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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Cores, dores e amores




De todas as manifestações artísticas, a que menos mexia comigo, me emocionava, era a pintura. Achei também que eu só poderia ter um problema muito sério ou ser muito ignorante, por ser cega, apática e não conseguir ver beleza nos rabiscos ou em paisagens de sei lá qual estilo. Meu olhar nunca ia além.





Ainda na adolescência, descobri a Frida e mesmo sem saber nada sobre ela passei a admirá-la. Ninguém consegue ver uma obra dela sem se impactar de alguma maneira. Mistura fragilidade e crueldade. E suas obras são fruto do vivido: cores, dores e amores. E gosto disso, não escondo de ninguém que gosto de quem mostra o que se passa no íntimo, de quem consegue traduzir de alguma forma sua intensidade, seja pintando, escrevendo, compondo, cantando ou atuando.





O que digo aqui, é que não gosto de gente rasa. Não mesmo.







Se vc ainda não assistiu, assista o filme que conta a trajetória dessa mulher singular, que aprendeu a conviver com a dor desde muito cedo. Quando criança, teve poliomielite que a deixou com o problema no pé e aos 18 sofreu um grave acidente, quando o bonde em que ela estava se chocou com um trem e uma barra de ferro atravessou as costas de Frida e lhe perfurou a vagina. Era bissexual, comunista e comprometida em difundir a cultura do seu país, o México. Casa-se com Diego Rivera, onde encontra um parceiro na arte e em seus ideais. Foi um relacionamento tumultuado, cheio de casos extraconjugais, inclusive com sua irmã.




"Frida Kahlo (Salma Hayek) foi um dos principais nomes da história artística do México. Conceituada e aclamada como pintora, ele teve também um casamento aberto com Diego Rivera (Alfred Molina), seu companheiro também nas artes, e ainda um controverso caso com o político Leon Trostky (Geoffrey Rush) e com várias outras mulheres."









Um filme que merece ser visto, apesar de não ser nenhuma obra-prima.

Será que ficou clara a minha paixão por essa mulher e sua obra? Tenho uma verdadeira reverência a ela, à sua força e toda a sua dor.



E por ser tão admirada, há inúmeras peças que a reproduzem:
















Gamei nessa bata da Santa Graça e ilustração daqui









Ilustra de Jana Magalhães e ecobags lindas daqui

















T-shirts lindas da Zara - aquela da polêmica













Já pensou eu toda trabalhada de Frida?







Ótima semana a todos.








sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Pequenas mentiras, Grandes lembranças







"Vc sabe o que é um perdedor? Perdedor é alguém que tem tanto medo de

 não vencer, que nem mesmo tenta."  daqui







Se eu perguntar a vcs se mentir é ruim, certamente a maioria esmagadora das respostas será afirmativa. E se eu disser que meu imaginário foi enriquecido por pequenas mentiras recebidas de modo homeopático ao longo da infância? E o responsável, o pequeno mentiroso foi o meu avô!





Existem vários causos, alguns folclóricos, que tem um valor afetivo inestimável que pretendo contar pra vcs agora.





Tínhamos o hábito de viajar todo mês de janeiro, era uma espécie de tradição entre meus avós voltar à cidade natal para os festejos do reizado. A viagem era feita de carro, que era abastecido gentilmente pela vovó de bolo de goma, café, paçoca, balas soft e caramelo toffle. A trilha sonora que nos acompanhava em todo o percurso era do Luiz Gonzaga, vulgo Rei do Baião - aprendi a gostar de suas músicas através do vovô.





Este aproveitando o fato de eu ser fã do cara e se salvaguardando de ter um irmão homônimo, dizia que o famoso cantor era meu tio, chamado na intimidade de Tio Gonza! O que não deixava de ser uma verdade. Afinal, se eu perguntasse a qualquer um na família se o vovô tinha mesmo um irmão chamado carinhosamente de Gonza, todos iriam dizer que sim.





Aprendi a cantar Samarica Parteira inteirinha, que é longa pra cacete, para me exibir no dia em que fosse apresentada ao ilustre tio. Contei para todos os amiguinhos da escola, pros vizinhos, pras meninas do ballet...


