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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sonhos, respostas, catarse - não acende a luz, que eu tô de pijama





Dias e dias tendo o mesmo sonho. 


Eram sonhos pesados, desses que não vão embora com simples despertar, mas que te acompanham por todo o dia. Tão nítidos que nos fazem relembrar as mínimas nuances, como se de fato pudesse ter vivido tudo aquilo enquanto meu corpo descansava. 





Sonhava com meus partos. Exatamente da forma como aconteceram. Não os estava fantasiando, por isso acordava tão cansada. Depois de tudo, naquele momento em que nos rendemos a maravilha do nascimento, minhas mãos esticadas para receber o filho tão esperado em troca recebia olhares vazios, de comiseração...não recebia nada. E em meio aquela angústia, acordava. Por que não os via?





Dia após dia o mesmo sonho.





Estava angustiada, nervosa e completamente dispersa. Não sabia por que. Também não conseguia chorar. Pensei ser mais uma das minhas TPMs.





Nas páginas finais do livro de cabeceira, tive um insight.




Lembrei com detalhes do dia em que estávamos saindo pra mais uma viagem: minha avó, meu avô, um primo e eu. Era madrugada alta e ela segurava uma papoula nas mãos. A lua tava cheia. Ela cheirou, olhou pra mim e disse que quando era menina, pensou ser poetisa. Não deu. Daí ela passou um tempo calada enquanto o vovô gritava de dentro do carro "fecha o portããããooo" e disse antes de fechar a casa: mas ainda quero ser como essa flor.










saudade, luto, amor de avó, sonhos, angústia, choro, lágrimas, inconsciente, trabalho de parto, aborto, primavera
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Nessa hora, entendi o porquê dos sonhos. Entendi o motivo de tanta angústia...e consegui chorar. Não adianta fugir do inconsciente.





Não recebia o filho nos braços mesmo tendo passado por todo o trabalho de parto, porque a esse, simplesmente não pude dar à luz. Completaria 2 anos em outubro.





Vovó se foi em setembro, em plena primavera.


Virou flor.







sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Descobertas e teimosia





Quando se tem filhos em idades diferentes, temos uma perspectiva mais ampla da infância e do tempo que cada um leva para demonstrar suas habilidades.





Bia desde muito pequena parava e amava ouvir histórias. Adorava carregar os livros em pequenas bolsinhas cor de rosa. Sentava à sua mesinha e passava horas rabiscando ou fazendo minhocas com massinha.





Otto já não é assim. Veio parar sentado pra ouvir uma história depois dos 3 anos. E ainda assim exige muito da paciência do contador, pois interrompe a todo instante perguntando sobre tudo aquilo que não foi dito. Ou ainda, complementando a história com informações que já traz consigo.





Há bem pouco tempo, descobriu-se encantando com os livros. Toda semana traz um novo da escola e quer que eu o conte à exaustão. Pediu um estojo pra irmã e nele colocou todos os lápis e gizes de cera que ela não queria mais. Também ganhou um apontador que eu tive que tomar, por causa da sujeira que fazia pela casa. Até parece que não sabe o caminho da lixeira.






birra, leitura, alfabetização precoce, teimosia, segundo filho







A única fase que coincidiu foi a curiosidade pelas letras. Ambos com quase quatro anos.





Não registrei, mas em maio, exatamente no dia das mães - no cartão que sempre ganho de presente havia uma assinatura nova, meio agarranchada. Perguntei se a Bia havia ajudado o irmão a escrever, quando ele mesmo resolve responder: "não, mãe. Eu escrevi meu nome. Olha só: O-T-T-O." Foi o melhor presente.





Vendo o interesse do irmão, Bia foi numa caixa, já meio esquecida pra fuçar atrás de um brinquedo. Sabe aquele? Em que cada bloco é uma letra? Então. Ela achou que era hora do irmão "brincar" com um. Assim que ganhou, começou:





D de dedo e de Dani.


V de verão


M de Miguel - o amiguinho


P de pai, Paulo e de pum - porque escatologia no vocabulário de um menino não poderá faltar jamais.





