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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Uma {breve} pausa


Quando comecei a escrever, jamais cogitei parar. Aliás, pra falar a verdade, nunca não escrevi. A diferença é que antes, escrevia num caderninho com um pequeno e inofensivo cadeado para proteger o que lá estava guardado.








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Bom, a verdade é que estou numa fase mais quietinha e se me permitem o impropério, estou num confronto com a minha própria sombra. Não, nunca li o livro tão badalado da Laura Gutman. Não ainda. Se isso aconteceu comigo no começo da minha maternagem, anos atrás, não lembro. Ou já se tornaram insignificantes. Acredito que é nesse momento que devo resolver o que ainda não resolvido. Protelar já não dá mais.





Isso é o de menos.





Paulinho está em casa por causa da extração dos quatro sisos e tão logo se recupere, fará uma septoplastia, pra enfim, fazer a timpanoplastia. Está com 30% de audição em um dos ouvidos e é considerado deficiente físico. :(





Daqui a pouco começa o feriado do carnaval, daqui a pouco começam as minhas aulas….





Daqui a pouco eu volto, combinado? Estarei sempre online pelo facebook e twitter e visitando as que não visito há tempos.





Vcs me esperam?


Favor dizer que sim.









imagem: we heart it









segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

É claro que eu amo você...agora vá para a escola!





É incrível como a empolgação das crianças, sobretudo da Bia nos momentos finais que antecederam a volta às aulas, relembrou a minha própria há algum tempo atrás. 





Desarrumando para arrumar de novo todos os lápis no estojo, folheando todas as páginas do caderno em branco como se elas não fossem iguais, cheirando um livro enquanto solta suas páginas vagarosamente....





O upgrade na mochila denuncia o crescimento, o mudar de fase.





Hoje foram pra escola assim, felizes! Cientes de que uma nova etapa precisa ser cumprida. Ou como digo pra Bia desde que ela começou a frequentar a escola: "vai subir mais um degrau". 





As mudanças não os intimidaram. Olha a coincidência: os dois não terão professoras esse ano, mas professores. Sexo masculino. O que causou espanto em mim e fez com que eu me confrontasse com um preconceito que julgava inexistente, foi recebido por eles como uma agradável surpresa.





Acolheram e foram acolhidos.





Enquanto ia saindo triunfante da escola, notei um líquido quente escorrendo pelo rosto....não era suor. Sem querer e antes mesmo que pudesse pensar em algo, estava chorando! Um choro não programado, não ensaiado. Só porque vi a Bia pela moldura de uma janela,  tão confiante, tão madura e dona de si. Cresceu.





E o choro, ou melhor, as lágrimas foram além da satisfação por vê-los bem, de um orgulho que não cabia em mim.












* título do post é uma brincadeira com o livro "É claro que amo você...agora vá para o seu quarto!", que comecei a ler graças a Lu Brasil.









sábado, 11 de fevereiro de 2012

Os Garotos Estão de Volta




Sempre tive uma curiosidade, quando mais nova – portanto, antes de ser mãe – de como um pai sentia a paternidade. De como era pra ele, sentir um amor que precisa ser construído, já que para nós é sentido desde o começo.





Até que casei e…..vcs já sabem como a história se desenrola e a minha curiosidade foi sanada. {no meu universo}





Pois bem, temos o hábito de alugar filmes e assistí-lo nos finais de semana. Programinha bem terceira idade mesmo. Assisti esse filme chorando do começo ao fim, mas não se atenham muito a essa informação, pois ultimamente estou muito fenfível.





Os Garotos Estão de Volta depois da trágica morte de sua segunda esposa, o jornalista esportivo Joe Warr, tem que tomar conta de seu filho Artie, o qual praticamente não o conhece. As coisas se complicarão ainda mais para Joe quando ele quando Harry, filho de seu casamento anterior, de quatorze anos, se muda para Austrália para viver com ele uma temporada. A partir desse momento, Joe terá que se virar para manter uma casa só de rapazes.













O filme trata de relações recém-construídas, mostra suas tentativas quase sempre frustradas de estabelecer uma rotina com a casa e a escola do filho. Mostra o resgaste com um filho adolescente que praticamente não conhece.





Não há nenhuma grande atuação, mas as cenas são lindas e as que mais me encantaram foram as da aproximação dos irmãos.



"um homem e dois filhos, sobrevivendo em uma casa sem mulheres é como um experimento de um ano em um satélite livre de influências terrestres"













Um filme que vale a pena ser visto.

Aproveita o final de semana que está começando e depois me diz.











terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sujo falando do mal lavado





Ele era muito diferente de mim, pelo menos naquele momento da minha vida, mas eram nossas semelhanças que nos atraíam.





Tínhamos gosto diametralmente opostos. Eu bebia cerveja, ele suco de laranja; gostava de barzinho agitado, ele preferia viajar pra um lugar calmo - mergulhar ou fazer trilhas; gastava meus tempos de ócio lendo, ele cultivando orquídeas; eu era noite, ele era dia.





Quando começamos a namorar, eu já estava bem cansada desses namoros conturbados, sabe? Ciúme, possessividade, controle. Isso tudo só demonstrava insegurança e imaturidade. Então só ficaríamos juntos se ele passasse nuns testes, que foram aplicados de forma aleatória.





Na primeira semana, saí a noite, sozinha com a turma de filosofia da faculdade da minha mãe. Fomos a um bar com música ao vivo. Contei com quem e onde iria. Cética, coloquei o celular bem visível em cima da mesa, pra que eu atendesse tão logo tocasse. A noite foi ótima e não recebi nenhuma ligação. Ok.





