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quinta-feira, 29 de março de 2012

Para mudar, ouvidos moucos!



Excitação e medo são sentimentos antagônicos e correlacionados quando falamos em mudança.





Sempre tive, desde a infância, uma queda por cabelos curtos. Acho lindo, acho sexy, acho prático. Mas sempre usei os meus bem longos, porque sempre que manifestava a minha vontade, seja pra quem fosse, ouvia sempre comentários exasperados, tentativas inconvenientes de me alertar sobre o tamanho das minhas bochechas e meu nariz, hã, batatudo. Não combina!!!! - gritavam todos.





Ficava lá, amuadinha e voltava com a minha louca vontade pra dentro da conchinha. Até que, quando estávamos prestes a mudar de cidade, resolvi não fazer a clássica pergunta "o que vc acha de..." pra ninguém. Meu marido já estava lá e eu não o via há longos quatro meses! Cheguei ao salão autoconfiante e com o cabelo perto da cintura e falei pro cabeleireiro: CORTA! Como? - perguntou educadamente. Curto. MUITO CURTO!!!!





Cortar o cabelo foi a maneira simbólica de mostrar que eu estava disposta a começar de novo. A zerar a vida. Lá ninguém iria me reconhecer na rua mesmo. E, quando vi o meu rosto emoldurado pelos cabelos curtos e bem repicados (oi, Renée!) quase grito de felicidade! Falei ainda olhando maravilhada para o espelho: "esperei a vida toda pra ter esse resultado? Pra me sentir tão bem assim?" 



Por que perdi tanto tempo, ouvindo a opinião dos outros? Passei a me namorar. E, quando o marido me viu ainda no aeroporto, pude ver sua expressão de entusiasmo. Parabenizou a minha coragem e afirmou o que já sentia no íntimo: por que não cortou antes? Ficou linda!!! Win.





A mesma coisa aconteceu com a armação dos óculos de grau. Desde os quatorze anos que os uso e sempre escolhia armações clássicas, discretas...quase invisíveis, como se fosse feio usá-los. Pois bem, quando completei 30 - quando inaugurei minha fase egoica - pedi de presente ao marido uma armação vermelha. Vermelhão. As pessoas me viam entusiasmada e já diziam que seria muito estranho desfilar por aí, com um óculos assim. Que eu enjoaria. Que  não ficaria legal para o meu tom de pele, com a cor dos meus olhos.





Só que dessa vez, deixei bem claro que não estava lhes pedindo opinião. Estreei meus óculos novos com toda classe e vermelhidão e constatei o quanto a cor me fez bem. Tornou viva a minha expressão naturalmente pálida. E as mesmas pessoas que foram contra, disseram que não poderia ter feito melhor escolha, mas já não me importava com a opinião delas, estava me sentindo bem - afinal, isso é o que importa. Para mudar, definitivamente, ouvidos moucos. Essas pessoas não sabem o que dizem.





Já não basta tudo ser sempre o mesmo? Nos deparamos diariamente com as mesmas notícias, com o mesmo trânsito, a mesma praça, o mesmo banco e o mesmo jardim? Por isso é bom, quando algo nos surpreende, para nos libertar desse tédio.





Cortar o cabelo, trocar a armação do óculos, mudar de casa, de cidade, de profissão, nos lembra que nada nessa vida é definitivo e que ainda estamos vivos! É bom, muito bom, combater o olhar acostumado sobre si mesmo.





A ousadia vem pra quebrar o hábito, a mesmice, pode até provocar um estranhamento, mas não é maravilhoso render-se às inúmeras possibilidades da vida?





Não tenha medo. Faça ouvidos moucos.


Mude.









domingo, 25 de março de 2012

Pai e Filho

Naquele recesso que me dei de presente, aproveitei dentre outras coisas, pra ler um bocado. Em um mês, consegui ler quatro livros, que aos poucos vou trazendo pra vcs.





Este é uma história de um filho que ama muito seus pais e projeta para sua vida a figura do próprio pai. Idealiza casamento, mulher e filho. No fim, as coisas não saem do jeito esperado. 





Porque no fim, nada sai, não é mesmo?