Faz desenhos cada vez mais elaborados. E assina todos eles, meu pequeno artista. Também anda muito musical. Canta e dança o tempo inteiro e em momentos de ócio, ainda compõe. Ainda faz rimas e ama parlendas e trava-línguas.





Anda todo orgulhoso de si, mas teimoso que só.




Quer provar para todos que já sabe "fazer tudo o que um adulto faz". O que consiste em ter autonomia sobre suas vontades. O que consiste em uma mãe que diz coisas folclóricas do tipo: "essa é a última vez que eu falo isso." --- tolinha eu.





Aprendeu a dizer não. E percebeu o quanto isso tira a todos nós do sério.


Já não cede, como fazia tempos atrás, quando percebe que está chateando. Agora deu pra olhar pra cara da gente e dizer sério: "não brigue comigo".





Lógico que estamos completamente atordoados com essa mudança, o que me faz repensar a diferença entre  autoridade x autoritarismo. Preciso achar uma conduta que seja um caminho do meio, rápido antes que eu enlouqueça.



Tento lembrar de todos os conselhos sobre birra e mantenho-o ocupado com tinta, lápis e papel em branco. E é incrível como na hora da tensão, não entrar na mesma sintonia reverte todo o processo. Pena que nem sempre eu consiga, enfim...





Consolo a mim mesma por saber que dizendo não, ele está dizendo sim a figura do menino que cresce mais e mais a cada dia.









segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O medo do divórcio e uma historinha




Basta que falemos um pouquinho mais alto, pra que ela pare tudo o que está fazendo para nos olhar com uma expressão aflita.





Dia desses, certa que estavam todos dormindo, Paulinho e eu engrenamos numa discussão. Nem lembro qual o motivo. só que eu estava certa. Dissemos tudo o que tinha a ser dito, quando abri a porta do quarto para pegar mais um dos milhares de copos de água que bebo antes de dormir, quando ouvi um choro abafado.





Chamei o Paulinho e subimos pro quarto da Bia, rápidos como nunca imaginávamos que fosse possível. Nos contou que não estava dormindo coisíssima nenhuma e que ouviu to-da a nossa briga. Paulinho riu. Fiquei em dúvida sobre o que a tinha levado a chorar e enquanto a consolava, assuntava o porquê do choro.





Antes que ela pudesse me dizer qualquer coisa, fui logo tirando a suja e explicando que todo casal discute. E que há uma enorme diferença entre briga e discussão. Daí ela desandou a falar.





Chorou porque sabe que casais que brigam se separam. E que ela nunca, nunquinha quer me ver longe do pai dela. Ou melhor, que não quer o pai dela longe de casa, longe deles. Que o maior medo que ela tem na vida é que um dia a gente se separe.





Ué, mas de onde vc tirou isso? - perguntei mais uma vez. Explicou que quase todos os amigos da escola tem pais separados e que ouvindo as conversas deles, não se imagina tendo duas casas, não se imagina ter que ver o pai apenas nos finais de semana. Na cabecinha dela, família feliz é aquela indissolúvel.





A confortamos. A beijamos. A cobrimos e saímos ensimesmados.





No dia seguinte, com ela mais calma, retomei o assunto.






papo de mãe, divórcio, dissolução da família tradicional, coisas que devem ser ditas, liberdade, luta feminista
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Até onde sei, os pais dos amigos dela se dão super bem, mesmo com a separação. São presentes e convivem em harmonia com os novos parceiros de suas ex, inclusive. Daí lhe contei uma historinha.





"Era uma vez, um reino muito autoritário onde as mulheres eram vistas como mercadorias. Os casamentos eram barganhados e não cabia à mulher escolher com quem iria casar. Isso era visto como uma bobagem e elas, uma moeda de troca! Amor era um conceito tolo. Até falavam na época, que amar se aprendia amando. As mulheres eram muitas vezes obrigadas a casar com homens que mal conheciam, que cheiravam mal, que só a queriam para procriar. E aí delas se não tivessem filhos...Os maridos eram autoritários e a eles, deviam submissão. Mesmo sendo mal tratadas, as mulheres - coitadinhas - não podiam pedir divórcio. Isso era tido como algo antinatural.