Dia seguinte, fiquei esperando reprimendas, comentários maldosos, piadas agressivas. NA-DA. Daí, me roendo de curiosidade, fui lá perguntar o porquê daquele comportamento "estranho", no que fui prontamente informada de que não havia motivos pra haver controle. Ele sabia onde e com quem estava, confiava em mim e ponto.







casal-de-dedinhos






O tempo passou e fui me desapegando dos vícios de relacionamento. Nos demos bem, nos damos bem.





Nunca incomodou a ele o fato de eu gostar de bebidas alcoólicas, nunca reclamou por causa do meu cigarro, nunca em nenhum momento, ousou sugerir como eu deveria me portar. Daí, não aguentei e pedi esse homem em casamento. Por que, né.....queria um marido/companheiro e não um censor.





Pois bem.





Dia desses passei por ele e pedi que ele depilasse as costas. Pelo menos as costas. "Ora que coisa mais feia!".





Dia desses,lhe comprei uma blusa gola V de presente. Sem levar em conta o seu gosto pessoal. Estava dizendo indiretamente que ele precisava ousar mais na hora de se vestir.





Dia desses, pedi que cortasse o cabelo, pois preferia ele baixinho como o de um samango e não como usa atualmente.





Pedi também que usasse sandálias de couro, que ele acha coisa de vovô, só porque acho charmoso e que me acompanhasse numa cerveja, "só uns golinhos" - insistia.





Ou seja, depois que pentelhei bastante, ele me interrompe num desses momentos em que sugiro coisas/comportamentos e fala segurando a minha mão:





"Nunca pedi pra você fazer nada que sei que não gosta (roupas, comportamento). Respeito o seu estilo de vida e o modo como vê as coisas e gosto de vc assim, e-xa-ta-men-te como vc é. Não mudaria nada, por isso não te peço nada. Será que não está na hora de parar com suas sugestões? Agradeço, mas...."



(fosse eu no lugar dele, fina que só, teria dito algo do tipo: "ahpapoha! me deixa em paz")





GENTE!


que vergonha....


só consegui sentir vergonha.


Se um avestruz fosse, enterraria minha cara num buraco por um boooom tempo.


Até porque, estou com a depilação por fazer. BEYJO.








*imagem: daqui







sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Heroicos pesadelos e uma identidade que se revela

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O mundo não é mais o mesmo.


Não para o pequeno Otto, de pouco mais de três anos. Está maniqueisticamente dividido na eterna luta do bem contra o mal.





Seres fantásticos que cospem fogo, cavaleiros que exibem orgulhosos o seu escudo, castelos cheios de seres do mal com barreiras intransponíveis, super heróis incansáveis, tubarões famintos, abelhas descontroladas, cobras venenosas, dinossauros errantes passaram a lhe perturbar o sono, a permear os seus sonhos, ou melhor, os seus pesadelos.





Acredito que tudo isso tenha a ver com uma nova fase.


A sua curiosidade não é a mesma dos tempos de outrora, já que ele se interessa e muito por todos os personagens supracitados. Praticamente um paleontólogo, conhece não só uma, mas várias espécies de dinossauros. Consegue facilmente distinguir um tubarão branco de um tubarão tigre. Gênio.





Humilha qualquer nerd, enumerando os bilhares de super-heróis da Marvel Comics.


Muita informação assim, deve demorar pra ser digerida, imagino.





Há algumas noites, tenho acordado com gritos, frases desconexas sendo ditas numa espécie de frenesi, tudo emanando do caos que é a cabecinha do meu filho nesta fase de seu desenvolvimento. E é na madruga boladona, que preciso levantar com nobres propósitos quixotescos, ora pra combater dragões enfurecidos, ora pra derrotar os vilões mais resistentes. Fora dinossauros e tubarões recalcitrantes.





Noite após noite, ele precisa ser convencido a dormir, que tudo ficará bem, que ele não precisa ter medo, pois poderá contar comigo...pois ao menor sinal de ruído, captado por minha audição supersônica me revelo a maior heroína de todas, mesmo cambaleando ao me levantar. Sempre a postos.








(pena que ele não conheça o meu alterego. Cuidem para que meu segredo não seja revelado.)






imagem: daqui

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Para a MÃE e mulher Vitrola


A conheci logo que comecei a escrever esse blog.


Com ela aprendi muito, já que nunca negou apoio.


Com ela me sentia acolhida nesse universo tão grande que é a blogosfera.





A vi engravidar, acompanhei como tantos outros a sua gravidez, suas expectativas e o nascimento do pequeno Joaquim. Assim como tantos outros, torci, tentei encorajá-la na sua luta pela luta do seu filho pela vida.



Até que por fim, passou.

Como um vento.






Vento Passageiro  - Paulo Afonso Condé




Uma ventania veio forte, e passou,


Trouxe sonhos, esperanças e


muita alegria.


Mas como brisa passageira


não pode ficar.


São assim os desígnios de Deus,


e a vida passa.


Por mais que teimamos em não aceitar,


passamos assim mesmo,


como o vento, a brisa, os gestos,


tudo no ar.


Momentos tristes e alegres, o que fica?


O amor, o amor, Amar.


Melhor assim, ainda podemos amar.


Amamos o que seria,


amamos os que são,


e também o que virá.


Há de chegar o dia, que ele voltará.,


Maduro, pronto, não mais vento,


Muito menos passageiro,


Pois também amará


E amado será.








Re, esse poema foi escrito na mesma circunstância que vc está vivendo hoje, agora. E me foi apresentado por uma amiga, pra que eu também pudesse aplacar esse sentimento tão forte, que não conseguimos nominar. Restam a dor, a saudade e o aprendizado.






A você, desejo força e te dou o meu abraço mais sincero, já que meu coração de mãe se une ao seu.


Que em sua vitrola ainda toque a mais linda canção de amor.