inicio sobre o blog blogroll clipping

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Só um trechinho...





Sempre fui muito alérgica. Sempre tive muitas infecções nas vias aéreas superiores e aprendi desde cedo a conviver com o desconforto e com a dor da sinusite. Fiz duas cirurgias e tudo bem. Isso nunca me melindrou, pelo contrário, me deixou digamos, fortalecida.





Adoecer sozinha, é uma coisa. E na vida adulta os chefes costumam aceitar atestados médicos. Só que hoje, não conto mais com a sorte de apresentar um em nenhum balcão de RH. Fui a alguns médicos e estou tratando de uma bronquite feat sinusite. E a última médica foi tão bacana! Rolou uma empatia. 





Nesse mesmo dia disse à ela com toda a franqueza que possuo que "não importa como me sinta, nem como acorde, eu simplesmente, tenho que dar conta" - técnica avançada que consiste pressionar o profissional da saúde a acertar o diagnóstico. (funciona)





Ao chegar em casa, mais tranquila e confiante, li o seguinte trecho num livro:








"No trem de volta para casa, chorei durante o trajeto. Chorei de novo quando peguei a caneta para escrever as experiências dessas mães. Acho muito difícil imaginar a coragem delas. Ainda estão vivas. O tempo as trouxe para o presente, mas a cada minuto, a cada segundo que passou, elas lutaram com as cenas que a morte lhes deixou; e a cada dia e a cada noite arcam com o fardo das lembranças dolorosas de terem perdido os filhos. Não é uma dor que a vontade de um ser humano possa eliminar (...) Mas elas tem que continuar vivendo, tem que sair de suas recordações e retornar à realidade. (...) Elas não enclausuraram a sua generosidade materna nas lembranças dos próprios filhos, não mergulharam em lágrimas e sofrimento, à espera de piedade. Com a grandeza das mães, formaram novas famílias para crianças que perderam os pais. Para mim, aquelas mulheres eram a prova da força inimaginável das chinesas. Como mãe, posso imaginar a perda que devem ter sentido, mas não sei se teria sido capaz de me dedicar tão prodigamente em meio a uma dor como a delas."





* o livro é "As Boas Mulheres da China", da jornalista Xinram. Recomendo.






Não me canso de admirar a generosidade e a capacidade que tem uma mulher, de se reerguer, de buscar soluções e de estar disposta a seguir sempre em frente, não importando o quanto isso lhe custe.








terça-feira, 29 de maio de 2012

"Mãe, eu sou gorda?" - uma questão incidental


Acompanhei os comentários no post sobre os problemas na escola com muita expectativa. Junto com o carinho, todos foram unânimes em dizer que sim, a escola não pode desprivilegiar um grupo em detrimento de uns poucos problemáticos. Ao escrever, me senti egoísta. Mas agora vejo que não, estou apenas fazendo o meu papel.







Quando tinha quatro anos, a Bia se virou pra mim com uma expressão bem triste e perguntou: "mãe, sou gorda? Por que não sou como vc?" Na hora, senti uma tristeza sem tamanho e conversando com ela, descobri que o motivo da pergunta havia sido os insultos dos coleguinhas na escola.





E sim, da sua turma ela era a "gordinha". E esse excesso, tem mais a ver com a constituição genética do que propriamente com sua alimentação. Nisso tenho minha consciência tranquila. Na família do Paulinho, existem pessoas gordas e muito gordas, sendo ele próprio um homem com sobrepeso toda a vida. Ao contrário da minha, que só tem caneludo.





Como ela era muito nova, meu medo era de que desenvolvesse algum tipo de distúrbio alimentar com o afã de ficar magra. Nessa época, líamos muito um livro da Mariana Caltabiano, chamado Jujubalândia, que trata de distúrbios alimentares de uma forma bem apropriada para crianças. 





Um dia perguntou porque todas as bonecas Barbie eram magras...






Sorry, Barbie. Vc gorda também não é a solução







Quando ela cresceu mais um pouco, começamos a trabalhar a ideia de saúde, que vai muito além que a questão magra x gorda. Existem magras saudáveis, mas existem as que são doentes e não são modelos a serem imitados. Já a gordura sempre vem atrelada a problemas de saúde: colesterol, glicose, triglicérides...





