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domingo, 19 de dezembro de 2010

Assunto bom pra cachorro





Sou severamente apaixonada por bichos! Quer dizer, por cachorros...não sou muito chegada a gatos. Não consigo ver pássaros engaiolados e me angustia ver peixinhos dentro de aquários. Sou tão medrosa, que nunca tive coragem de pegar num hamster, apesar de achá-lo fofinho! Sorte a minha, que meus filhos não são limitados como eu. Amam todos os bichos que veem pela frente. 





A minha família vai aumentar e....não, não estou grávida! Resolvi ceder aos apelos do marido e da filha, que pediu de aniversário um Golden Retriever e uma gaiola cheia de hamsters fofinhos!





Criar um bicho, qualquer que seja ele, exige planejamento. É como ter um filho, ou seja, exige-se responsabilidade. E a consciência de que vc estará levando pra casa um ser vivo, que necessitará de cuidados dos mais básicos aos mais complexos (aos nossos olhos) e que passará por várias fases diferentes na vida. Assim como nós.





Na infância, estará com um pique de energia total, e provavelmente poderá destruir objetos espalhados pela casa, devido a troca de dentição. Na adolescência, esse bichinho poderá se impor, para demarcar ou estabelecer seu território e o membro da família que o comandará. Na fase adulta, ele mostrará qualidades apreendidas ao longo da vida, já na velhice, os cuidados deverão ser redobrados: alimentação especial, acompanhamento médico periódico, suplementos alimentares e exercícios. Nesta fase, seu amiguinho não estará na sua melhor forma física. A família deverá preparar-se e aceitar sua condição de idoso!





Tenho notado um certo radicalismo no debate entre adotar x comprar um bichinho de estimação. Não sou contra adotar, muito pelo contrário. Defendo a ideia, inclusive! Só não podemos esquecer, que a grande causa para o enorme número de cães abandonados mundo afora é justamente a inadequação do temperamento do cachorro ao estilo de vida de seu dono, sem falar que levam para casa um bichinho que prometeram não crescer e este se torna um cachorro de grande porte. E quem compra, quer se resguardar e se assegurar de algumas peculiaridades inerentes a cada raça.





Vejo como um enorme problema o modismo com relação a determinadas raças, isso faz com que "cachorreiros" - pessoas que ganham dinheiro com a venda de filhotes - comecem a expor os cães a uma reprodução irresponsável, visando tão-somente o lucro, deixando de lado os cuidados necessários para a recuperação da cadela e o bom desenvolvimento dos filhotes. É um mercado cruel, pois a cadela não tem seu período de resguardo respeitado, por sucessivas gestações e os filhotes não mamam como deveriam.





Pesquise muito, muito bem a raça antes de levar o seu amiguinho pra casa. Levando em conta não só a aparência, o tamanho, a pelagem, mas o temperamento, grau de agressividade, territorialismo, necessidade de espaço, manutenção de pelos e propensão a doenças.





No meu caso, nessa minha fase da vida, vai ser impossível criar um Golden e já mostrei para minha filha o porquê (por ser enorme e demandar um tempo gigante). E, felizmente, ela entendeu. Prometi pesquisar sobre hamsters e pensar na ideia dela com carinho!



Vou exemplificar o que estou dizendo, citando algumas raças e suas peculiaridades. (desculpem os amantes de gatos, mas só manjo de cachorros. Não me processem!)







Lhasa Apso - Esse é o campeão no pedido das crianças, por causa de sua aparência fofinha!


É um cão de companhia, para ser criado preferencialmente dentro de casa. Profundamente quieto, calmo, pode passar horas e horas deitado perto de seu dono. É muito higiênico, nunca suja o lugar onde come ou dorme e aprende com facilidade o lugar "certo". Sua pelagem exige cuidados constantes para evitar sujeira, uma boa escovação diária e uma tosa periódica.