Minha avó que era uma cúmplice ao acaso, meio sem querer, acabou tendo que confessar anos depois, quando da morte do Luiz Gonzaga - o cantor, pois eu chorava copiosamente, de luto pelo tio of course.





Ah! E quando pequena tinha um outro ídolo: o Renato Aragão, vulgo Didi - que por sinal é cearense de Sobral, uma cidade que ficava no meio do trajeto da nossa viagem. Tínhamos sempre que passar por ela.





Aperreei tanto o vovô para descobrir a casa onde o Didi nasceu, mas tanto, que ele prometeu averiguar com um amigo o endereço certinho. Na volta da viagem, de posse da informação (a-ham), parou o carro em frente a uma casa, que supostamente era a do famoso trapalhão. Lembro de um silêncio solene. Se tivéssemos um chapéu certamente o teríamos tirado em reverência.





Achei aquilo o máximo. Achei meu avô o máximo.

Tempos depois, vovó acabou confessando a grande traquinagem!





Tinha também as mentiras de menor potencial ofensivo, como o caso do tutano de boi, sabem qual? Esta iguaria {eca!} era disputada à mesa por ele e pelo meu tio. Como eu era muito metida entrava na acirrada disputa. Com medo que minha avó cedesse aos meus apelos, dizia que só homens poderiam comer tutano, pois fazia crescer a barba.



O mais incrível era que eu acreditava em TUDO o que ele dizia.





A cada história que ia sendo revelada um rompante de gargalhadas explodia. Ria eu, ele e toda a família....até hoje!





Contando tudo isso, fico imaginando como ele seria criticado nesse mundo politicamente correto que vivemos hoje. Teria muita gente de dedo em riste apontando falhas nessa educação que a meu ver, não me trouxe nenhum prejuízo. Só me fez sonhar mais e por mais tempo.



Aliás, prefiro não imaginar. Prefiro deixar tudo isso imaculado na minha memória. (por ti sempre afetiva, vô)





Acho que preciso permitir que meus filhos fantasiem mais, né? Ou não?





segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Certezas




via we heart it





Conversinhas entre o Otto e o pai antes de dormir:




" - Pai, quando o sol nascer, já vai ser amanhã?

- Vai sim...

- Amanhã vai ser domingo de novo?

- Não. Amanhã será segunda-feira.

- Ah! já sei...sempre que o sol nasce, nasce um outro dia, né?






A parte boa da vida é ter a certeza de que o sol sempre nasce.

E de que a esperança se renova num novo dia.



Uma ótima semana pra todos.






quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Série 20 e poucos anos: depilação failed







via we heart it








Estava deitada na sua estreita cama de solteiro, ouvindo disco de vinil original da Tracy Chapman, celular na mão. Olho no visor, olho no teto. E nada! Agoniante passar mais uma sexta sem a presença do possível-futuro-ficante.





Finalmente o telefone toca {lembram daquele Ericsson com flip, último modelo em Paris?} era a melhor amiga convidando pra dar umas voltas. Só queria saber por que as melhores amigas sempre ligam quando se está esperando o telefonema deles.





Armário aberto, sai o vinil e entra o cd pra dar uma animada, roupas em cima da cama - cenário tipicamente feminino. Ao se vestir, lembrou que precisava dar um retoque na depilação. Do jeito que estava poderia facilmente ser confundida com Winnie The Pooh. Mããããs, como a saída era com a best friend e não com o carinha, resolveu ser prática, como era do seu feitio e deixou a depilação pra lá. Oras...





Pra arrematar, escolheu a peça de lingerie mais confortável. Leia-se: sutiã capenga e calcinha DECRÉPITA. Sabe aquelas que vc nunca entende o motivo pela qual elas estão na gaveta? Pois bem.





Roupa condizente com a moda em vigor, perfume, maquiagem, chave do carro - ok!





Como nunca foi uma moça de firulas, ao se sentar no barzinho transado não hesita e pede uma bebida com alto teor alcoólico. Queria afogar sua frustração. Olhares atentos à multidão, sempre procurando por ele...até que....o telefone toca {ainda o ericsson com flip}.





ELE:  Oi! Posso te encontrar?