Nunca impus regime, já que pelo acompanhamento que ela faz com a endocrino, ela está numa situação limítrofe, sem nem mesmo estar com sobrepeso. Não é porque não faz regime que pode comer toda e qualquer porcaria, o desafio era ensiná-la a comer e fazer substituições mais saudáveis. Sempre a envolvendo, pra que ela entenda todo o processo.



Fico feliz quando ela opta por frutas entre as refeições e quando sai pra pedalar toda manhã por escolha e não por imposição.





Trabalho a sua autoestima sim, mas nunca fiz apologia à gordura.


Porque isso não é só uma questão de estética, mas de saúde - acima de tudo.









segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mãe tem sempre razão




Desde que soube que estava esperando por ela, disse: ROSA não! Vou querer tudo diferente. Apostei no amarelo e em abelhinhas pra compor peças de enxoval. As únicas roupas rosa que havia na cômoda, haviam sido presente.





Naturalmente, quando ela cresceu um pouco e passou a dar pitacos no que vestiria, adotou o RO-SA como sua cor predileta. Era tudo rosa. Tu-do, do acessório ao brinquedo. Por mais opções que lhe mostrasse, por mais que eu a tentasse dissuadir…não teve jeito, até os 5 – 6 anos, essa cor foi predominante em sua vida. (assim como minhas enxaquecas)





Ok. Coloquei minha viola no saco.





Um belo dia, enquanto eu estava numa consulta, ela e o pai foram passar o tempo no shopping. Entraram numa loja de roupas infantis a pedido dela e quando voltaram para me pegar, ela exibia um gigantesco óculos de sol, todinho rosa.






pink sunglasses







Desconcertada e completamente chocada com o modelo escolhido, perguntei ao Paulinho de quem havia sido a brilhante ideia.





“Dela, lógico.”





Disse ainda, que ainda tentou dizer que não combinava muito com ela, pois era bem maior que seu rosto,  mas como a bichinha nunca pede nada - emendou. E vcs sabem que quando uma mulher pede uma coisa com jeitinho, dificilmente tem um não como resposta.





Pois bem…dia desses, enquanto organizava umas fotos, ela deu de cara com essa, em que exibia o óculos com muito orgulho num dia lindo de sol.





“Ahhhhhhhhhhhhrgh!” – disse ela.





Depois de recomposta do susto, perguntei o que ela tinha visto de tão feio na foto. A resposta:





“Olha que óculos RI-DJI-CU-LO! Mãe, por que, me diga, vc me deixou usar isso?”





Hunf.





Como se filho ouvisse nossos conselhos…





Primeiro, eles fazem a bobeira, pra depois dizer:





“É, mãe. Vc tinha razão.”










sexta-feira, 25 de maio de 2012

Quando surgem problemas na escola





Sabe, um dia acreditei que uma boa escola era a de grife. A que ostentava um nome, a que exibia números de aprovados nas melhores universidades, as que tinham uma grande estrutura física.





A Bia inclusive, frequentou uma escola assim durante alguns anos. Até que eu começasse a questionar, até eu perceber a massificação que acontecia dentro das salas de aula. Não havia espaço para improvisos, não havia tempo para que as crianças pudessem ser ouvidas, para que elas fossem capazes de formular seus próprios questionamentos.





Para o temperamento da minha filha, isso não estava dando certo. Ela ficava constantemente frustrada por não ter meios de mostrar as habilidades que possui e pelo distanciamento nas relações.





Como tudo na minha vida acontece por força do acaso, quando mudei para o bairro onde moro atualmente, forçosa foi a mudança de escola. Escrevi sobre a busca por uma nova escola AQUI e achei uma que reunia as qualidades que buscava, que se preocupa, aliás, se propõe a despertar no aluno a busca pelo conhecimento. Onde eles não são meros coadjuvantes nesse processo, ao contrário, atuam diretamente.





Tanto a Bia como o Otto se adaptaram maravilhosamente bem. E posso me incluir nessa, já que lá, encontrei parceiros. Porque de nada adianta, matricularmos nossos filhos num lugar, onde há divergência de valores.



Percebi também, como é boa a escola que não só permite a entrada dos pais, como promove uma interação com eles e entre eles. De como é bom entrar e deixar cada um na sua sala. Como é bom poder transitar pela escola, sem ter que marcar horário.
