É um cão carinhoso, dócil, mas de temperamento muito independente. Prefere se isolar a se meter em brincadeiras com crianças (nesse caso, sugere-se o shi-tzu que é mais chameguento), embora tenha um caráter alegre e cheio de segurança. Tende a ser territorialista e é muito reservado com estranhos.







Golden Retriever - Lindo, lindo e lindo!!! (suspirando)


Alegre, ágil, forte, de movimentos leves, expressão mansa e caráter dócil (e apaixonante!). Essas características resumem os principais traços deste belíssimo (e apaixonante!) cão de caça, que adora aprender e está sempre pronto para o trabalho. É muito inteligente e obediente. (e apaixonante!)


Os filhotes são alegres, brincalhões e muito ativos (ops!). Necessitam de caminhadas diárias. Ficam sempre por perto e adoram correr e brincar com seus donos. São companheirões de crianças, por serem amáveis e pacientes. (e tremendamente apaixonantes!)


O pelo deve ser escovado de 3 a 4 vezes por semana e os banhos quinzenais, a partir do segundo mês de vida. Pode medir de 56 a 61cm (machos) ou 51 a 56 cm (fêmeas) e pesar de 25 a 27kg. Um bem humorado artigo, citando 13 razões para ter um Golden.(vale a leitura!)







Boxer - Apesar da aparência agressiva e sua cara de mal, é um cão extremamente dócil pois tem uma natureza naturalmente extrovertida. 


Tem uma devoção à família extraordinária e um instito de proteção excepcional. Sua afeição por crianças é mundialmente conhecida e quem convive com um, não custa a constatar sua boa índole. Não costuma ser agressivo nem mesmo com estranhos. Observa sempre antes de latir. Esse cara só falta falar...tem uma expressão corporal de dar inveja a atores globais. (oi?) E baba pra caramba!!!


Brinca pulando e dando soquinhos com as patas. (sou louca por esse também. Adoro cachorros protetores!)
















Basset Hound - Quem não se encanta com essas orelhonas e essa cara de pidão melancólica? Me diz. É um cão cheio de qualidades, mas se vc pretende deixar esse bonitão sozinho....repense! Ele não suporta a solidão. Late e uiva sem parar atéee alguém chegar em casa. E quando eu falo sem parar, é sem parar mesmo. Mas caso haja sempre alguém para ter com ele, vai fundo!


Por ser possuidor de grande paciência e incrível faro, esse cão era utilizado nas caçadas. (ou seja, ele cheira tudo e adora cavar buraquinhos fofos no seu quintal/jardim/sofá...)


Apesar dessa carinha tristinha, ele é um cão alegre, ativo quando jovem e amável e paciente com as crianças. Extremamente paciente, diga-se de passagem. Excelente companheiro e tem um temperamento bem equilibrado.


Suas orelhas merecem cuidado especial: precisam ser limpas uma vez por semana, para evitar infecções por sujeira acumulada. Necessita de um controle ferrenho com a alimentação, pois tem tendência à obesidade. E seu pelo precisa ser escovado, no mínimo duas vezes por semana.







Schnauzer - Esse é um dos au-aus do meu coração. E o futuro membro de nossa família.


Possuí inúmeras qualidades (não tô puxando a sardinha pro meu lado não, juro!): é forte, vigilante, muito robusto, rude, dinâmico, fiel e INTELIGENTÍSSIMO. É apto tanto para a guarda, como para companhia. (era o que eu queria). Tem grande disposição ao adestramento e tem uma grande resistência a doenças e a intempéries.


Diante do dono é muito atencioso, mas desconfiado com estranhos. Não faz amizades com facilidade e na ausência do dono é INCORRUPTÍVEL.


Ai, ai...amo essa raça! E a minha já tem nome, será: Frida Kahlo. =)











Maltês - tá aqui um cãozinho excelente pra quem mora em apartamento. Seu peso varia entre 1,8kg a 2,8kg. Bem pequeninho.


