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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

À espera da reforma


Por mais que goste de sua casa ou de um canto particular, de tempos em tempos é bom reformar. Sentimos essa necessidade, de mudar de ares, de mudar as cores - renovar o astral.





Estou com as postagens irregulares há bastante tempo. Enquanto eu pensava em melhorias,  concomitantemente pensava em parar. Não que houvesse um motivo especial para isso, prefiro acreditar que isso é comum entre as blogueiras.





Numa casa em reforma, não fica bem receber visitas. Não fica bem, porque só convidamos aqueles que nos são especiais e não podemos recebê-los de qualquer jeito, no improviso. Há que se ter o mínimo de conforto e algum capricho, certo?





Por isso não tenho conseguido postar com tanta frequência. Confesso também que me perco pensando em inovações. Afinal, pelo que se percebe é que a maneira de blogar mudou. A sistemática é outra. Também tenho medo de inovar demais e destoar, sabe? Ficar fora de contexto. Como quando vc veste alguma coisa só porque está na moda, mas não se sente nada confortável nela. Alcançou o padrão, mesmo sem se encaixar nele.





Enfim...





Posso adiantar uma única coisinha, que é a cartela de cores:





reforma, layout novo, grey and yellow, cinza, amarelo, anne pires, blog novo











Totalmente diferente da atual...mas é que ultimamente ando alucinada pelo amarelo.


Ele traz o sol, a vida pra qualquer ambiente.


Inclusive o virtual.


Agora é controlar a ansiedade para ver a casa em ordem e recebê-los como merecem. =)


Gostaram?




quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Tão longe e Tão perto


Existem fases do desenvolvimento do indivíduo que são amplamente explorados, como exemplo: a primeira infância e a adolescência. E quem fica nesse intervalo - crianças de 6 a 12 anos - não merecem atenção? É como se não existissem. Há pouca literatura com enfoque nessa faixa etária, que compreende a pré-adolescência.





Talvez por ser uma fase de relativa calmaria, por não demandarem tantos cuidados, por já terem certa autonomia, sendo incentivados a fazer muitas coisas sozinhos, negligenciemos a educação e o olhar amoroso tão essenciais na fase que está por vir.





Sempre tive medo do modelo da adolescente rebelde, que se tranca no quarto e que faz dele o seu mundo. Que já não enxerga pai e mãe como aqueles seres dotados de super poderes, em quem já não pode ou não quer confiar, encontrando nos pares a solução para seus problemas, aprendendo na rua o que poderia e deveria ser ensinado em casa, com amor, respeito e compreensão.



Bem boba, sempre fiz a Bia prometer que não seria assim. Que nossa relação seria diferente. Que conversaríamos sobre todo e qualquer problema. Que seríamos eu e o pai os condutores dos seus passos inseguros pelo mundo afora.



Sem que eu me desse conta, esse distanciamento já estava acontecendo aqui em casa. Embora estivesse incomodada com ele, não fazia, nem sabia fazer nada que pudesse evitá-lo. A única coisa que deixava claro é que os queria sempre perto de mim, nunca isolados em seus quartos.



Sempre vejo ótimos exemplos aqui mesmo na blogosfera de mães que instituíram com sucesso o dia do filho único. Fazem programas juntos e assim, mantem estreita a relação.



Até fiz isso várias vezes, era muito bom, mas ainda não era tudo. Não sentia a mágica acontecendo.



A oportunidade chegou em forma de um compromisso bem chato. Teria que levar a Bia toda semana, às vezes até duas vezes por semana ao dentista por causa do tratamento ortodôntico que ela está fazendo.



Poxa, ter que me deslocar atéééé o centro? - que merda, pensei. Moramos distantes quase 30 km e só é viável a ida até lá de ônibus, por causa da chatice que é achar um estacionamento.



Encarei, não tinha escolha.

O primeiro dia foi ótimo. Pra falar a verdade, nem sabia andar no centro, mesmo morando aqui há cinco anos. Na real, essa foi a minha primeira ida sozinha. Foi ela que me incentivou a perder o medo das ruas, a buscar e se perder. Voltei a ter autoconfiança.



Rodamos todas as ruas do centro. Entramos em todas as lojinhas que achamos interessante. Conhecemos várias livrarias que não fazia ideia da existência e nossa parada obrigatória era na melhor padaria da ilha. Conversávamos em todo o trajeto, andávamos de mãos dadas o tempo todo e na volta, revisitávamos os melhores achados e lamentávamos não ter tido tempo de fazer mais e mais coisa.



A mágica estava acontecendo.

Em casa esses momentos de encantamento continuava.