Pois bem, a turma da Bia é a mesma do ano passado. Uma turma bem pequena, a menor da escola. E há apenas duas meninas na sala. Esse ano começou confuso, com um professor novo que não atendeu às expectativas da própria escola e dos pais, que se mantiveram atentos. Somando-se a isso, ingressaram dois alunos novos. Irmãos. Gêmeos.





Aí o caldo entornou. Estão se mostrando muito difíceis e com um enorme poder de aglutinação. Palavrões, xingamentos e brigas passaram a fazer parte do relatório de fim de dia da minha filha. Tá, é normal, eu sei. Mas pra ela isso já é comum, infelizmente. Desde novinha, a xingam de gorda. Na escola antiga, um menino batia nela dia sim e outro também. 





Isso a maltratava tanto, que até febre ela tinha. Tudo porque ir para aula, passou a ser uma tortura. O que esse menino tem em comum com os gêmeos, é uma crise familiar que os tira da condição de agressores e os coloca no de vítima. Toda a atenção da escola se volta para eles. Não acho errado, até porque, às vezes, se a escola não buscar fazer o resgate da auto-estima desses garotos, eles acabam por se perder. E outra,  continuam sendo crianças. Precisam de apoio, de afeto e não de punições.





Mas e quem está do outro lado? Um dia, numa reunião, lá na escola antiga, enquanto a orientadora pedagógica enchia o menino de adjetivos, ressaltando a nobreza de sua família, Bia a interrompeu chorando e disse: "E EU? O que vão fazer por mim?"





Fiquei surpresa. Fiquei arrasada. Senti meu coração quebrar em mil pedaços, vendo a fragilidade da minha filha naquele momento e mesmo assim, tendo forças pra clamar por si. Não deu tempo de saber quais medidas tomariam para esse caso, a tirei de lá antes.





Nessa escola, já temos uma nova professora, que também está tendo dificuldade de lidar com a turma. Os coordenadores estão bem empenhados e até agora, tem a minha total confiança, mas ouço diariamente a mesma queixa. "Me chamaram de gorda." "Chamaram a senhora de vadia." "Quebraram meu arco" "Amassaram meu trabalho".





Nessas horas é duro pensar no bem estar desses meninos. Nessas horas, só consigo pensar no bem estar da minha filha. Enquanto as coisas não tomam, definitivamente um rumo, faço o meu papel: o de acalentá-la, tomando todo o cuidado para não usar lupa nessa situação. Embora não possa de forma alguma, minimizar o que lhe aflige. Não posso fazer de conta que nada está acontecendo.





O meu desafio é fazer com que ela descubra o seu real valor. E que na hora em que ela descobrí-lo, deixará de ser vulnerável. Não a quero coitadinha, não quero que ela sinta pena de si mesma. A quero de cabeça erguida, para que nada nem ninguém a possa diminuir.





Até onde vai o direito do outro e começa o dela? Alguém já passou por isso?


Há um limite, certo?


E na escola, continuamos de olho!!!










quarta-feira, 23 de maio de 2012

Aprenda a fazer – por Estéfi Machado








Não? Vou usar a apresentação do próprio blog, pois de tão lindo, já tem muita gente copiando:





*** Um blog sobre as feitorias de Estéfi Machado, mãe, designer, mãe, fotógrafa, mãe, ilustradora, mãe e muito crafiteira. Mãe. ***





E hoje ela vem ensinar uma crafitice fofa de viver. Vem gente.





Câmera fotográfica de tecido








Para fazer uma incrível câmera fotográfica para seu filho, você precisa de muito pouco!





2 retalhos de algodão cru ( 2 retangulinhos iguais no tamanho que vc escolher)


cola pra tecido


caneta para tecido


viés preto


Manta acrílica


Feltro preto


ilhós ( opcional)





Primeiro você junta os 2 lados do algodão cru, pelo avesso.





Passe a cola para tecido em toda a borda, deixando apenas um espaço para rechear com a manta acrílica.





Depois de bem seco e colado, desvire para o lado direito.





Coloque a manta acrílica dentro e torne a passar cola na extremidade que ficou aberta.





Depois desenhe as frente da câmera. São linhas muito simples, você pode ensaiar antes com o lápis, e depois passar a caneta pra tecido por cima.





Na parte de trás tem o visor de "LCD" , que dá todo um charme pra brincadeira.





É um retângulo de feltro preto vazado no  meio, que vai servir que moldura pra foto ( que no caso é o desenho do seu filho!)