Sua pelagem longuíssima e super branca é um dos seus maiores atrativos!!! (na foto, ainda é bebê!)


Cãozinho inteligente, de caráter vivaz e super apegado ao dono. Se vc quiser um cão calmo para acompanhar seu ritmo, adquira um maltês. Se quiser um cãozinho agitado: maltês. Mas como assim? Eu explico: é que o temperamento desse fofo se molda ao estilo de vida de seu dono.









Campanha da Pedigree






SRD - Sem raça definida - afetuosos, brincalhões, super resistentes a doenças, dóceis e muito, muito inteligentes. Aprendem tudo com a maior facilidade, pois o que mais querem e desejam é o amor de seus donos. E pode crer, que esses sabem retribuir com muita lealdade o amor que lhes oferecem. Porque adotar é tudo de bom!



























Poderia passar horas falando de cães. Poderia citar várias outras raças, mas procurei me ater somente àquelas mais indicadas para crianças. Ainda assim, faltou citar tantas outras...





Considerações finais:





  • Assim como não se educa criança com palmadas e gritos, também não se educa cachorro com esses métodos. Na internet, existem milhares de sites que ajudarão nesse processo. E o da recompensa, é sempre o melhor deles! Invista um pouquinho de tempo e paciência e poderá desfrutar da amizade deles, da melhor maneira possível. Um artigo bacana, do Alexandre Rossi, aqui.







  • Procurem nunca comprar cachorros/gatos e outros bichinhos em feiras livres. Não vamos alimentar esse mercado "cachorreiro"!







  • Se sua opção,  for um cachorro de raça, procure bons criadores, que tenham um bom plantel e sejam éticos na hora de vender um cachorro. 







  • Pets também tem cáries e precisam de cuidados dentários. Não deem doces aos seus bichinos. O que não faz bem a gente, também não faz a eles. Uma boa opção de petisco é a cenoura. Alivia a coceira na gengiva quando são pequenos e deixam o pelo lindo, lindo!







  • Leiam esse artigo, do Alexandre Rossi, sobre cães para adoção. Aliás, leiam todas as dicas que esse cara dá. Sou super fã e recomendo!!! Até o nome do site é lindo: Cão cidadão.







E bichos, de raça ou sem,  merecem ser tratados com todo nosso carinho, amor e, sobretudo RESPEITO.








Ah! as imagens foram retiradas da net e peguei algumas informações no Guia de Raças e no Saúde Animal.








sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Vasectomia - um ato de amor ou Deixa que essa responsabilidade agora é minha







Retirei daqui




Quando resolvemos ter o Otto, combinamos que seria o último filho. Sonhava e desejava mais um parto normal e para garantir esse direito, meu marido prometeu que faria vasectomia.





Dessa forma, ele me livraria de uma cesárea ou futuramente uma cirurgia para ligadura e, também do uso contínuo de anticoncepcionais, ou seja, ele me libertou da responsabilidade da prevenção! Tomando para si uma responsabilidade que também é sua.





Sim, porque nossa sociedade machista sempre delega a nós, mulheres, esse papel: o de evitar uma gravidez. E se, por algum descuido, esta se consuma, pode ter certeza de que a culpa recairá sempre na mulher.





Estou em Fortaleza nesse momento e meu marido no hospital para se submeter a um procedimento cirúrgico, que leva no máximo 40 minutos. Rápido, prático e com poucos riscos de complicação. As taxas de falha na vasectomia, são menores que 1%. A minha participação foi preencher uma declaração de anuência e dar meu apoio moral.





Obrigada, amor, por dividir essa responsabilidade comigo. Obrigada ainda, por esse, que considero um ato de amor.





Companheirismo é isso. 







segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As crises passarão e eu, passarinho






E eu achava que a crise havia passado. Mas como, se esse ano bendito ainda não?





Lembram daquela crise no casamento, que julguei haver superado? Então, o pesadelo ainda não acabou. E sabe o que mais me atormenta em toda essa situação? Não entender quando e como isso começou.