Depois que ele se torna pai, precisa a todo custo aprender o ofício na real, já que perde tudo o que havia construído até então e daqui advém os mais lindos ensinamentos. Sua busca é legítima. Ótimo para vermos o outro lado, sob a perspectiva masculina.





É daqueles livros que te fazem rir, chorar e pensar.





Gostei muito.





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"Harry tinha uma vida invejável; uma esposa linda, um filho adorável e um ótimo emprego na TV. Mas, às vésperas de completar 30 anos, ele perde tudo isso. Algum tempo depois, quando sua ex-mulher vai tentar a carreira de tradutora no Japão, deixando o filho de quatro anos com Harry, ele faz de tudo para provar que pode ser um pai de verdade. Eleito pela crítica inglesa a melhor obra de ficção de 2001, 'Pai e filho' faz o leitor rir, chorar e se identificar com os desafios, sonhos e conquistas de um pai separado construindo com seu filho uma nova vida."





 E aí, alguém se aventura?







sábado, 24 de março de 2012

Sobre a insegurança de cada um e aqueles que conseguem ser bons exemplos


Sábado que amanhece preguiçoso, filhos e eu largados no sofá e uma programação bacaninha logo cedo: Snoopy num desses canais da TV paga. Não sei vcs, mas sou apaixonada por esse desenho desde a infância e, só depois pelas indagações filosóficas que propõe.





Nesse episódio, queriam tirar o cobertor do Lino, aquele que ele traz consigo o tempo inteiro. Tentaram de todas as formas, mas no fim, ele acabou recuperando a posse desse objeto que lhe traz tanto alento.





Com os amigos reunidos a sua volta, ele pergunta aos gritos: por um acaso vcs não tem nenhuma insegurança? Nada em que se apoiar? 





E desvenda um a um, os pontos fracos e as inseguranças de cada um de seus amigos. A última de suas investidas é com a avó, que juntamente com os amigos, queria salvar o neto dessa enorme fraqueza. Afinal, por que ele não se livrava da porcaria desse cobertor e não era como os outros? Sabiamente ele também a lembrou de suas próprias fraquezas e se reafirmou único justamente por reconhecer suas limitações.






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Parece que estamos sempre atentos para as fraquezas dos outros. Estamos sempre investindo tempo e energia para livrar os outros de maus hábitos. Estamos sempre julgando os outros por suas atitudes diante das adversidades. Todos juízes da vida alheia.





Lembro quando aquela apresentadora matinal famosa, teve que lidar com o câncer. Deixou tudo à mostra, não se escondeu, mostrando a realidade da sua condição e do tratamento. E o mais importante: de como agir com positividade pode ser benéfico para o tratamento.





Sua postura ajudou muita gente. Inclusive a minha tia, que estava com a mesma doença, na mesma época que ela. Serviu de exemplo. Só que muita gente, os juízes do comportamento alheio, criticaram, fizeram pouco caso, alegando ser desnecessária tanta exposição. Como se, criticar, de fato, fosse muito necessário.





A mesma coisa com o ator bonitão, que lindamente tem enfrentado o seu problema de saúde. Tem servido de exemplo pra muita gente, inspirando pessoas perfeitamente saudáveis a seguir em frente sem reclamar tanto da vida. Muitas vezes é preciso que alguém venha nos mostrar que temos tudo de que precisamos pra sermos felizes.  Mais uma vez, encontramos aqueles que criticam, lógico. Chegam ao cúmulo da crueldade dizendo: é fácil ter essa doença quando se tem dinheiro. Quero ver lá no SUS. Blá blá blá.





Pois bem, uma colega nossa, blogueira, está enfrentando de forma igualmente corajosa seu problema de saúde, que nos mete tanto medo. Não tenho intimidade com ela, mas a acompanho há algum tempo. Só não a identifico, para que os juízes do comportamento humano não venham me taxar de oportunismo. Pelo que conheço dessa pessoa, ela continua a mesma. Sua atual condição não foi suficiente para tirar a alegria com que ela sempre encarou a vida, ela não precisa se esconder por estar passando por isso. Tampouco, mudar sua forma positiva de ver o mundo.





Há quem critique, lógico. Há quem duvide de sua alegria. Há ainda aqueles que estão ar-ra-sa-dos por vê-la sempre bem. Como se à elas fosse facultado esse direito. 