Nos tornamos tão próximas quanto sonhei um dia.



Não sei se o fato de eu me sentir responsável por sua segurança de novo pelas ruas da cidade - aquele sentimento de posse e proteção bem conhecido de todas nós - ou se o fato de eu a estar redescobrindo como um serzinho que pensa, dialoga, questiona, ajudou nessa reaproximação.



Sim, ela está crescendo. Está perdendo as feições de criança, tem o corpo de uma moça e percebi que não devo me apavorar com isso. Foi só a vida me mostrando mais uma vez, que não temos o controle sobre ela. Que as coisas acontecem de forma bem diferente do que imaginamos. Filho, vida, desenvolvimento... estão contidos na imprevisibilidade do tempo.



Constatei que ela é uma ótima companhia, que estar ao seu lado me faz um bem enorme....tirando de mim o peso que a maternidade me obriga. E era isso que eu buscava.



Estar com eles, fazer coisas com eles é minha rotina. Faço sempre. Queria mesmo era sentir o prazer de estar junto.



Passamos quase dois meses nessa rotina e posso dizer com uma felicidade que não cabe no peito, que nós nos redescobrimos. Nem posso dizer que esse é o começo de uma parceria, porque na verdade, essa parceria nos estava predestinada há quase dez anos.



Agora, quando a olho, a vejo.



"E rimos juntas, com esse riso das mulheres que nasce da cumplicidade." - Isabel Allende.








criação com afeto, desenvolvimento infantil, puberdade, papo de mãe, isabel allende, riso das mulheres, aniversário
toda linda no aniversário do filho de uma amiga














terça-feira, 16 de outubro de 2012

Blogagem Coletiva - É da nossa conta! Trabalho infantil e adolescente #semtrabalhoinfantil


Quando era criança, via muitas outras crianças em condições bem diferentes das minhas, que não tinha nenhuma obrigação a não ser ir para escola. Era comum famílias "buscarem" no sertão, aquelas meninas para trabalhar em casa de família, prometendo uma vida bem mais digna que a que elas levavam naquela aridez.





Prometiam roupas, escola e comida. Só esqueciam de avisar que a jornada de trabalho delas era estafante, que não teriam folgas semanais e que estariam a disposição para servir àquela família a qualquer hora do dia e da noite. E outra: exigiam dela a mais pura e sincera gratidão. Casos comuns que recentemente foram retratados numa novela global. Atitudes como essas são consideradas crime e devem ser denunciadas.













A legislação procura tutelar o trabalho do menor de forma a garantir seu desenvolvimento saudável, tanto sob  o aspecto físico quanto psicológico, para evitar que o menor seja privado do tempo necessário aos estudos e à formação cultural, para que ele não seja exposto a locais prejudiciais a sua formação moral e ainda para que ele fique longe das duras consequências dos acidentes de trabalho e para isso estabelece uma série de restrições ao seu trabalho.





Menor - para fins da relação de emprego -  é o trabalhador com idade entre 14 e 18 anos incompletos. Portanto, pela previsão legal, é proibido qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.





Talvez alguém conheça uma família de carpinteiros. Não é difícil de encontrar. Trabalham nessa oficina pai, mãe e seus quatro filhos, sendo dois deles menores de idade. O que a lei diz sobre esse trabalho?





De acordo com o disposto no art. 402, da CLT, em seu parágrafo único: "o trabalho do menor reger-se-á pelas disposições do presente Capítulo, exceto no serviço em oficinas em que trabalhem exclusivamente pessoas da família do menor e esteja este sob direção do pai, mãe ou tutor, (...)"





Devendo guardar-se as devidas proporções, vale dizer. Tomemos como exemplo uma reportagem em que foi mostrada crianças trabalhando no matadouro que pertence ao pai - ambiente totalmente insalubre, que punha as crianças em risco. Neste caso, cabe a denúncia.





Ok. Mas e as crianças que trabalham na televisão atuando? Apresentando programas infantis? 





Admite-se excepcionalmente a atividade com amparo na garantia de manifestação do direito fundamental da liberdade de expressão, desde que ausente qualquer prejuízo ao menor. E por ser, também, por essência considerada atividade artística e não um emprego.





E em atividades circenses? É permitido? Totalmente proibido?





Nestes casos, o Juiz da Infância e da Juventude pode autorizar o trabalho do menor, desde que, a representação tenha finalidade educativa e não seja prejudicial à sua formação moral, bem como seja a remuneração do trabalho indispensável à subsistência do menor ou de seus pais, avós ou irmãos.





Criança que trabalha perde a infância.





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É da nossa conta.



