Vou abrir um parêntese aqui nesse blog, pra falar de algo que atinge cerca de 340 milhões de pessoas no mundo - a Depressão. Vale ressaltar, que não falo de depressão como um estado emocional, mas sim como evento psiquiátrico.
Daí que num belo dia de sol, acordei triste. E as cores, antes muito vivas, desapareceram. E ficou tudo monocromático, monótono e morno.
Vc já se imaginou presa a algo que vc não vê? Acorrentada sem correntes? Cansada, desanimada, desestimulada sem nenhum motivo aparente?
Amanhece. E, em mim, renasce a força para começar uma nova jornada, quando meus filhos aparecem felizes no meu quarto....como que me chamando pra vida!
Sigo toda uma rotina, feliz por meu inimigo ser imperceptível pra eles. Até que me vejo sozinha em casa e tudo o que mais quero é me render. Parar de lutar contra o que não vejo e, só assim, descansar o corpo e a mente. Adormeço. E ao acordar, percebo que continuo no meu terrível pesadelo. Uma vida acontece fora de mim, ali, ao longe...quero reagir, mas não consigo. Quero gritar, mas me foge a voz. E no fundo, me envergonho e me CULPO por não ter força pra reagir.
Convivo com esse problema desde muito nova e durante todo esse tempo, ouvi conselhos dos mais variados, alguns absurdos e um bocado de insultos. A lista seria enorme, mas os mais comuns:
procure uma igreja - vc precisa de Deus; (e quem não precisa?)
sai dessa cama, uma menina tão nova... e ainda acha que tem problemas; (velha pode? é isso? dãa)
no dia que vc descobrir como é dura a realidade de algumas pessoas, vc vai se arrepender de se lamentar assim...(cadê o chicotinho?)
Gente? Francamente.
Depressão é uma doença. E quem a sente, não tem culpa por estar sentindo. E, talvez nem saiba explicar o que sente e nem como sente. E essa ausência de respostas é bastante normal.
Nesse momento de fraqueza, o mais importante é aceitar minha condição. É assumir que sozinha não conseguirei e que só um médico poderá me ajudar a retomar o tratamento. Sim, gente! Um PSIQUIATRA. Um médico como todos os outros...não há o que temer. Ele é o cara, quando o assunto é a psiquê, sinapses cerebrais e outras coisas que me fogem.
Sonhei com o momento em que se discutiria sobre transtornos psiquícos, sem tabus. Sem preconceitos. Ultimamente, a abordagem sobre esses assuntos aumentou bastante, mas o preconceito das pessoas não diminuiu. O deboche, muito menos.
Agindo sob ignorância, falta de conhecimento, os termos psiquiátricos ganharam tons pejorativos e são aplicados erroneamente, aleatoriamente. Portanto, o depressivo não é, em hipótese alguma, um preguiçoso, um fraco!
Não se pode estereotipar. Cada transtorno tem suas características e essas, são desconhecidas da maioria das pessoas que não as possui. Temendo a picardia, muita gente se envergonha de assumir que tem algum tipo de transtorno...mas ninguém tem vergonha de dizer que tem gastrite, que tem dermatite ou qualquer outro problema de saúde. É essa naturalidade que nos falta.
Prazer, me chamo Daniele, tenho 30 anos. Fui diagnotiscada como bipolar em 1997. Procurando viver bem comigo mesma e com os outros, desde sempre.
Desde que recebi esse diagnóstico, não uso eufemismos pra justificar o que tenho. E em parte, o que sou. Foi buscando conhecimento, que aprendi a me aceitar. Conhecendo outros testemunhos, que pude perceber que eu não estava só e pude me libertar da culpa, sempre tão pesada.
Sabe que apesar de tudo tenho sorte? Por ter amigos ao meu redor...e ter a certeza de que a cada queda, haverá uma mão pra me ajudar a levantar. E é isso......torço por um mundo mais colorido sempre! "Liberte-se e serás feliz como jamais sonhou".
Ah! Para saber mais:
Vale a leitura:
"Uma Mente Inquieta é o relato comovente e estimulante de uma mulher cuja feroz determinação de conhecer o inimigo, de usar os dons do seu intelecto para exercer influência no mundo, a levou a se tornar uma autoridade internacional em doença maníaco-depressiva (hoje, Transtorno Afetivo Bipolar). É a revelação de sua própria luta, desde a adolescência com a doença e de como esta moldou a sua vida."