É só colado também, deixando a lateral direita sem cola para o desenho deslizar.





E por fim, a alça da câmera, que é feita com viés preto, mas pode ser substituída por fita, elástico, o que tiver na hora!





Fiz a alça com ilhós, mas você pode costurar com uns pontinhos ou colar com cola quente ou cola para tecido.







convidados, artes, craft, artesanato, faça você mesmo, estéfi machado

                                    artesanato, estéfi machado, faça você mesmo, câmera de tecido

                                     DIY, artesanato, faça você mesmo

 

estéfi machado, artesanato, craft

artesanato, diy, craft, faça você mesmo, convidados

craft, arte, artesanato, faça você mesmo

material de artesanato, estéfi machado, convidados, craft





Quer conhecer mais dos projetos inspiradores de Estéfi?

Corre e se apaixona.

O blog é doce, é leve, é lindo!






domingo, 20 de maio de 2012

Um certo distanciamento




Sinto uma necessidade de escrever maior do que sinto de falar. É quando a voz silencia, que sinto uma vontade maior de escrever, de me fazer ouvir.





Ando escrevendo pouco, eu sei. Até tentei encontrar culpados. Álibis, pra falar a verdade, que justificassem o meu distanciamento. Já que cansada estou de estar presa ao conceito de textos clicáveis, textos que proponham um questionamento, que levantem grandes discussões.





Não. 





Ninguém anda me prendendo. Continuo livre e esse espaço continua sendo meu.


Estava presa no meu próprio perfeccionismo e limitada a mim mesma.





Introdução feita, preciso dizer que esse final de semana contou com um momento muito feliz e todo o resto se resumiu a cama.





Tô doente, gents.





E de tão mal, estou até cogitando procurar um médico, apesar de já ter um diagnóstico. Pressinto que estou com pneumonia, vejam só.





De modos que durmo e acordo, reclamo de dor, durmo e acordo num loop infinito.





Como nada na vida é fácil, amanhã cedo, bem cedo tenho uma prova.





Como na vida nada é tão ruim que não tenha uma parte boa, estou eu a ser paparicada pelos filhos e pelo marido que assumiu de muito bom grado as atividades domésticas, que eu lhe outorgaria para-todo-sempre - amém. 





Brigadeiro tem propriedades medicinais?
















sexta-feira, 18 de maio de 2012

Fora de órbita




Preciso ler e não leio.



Preciso estudar e, bom vamos ver um filme pra relaxar...



Preciso escrever coisas novas, preciso revisar rascunhos, preciso responder e-mails, retribuir visitas...tanta coisa, melhor deixar pra amanhã. Quem sabe com mais calma, eu...



Procrastinação, trabalhamos.



Some-se a essa enrolação toda, uma característica hedonista que me leva sempre para caminhos mais prazerosos, e minha situação pode ser vista da seguinte maneira:





























Mais alguém?










quarta-feira, 16 de maio de 2012

Porque não dispenso um passeio




A intenção era ter visitado cada um dos blogs amigos pra desejar pessoalmente um feliz dia das mães. Não consegui, mas espero que o dia de vcs tenha sido tão bom quanto o meu.








DSC07451 mom








A Bia mais uma vez, pensou em tudo e se supera a cada comemoração. Ao acordar me deparei com uma cascata de balões que caía sobre a mesa de café da manhã muito bem posta, pensada e preparada por ela, ainda que com a ajuda do pai. Ganhei muitos vales que terei trinta dias pra usar, muitas cartas, muitos desenhos e ainda assim, fez o pai comprar um "presente de verdade". O ponto alto da manhã, foi estourar todos os balões e catar os papeizinhos que indicavam algumas prendas. Foi muito divertido!!!! E o vídeo ficou hilário, já que meu marido tirou o pior papelzinho de todos. Não só dançou, como rebolou. <3





Ainda na temática do mês, hoje tem um texto fresquinho sobre a ser mãe de dois - a jornada, lá no blog da Dani – La mère de Sophia mon petit miracle.





Espero vcs lá.







sexta-feira, 11 de maio de 2012

Todas as mães do mundo



Não importa sua origem



page

1



                           12033123974636930_3JU9ja8g_f

56224695317444416_gM7gSXD1_f230457705902115838_kDjA1Sin_f

                   56224695317499170_ljCRRLGx_f





seus costumes



56224695317452052_8CAhnc8m_f

428343_309121699144184_218289551560733_858714_351859793_n

                  56224695317452636_AxJ8GyZw_f



também não importa sua profissão



                  118501033915455125_zHoX5Mv0_f 




Somos todas iguais. Afinal, temos algo em comum a despeito de todas as coisas: queremos sempre o melhor para nossos filhos.