ELA:  Ooooiiiiiii....{pãnta merda, a depilação!} Lóoogico que pode. Vem.





Como é típico de um homem interessado, chegou rapidamente. E ela o fitou com sua cara de pancake e deu um sorriso meio histérico, pesado de gloss. {moda na época. Deixem a menina, por favor}





Conversinhas. Risos. Olhares que faziam gelar a espinha e alagar a calcinha ~apagar. Mais Risos nervosos, praticamente beirando a neurastenia. Trombada casual de mãos, pernas, pés....o importante era o contato, por menor que fosse. E vamos combinar, nessa fase é tudo tãããão sugestivo!!!





ELE: Vamos?


ELA: {pãnta que pariu! a depilação, a lingerie decrépita} Hã? - tentou disfarçar.


ELE: Vamos dar uma volta...


ELA: sabe o que é? Estou muito cansada, amanhã preciso acordar cedo - insira aqui outra desculpa esfarrapada qualquer.





Restaram a amiga, o copo de bebiba e a decepção. Ah! que ódio de ter perdido a chance! - ela esbravejava ressentida.





O universo pode ser mesmo acachapante.





E como ela não estava devidamente depilada, acabou não acachapando ninguém.





Que fique a lição.







* essa é uma historinha de ficção. quantas mocinhas perdem uma chance por causa de padrões de beleza impostos? e eles? será que eles perdem oportunidades por não estarem depilados?







quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Julgando fantasias














Aconteceu assim:





Se conheceram pelo computador, através de uma das redes sociais. Um daqueles belíssimos casos de afinidade à primeira teclada.





Tornaram-se amigas no momento em que se adicionaram. E sabiam uma da outra, somente o que era compartilhado, anunciado. Ou seja, tudo aquilo que é conveniente.



Uma das coisas que mais chamava atenção era ela sempre fazer comidas incríveis, de difícil execução, mesmo tendo que cuidar da casa e dos filhos. Uau! Era inspirador a forma como ela conseguia dar conta de tudo. Praticamente uma super mulher.



Até que um belo dia, a amizade saiu do virtual para a vida real. Nisso, a verdade se descortinou. Aquela super mulher simplesmente não cozinhava. Comprava a comida. Era tudo industrializado. Ela enganou todo mundo? Mas como?



Decepção - foi tudo o que restou.



* * *



Se pensarmos bem, em nenhum momento ela disse que era ela quem preparava as refeições. A outra apenas supôs, idealizou, fantasiou.



Será que não julgamos os outros pela imagem que fazemos dela? Julgando o mundo tendo como parâmetro o próprio umbigo? Que culpa tem a pessoa que é diferente daquilo que foi fantasiado?



Quem nunca foi vítima ou algoz?





Esta é uma história de ficção. Qualquer semelhança com a realidade, terá sido mera coincidência.





segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Firme no propósito






via we heart it








Sabe quando vc adia tomar certas decisões só por medo de tentar? Por achar que vai ser muito mais difícil do que vc poderia supor?





Quando decidi parar de fumar, imaginei que seria terrível, que iria protagonizar cenas horrorosas de abstinência, que iria transformar a vida do povo aqui de casa num inferno...





O primeiro dia foi o mais difícil, quer dizer a primeira semana inteira. Sentia um vazio enorme, me sentia triste e tinha umas fissuras meio desinbestadas. E quando isso acontecia, corria pro banheiro pra tomar um banho, bebia água e comia muito chocolate.





Como tudo na vida, passava.





Outra coisa que me ajudou muito, foi ter tornado a decisão pública. Incrível, mas isso me fez/faz perseverar. E cada palavra de apoio que recebo, funciona como um verdadeiro empurrão de otimismo.





Por volta do décimo dia, achei que precisava de uma mãozinha. Fui ao médico e pedi pra que ele receitasse um remedinho pra me auxiliar nesse processo. E está sendo ótimo! Já consigo passar por fumantes sem o ímpeto de lhes arrancar o cigarro da mão.





Ainda não passei por tentações: não fiquei sozinha com uma amiga fumante e ainda não tomei nenhum golinho de bebida alcóolica. Não me sinto preparada pra isso e estou aproveitando esse tempo pra desintoxicar, pra adquirir bons hábitos, quer dizer...a coca-cola que entorno no final de semana, não conta.