Aliás, pra ser franca, é de não ter o controle mesmo! Controle da situação, controle da relação, controle do outro...sobretudo, controle sobre mim. E, pensando bem, sem reservas, o problema está justamente no fato de eu permanecer inerte em relação à vida. Ficar quieta, serena, incomodou como nunca pensei que incomodaria a quem sempre suportou tudo na maior tranquilidade. Quem sempre entendeu, compreendeu uma personalidade alucinadamente bipolar. Ehhh...definitivamente, o momento é de rupturas, de mudanças, de romper com o ostracismo, com a vaidade e despir-se de vez do orgulho!





Assim me acomodei: sem planos, sem aspirações...numa zona de conforto que me prometeu proteção, mas que me tornou tão frágil.





Preciso aceitar o fato de não ter respostas, de que o marido é um ser humano e de que viver numa concha não é a solução.




Sigo acreditando que todas as trilhas caminham pra gente se achar, como na música da Maria Gadú.







quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Do luto, da Faxina, da Esperança









Esse ano finalmente está chegando ao fim.


Não que eu goste de apressar a ordem natural das coisas...mas particularmente, esse ano foi muito difícil.





No começo do ano, em viagem de férias a Fortaleza, descobri uma gravidez. Apesar de estar tomando corretamente os anticoncepcionais, apesar de estar sangrando....não uma menstruação normal, mas espaçada, irregular, por duas vezes seguidas!





Deduzi estar grávida, quando comecei a apresentar os clássicos sintomas. A ansiedade era tanta, que me rendi aos exames de farmácia. Não podia esperar nem um minuto pra entender o que estava se passando comigo. Saí do banheiro com aquela coisa mijada na mão, chorando copiosamente. Minha mãe até tentou me tranquilizar, mas não deu.





Sangramento. Medo. Pavor. Pânico. Médico. Descolamento de placenta. Pânico. Exames. Medo. Choro. Perda do bebê. Choro. Culpa. Medo. Tristeza...........muita tristeza.





Resolvi não contar pra ninguém, pois não sabia exatamente o que estava acontecendo e o que era pior, não sabia o que estava por vir. Nem mesmo a Bia ficou sabendo...passei nove meses gestando um bebê no imaginário. Até que em outubro, mês previsto para o nascimento daquele pequeno ser, houve a redenção e pude entender, que aquela experiência foi um vento passageiro.





Com tudo isso acontecendo dentro de mim, o que acontecia fora não me acalentava. Passei uma crise muito forte e muito séria no casamento, que durou o tempo suficiente para nos amadurecer e tornar a relação ainda mais forte. Tudo dura o tempo suficiente que tem que durar.





Hoje, ao ler o post da Daya, falando sobre o valor do tempo, das prioridades que devemos eleger na vida, percebi que era chegada a hora de iniciar minha faxina.





Com o fim de um ciclo se aproximando, é inevitável as reflexões acerca da vida e por que não dizer, de nós mesmos. Hora de esvaziar as gavetas dos armários, preparar roupas para doação, se desfazer de papéis que só servem para acumular pó e esvaziar também o coração - de rancores, de mágoas, de culpas, de inveja, de medos.





Nos desfazer de coisas antigas para que novas possam chegar. E é essa energia que move a roda da vida! É isso que nos engrandece, nos faz crescer. É rever, assimilar e mudar. É o preparo pra subir mais um degrau na escada evolutiva. Lembrando que, tudo sempre nos acontece por alguma razão.





Tem um poema do Carlos Drummond de Andrade, que traduz com perfeição essa renovação da esperança:




"Cortar o tempo



Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,

foi um indivíduo genial.



Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.



Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.

Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."





E assim, devemos seguir: coração aberto e fé na vida!

Que venha 2011!!!



segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

E, definitivamente, a dor virou saudade!