101401429079621638_g3XjO68j_f





Sempre.

Feliz dia das Mães a todas as mães do mundo.




quinta-feira, 10 de maio de 2012

Culpa serve pra quê? Pra quem?




Se existe uma coisa que me parte o coração é ver uma pessoa (mulher, mãe) sendo consumida pela culpa. Principalmente porque quem padece desse mal, são justamente aquelas que fazem sempre o melhor que podem.




A maternidade é feita de fases, assim como a vida.




Num primeiro momento, grávida da minha primeira filha, consumia vorazmente toda e qualquer literatura que envolvesse a minha espera, a chegada e os cuidados com o bebê. Confesso, que nunca ousei questionar sobre as coisas que lia ou via, pois imaginava que tudo sairia perfeitamente bem, assim como na revista. Daria conta de tudo e voltaria para o meu peso de forma rápida e indolor.




Sabe a história “acontece com qualquer pessoa, menos comigo”? Então.




Hoje morro de preguiça de consumir esse tipo de material, salvo raras exceções. Porque hoje eu SEI, que na prática as coisas não são assim tão assépticas, tão bonitas, tão fáceis. Porque hoje eu SEI, o quanto é dura a adaptação a nova vida e principalmente, a nova condição, a de mãe.




Estão sempre sugerindo problemas que vc não tem, para que vc procure uma ajuda de que não necessita.




Uma coisa é certa: o leque de assuntos abordados é vasto. Falam sobre sexo, sobre desmame, sobre uso de chupeta, sobre o segundo/terceiro filho, sobre alergias, sobre adaptação na escola, sobre babá, afinal dilema é o que não falta.



As mulheres que aparecem estampando essas reportagens são sempre lindas, magras e exibem um sorriso que foi submetido a clareamento artificial. Estão sempre em locações bucólicas, quase envolta em névoa ou quando não, em camas lindas, brancas e bem arrumadas.




Engraçado…onde foram parar as olheiras, o cabelo despenteado, a pele sem viço, a barriga proeminente do pós-parto? Nos fazem buscar, ainda que inconscientemente, esse ideal.




Seria ótimo encontrar nas revistas mensais coisas do tipo:




* mulheres atenção: a primeira reação ao verem suas barrigas após o parto será de O M G!!! Sim, porque ela ficará com esse aspecto murcho e desenxabido por um bom tempo. Não há mágica, relaxe. Ela passou nove meses esticando, não é em um mês que ela voltará ao normal.




* tudo bem vc não se sentir bonita durante a gestação. Sim, em algumas mulheres, os melasmas costumam aparecer.




* ao invés de se sentir um ser divino e iluminado, vc poderá na verdade se sentir uma pata choca sendo consumida por um cansaço infinito.




* seus seios vão mudar após a gravidez e tá tudo bem. Uns caem mais outros menos, e isso acontece mesmo, não chore, nem deixe de amamentar por causa disso…




* por muitas vezes vc vai se sentir sozinha, ilhada e é algo comum a muitas mulheres. É só uma fase e vai passar.




* seus filhos irão adoecer e isso não será culpa sua. E qdo eles estiverem assim, é normal eles perderem o apetite. Se coloque no lugar dele e tudo ficará mais claro.



[ insira aqui mais milhares de dicas reais para pessoas de verdade]



Se os editoriais mostrassem fotos assim?






breast
imagem retirada daqui



 




Sabe o que acho? Estão sempre tentando nos empurrar a culpa. Nunca somos bonitas o suficiente, nossos filhos nunca são estimulados corretamente, nunca comem o suficiente…e nossa busca para chegar ao topo parece não ter fim.




A culpa nos leva a consumir.




De produtos de beleza, a intervenções estéticas e cirúrgicas, te levam a consumir uma maternidade fantasiosa, te fazem acreditar em itens indispensáveis para a criação do teu filho, te fazem consumir medicamentos e ideias de distúrbios que provavelmente seu filho não tem, te fazem consumir uma literatura de auto-ajuda.



