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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Agosto, desgosto e TPM *











Existe um mês em que meus companheiros anjos da guarda tiram férias: Agosto. É incrível como tudo que não pode acontecer, acontece justo nesse mês.




E quando ele chega, finjo caminhando e cantando e seguindo a canção, mas não tem jeito! Ele me pega. Como nada na vida é assim tão simples, some a uma série de desventuras em série,  uma severa e crítica crise de TPM.




E agora, como lidar?




Mentalizei coisas boas, passei a entoar mantras, abasteci a despensa de chás que prometem  calma e tranqüilidade.




Só que, passei a ter crises de choro sem motivo; descobri problemas da Bia com a matemática (logo ela,  uma matéria tão adorável); marido viaja duas vezes no mesmo mês; Otto com uma crise de asma que não passa; o gás que acaba  na hora do almoço (valeu, Murphy); a pilha de roupas pra passar  que cresce em progressão geométrica  e eu que passo em progressão aritmética; minha mãe passa a me ligar, pedindo pra eu voltar pra terra onde tem  palmeiras, onde canta o sabiá; brigas, problemas e guerra no planeta Terra e .............AHHHHHHHHHHHHHHH.....a cada vez que isso acontecia, sabe o que eu fazia?





a)      (   ) bebia um chá?


b)      (   ) entoava um mantra?


c)      (   ) ouvia Núbia Lafayete bebendo uma cerveja gelada?





Não, não queridas-amigas-leitoras, sentava no sofá e comia uma tigelona quente de brigadeiro. Um delicioso e malicioso brigadeiro.




Eram verdadeiros momentos de prazer, onde eu me consolava a cada colherada. Comia quente e ainda revirava os olhos, soltando suspiros profundos. Suspendi gritinhos e gemidos, porque não ia pegar bem, néam? Era um afago que eu me permitia, era um carinho, era....ahhhhhhhhh.....




Soaria tão poético se eu não tivesse engordado dois quilinhos nesses momentos de prazer desmedido.




Agosto se foi e a ele uma banana.


Setembro chegou e a mim, uma salada, por favor.





quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sou uma fraude...







...de mim mesma.




Explico. Não sei se ficou claro por aqui, mas eu escrevia em outro blog (coletivo). Começamos com toda empolgação no meio do ano passado. Foi lá, com as meninas, que aprendi horrores e me diverti um bocado. Redescobri o prazer de escrever.





Quando decidi criar esse blog, não esperava sair do primeiro. Neste, eu escreveria o que se passa no íntimo, retomando um antigo conselho de uma antiga terapeuta. Estava numa fase depressiva bem pesada e precisava tentar tudo que pudesse diminuir a angústia que me consumia.





Manter dois blogs não é fácil. Ainda mais quando se tem dois filhos e uma casa para administrar. Os textos inéditos foram ficando escassos e comecei a usar de um recurso pouco ético: o ctrl+c ctrl+v nos meus próprios textos. Copiava aqui e tapava lá. Copiava lá e tapava aqui. Tsc, tsc...





Mas hoje, com a necessidade de ser honesta comigo e com quem me lê, me despedi do antigo blog, com um texto Encerrando ciclos.




Bola pra frente, a vida segue e eu, estou louca para trilhar novos caminhos. Sempre.







sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Somos o que ninguém vê


Estar em férias, rever pessoas nos propiciam sempre causos a contar, ideias a trocar.





E foi numa mesa, com muitas pessoas falando ao mesmo tempo que surgiu um assunto que sempre me intrigou, mas que não me coloca dúvidas: somos fruto do passado? do meio em que vivemos?





Acredito que sim. Somos tudo aquilo que ninguém vê. Carregamos uma bagagem de experiências boas ou ruins que nos fizeram ser quem somos.





E tem um texto maravilhoso da Martha Medeiros, que trata exatamente disso e ela fala tão maravilhosamente bem, que prefiro me calar. Leiam:





"Você é os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.



Você é a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.



Você é o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.



Você é a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.



Você é aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.



Você não é só o que come e o que veste. Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê. Você é o que ninguém vê."





Somos tudo o que vivemos.