Falavam muito mal daquelas que tinham coragem para fugir. A sociedade as renegava. Depois de muitos anos de opressão, só em 1977 - praticamente, ontem, é que as mulheres tiveram o direito de escolher se permaneceriam casadas ou não. De modos, que o divórcio não precisa ser visto como um vilão, mas uma conquista daqueles que querem permanecer juntos pelo afeto e não por obrigação social. Só assim poderiam viver felizes para sempre. Fim."





Entendeu, filha? Não podemos demonizar o divórcio, muitas vezes, significa liberdade ao casal, apesar de que todo fim é sim, triste. Afinal, ninguém casa para separar.





"Ahhh, mãe. Entendi tudinho agora. Bom mesmo que as pessoas já são livres pra escolher, né?" - e em tom de deboche quase acusador complementa: "mas promete que vcs nunca, jamais vão se separar?"







OMG!










segunda-feira, 3 de setembro de 2012

As particularidades do sexo numa relação {com filhos}





O espanto já é comum sempre que numa reunião de casais amigos, nos perguntam sobre a quantas anda nossos programas de casal.  Crianças correndo de um canto a outro, trilha sonora infantil ao fundo e copos que dissimulam o conteúdo alcoólico acabam nos desencorajando a dar longas respostas, respondemos sempre com um sorriso evasivo. Quem entenderia, afinal?





Na verdade, não temos programas de casal embora estejamos casados há onze anos. Prova de que não existem fórmulas que garantam o sucesso. Muita gente diante disso se escandaliza e nos pergunta como sobreviver a rotina. Boa pergunta essa.



Vejo casais fazendo o inimaginável para fugir da rotina, mas o que me parece, numa análise de psicologia de  botequim, que querem mesmo é fugir um do outro. Encaro a rotina como um evento natural da vida, sendo assim, não há porque fugir dela.



Ainda tem aquelas que me chamam num cantinho e me perguntam então quais os meus truques para manter o tesão na cama, antes de se certificarem de que ele ainda existe.





Daí lembro dos meus pijamas de ursinho e minhas camisolas de poá e constato que eu simplesmente não faço nada. Ondas saudosistas me invadem e me levam pra um tempo em que éramos um do outro a qualquer hora do dia. Quando não precisávamos abafar gemidos, nem nos vestir pra buscar água na cozinha.








casamento depois dos filhos, maternidade real, cumplicidade, feminino, prazer, solução
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Nos bastávamos. E tínhamos tempo suficiente para estarmos entregues. Com a gente nunca funcionou a artificialidade de climas românticos, de acessórios eróticos, nem o uso de lingeries provocantes. Só porque não acredito no prazer mecânico que essas coisas de borracha e que vibram proporcionam. Sozinha pode ser, mas acompanhada...não, obrigada.





Não tinha mistério, era só chegar perto um do outro pro clima acontecer. A excitação podia ser mensurada pela velocidade da respiração, apesar de tentarmos dissimular na frente dos outros. E tudo acontecia com muita entrega, sem pudores, sem mecanismos, sem velas, sem roupa.



Não acredito na racionalização do sexo. Pra mim tem que ser puro instinto.





Esse espanto dos amigos me assusta: "Então, como vcs fazem?" - é a pergunta que ouço e devolvo, porque me causa também uma enorme curiosidade. O que está por trás dessas peguntas de alcova, para minha surpresa, é uma cobrança nada velada de que nós mulheres temos que nos mexer (e até rebolar) para segurar o casamento, para não deixar o tesão morrer, para que - vamos falar a verdade - não ganhemos um par de chifres.



Não tenho medo de ficar sozinha, vou logo dizendo.





Sem falar que há toda uma indústria para socorrer as mulheres que se deixam cair em desespero. Quem nunca viu por aí "10 dicas preciosas de como enlouquecer seu homem na cama" - "10 itens indispensáveis na hora do sexo" - "Tudo que vc precisa saber no livro..." - lingeries, maquiagens, cosméticos, intervenções cirúrgicas....como se isso fosse garantia de fidelidade e a felicidade, uma mercadoria ao alcance das mãos. Ou do bolso.