O sentimento de culpa só serve para te deixar insatisfeita como mulher e com o que vc tem para oferecer.








IMG_0598
Luana é gata e todo mundo sabe. Aqui, poucos dias após dar a luz, está mostrando uma barriguinha conhecida

de todas nós, meras mortais. Alguém duvida de que vão photoshopar?  Daí muitas mulheres terão a falsa ideia de

que artistas emagrecem rápido e estão sempre divinos. daqui










É bem mais vantajoso fazer com que pensemos assim, que trabalhar a ideia de aceitação da mulher para com o seu corpo; da mulher para com seu filho e da mulher para a realidade em que vive.




Mães culpadas também transformam filhos em pequenos reizinhos mandões, no afã de agradar sempre, o tempo inteiro, desmedidamente.



Num primeiro momento, me deixava consumir pela culpa sem freio. Hoje, passadas algumas fases, percebo que quanto mais nos despojamos dela, mais gostosa e intuitiva se torna a maternidade.




A maternidade não comporta a ideia de perfeição.




Porque isso é um efeito que só se consegue através de editores de imagem.




E vc não vai querer photoshopar a sua vida, vai?







segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mas era segredo




Já estou toda empolgadinha nessa semana das mães. Desculpe, faço o gênero incontrolável.





Na escola dos meninos, não há propriamente uma festa de dia das mães, não daquelas que conhecemos.  Há uma festa da família, que entendem contemplar as várias formas de organização familiar e só acontece uma semana após a data oficial.





Fui pegá-los como de costume e fiz as perguntas de sempre:





Oi, filho. Como foi a aula?





Foi muito legal.





Ééééé? e o que vcs fizeram assim de tão legal?





Nós fizemos muitas, muitas pinturas usando as mãos. E a prof disse que isso tudo vai virar um cartão.





Ei, Otto…mas isso não era pra ser surpresa? - perguntei espertamente.





Sim. Vai ser uma surpresa. Não contei nada, certo? Vc está imaginando coisas.







page





Fiquei sem argumentos.




quarta-feira, 2 de maio de 2012

Assumindo as rédeas na educação do filho







pinterest








Existem reações impossíveis de serem previstas. Podemos ler a respeito, ensaiar e na hora H nada sair como o previsto. O mais importante, acredito eu, é ter a consciência de nosso papel e praticar. Isso na maternidade é moleza, já que a prática nos é exigida praticamente o dia inteiro, todo dia.





Quando li esse texto pela primeira vez, a sensação imediata foi de identificação. Mas já adianto que no começo, bem no comecinho dessa jornada, eu não tinha essas ideias tão claras, muito menos o tamanho desse desafio que é educar. 





Separei apenas dois trechos do aprendizado da Tati Klein, autora do texto "Quase 10 anos - a história de uma educação sem palmadas":






Aprendizado 1:
ASSUMA O PAPEL DE PAI/MÃE.


Essa é, sem dúvida, a primeira coisa que se deve fazer quando se pretende educar um filho: assumir o papel de educador. 


Não importa se o dia foi estressante, se você está de TPM, se a criança está birrenta, se você não sabe o que fazer pra contornar um conflito, ... você (pai/mãe) é quem deve ter maturidade, você (pai/mãe) é quem tem o controle da situação, você (pai/mãe) é que se permite perder o controle. A responsabilidade é sua.


Assumir o papel de pai/mãe é também colocar a criança no seu papel, qual seja: de CRIANÇA.


Portanto, por mais óbvio que isto seja, algumas pessoas não se atentam pra essa obviedade:


Pai/Mãe é Pai/Mãe = adultos, que devem agir com maturidade e que tem o direito/obrigação de cuidar e educar os filhos.


Filho é Filho = Criança, imatura, em processo de desenvolvimento, que tem o direito de ser cuidada e educada pelos pais.







Aprendizado 5:
NÃO SE COLOQUE NA POSIÇÃO DE DESAFIADO


Esse aprendizado é uma consequência dos aprendizados anteriores, como veremos:


Levando-se em conta que os pais é que estão sempre no controle da situação, que não devemos interpretar as atitudes de uma criança da mesma maneira que interpretamos a mesma atitude em um adulto, que a criança é um ser em desenvolvimento e que tem direito de receber cuidados e educação dos pais, e ainda, considerando que a criança não tem capacidade para obedecer, chegamos à conclusão que CRIANÇA NÃO TESTA OS PAIS, SENDO OS PAIS QUE SE COLOCAM ERRONEAMENTE NO LUGAR DE TESTADOS.