Bom começo de semana pra vcs!







sábado, 8 de janeiro de 2011

Oito vezes amor






Há oito anos atrás, gestava uma menina, que apesar de não ter sido planejada, foi muito desejada e aguardada.





E desde então, filha, vc vem me ensinando muito, a cada dia, a cada fase, a cada instante. Num primeiro momento, me ensinou a amar independente do medo, da imaturidade, da falta de recursos financeiros. Nossos diálogos começaram quando vc ainda estava na minha barriga e, sorte a nossa, continuam até hoje....





No dia 4 de janeiro vc nasceu e costumo dizer que não fui eu quem te deu a luz, mas que foi vc que trouxe luz para o meu mundo. Com sua fragilidade doce, vc me ensinou a ser mãe e com sua valentia revestida de tranquilidade vc fez com que eu suportasse a solidão naquele hospital.





Só se aprende a ser filho, depois que nos tornamos mãe. Depois que vc veio ao mundo através de mim, passei a ser grata por tudo o que minha mãe fez e a olhá-la com generosidade.





Filha, obrigada por sua amizade, por seu companheirismo, por sua doçura, por sua presença sempre espirituosa, por seu bom humor, por todas as risadas que damos juntas....





E foi uma delícia rever o filme mais emocionante da minha vida, pela oitava vez!





Te amo pra sempre.


Beijos da mãe babona






quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A história de uma Joanna D´arc


Nesse exato momento, estou em Fortaleza - minha cidade natal, revendo pessoas e lugares especiais pra mim.





E ontem tive o privilégio de me encontrar com uma amiga dos tempos de colégio. E essa é daquelas amizades que tem história. Ela sabe muito de mim e eu sei muito dela. Não o suficiente para me surpreender com sua trajetória de vida....de luta!





A família dela é pequena: pai, mãe e um casal de filhos. Após sucessivos derrames e enfartes, seu pai foi aposentado por invalidez. Um triste golpe, para quem se habituou desde muito cedo a trabalhar.





Temendo algo pior por conta de uma forte depressão que se abateu sobre seu gigante, minha amiga, abriu mão de algo que ele próprio ajudou a conquistar: infelizmente teve que abandonar a faculdade, pois coube a ela ficar ao lado do pai, que não entendia o fato de ela estar em casa "sem fazer nada". Engolia a seco os protestos dele, por não poder confessar seu gesto de amor, de abnegação.





Daí começou a lutar, trabalhando para ajudar em casa, revezando com a mãe em empregos incertos e pouco rentáveis. Ao seu lado, um namorado - hoje marido - que conheceu ainda na adolescência. Até que um dia, resolveu explorar seus dotes culinários. Fez cursos. Aprimorou-se e abriu uma confeitaria, ainda modesta, chamada Mandacaru - confeitaria do sertão. A razão do nome? Ela me disse que o mandacaru quando floresce no sertão, é a esperança da chuva, esperança da fartura! Apropriado - achei.





Nessa nossa conversa, em que ela tentava me colocar a par de tudo o que aconteceu nesses últimos dois anos em que pouco nos falamos, uma história me chamou a atenção: num dia desses de dificuldade financeira, com a luz prestes a ser cortada, sua mãe lhe deu 100 reais para que regularizasse a situação.





Como sabia que sua mãe estava destapando um buraco pra cobrir outro, ela decidiu usar esse dinheiro para outro fim. Correu no supermercado, comprou ingredientes necessários para fazer sanduíches, encheu um isopor e foi vender na praia, já que aqui era época de pré-carnaval. De 100 reais ela conseguiu fazer 800!!! Pagou suas dívidas e deu para mãe muito mais do que esta havia emprestado.





Gente que luta e não tem medo de correr atrás. E Deus sempre olha para essas pessoas....tudo é uma questão de tempo. Não o nosso, mas o tempo Dele.





O nome da minha amiga guerreira é Joanna D´arc, não à toa. Casada, mãe de um menino...ou melhor, de tão maternal e cuidadora que ela é, me arrisco a dizer que ela é um pouco mãe de todos que a cercam.





Pessoas assim, enriquecem a minha vida e me inspiram a continuar acreditando.


Um 2011 pleno de realizações, felicidade e de esperança - é o que desejo a vcs.


Força e fé.