Mas para mim e muita gente, que eu sei, ela serve de exemplo, pois essa sua postura só mostra o quanto ela se preocupa com seu marido e suas filhas, pois se acaso se tornasse vítima e tivesse pena de si mesma, certamente, o fardo se tornaria muito mais pesado. Isso é compromisso! Não só com a vida, mas com os seus.





Se todos esses personagens sofrem? Sim, acredito que sim e até onde sei, nunca negaram isso. Só não se rendem à tristeza.


 


Porque nessas horas, a gente deve se agarrar à esperança.





E que, quando necessário, saibamos agir como o Lino: relembrando a todas essas pessoas tão preocupadas com a postura alheia, de que eles também tem (muito) com o que se preocupar.





E viva àqueles que tem coragem de se tornar bons exemplos.


De força, luta e positividade.





Bom sábado.





sexta-feira, 23 de março de 2012

Ligeiramente grávido




Dia desses, recebi um convite irrecusável.


Estava eu, zapeando distraidamente os canais da tv, quando o Otto chegou de mansinho me pedindo pra que eu fosse visitá-lo em sua cabaninha. Topei imediatamente.





Com um pouco de contorcionismo, coube naquele pequeno espaço. Tão fofo. Ele me ofereceu um lanche e disse estar preocupado com o quarto do bebê. Enquanto tentava processar e ajustar a informação recebida, ele foi logo explicando, quebrando a onda de sinapses.





"Mamãe, é que estou esperando um bebê."





O parabenizei entusiasticamente e sem nenhum fingimento, já prevendo o comportamento que terei, daqui uns...sei lá, trinta anos? E, enquanto dizia sem parar "que legal, que legal", lembrei de perguntar-lhe de que maneira ele estava esperando esse bebê.





Daí veio a surpresa!





Ele apontou para a barriga e disse da forma mais natural que consegue ser:





"Ôué! aqui na minha barriga! Não é daqui que os bebês nascem?"





Sim, filho. SIM! É daí que nascem os bebês. Teria eu o direito de dizer que os homens não ficam grávidos? Não iria de encontro ao que penso e apregôo aos quatro ventos? Já que acredito que a paternidade deve sim, ser construída? Que nós, os pais, não devemos tirar esse direito de aprendizagem dos meninos. Sim, MENINOS, por que não? Pois serão pais um dia.




Se usurparmos essa maneira lúdica de encarar a paternidade, ainda na infância, estaremos criando neles a incapacidade de lidar com esse evento, que é a chegada do bebê, no futuro. Quantos homens vcs já viram por aí, que não conseguem lidar com a gravidez? Seja da namorada ou da esposa? Quantos homens vcs conhecem que conseguem viver anos com uma mulher, inclusive na mesma casa, na condição de casados e quando ela anuncia a gravidez, eles abandonam o barco? Ou ainda, aqueles carinhas que acham que transar é só uma curtição e que a peguete que se vire depois que estiver grávida, por achar simplesmente, que prevenção é um ato exclusivamente feminino?





Conheço vários.


Conheço muitos, inclusive.





Só não quero que meu filho venha a ser um deles.









Quem sabe um berço de lego, fique legal na sua cabana?










quinta-feira, 22 de março de 2012

Medo? medo. Eu?




Medo.


Quando olho pra trás, lá pro comecinho da vida, não consigo lembrar de ter sentido medo, exceto por sapos e gatos que me apavoram com uma incrível intensidade.





Era a magrelinha mais destemida do velho oeste.


Se alguém na rua tinha um problema difícil de resolver ou necessitavam de uma forcinha (física) iam bater na porta da D. Zuíta.





Quando adolescente, voava de ultraleve, queria saltar de paraquedas, de bungee jump, voar de parapente e ir, na maior montanha russa do mundo não era só um sonho, mas um objetivo de vida.





Daí, vejam bem vcs o que me aconteceu:

Fiquei medrosa de tudo.

Tenho medo até de atravessar a rua, vê se pode.



O senso comum grita: culpa da maternidade - pois dizem que é quase instintivo querermos nos resguardar, para cuidar da prole.

O senso comum também grita: culpa da idade - pois dizem que quanto mais véia mais medo se tem.



Como grita o senso comum!

De toda forma, no meu caso, me encaixo nas duas categorias. Ferrou.



