo da vara criminal. E o repertório era inesgotável.





"mas minha filha, vc não sabe como é o mundo" - ela dizia.





Só queria ser pohinha loca iNgual minhas amigas, dormir na casa de uma delas, ter história pra contar...mas não podia, pois estava devidamente protegida e sufocada, convenhamos, no ninho.





Comportamento adquirido: cresci assim. Que ironia!!!





Anos atrás, aconteceu um assassinato horrível no banheiro da faculdade onde eu estudava, num dia de vestibular. Muita gente estranha no campus, inclusive o assassino que entrou por falha da segurança e se escondeu no banheiro e ficou lá de tocaia. Na hora que a menina entrou....bom, vou poupá-los dos detalhes. Desde então, não consigo entrar em banheiros públicos e me controlo pra não fazer campanha para que todos façam o mesmo.





Todos nós conhecemos histórias absurdamente cruéis, mas não é se trancando, se privando ou ainda alimentando a neurose urbana de achar que todos são criminosos em potencial, que estaremos seguras. Também não dá pra bancar a  desprendida e soltar os filhos em qualquer ambiente. Orientação é super bem vinda nesses casos e não tem nenhuma contra-indicação. Aprendi isso com os {bons} exemplos maternos que me cercam.





Independente de prender ou não prender, só consigo pensar em como eu queria ter estado em todos aqueles lugares em que não pude estar.










                  neurose







Boladona sim, neurótica jamás.















segunda-feira, 16 de abril de 2012

Era/sou dessas


Era dessas que citava Mandela como ídolo nos disparates da escola, hoje idolatro quem acorda cedíssimo pra malhar.





Era dessas que tinha hábitos senis na adolescência e enquanto todas as amigas se acabam de beijar (e de pegar sapinho) pelas micaretas da vida, eu lia um livro deitada na cama. Recuperei meu fôlego depois dos filhos. Micareta é para os fracos.





Era dessas que citava Goethe no campo destinado às frases preferidas e hoje considero digno de nota qualquer abobrinha que meus filhos digam.





Era dessas que ouvia Bob Dylan no vinil, ignorando o advento do cd, hoje só não sinto mais saudade do vinil porque ocupa espaço e acumula mais poeira. Pragmatismo.





Era dessas que só usava brincão, saltão e cintão. Muitos acessórios. Hoje elegi a sapatilha confortável como minha melhor amiga e desaprendi a arte de combinar os acessórios entre si.





Era dessas que dava um boi pra não entrar numa briga e que hoje briga por um bife.





                                                                        ***





Sou dessas que não consegue abrir um cartão musical, que mesmo agonizando ainda toca, sem chorar só porque foi dado pela vovó, mas que adora tê-lo ali, dentro da caixinha.





Sou dessas que faz bolo só pra lamber a tigela.





Sou dessas que pinta as unhas dos pés de nude, mas que mantém as das mãos bem coloridas.





Sou dessas que deixa de almoçar pra comer a sobremesa e que nunca na vida dispensa um copo de coca-cola.





Sou dessas que ri de tudo e morre de vergonha disso. pareço uma abestada.





Sou dessas que vai pra rodízio com pensamento de um etíope. Só faz sentindo se eu sair rolando de lá.





Sou dessas que faz faxina ouvindo ABBA e ainda canto!!!





Sou dessas que come porcaria escondida dos filhos e que ainda se diverte assistindo Friends.










daqui








Sou dessas que adora preservar quem me fazer rir e que usa óculos vermelho só pra ver melhor - ainda que com piada velha.





E vcs, quem são?










sexta-feira, 13 de abril de 2012

A caixinha e a leveza

sogni






Difícil ter sempre um assunto pra comentar, mais difícil ainda procurar palavras que se encaixem. E que, agrupadas, façam sentido.





Por isso admiro os cronistas, que tem um olhar atento e a sensibilidade quase poética de escrever sobre coisas tão corriqueiras, banais até. Coisas que nossos olhos já não enxergam mais. Acostumaram-se.





Muitas vezes, ao sentar para escrever, as palavras formam uma grande nuvem emaranhada. É uma confusão tão grande, que acabo por espantá-las como se fossem mosquitos inconvenientes ou pensando bem, justamente por não serem convenientes. Mas a busca não cessa.





Às vezes o foco é apenas o texto, o registro. Outro, é um público. No que focar?





E no meio de tudo isso, há as caixas. porque há aqueles que buscam encaixotar coisas. Cada uma na caixinha que lhe corresponda.





***





Eu estava com texto semi-pronto, devidamente arquivado no HD mental. Até que chegou a mim a notícia do fechamento de um blog. Fiquei triste, fiquei  ~chatiada~ com o motivo que levou a essa atitude. Não é justo, pensei.





Comecei a juntar fragmentos de conversas e percebi que alguns blogs da minha lista do amô estavam privatizados. Não aguentei e extravasei, lá no paraíso chamado tuíter (@DanieleBt) e joguei o assunto ao vento. A surpresa veio com a adesão, pois muitas pessoas falaram a mesma coisa, corroborando a coisa toda. E assumiram que a falta de leveza foi o que as motivou também a baixar as portas.