Hoje é um dia muito especial. Poderia estar falando no passado, já que hoje seria o aniversário da minha avó, mas continuo comemorando silenciosamente a lembrança dela.





Costumava ser um dia inteirinho dedicado à família- ela fazia questão de que todos estivessem presentes e essa tarefa nem era tão árdua assim, pois a família era pequena e estávamos sempre juntos nos finais de semana.



E era sempre aquela confusão: os netos brincando de pega-pega na cozinha, conversas seguidas de boas gargalhadas, o chiado da panela de pressão, o cheirinho da calda de açúcar caramelando...e a colcha de crochê marcava presença todos os anos, esticadinha e cheirosa, sobre a cama para receber os presentes. Para não quebrar o protocolo, eu sempre descia desinbestada do carro, acotovelando meus pobres irmãos, pra chegar primeiro no portão e gritar com toda força: Vóóóóóóóóóó!




Ela adorava receber presentes, mas sempre cochichava baixinho, como que contando um segredo: meu presente é você! Um amor muito forte nos unia, algo que não saberia explicar, pois nada justificaria tanto amor, nem o fato de eu ter sido a primeira neta. Era algo muito, muito maior.





Convivi com ela dezessete anos e posso dizer com propriedade: aproveitei cada segundo. Nos falávamos todos os dias, nos beijávamos sempre que nos cruzávamos pela cozinha barulhenta e ela sempre pressentia quando algo de ruim acontecia comigo ou quando simplesmente adoecia.





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Estava cursando o 3°ano, me preparando para o vestibular. Costumava ter aulas específicas à noite que acabavam sempre 22h. Cheguei em casa exausta, tomei um banho e comia folheando as apostilas quando o telefone tocou. Era perto de meia-noite e mesmo assim, não me assustei, pois sabia que era ela ligando pra desejar boa noite. Atendi. Conversamos. E no final da conversa ela me disse: "Dandan, aconteça o que acontecer, vou estar sempre ao seu lado. E nunca, nunca esqueça que te amo muito. Promete pra mim?"





Nessa mesma noite, ela dormiu e não acordou. Infarto fulminante aos 57 anos e naquele 6 de dezembro de 97, já não comemoramos.





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Passei esses anos sofrendo no dia de sua morte, mas agora quero fazer diferente. Ao invés de chorar no dia vinte e sete de setembro, vou sorrir com o coração cheio de saudade no dia seis de dezembro.





Quero lembrar da vida, celebrar o amor que nos uniu; agradecer por tê-la tido nessa vida; ter consciência de uma vez por todas que o tempo que ela passou aqui não foi pouco, foi o suficiente...ela era o meu norte, o abraço acolhedor, o conselho mais sábio, o exemplo mais importante, o cheiro mais calmo, as mãos mais fortes, o amor mais sereno...era a minha fortaleza.





Lembrar da morte, da sua partida ainda dói muito.


Então, resolvi lembrar do dia em que ela nasceu....pra me ensinar a amar!





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Lembram da música do Oswaldo Montenegro? que foi tema do Sassá Mutema Era uma das favoritas dela.












quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Queimei a largada do Advento


Dezembro chegou.





Época das luzes mágicas do Natal, das cartinhas para o Papai Noel, dos olhinhos encantados de nossos filhos...época também, de muita saudade de quem já foi, do que não é mais...





Há quem não goste de comemorar o Natal e cada um tem uma razão diversa. Uns dizem que tudo não passa de hipocrisia social, outros afirmam se tratar de data comercial e há ainda aqueles que não suportam a saudade de algum familiar.





Tive uma infância muito feliz e minha avó foi a grande culpada disso. Em dezembro ela ficava ainda mais radiante. Além do natal, era o mês de nossos aniversários: o meu e o dela. Os preparativos para o natal começavam em outubro com a pintura da casa. E no grande dia da véspera, ela orquestrava uma cozinha cheia de gente e fazia questão de ter o LP da Harpa Natalina tocando all day long.