Há uns anos atrás, fomos ao Beto Carrero a pedido da Bia. E lá andei em pouquíssimos brinquedos.



Um deles foi o trem fantasma. Fui de boa, até fazendo gracejos na fila repleta de góticos adolês, imaginando encontrar uma daquelas atraçõezinhas bizarras de quermesse. *RISOS*



GENTE! aquilo que senti foi um pânico imponderável. Fechei o olho no primeiro susto e gritava de-ses-pe-ra-da-men-te pra Bia fazer o mesmo. Ela ria, obviamente. E fui sem enxergar nada até o final, que não sou besta. Além de não querer por em risco as poucas horas de sono que tinha, na condição de mãe de bebê, com pesadelos. Não mesmo.



O segundo e mais RADICAL brinquedo que fui foi esse:





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Frio na barriga e um pouco de sudorese, mesmo fazendo um frio absurdo - foram os sintomas.


O pânico veio quando o Otto resolveu brincar com os botões que faziam Dumbo voar mais e mais alto. Ele ria de mim, obviamente.





Definitivamente, a magrelinha destemida e sonhadora com uma vida absolutamente radical desapareceu e...





PÉRA.





Se bem que, pra quê mais radical que vida de mãe, me conte.


Duvido um paraquedista fazer o que eu faço. Du-vi-do.





Olha mãe! Tô maternando com uma mão só.


Olha mãe! Agora sem os pés...





Isso sim que é aventura.







segunda-feira, 19 de março de 2012

Fragmentos de um todo




Houve um tempo em que queria esquecer alguns momentos da minha vida. Como se fazer de conta que eles nunca existiram, fosse, de fato, apagá-los da memória. Depois fui aprendendo que somos a somatória de tudo isso: do que vivemos, de quem amamos, do que vimos ou sentimos.





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Bia de vez em quando, gosta de revisitar os lugares por onde estivemos, olhando antigas fotos. E nesse final de semana, embarcamos juntos. Todos juntos. Inclusive o Otto, que à época ainda nem status de projeto tinha.





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Revendo tudo isso, conseguimos sentir até o cheiro da cidade, com sua atmosfera pesada de umidade e levemente adocicada...como um cupuaçu.



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Quando se chega num lugar, é bom não sentir pudores. Estar aberto às percepções. Só assim, pra entender o modo de vida de seus habitantes. E o mais importante é não fazer julgamentos com base no seu estilo de vida, mas saber admirar beleza em todos os detalhes. Por menores e mais confusos que sejam.



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Conhecemos o real significado da palavra diversidade, no caso, cultural. Há um mundo além do próprio umbigo e das sólidas convicções. Há sim.



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Aqui, ribeirinhos que iam de voadeira até o navio em busca de doação.



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No jardim, havia um rio.



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Quem quer trabalhar, improvisa. Vendedor de camarão oferece seu produto para os passageiros do navio que faz a rota Manaus - Belém. "mas vc não sente medo?" "medo de quê? sou filho do rio, moço!"



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Paulinho viajava a trabalho e a lazer. De avião (bimotor), de barco, voadeira ou navio. 



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Família em Parintins - foto mais linda ever.



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{essa é a Amazônia pelos olhos dele, que contava apenas com uma câmera amadora, Benq, 5 MP}



Somos fruto do vivido.

E devemos respeito a tudo o que vivemos.




terça-feira, 13 de março de 2012

Reviravoltas Domésticas ou Salvem-se quem puder


Gente! que semestre alucinante.





Aproveitando a onda dos meus ambiciosos planos de organização 2012 - o ano que se auto-promoveu caótico - consiste basicamente em jogar tralhas e mais tralhas fora, reorganizar gavetas e cômodos e  ainda fazer coisas cuti-cuti para enfeitar o lar, resolvi também instituir a Nova Ordem Mundial Doméstica.





Marido que trabalhava o dia inteiro, passou a trabalhar a tarde. Eu que estudava a noite passei a estudar pela manhã (socorro quando o inverno chegar) e os meninos que estudavam a tarde, bem...continuam estudando a tarde.