Denuncie.



As denúncias podem ser feitas nos Conselhos Tutelares, pelo Juizado da Infância e Juventude, pelo Disque 100 ou diretamente ao Ministério Público.



* Esta postagem faz parte da campanha da Fundação Telefônica realizada em conjunto com o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho) 



Mais informações:



Fan Page Pró-Menino: http://www.facebook.com/redepromenino

Twitter: @promenino

Site: promenino.org.br



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

19 coisas que devem ser ditas ao seu filho




Buscando o presente perfeito para esse dia das crianças, fico me perguntando: o que uma criança quer? do que ela mais precisa? o que a deixa feliz?






Acabei encontrando esse artigo, cujo original está em inglês, e o adaptei pra vcs e pra minha vida. 


Com uma vida que às vezes nos atropela, acabamos esquecendo de priorizar o que de fato mais importa: o contato com o outro, o respeito a quem amamos. Esquecemos que presença é bem diferente de estar presente. E que presente também difere de presença. Ao lembrar disso, a busca acabou.












criação com afeto, cumplicidade, maternidade real, papo de mãe, vínculo, união
via








1 - Eu te amo! Não há nada que possa acontecer que vá mudar esse meu sentimento por você. Nada do que vc fizer ou disser vai mudar isso.





2 - Você é incrível! Olho pra vc com admiração! Não apenas pelo o que vc pode fazer, mas por ser quem vc é. Não há ninguém como vc. Ninguém.





3 - Tudo bem se vc chorar. As pessoas choram por muitos motivos: quando estão feridos, tristes, felizes ou preocupadas; quando estão com raiva, com medo ou se sentindo solitárias. Gente grande chora também. Eu choro.





4 - Vc cometeu um erro. Isso não está certo, mas as pessoas cometem erros. Eu os cometo. É algo que podemos corrigir? Então, está tudo bem. Vc pode começar de novo. Sei que vc está arrependido. Eu te perdoo.





5 - Vc fez a coisa certa. Pode ter sido assustador ou difícil, mas mesmo não sendo fácil, vc foi lá e fez. Estou orgulhosa de vc. Sinta-se orgulhoso também.





6 - Sinto muito. Perdoe-me. Errei.





7 - Vc pode mudar de opinião. É bom ser decidido, mas também é muito bom mudar.





8 - Que ideia maravilhosa! Como é que vc me sai com uma dessas? Como vc é esperto!





9 - Sua atitude foi bacana. Vc fez algo útil e generoso para alguém. Vc deve se sentir bem por isso. Obrigada.





10 - Tenho uma surpresa pra vc! Nem é seu aniversário, nem nenhuma data especial. Apenas uma pequena surpresa.





11 - Posso esperar, tenho tempo pra vc





12 - O que vc gostaria de fazer? É a sua vez de escolher. Vc sempre tem grande ideias. E também é importante segui-las.





13 - Conte-me a respeito. Quero ouvir mais. E então, o que aconteceu? Estou aqui para te ouvir.





14 - Estou bem aqui. Não vou sair sem te dizer tchau. Estou te olhando, estou te ouvindo.





15 - Por favor e obrigada - são palavras muito importantes. Se eu esquecer de usá-las, vc poderia me lembrar?





16 - Senti sua falta. Penso muito em vc quando não estamos juntos.





17 - Tente. Apenas um pouco. Dê uma provadinha. Vc vai gostar. 





18 - Vou te ajudar. Ouvi vc me chamar, estou bem aqui. Como posso te ajudar? Se nós dois fizermos juntos, poderemos conseguir. Sei que pode fazer sozinho, mas estou feliz em poder te ajudar, já que vc me chamou.





19 - O que vc deseja? É muito bom ouvir o que vc deseja, o que espera e com que sonha.








* adaptado daqui



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Porque não vou ler "Cinquenta Tons de Cinza"


Há muito tempo abandonei o caráter arrogante com o qual eu encarava a literatura de entretenimento. Não lia e já achava uma porcaria. Em contrapartida, ficava completamente alienada sobre as produções literárias contemporâneas.





Quando estou muito cansada e não quero uma leitura difícil, nem nada muito profundo, me jogo nos livros da Marian Keys que me fazem rir muito, muito mesmo. Em época de escassez de blogs de entretenimento, recomendo.





O lançamento do livro Cinquenta Tons de Cinza causou um frenesi absoluto entre as leitoras de todo o mundo. Recorde de venda em vários países, é o maior fenômeno literário depois de Harry Potter. (!)








