Quando soube que estava grávida da Bia, me preparei muito. Quem me visse consumindo aqueles manuais concluiriam facilmente que eu estava me preparando pra defender uma tese. Só que tive uma certa dificuldade em aplicar essas regras na prática. Soa familiar?
A verdade é, que nós estamos sempre querendo superar a criação das nossas próprias mães! Um dos assuntos que me mais me intrigavam e que me pareciam ser o maior desafio a mim, pois fui uma criatura que permaneceu inapetente até os 21 anos, era a alimentação.
Acontece que, apesar do preparo e da boa vontade, cometi os pequenos erros que quase todas as mães de primeira viagem cometem, fora que a Bia não foi cuidada única e exclusivamente por mim, o que complicou um pouco as coisas. Daí veio o Otto e depois de ter aprendido o bê-a-bá pude me redimir de alguns erros e comprovar que sim, eu era capaz!
Vou compartilhar, a título de informação, o que fez o negócio dar certo por essas bandas, mas se não funcionar,
culpem a sorte. Se não virem lógica nos meus métodos, ignorem. O intuito não é parecer pretensiosa, lembrando que sou apenas uma mãe latina americana sem dinheiro no banco - ou seja, especialista em nada!
# Horários e cardápio - sou dessas que acredita em rotina. Aqui em casa, nessa fase bebezística sempre teve hora pra tudo e, lógico vou afrouxando a medida que eles vão crescendo. Mas se estou ensinando hábitos, nada melhor que o condicionamento. Outra coisa, na introdução de alimentos sólidos, a oferta de leite diminui {pra quem não amamenta}, de modo que a oferta de mamadeira o dia todo não é legal! Seu filho precisa aprender a comer, certo?
# Aposte na curiosidade - criança quer experimentar e certamente ela gostará de tudo em seu primeiro ano de vida, embora estranhe todos os sabores que lhe serão oferecidos, já que acostumada é com o gosto do leite materno ou artificial. Portanto, não estranhem as caretas e persista nas colheradas até que eles aprendam a engolir. Careta não significa que "não gostou". O processo de deglutição também é novo para eles. Persevere.
# Não - insistir, perseverar é diferente de forçar. Se seu filho não quer comer, esqueça! mas não compense a refeição, trocando um prato de comida por um iogurte ou uma mamadeira. Se ele não quer comer, subentende-se que não quer comer NADA. Ou seja, ele precisa ficar até a hora do lanche de barriga vazia. De fome não morre, já dizia minha avó. Confie.
# Se joga - cumpridos todos aqueles rituais de introdução de novos alimentos e quando o pediatra liberar a criança pra comer tudo, vc deve se jogar. Você mãe-amiga-dona-de-casa deve sim liberar tudo, sem preconceitos, sem reservas e sem tomar por base seu gosto pessoal. Quanto mais sabores e mais texturas, melhor será o paladar dessa criança futuramente. Pense naqueles dias em que vc precisará se alimentar nas praças de alimentação do shopping ou quando for visitar parentes. Projete.
# Quanto mais natural, melhor - o refluxo do Otto foi um freio pra tudo aquilo que considero desnecessário e industrializado. Também por conta desse probleminha, não era aconselhado oferecer muito líquido. Dessa forma, desembestei a oferecer frutas, ao natural, como se guloseimas fosse. Inove.
# Seja prática - como sou muito preguiçosa e não queria futuramente ter que cortar frutas em pedaços, descascá-las só por exigência do pequeno, coar suco aquelas coisas todas que faço com a Bia que nos apoquentam a vida, decidi que ofereceria as frutas como elas são. Também queria que o Otto aprendesse a morder, a mastigar - já que, fortalecendo a mordedura e reforçando a mastigação, melhor será a articulação da fala, garantem os especialistas. Contando com a sorte de, aos 8 meses, o Otto já ter oito dentes, coloquei o moleque pra mastigar. Goiabas com sementes, bananas, maçãs, palitos de cenoura que serviam pra aliviar a coceira da gengiva, brócolis cozido no vapor, pedaços de beterraba al dente, pepino fresco cortado em rodelas, tomates inteiros pra que ele se acostumasse a morder, foram colocados à disposição. Acredite.
# Prestenção - o fácil de hoje pode ser a sua cruz amanhã. Se vc já sabe que ele gosta de maçã, banana e melancia, invista no abacate, na tangerina, no kiwi. Se vc já sabe que ele gosta de carne e frango é hora de investir no peixe e no fígado. Claro, se não for vegetariano. Diversifique.
#Truque: ofereça isso, enquanto estiver preparando o almoço. Eles se distraem que é uma beleza. #fikdik
# Açúcar: desnecessário. Vamos partir da premissa de que crianças não tem parâmetros de comparação pra saber se o suco está azedo. Fruta é naturalmente doce, basta que se escolham as maduras. Convém lembrar que açúcar deixa a criança irritada, agitada e interfere no sono. Posso garantir. Reavalie.
# Dica pra papinha: não triturem nada usando mixer ou liquidificador, nem mesmo para as carnes. Para que seu filho coma sem o risco de engasgar, cozinhe tudo muito bem. Pra isso existe panela de pressão, comadre. Basta cozinhar a carne até aquele ponto de poder desfiá-la com o garfo. Só amassar tudo e pronto e aos poucos vai oferecendo comidas cada vez mais sequinhas, porém bem cozidas. A partir de um ano, ele deve estar pronto pra comer a comida da casa. Nada de duas panelas, duas comidas diferentes - como fiz com a Bia até quase 3 anos!!! Sofri desnecessariamente. Arrisque.
#Temperos: ah! e tempere. Não é porque é para bebê que a comida não precisa ter gosto, ser sem graça. Vale incrementar com alho, alho-poró, orégano, alecrim, tomilho, manjericão, manjerona, azeite de boa qualidade, louro e o que mais estiver à sua disposição. Coloque o mínimo de sal possível.
# Guloseimas: só costumo oferecer essas coisas depois dos 3 anos, com o paladar já formado. Nem precisa dizer que nesse interstício, ele experimentou sim de tudo, mas como exceção, não como regra. Gente, danoninho não é nem pode ser sobremesa. A ingestão de lactose impede a absorção do ferro, tão importante para todos nós. Se fizer mesmo questão, ofereça no lanche, depois da fruta. Já experimentaram a receita de iogurte caseiro? Sucesso absoluto e não tem conservantes. Ah! não há sobremesa melhor que uma fruta rica em vitamina C, pro pequeno glutão absorver todo o ferro com sucesso! Que tal um kiwi?
# Golpe baixo - como já disse, com a Bia cometi deslizes que me fizeram ter uma filha mais seletiva. Fora que babá tem paciência zero pra essas coisas, vamo combinar. Nesse caso, uso sem dor na consciência aqueles golpes baixos de mascarar comida, inventar nomes engraçados...o que eu quero é que ela COMA. Simples assim. Ah! e nos dois filhos usei a tv como forma de entretenimento e posso garantir que não trouxe prejuízo nenhum para a relação criança x comida. Contrariando os especialistas. Transgrida.
O refluxo, confesso, também ajudou a moldar o paladar do Otto e a me manter focada nas melhores escolhas.
Se elas aprenderem a comer, não terão preconceito com a comida, aceitarão os sabores, não estranharão as cores! Não deu muito certo com a primeira, mas garanto a eficácia dessas dicas com o segundo.
Vai na fé, minha gente.
Outros pontos de vista:* Mari também fala sobre esse assunto aqui.* Minha mãe que disse também tratou desse assunto aqui.