Tivemos que nos reorganizar e buscar a adaptação conjunta (todos unidos pelo Brasil), já que os meninos precisavam se conscientizar de que a presença paterna - sinônimo de final de semana - não implica em farra. Ou seja, a rotina permanece a mesma. O marido também precisava se conscientizar de que ele teria que fazer tudo o que eu fazia. (dança, gatinho!) Sem esse lance de deixar pra depois esperando que eu o faça. De brinde, ele ganha o almoço que é previamente preparado e congelado por mim mesma. (e outras cositas más)





O primeiro dia foi um C A O S absoluto, já o segundo dia, também.


Em compensação o terceiro foi ainda pior. No quarto as coisas ainda não apresentaram melhora.





SURTEI. 


E a conversa foi iniciada com o clássico " Cês tão pensando o quêêêê????" com o dedo em riste e autêntica indignação.




Só então eles compreenderam o espírito da coisa e já posso chegar da aula sem maiores sobressaltos. Ufa!






Nada como o poder do diálogo.







segunda-feira, 12 de março de 2012

O tempo, a sombra e as respostas

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Não sei se um ser humano é capaz de não criar expectativas acerca do outro ou de alguma coisa. Isso pode ser muito perigoso, aponta estudo. Porque só se frustra quem idealiza demais. (Caio Fernando Abreu).





Assim é a maternidade.



Umas pessoas projetam nos seus filhos tudo o que quiseram ser e não conseguiram, como se eles tivessem vindo ao mundo para dar continuidade a projetos inacabados, sonhos não concretizados. Outras querem proteger os filhos de todo e qualquer sofrimento, para que eles não passem pelo que passaram.




Há um tempo atrás quando escrevi esse post, estava com muito medo por causa dos sinais claros de que a minha filha de nove anos estava entrando na puberdade.

Cedo demais – pensei.

Cedo demais!!! – protestei.





Investiguei o quanto pude…não há escudo melhor e mais eficaz que a informação! Passamos por endocrinologistas e os sinais clínicos eram bem diferentes dos laboratoriais – estes indicavam que estava tudo bem, tudo certo, volte depois. Sem me dar por vencida, conversei com minhas tias, (uma médica e uma outra doutora em farmacologia) e lhes contei como estava revoltada com esses médicos incompetentes! Queria saber porque não receitavam logo a porra desses hormônios. Precisávamos agir rápido (como se tudo se resumisse a luta do bem contra o mal).





Depois de ouvir tudo com meu incômodo tom de revolta e lágrimas nos olhos diante de minha própria impotência, disseram que os médicos estavam certos. PAF! Que não havia necessidade de introduzirmos nenhuma medicação, que seria muito ruim para a Bia neste caso. PAF! Daí uma delas, que me conhece desde sempre, me olhou lá dentro dos olhos e perguntou: Dandan (oi, esse é meu apelido pros tios) vc está com MEDO DE QUÊ? Engoli em seco e perguntei se poderia responder depois.




SABEM LÁ DE NADA. Continuei com a minha cisma, com meu escudo e com a sensação de que ainda precisaria derrotar um inimigo, porque eu sou como a Maria, que tem a estranha mania de ter fé na vida. Daí lembrei da conversa que tive com a minha tia e fui achando as respostas.



Foi um processo muito, muito doloroso.








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Só que eu precisava ter a certeza de que essa era resposta certa. Era o que mandava meu senso de responsabilidade. Daí, num ímpeto, procurei a Ligia (a Cientista que Virou Mãe) e pra formular a minha pergunta, fiz um paralelo entre essa minha insistência e o uso indiscriminado de ritalina e, consequentemente, das mães que são coniventes com isso. Estou sendo igual a elas? - foi a minha pergunta. Sim, as minhas respostas estavam certas. Tudo o que ela me falou, serviu para deixar as coisas ainda mais claras.



***



Olha como estava louca...acreditava que toda essa ansiedade, essa busca, fosse por causa da menarca, que sequer aconteceu. Imaginei que no momento da menstruação a menina sofreria uma metamorfose e se transformaria da noite para o dia, deixando pra trás a infância, os brinquedos, a ingenuidade.



***





Uma coisa que aprendi com tudo isso é que, como MÃE nunca sabemos de tudo o tempo inteiro. Quem acha que se diplomou na maternidade e pode vender seus conceitos, precisa revê-los e baixar a bola. Não temos o controle sobre nada, nem mesmo sobre nossos filhos.