Tem sido um grande aprendizado. Revi a relação que eu estabelecia com o cigarro e cheguei à conclusão de que não preciso de muletas. Estou aprendendo a andar por conta própria.





Estou mais confiante, já me olho no espelho e reconheço uma pessoa que pode tudo o que se propuser a fazer. Sou mais forte que tudo.





Eu quero.


Eu posso.





Oi, meu nome é Daniele.


{clap, clap, clap}





Estou limpa há exatos 30 dias.


{valeu, Daniele. clap, clap clap}





Só por hoje.







sábado, 13 de agosto de 2011

Pai pra toda obra












Ele foi pai antes mesmo de eu ser mãe. Aprendeu junto, sentiu medo, se preparou, esperou e até engordou durante as gravidezes.





Buscou o seu lugar, não se contentou em ser coadjuvante. Como não podia amamentar, escolheu acordar junto pra pegar a cria e buscar água. Não só apoiava, como fazia questão de fazer o bebê arrotar. Essa era sua maneira de participar.





Pai que ninou, que cantou, que descumpria regras, que criava tantas outras. Pai que vela os filhos durante as noites de febre, que divide a angústia com o termômetro na mão, que dá colo, que gargalha em horas impróprias, que nunca diz não a um pedido de brincadeira.



É um homem de fé, ao contrário de mim e não há uma só noite que ele não reze junto dos filhos, pedindo proteção e agradecendo a Deus, em quem tanto confia, os presentes que recebeu. Também não há uma só noite que eu não me enterneça com essa cena. 





Pai que faz xixi sentado desde que a filha menina desfraldou, que permitiu tantas vezes que ela o maquiasse e que enchesse seu cabelo de fivelinhas tic-tac. Brincou de Barbie, fez comidinha em panela cor de rosa e assistiu Cinderela tantas outras vezes.





E é o mesmo pai que sempre traz da rua um carrinho hot wheels pra aumentar a coleção do filho, que brinca de bola, que empina pipa, que joga bolinha de gude. Pai que captura besouros, junta minhocas e pequenas rãs para que o filho conheça, pegue e depois liberte, sem machucar.



É o pai que compartilha insônia.





Pai que liga do trabalho pra dizer bom dia aos filhos todos os dias, que deixa bilhetinhos pra eles espalhados pela casa quando viaja, que vai pra reuniões da escola, que não falta a uma festinha. É o primeiro a encorajar, a bater palma, a babar. É do tipo que procura o melhor ângulo pra foto inesquecível....é do tipo que torna todos os momentos dos seus filhos inesquecíveis. 





É aquele que está sempre presente, que dividiu tudo comigo desde o primeiro momento.





É ele.


Sempre.


O melhor pai que meus filhos poderiam ter.





Feliz dia dos Pais.










sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Amamentar é pra quem pode? $$$










Mãe e filha do artista plástico nipo-brasileiro Carlos Kubo





Longe de ser preconceituosa ou de querer levantar questionamentos inócuos, gostaria de trazer um assunto comum com uma abordagem diferente. Fiquei completamente confusa ao ouvir de duas mulheres o comentário que entitula esse post.





Estavámos na clínica infantil, uma clínica frequentada por classes A e B ou por pessoas como vc e eu, pra uma consulta de rotina e, enquanto os meninos brincavam, eu folheava uma revista distraidamente. Até ouvir as mulheres ao lado tergiversando sobre amamentação. Continuei com a revista, mas a atenção estava voltada pra elas...





Eram duas mulheres maduras, bonitas e muito bem vestidas. Uma delas, que aparentava ser mais velha que a outra, pôs fim a conversa dizendo que "quem mais deveria amamentar (os pobres, de acordo com o contexto), não amamenta. Para eles sim, o leite materno é super importante." - era uma crítica desdenhosa.





Todo mundo sabe que os benefícios do leite materno não escolhem raça, credo ou classe social. É importante pro filhos deles, pro meu e pro seu...pra todos. Todo mundo sabe quão importante a amamentação é para o fortalecimento do vínculo. Todo mundo também sabe, que amamentação requer perseverança e tranquilidade, concorda?