Saber qual tipo de relação vc estabeleceu desde o começo com seu namorado/parceiro/marido, talvez seja a chave para entender essa cobrança. Ele é bonzinho com vc, te trata bem e por isso merece tal e tal inovação na cama? Ele não fez o que vc queria, por isso vai ficar tantos e tantos dias no zero? Bom, nunca me ocorreu barganhar meu próprio corpo. Se ele está bonzinho pra mim, se me deu presente é porque mereço. E fim.





Mas voltando, o sexo de um casal com filhos é cheio de particularidades. 





Vou confessar que nos primeiros meses após o nascimento dos filhos, eu não tinha a menor vontade de nada. A não ser dormir. Estava completamente envolvida com aquele filho, com todos aqueles protocolos noturnos que demandam afeto e exigem um esforço quase sobre-humano. E o relacionamento passou por um amadurecimento.



Daí os mais íntimos nos perguntavam: então, como vão manter o casamento? e ainda ouvia "Quando eu tiver filhos, vai ser diferente."



Sim, porque não bastava dar conta do filho, tinha que dar conta do marido também. Sinceramente? Não soubemos responder, estávamos ocupados demais sendo pais. E nem precisamos de combinação prévia.  Foi acontecendo e fomos respeitando a nova condição de nossas vidas. Nos apaixonamos pelo pai e mãe que passamos a ser. Descobrimos novas formas de admiração que iam além do sexo.



Estreamos uma nova modalidade pós-filhos: sexo com hora marcada. Esse talvez seja o maior corta-gozo, pois deixa de ser instintivo. Afinal, tudo deve estar condicionado ao sono dos pequenos. Já aconteceu de estarmos no maior climão e a criança naquele dia, justo naquele dia, não querer dormir.



Sem falar na frequência. Antes podia ser algumas vezes ao dia, até que restássemos exaustos. Hoje o processo se inverteu, já começamos extenuados. Mas a frequência realmente importa?





Como tudo passa, deu-se início uma fase de resgate dos namorados afoitos que ainda estavam ali, tímidos diante de tantos protocolos a serem cumpridos. Afora o cansaço, outro problema: a aceitação com o próprio corpo. Por mais que voltemos ao mesmo peso, nosso corpo nunca mais vai ser o mesmo. Simplesmente muda. Como tudo na vida, aliás. Mas isso deve ser mesmo impedimento?



Não, né? Não, né? Não, né? - tem que repetir até acreditar.




Um fator que também deve ser considerado é o respeito. Respeito pelo outro, pela nova condição, pela passagem do tempo. Sei que ao me deitar (ou não), ele me olha e consegue me enxergar como uma mulher. Olhos de homem e não de censor, pra mensurar a rigidez do meu corpo. O único que precisa ter coisa rígida é ele, oras.





Mesmo com tudo dando certo, sinto muita falta de ter um tempo meu e dele fora de casa, não posso mentir nesta conversa franca e inédita. Mas morar longe da família tem lá suas desvantagens.



Acho fofo quando ele diz que começaremos a namorar de novo aos 40, quando os filhos estiverem mais crescidos.  (cada qual com seu remedinho de pressão na bolsa. Oh god!)








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Sinto muita falta, mas enquanto o tempo de namoro não volta de forma plena, vamos nos virando e nos amando. Sem cobranças, sem artificialidades, sem velas e sem roupa.





O que me deixa tranquila? 





É saber que por mais que esteja sem pique nas investidas iniciais, quando acontece.....na hora em que acontece, sinto tudo aquilo que senti na primeira vez que me entreguei a ele. Mesmo sem seguir dicas de revistas, sem artifícios que me tornariam arremedo de mim mesma, sem excitação mecânica.



É saber que apesar do tempo, das mudanças, dos filhos, na hora H tudo permanece sempre igual: o nosso sentimento, a nossa atração e principalmente, nós mesmos.








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O assunto é comum a maioria de nós, mulheres e homens com filhos, mas muito pouco se fala a respeito. Continua envolto em tabu, afinal pra que expor intimidades?

Mas quero saber, quais foram as maiores dificuldades no pós-filhos? Já superaram ou ainda estão passando por isso?

Vou até passar um café, pra gente conversar melhor.