Ser mãe é um eterno exercício de humildade.





Essa novidade toda: de escolher modelos confortáveis de sutiã e métodos de depilação pra uma garotinha fez com que eu encontrasse a minha própria sombra, os meus fantasmas. O medo não era só ter de comprar absorvente, era outro.





O medo era da adolescência em si, não no sentindo fisiológico, mas do que estava por trás. Descobri que estava projetando na vida da filha todas as questões não resolvidas da minha vida. O meu medo era de QUEM EU me tornaria pra ela. De que eu, mesmo sem querer a fizesse passar pelos mesmos constrangimentos, pelo mesmo sofrimento pelo qual passei.





Agora já não cabe mais a clássica pergunta: que tipo de mãe serei? NÃO. Agora a questão é: que tipo de mãe eu NÃO quero ser.








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Não quero ser a mãe que aprisiona, não quero ser a mãe incapaz de acompanhar as evoluções do corpo e do pensar, não quero ensinar pela aspereza, não quero ser a mãe competitiva, não quero ser a mãe que ao invés de orientar, julga modelos de conduta que ela mesma teria que ensinar, não quero ser a mãe que afugenta ao invés de acolher, não quero ser a voz dos conflitos.





Quero ser o que não foram.





Um ser com o mínimo de sensibilidade ao ver uma flor desabrochar, a pega com cuidado, porque qualquer gesto, por menor que seja, acaba machucando as pétalas sempre muito finas e delicadas. Assim é a nova fase (adolescência). Assim que quero agir quando ela chegar.



Revivi antigas questões, mesmo que somatizando-as para, finalmente, cortar o elo e renascer. Dissociar a mãe que sou, da filha que fui. O que passou não pode ser mudado e preciso aprender a encarar isso. Já o que está por vir...isso sim, é de minha inteira responsabilidade.





Porque as coisas podem mudar, nós podemos mudar, mas o vínculo que se constrói com os filhos é para sempre.




Agora sim, me sinto preparada.



Nada de remédios, nada de intervir no curso natural da vida.








quinta-feira, 8 de março de 2012

Teste da Violência Obstétrica - Blogagem Coletiva




Será que desaprendi? Que ainda levo jeito pra coisa? Alguns dias sem escrever e sem, nem mesmo, terminar um post mentalmente!





Antes de tudo, gostaria muito de agradecer aos comentários de vocês na postagem anterior. Gente querida que não comentava há muito, saiu da toca pra dar apoio e dizer que sentiria saudade...me senti apoiada e respeitada, além de imensamente feliz. Obrigada.





Continuo de recesso, se é que posso chamar assim, mas não poderia deixar de atender um pedido da querida Ligia Sena, autora do blog Cientista que Virou Mãe, que em conjunto com os blogs Mamíferas, Parto no Brasil e com o apoio das blogueiras Parto no Principio, em deferência ao Dia Internacional da Mulher, vem propor este Teste da Violência Obstétrica para avaliar se fomos submetidas a algum tipo de violência no momento dos nossos partos. (eu fui!!!)













Esta ação visa antes de mais nada, a defesa das mulheres e a melhoria na qualidade da assistência obstétrica que nos é prestada. Já não é mais tolerável os maus tratos institucionalizados nas maternidades. Isso não deve ser "prática padrão". Precisamos valorizar não só a nossa integridade física, mas emocional no momento mais importante de nossas vidas. Merecemos respeito e exigimos que nossa dignidade seja preservada.





"No dia 08 de março, insira em seu post o Teste da Violência Obstétrica, um teste elaborado para que as mulheres possam avaliar se foram submetidas a alguma forma de violência obstétrica durante o atendimento a seus partos.


O teste será divulgado, em forma de blogagem coletiva, no dia 08 de março, e ficará no ar até o dia 15 de abril. No dia 30 de abril, divulgaremos os resultados desta pesquisa informal, que tem como objetivo sensibilizar as mídias sociais e outras instâncias para a grave questão da violência obstétrica. O teste será respondido anonimamente e os dados individuais serão confidenciais.


"Violência obstétrica, também é violência contra a mulher."






Caso haja problemas na visualização do teste, clique AQUI.



Participem.

Feliz Dia das Mulheres.