E foi aí, nesse ponto que perdi horas pensando...se é difícil pra pessoas como vc e eu, imagina pra quem não tem condições financeiras.





Pessoas como vc e eu, nos preparamos não só pra chegada do bebê, mas pra amamentarmos. Possuímos cadeira apropriada, almofada apropriada, pomadas e conchas apropriadas e tudo isso ainda não garantem o sucesso da amamentação. Precisa mesmo dessa tralha toda? Fora que qualquer susto ou estresse que nos acometem já limita nossa produção de leite. Que dirá...





Estamos falando aqui das pessoas realmente carentes, que não possuem uma moradia digna, que escolhem se vão almoçar ou jantar e dormem sem saber se vão comer no dia seguinte, mal conseguindo nutrir o próprio corpo, que não possuem água encanada. Mulheres que saem da maternidade sozinhas, carregando um bebê no colo e dando a mão pro ônibus na parada mais próxima. Sem contar que em realidades assim, a licença maternidade não passa de um sonho dourado de uma realidade idealizada.





Tranquilidade? Apoio? - essas mulheres não sabem o que é isso.





Ou seja, tão logo se recuperem das dores do parto, qualquer que seja ele, voltam pra rotina massacrante de trabalho. Seja limpando casas ou lavando roupas. A regra é clara: só comem se trabalharem.





Não seria ótimo se a amamentação não fosse exclusividade de alguns? Já pensaram como seria bom se o Estado garantisse emprego e o mínimo de dignidade a todas as mulheres para que todos os bebês pudessem se beneficiar do aleitamento materno?





Pessoas assim merecem ser recriminadas por não conseguirem? Por não perseverarem em prol do bem estar do filho?





Será que tudo isso é uma questão financeira ou cultural?





{convém salientar que as hipóteses levantadas nesse texto foram pensadas de acordo com a realidade que vi e vivi. Não estou generalizando, até porque ao invés de dogmatizar estou apenas refletindo e convidando vc a fazer o mesmo}





E vcs, o que acham disso?
















quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Autonomia - eles podem tudo?




Qual mãe não acha bonitinho quando o filho resolve ter vontade própria? Isso é sinal de autonomia, de autoconfiança, de independência. Um sinal de que podem manifestar seus desejos





Nesse momento do desenvolvimento, entusiasmadas com a novidade, deixamos que o filho escolha o que quer lanchar, o cardápio do almoço e até o que irão vestir.


Vamos nos ater somente a um dos milhares exemplos de autonomia: a escolha da roupa.



E quando essa autonomia se volta contra a gente? Sabe quando vc resolve sair de casa atrasada pra um compromisso e de repente vc esbarra na escolha da roupa? Com a Bia, minha filha mais velha, acontecia muito isso.





Ela só queria sair de casa com um vestidinho vermelho, que era bem rodado. Usou umas 63563290 vezes, como se fosse peça única no armário e sempre, sempre era um escândalo quando eu resolvia que ela não sairia mais com ele.





As saídas já começavam com birra, porque por mais que eu tentasse explicar que ela precisava variar as peças de vestuário ou que não era legal usar roupa de frio no calor,  na hora do choro, os argumentos não a demoviam de seu objetivo.  E, quando finalmente cansei de chororô na hora de sair, sempre atrasada diga-se, sumi com o vestido. A saída foi tirá-lo de sua vista.





E só então, passei a limitar as suas escolhas. Deixava em cima da cama, duas combinações que julgava serem apropriadas e, independente de sua escolha, ela sempre sairia a contento. No caso, orientei sem que ela soubesse, ao invés de impor de forma direta a minha vontade em detrimento de suas escolhas. Agindo assim, a deixava livre pra exercer sua autonomia, não tirando dela a oportunidade de resolver seus problemas sozinha.





Aprendi com a prática (sangue, suor e lágrimas) e desde então, não tenho mais problemas na hora de sair. Quer dizer, problemas sempre tenho, mas com esse não mais.





Sabe que o Otto é bem desligadão? Pra ele tanto faz...não sei até quando.