Vamos imaginar a cena: Você está na casa de uma visita e seu filho de dois anos vai em direção a um lindo enfeite de cristal. Talvez o objeto tenha chamado a atenção do pequerrucho pela forma, ou pelos feixes de luz que reflete, ou sabe-se lá porque. Fato é que a criança vai ao encontro daquele valioso e delicado artefato. A mãe, vendo o perigo da situação, grita: “Filho, não mexa aí!”. A criança obedece? Se a criança quiser muito tocar naquele objeto, provavelmente ela irá se virar para a mãe e, olhando nos olhos da mãe, pega o objeto.


Ora, se você disser pra um adulto não pegar tal coisa e, ainda assim, ele pegar. E pegar o objeto olhando pra você, certamente isso é um desafio. No entanto, não é dessa forma que deve ser interpretada a mesma atitude, se praticada por uma criança.


A criança te “desobedece” pelo simples fato de que ela não é capaz de obedecer (lembra?) Ela não é capaz de fazer aquilo que ela está com vontade (São as vontades, os impulsos e os desejos que a controla. Lembra disso também?) Ela sabe que aquilo é errado e que aquilo vai gerar uma atitude negativa nos pais (talvez é por isso que a criança já faz a coisa errada olhando para os pais. Às vezes até com uma cara feia, esperando e se preparando para a bronca). No entanto, por mais que ela saiba que aquilo que ela está fazendo é errado, ela não tem condições de não fazê-lo. Portanto, não interprete essa atitude como desafio. Interprete essa atitude como IMATURIDADE. Afinal, é disso que se trata.


Interpretar a atitude de desobediência como desafio por parte da criança é bem perigoso e poderá causar dificuldades lá na frente.


Explico porque: Crianças veem as coisas de acordo com o olhar dos pais.


Por exemplo: se os pais veem uma atitude agressiva normal, a criança passará a achar esta atitude agressiva normal também.


Portanto, se os pais veem a atitude da criança em desobedecer numa atitude desafiadora, a criança também passará a ver a desobediência dela como uma atitude desafiadora.


Agora pense na insegurança que isso poderá gerar numa criança?! Justamente os pais, muito maiores e mais velhos que ela, que deveriam ser mais maduros e mais inteligentes, que deveriam cuidar, mostrar o certo e o errado, e que deveriam estar no comando, passam a se sentir “ameaçados”, desafiados, por ela, um serzinho muito menor. Isso gera uma insegurança tremenda na criança, fazendo com que ela sinta necessidade (aí sim) de desafiá-los, pra verificar se eles realmente estão no comando (se ela realmente poderá ser cuidada).


E antes, o que apenas era imaturidade, passa a ser, de fato, desafio.


Deste modo, não é a criança que te desafia, são os pais que se colocam na posição de testados.


Ora, não seja um(a) pai/mãe banana, se colocando na posição de testado por uma criança de 2,3 anos de idade.


Se você olhar a situação de desobediência tal como ela é (falta de maturidade, falta de autocontrole), tais atitudes da criança serão vista por ela mesma dessa forma. E então, além dela não ter necessidade alguma de passar a testar os pais (ela está segura e sabe que os pais tem condições de cuidá-la, pois não se sentem ameaçados e se posicionam como educadores, no comando da situação) fica mais fácil ela aprender a se autocontrolar.


E, logo, logo, ela passará a “obedecer”. Ou melhor, ela conseguirá, sozinha, controlar seus impulsos. 


Lembre-se dos aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe. Tenha plena consciência de que você é que está no comando. Interprete as atitudes de criança como atitudes de criança. Se colocando dessa forma, a criança se sente segura, não precisará testar nada e vai aprender o que interessa: ter autocontrole.


***


Parece meio óbvio quando vemos assim na teoria, mas levando em consideração que o cansaço é um grande catalisador dos nossos impulsos, se vc tiver consciência desses ensinamentos e assumir o papel que lhe cabe na educação do filho, certamente os problemas não serão tão grandes como se costuma pintar.


Isso não quer dizer que não vá dar trabalho. Fórmula milagrosa ainda não existe.


Quer ler o texto na íntegra?  Está disponível no Guia do Bebê.


Recomendo.