A alegria era o ingrediente principal da ceia, sem contar nas rabanadas sempre presentes! Não éramos ricos, mas na nossa ceia nada faltou. A impressão que eu tinha, era de que ela e meu avô economizavam durante todo o ano pra fazer um natal tão festivo!





Minha avó se foi...mas a saudade dela era tanta, que durante alguns anos não aplicamos o que ela mesma passou a vida ensinando com seu exemplo. Muito incoerente isso, né? Esse ano decidi de uma vez por todas não me sentir triste no Natal e fazendo uso de seus ensinamentos, resolvi queimar a largada do advento e montei minha árvore no comecinho de novembro (aloka)....já que ela nos dizia que "felicidade não deve ser adiada".





Há anos não faço uso da decoração natalina como se deve, por causa de minhas mudanças de cidade. A praticidade era minha desculpa. Como meus filhos estavam praticamente implorando pela decoração de Natal e minha mãe estava na cidade, juntei o útil ao agradável e montamos nossa árvore, espalhamos Papais Noeis (?) sorridentes pelos cantos e penduramos meias nas janelas.





Foi um momento muito especial pra eles (e pra mim também) ter a minha mãe junto, registrando empolgada a montagem da decoração. E me deu uma certeza lá no íntimo, de que daqui pra frente tudo vai ser diferente.








advento
daqui




A tristeza só entra quando encontra uma brecha, mas a felicidade chegou primeiro e se encarregou de trancar tudo!




O vôo do passarinho






Chega um momento em nossa vida de mãe, que precisamos entregar nossos filhos aos cuidados de um outro alguém.





É como parir de novo. Revive-se toda a ansiedade, a busca pela melhor opção e aí vem a dor da separação e o sorriso que vem em seguida ao corte do cordão umbilical, que reconforta o coração.





Antes mesmo de o Otto completar um ano, eu já dava como certa a ida dele à escola. Como ele tinha refluxo e era um bebê high need (que até então, eu desconhecia o significado), me consumia muito. Fora que por morar longe da família, não existia um só momento para chamar de meu! Eu era mãe full time, e por várias vezes eu sentei.....e chorei de tão cansada!





Bom, do que eu reclamava mesmo? Voltando um pouco a fita, me vejo tendo que abandonar meu projeto amamentação exclusiva da Bia, quando ela tinha apenas quatro meses para voltar ao trabalho. E sonhava e desejava com todas as minhas forças não ter que trabalhar, pra curtir o desenvolvimento dela. E mais, quando ela tinha 1 ano e 3 meses, optamos por creche em período integral em detrimento a deixá-la com as babás que sempre, sempre me deixavam na mão.





Sofri muito e com um adicional: ela ia de transporte escolar. Tão bebê!!! E eis que a vida me acena com a possibilidade de me dedicar à maternidade do jeito que sempre sonhei. Fácil não é, mas quem disse que seria?





Pensamos e repensamos a situação e decidimos que o Otto só entraria na escola quando completasse dois anos. Sorte a minha! Sim, sorte. De poder acompanhar o seu crescimento dia a dia, de passar as tardes cheirando a respiração dele enquanto ele dormia; de poder pegar o solzinho no fim do dia, de poder assistir aos filminhos preferidos junto com ele; de abraçar, cheirar e beijar desmedidamente. Sem horários a cumprir. Não são todas que tem esse privilégio. O tempo é impiedoso. E o que passou, jamais voltará.





O primeiro dia dele na escola foi tranqüilo, afinal, estávamos preparados. E ele chegou como um veterano, tão seguro, puxando sua mochila de rodinha! Entrou na salinha e ainda cumprimentou: “Oi amigos!”





Logo foi sentando numa rodinha e ali ficou.....sem chorar, sem berrar e, de tão tranqüilo e tão feliz, não olhou para trás.





Eu ali num canto, orgulhosa, observando o vôo do passarinho.