Antes a blogosfera materna era acolhedora. (e olha eu novata, reclamando o direito das blogueiras de raiz) Cada qual com suas histórias de vida, relatando seus aprendizados, suas buscas, suas pequenas conquistas e confessando seus erros. Fazia rir e chorar. Rolava identificação. E esse, minhas caras, é o melhor convite pra reflexão. (rimou)





Sim, porque hoje há tantos mastros de bandeiras levantados que estão não só oprimindo, mas caindo na cabeça dessas mães que já vivenciam o esgotamento natural da maternidade. 





Ver uma blogueira antiga, querida e cheia de fãs (eu, inclusive) começar um texto dizendo que "não sabia bem se deveria escrever, pois não iria acrescentar nada na vida de ninguém" é puxado. Justo ela, com quem aprendi secretamente tanta coisa? 





Blog deve ser leve, descontraído, informal. Isso é o que me fideliza como leitora, aliás. A internet é o meu momento de descontração. 





Profissionalizar a bagaça, pra mim não rola. Pra isso existe a mídia tradicional, cheia de "especialistas". É certeza demais numa realidade de incessante busca.





Se eu tenho as minhas bandeiras? Sim. Estou sempre disposta a aprender, a refletir sobre a minha postura perante o mundo e sobre a minha forma de maternar. É o que a grande maioria de nós busca. Isso não me faz superior nem mais inteligente que ninguém.





***





Busco me livrar de estereótipos e me livrar das caixinhas. 


Não há espaço para liberdade nelas.


É nessas horas que me sinto provocada, fustigada e não quero me deixar encaixotar.





E digo: Ei, para! Não caibo aí.


Eu sou muitas.










sexta-feira, 6 de abril de 2012

Adorable twos

       

       

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Sou excelente para fazer projetos. Quando estava grávida, pretendia fotografar a barriga de perfil, com a mesma roupa durante as 40 semanas (ou 42, no meu caso). Coisa linda! mas não rolou, porque sou péssima  para executar meus próprios projetos.






Quando o Otto nasceu, pensei estar nascendo uma nova oportunidade. Pensei em me redimir tirando fotos mensais dos irmãos no mesmo esquema: roupas e posições iguais por um período mínimo de um ano! Ia ser lindo, ia ser fofo, mas não rolou. Não desse jeito combinandinho, mas me sinto muito feliz por ter conseguido reunir forças para clicar os melhores momentos. Porque eu podia estar cansada, eu podia estar baranga, mas a máquina estava sempre a postos, pronta para cumprir o seu dever: o de documentar o que nunca vou conseguir esquecer.






Então que imprimi/revelei várias fotos, das mais variadas fases e espalhei pela casa. Agora, vivo rindo para as paredes, pelos cantos, por todos os cantos, aliás. É amor demais, minha gente.






Não é lindo ver os dois juntinhos?











segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mãe, posso ir?





Sábado foi um dia de grandes expectativas, para um menininho de 3 anos e meio. Ao acordar ele já quis se certificar em que dia da semana estava: “hoje já é sábados e domingos?”





Após o almoço, tomou um banho caprichado, arrumou uma pequena mochila com seus brinquedos preferidos, uma muda de roupa extra pra garantir e partiu para casa do melhor amiguinho, mas antes sem dizer: “tchau, mãi. Qualquer coisa, me liga”.





E foi.





Poderia não ter deixado ele ir, afinal, ele é praticamente um bebê! Poderia ter ficado em casa aos prantos, com síndrome do ninho vazio, mas não...fiquei entretida tentando por em prática meus poderes paranormais. 





Estava super tranquila a respeito do comportamento dele longe dos meus olhos. Já dizia meu pai: costume de casa, vai à praça. E isso é uma verdade incontestável.





Por isso mesmo, não liguei nenhuma mísera vez para saber como estavam as coisas, apesar dos insistentes pedidos do Paulinho, que nessas horas se revela muito mais ansioso que eu. Afinal, eles tinham o nosso telefone e o combinado era de que se houvesse qualquer problema, eles entrariam em contato. Além do que, como quero que meu filho se sinta seguro, se eu mesma não me sentir?





Quando vi o carro estacionando na porta de casa no final da tarde, tive que segurar um pouco a histeria. Tava com uma saudade louca, uma saudade gigantesca daquele moleque!!! Mas queria aparentar um pouco de normalidade perante aqueles pais, com quem tenho pouca intimidade. Compostura, Daniele. Compostura.





{Passa rápido, viu? Um dia desejei ter secretamente guardado para ocasiões especiais, lenços umedecidos de clorofórmio e hoje, estou aqui, esperando filho no portão de casa.} 





Depois de abraçá-lo loucamente, fiquei com aquele sorriso inquisidor congelado pra mãe do amiguinho, querendo saber de tu-do. Querendo detalhes pormenorizados. Mães entendem esses códigos e ela já foi desfiando o rosário: disse que tudo transcorreu maravilhosamente bem, que brincaram sem brigar, que lancharam bonitinho e que a tudo e por tudo o Otto agradecia, inclusive, veio agradecendo no trajeto de volta e dizendo que estava muito, muito feliz por ter ido a casa do amigo.








                                            post











Isso acaba sendo um teste pra nós, não?





Saber se nossos filhos são educados por terem apreendido os valores que tentamos passar diariamente ou se nos obedecem apenas pelo controle que exercemos.





Fiquei orgulhosa do meu menino.


Fiquei sim.