50 tons de abuso, agressão, livro ruim, machismo, misoginia, cupcake, mulheres








Classificado como erótico por uns e obsceno por outros, o jogo sexual que dá o tom do romance só comprova o que sempre soube. Mulheres gostam de ler sobre sexo. Mulheres gostam de sexo. 





Visto o que aconteceu quando tratei desse assunto, com uma abordagem totalmente pessoal aqui no blog. É uma das postagens mais acessadas! Apesar da receptividade - e-mails e mensagens privadas, notei que o texto foi pouco compartilhado de forma individual, mas bem difundido em grupos fechados, onde talvez estariam as leitoras seguras dos olhares de reprovação - suponho. Curioso.





E taí o motivo de tanto sucesso e da antipatia de certos homens que não veem com bons olhos essa incitação à fantasia entre a classe feminina.





A histeria






"Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja." 










Mulheres esvaziando prateleiras das livrarias numa correria avassaladora, lendo sem parar, escondidas dos chefes, maridos e filhos, comentando com as amigas, nas redes sociais. Igual as mocinhas do começo do século. Confesso que quando vi toda essa histeria, fiquei curiosíssima para lê-lo.





Pensei se tratar de uma história de amor, com cenas de sexo sendo descritas com riqueza de detalhes. Bom - pensei. Depois vazou a informação que o Grey era adepto do sadomasoquismo. Não curto muito essa história de submissão e humilhação como geradores do prazer mas ainda assim, movida pela curiosidade, queria ler.





Aliás, agora que se descobriu (hahaha) que gostamos de sexo, há toda uma indústria voltada para o nosso prazer. Muitas produtoras de filmes pornográficos estão adaptando a putaria para o olhar sensível das mulheres. Ai, que subversão!








O interesse acabou quando...





descobri que não se tratava só de algemas, correntes e intermináveis cenas de sexo, mas que a tortura ia além do físico, na verdade o jogo psicológico de domínio/submissão previsto inclusive em contrato, era o mote da trama e acontecia fora da cama. Perturbador.





Ela, uma jovem estudante e ingênua e imatura.


Ele, um jovem bonito e enigmático e atormentado e milionário. Um príncipe. O homem dos sonhos.





Nada consegue ser mais clichê que isso.





Ah, mas ela gosta.


Ah, tadinho...foi um trauma de infância. Espera até ler toda a trilogia.


Ah, mas com um homem desse até eu...





(dizem os entusiastas leitores)





Tudo isso soa para mim como a clássica narrativa da violência doméstica. Reforçando a mitologia de que as mulheres querem e gostam no fundo de se machucar e que cabe à nós curar este tipo de homem atormentado, aceitando alguns desmandos e  amando-o de maneira satisfatória. Afinal, o amor tudo suporta. Ah, o "amor".







50 tons de abuso, cada um na sua, misoginia, abuso de poder, relação de poder, feminismo, luta feminista, casal
via








Perpetua também a cultura do estupro, da qual queremos nos livrar há séculos, que se caracteriza basicamente sobre a noção de que abusar fisicamente de alguém contra a sua vontade é mais excitante, mais estimulante.  A única coisa que esse casal tem em comum é dor, dizem - em um é por consentimento visando o prazer sexual e no outro é a forma totalmente repreensível de abuso e violência contra uma pessoa inocente.







príncipe fake, livro ruim, conto de fadas
não, né?









Sabe essa fantasia romântica de que o homem mandar no corpo da mulher significa amor, cuidado? Depile-se. Cuide-se. Malhe. Esteja pronta, que hoje eu quero te usar --- sério mesmo que essa tutela é bem quista? Que ainda queremos um homem maravilhoso que venha ensinar tudo pra gente?








O que andam falando





Assisti ao programa Saia Justa no GNT no dia em que colocaram o livro na roda dos debates. Maria Fernanda Cândido diz que não conseguiu ler. A Waldvogel, contrariando a grande massa, diz que o livro é de um marasmo absoluto e que o primeiro beijo ocorre lá pelo oitavo capítulo. Nada é unânime nessa vida.





Num dos vídeos, foram convidadas duas jornalistas. Uma amou e outra odiou. E a fala que mais me chamou atenção foi a da Nina Lemos, onde ela diz que não precisa conferir um caráter cupcake a um livro que fale de sexo para nós. A cena para ser envolvente, basta estar bem escrita.





Segundo ela, mulher gosta de pornografia. E defende que podemos gostar de pornografia, assumidamente. Não precisamos de sexo disfarçado, o que mudam são as nuances, mas que mulher gosta é de putaria. 









Não à toa, o sucesso de vendas desse livro.








Pra mim não rola, nem sob o pretexto do entretenimento.