Já passaram por isso?


O que fizeram pra driblar a situação?





sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Apelidar - quem curte?




As vítimas






Vocês tem o costume de apelidar os filhos? Sou incorrigível.





Nada tem a ver com o nome, não são simples diminutivos, são coisas completamente aleatórias, nonsense total. Mudam as estações....e os apelidos também. É um pra cada fase da vida!





Vou abrir minha intimidade e ilustrar o que estou tentando dizer:






  • Bia-bebê - era chamada de Jambeleuza - era gordinha, fofinha e achei o apelido apropriado;



  • 1 a 3 anos - era chamada de Bizunga e suas derivações: Bizunguinha, Bizungona - justamente por ser abelhudinha, se é que me entendem;



  • 4 a 6 anos - virou a Xica da Silva (com essa grafia mesmo, igual a da novela) - por ser muito respondona;



  • Atualmente, na intimidade do lar, chamada de Bilim-bilim.







O coitado do Otto não escapou ao meu anseio em nominar as coisas. Só Heidegger explica *cof. Tenho que procurar o AA - apelidadores anônimos.






  • Otto-bebê - era chamado de chupa-chups, por mamar alucinadamente. Era o meu chupa-chupinhos-chups e em muitas vezes chamado carinhosamente de bebê-bombom, dada a sua fofura excessiva.



  • 1 ano até hoje - chamado de QuituNtes - assim, com n mesmo, por achar mais sonoro e também sua derivação não menos exclusiva Esquituntes, ou Esquitum. Depende da vontade em amassá-lo.







E com esse último apelido, criei até uma musiquinha, um jingle que canto sempre que estou à procura dele pela casa:





"  Esquitum-bebê, esquitum belequetê

  Esquitum-bombom esquitum belequeton

  Esquitum-bebinho (?) esquitum belequetinhooooooo"




Gente! E fui eu mesma que fiz.

Minha primeira composição!!! {suspiros}

Te cuida, Chico.



Não me deixem passar essa vergonha sozinha. Manifestem-se para que eu me sinta um pouco normal, por favor...



* Bom final de semana.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Jeito Mafalda de ser





Mafalda foi uma tira escrita pelo cartunista argentino Quino. A personagem é uma menininha de 6 anos preocupada com a humanidade, rejeita o mundo tal como ele é, se preocupa com a política, defende os direitos da mulher, odeia sopa (assim como eu) e é fã dos Beatles (assim como a maioria de nós). A verdade é que ela vive questionando tudo à sua volta.













Pois bem, apresentei a Mafalda à Bia, enquanto preparava o roteiro da viagem que fizemos à Buenos Aires. Queria mostrar um pouco da cultura do lugar pra que ela  entendesse um pouco tudo que veríamos por lá. (sim, tirei aquela foto micônica com a estátua da Mafalda e na porta da casa do Quino)





A verdade é que a Bia se apaixonou e trouxe na mala um exemplar da boneca. Tempos depois, passou a ficar indignada com as amiguinhas por elas não a conhecerem. "Como pode, mãe? Querem viver de Barbie a vida toda?"





E de uns tempos pra cá, não quer mais saber dos gibis da turma da Mônica, muito menos do Mickey. Seu mais novo passatempo é ler todas as tirinhas da Mafalda! Dá uma googada e salva tudo no computador.





A filhota que já tem a natureza questionadora, já está assimilando conceitos como paz mundial, capitalismo selvagem e os direitos das mulheres. Devo me preocupar?



Pensando seriamente em apresentar a Pollyana pra ela, será?



update: Bia tem 8 anos!!!





















segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Desde quando?

CENA 1



{sentada desleixadamente com o notebook no colo}



marido: senta direito. Olha a postura!





CENA 2



{saindo de casa}



marido: vai sair assim? Leve um casaco mais quente, vai esfriar.



CENA 3



{aaaaatchim}



marido: vai logo aplicar salsep, olha a rinite!



CENA 4



{ vivenciando a tpm mais difícil de todos os tempos, resolvi comer chocolate às 22h}



marido: o quê? comendo chocolate uma hora dessas???






Desde quando nossos maridos começam a se parecer com a nossa mãe, hein?