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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vamos fugir?








É preciso, na vida, reconhecer o momento de parar, dar um tempo e, no meu caso, se permitir novas vivências. Passar a vida correndo de lá pra cá, administrando horários de trabalho, suportando chefes desagradáveis, um trânsito que teima ser infernal, além de estar sempre alerta para evitar assaltos...acaba cansando, desgastando.





Sempre idealizei morar numa praia linda e ter tempo. Tempo para cozinhar. Tempo para ler livros. Tempo pra fazer nada. Não dizem por aí que o ócio pode ser criativo? Enfim, eu apenas idealizava, mas nunca em nenhum momento pensei que essa experiência se tornaria realidade antes que eu completasse setenta anos.





Preciso me acostumar com o fato de que na minha vida, não cabem planejamentos. Quero dizer, que não importa o quanto eu planeje, a roda gira e acaba acontecendo tudo de maneira contrária. É sempre surpreendente....pro bem ou pro mal.





devo ter contado à vcs um pouco da minha vida tuareg, de nômade. Enfim, chegamos em Floripa há quase quatro anos com uma vontade enorme de relaxar, de aproveitar pra tirar o fardo das costas e deixá-lo num canto, sabe? Procuraríamos uma nova maneira de carregá-lo, experimentaríamos uma nova maneira de viver - mesmo que por um período breve.





Escolhemos morar numa praia e, quem conhece a cidade sabe que aqui existem bairros de veraneio. Isso mesmo, dentro da capital! Chegamos em pleno verão e escolhemos o sul da ilha como moradia. O mês era janeiro e a cidade estava lotada, linda e colorida. Resolvemos aproveitar cada centímetro daquele lugar: suas praias, a beleza de suas montanhas, a lagoa de água cristalina e aqueles barquinhos no mar, que de tão fofos pareciam brinquedos.





Parece coisa de novela, né? E era exatamente assim que eu me sentia: uma personagem romântica e cafona da novela das seis. Quando eu caminhava pelo bairro, imaginava até trilha sonora. Era tudo tão bom, tão mágico que eu nem me preocupava com o resto. Questionei centenas de vezes se era eu a desfrutar o paraíso ou meu perispírito.





O que eu fazia com ar de triunfo era, num dia de semana antes de levar a Bia para a escola, tomar um banho de mar no verão ou levá-la pra brincar na areia num dia frio; era andar até a sorveteria num fim de tarde pra satisfazer meu desejo gravídico e ficar ali, de bobeira só olhando praquele marzão; era eleger dias em que não cozinharia, só pra comer peixe na beira da praia. Era viver numa espécie de mundo paralelo.





Aproveitei pra viver. Simplesmente viver - sem estresses, sem pressa.





Tenho muito carinho por esse período das nossas vidas, mas essa experiência como Brooke Shields durou o tempo necessário pra eu ter a certeza de que as coisas para terem valor, para serem importantes, não precisam durar pra sempre.




Tudo o que vivemos acaba de uma certa forma sendo interiorizado.


Nos modificamos, crescemos.





Foi uma fase. Agora, estou prontíssima pra encarar uma outra.




Vcs já sentiram vontade de parar, desacelerar, de ir embora?













17 comentários:

  1. SEMPRE Dani! Adoro essas suas reflexões, pq acaba virando nossas tb!

    Adoro vc! bjão!

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  2. Certeza, acho que sempre temos que pensar em mudar, se não de lugar, de atitudes ou pelo menos os pensamentos!!!!
    Bjos
    Ana

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  3. todos os dias, dani, todos os dias... já teve ano de eu adormecer planejando minha ida para o interior e pensando em alternativas de cidades aqui na bahia... em que emprego eu teria, o que marido faria, em que escola as crianças estudariam...

    tô no limite com salvador, tô no limite com os engarrafamentos e com este esquema de trabalho escravo de 12 horas/dia (contando o trânsito).

    beijoca

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  4. Gosto muito das suas reflexões, são realmente verdadeiras e muito boas mesmo.
    Já me deu vontade de mudar tanto de lugar como atitude e isso não acontecesse poucas vezes

    Beijos

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  5. Penso nisso todos os dias! Quero muito dar uma infância de qualidade pro Lorenzo, uma vida simples pra mim. Em Porto Alegre não dá. Eu, já falei isso milhares de vezes, sou refém do medo. Já fui seguida por 3 homens e fiquei horas numa video locadora esperando meu pai me buscar porque meu marido estava viajando.
    Eu não saio de casa a pé, não saio sozinha.
    O marido comprou minha ideia e agora estamos planejando nossa fuga!
    Vamos fugir?

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  6. estou fora de área nesse exato momento. Férias em casa de mamãe. Porém, na verdade me sinto mais como a Jane do Tarzan aqui no MT do que a Brooke Shields! rs...
    Lindo texto.
    bjs

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  7. ôxi Dani, sinto essa vontade todos os dias!

    Que sabe ainda não realizo?

    beijocas

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  8. SIIIIMMMMM!!!
    Adoro refletir em sua companhia virtual Dani. Aliás você é uma ótima companhia.. :)
    Já mudei de SP pra uma cidade beeeemmmm menor e tive a Laura e agora tenho vontade de ir pra uma outra cidade, com outra estrutura. Enfim sempre em busca de novos desafios... Vale a pena dar uma sacudida na vida, né.
    Na verdade a cada mudança descobrimos em nós mesmos pessoas que nem nós conhecíamos.
    Beijos
    Carol

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  9. Ai Dani... lendo o post fiquei a imaginar cada passo seu, indo à praia, brincando na areia com a Bia, chupando um sorvetinho com um belo barrigão... Invejei-te por um instante!! rsrs!

    Fui uma vez a Florianópolis e simplesmente amei! Viajei a ilha toda, e cada canto dela vemos coisas diferentes. Me deu uma saudade desta viagem...

    E mais, me deu saudade de ver o mar, de mergulhar na água salgada... A última vez que fui à praia foi em 2007.

    Bem, sobre desacelerar, digo que eu não sirvo para morar em grandes centros, com muito estresse, com muita preocupação. Gosto de levar uma vida mais low. Com tempo, mesmo que seja pequeno, para curtir cada momento do dia.

    Bjs!!!

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  10. Nem me fala... Estou no período de estresse, mas graças a Deus, qdo chega os finais de semana, me permito descansar um pouco e tirar um tempinho pra não fazer nada e a minha Maria comigo, senão a gente pira! Bjs.

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  11. Dani,
    Eu vivi 28 anos no interior, longe da serra e do mar. Então meu grande sonho sempre foi morar sozinha e em cidade grande, na capital (rsrsr). Mesmo assim, com 21 anos casei. Óbvio que não ia dar certo. Lembro que olhava todos os dias através de uma janela e pensava em ir embora, em fugir daquela vida. Até que aos 28 anos tomei coragem. Há quase 8 anos estou na capital e agora me parece que preciso de um pouco de paz. É estranho né?!?!? Mas penso que precisamos viver as coisas para depois escolher, dar valor! Não quero voltar para o interior. Só quero morar numa cidade onde eu possa ter uma casa. Outra coisa que queria era ter filhos e ficar em casa, cuidando deles. Já trabalho há 22 anos... poderia me aposentar né?!?! hehehe
    Bem, concordo contigo, sempre queremos coisas novas e diferentes. Porque parece que perde a graça.
    Beijo grande!

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  12. Como eu adoro te ler!!!
    Consegui visualizar todas as cenas.
    Vai escrever um livro guria!
    Vou ali procurar o que é perispírito e já volto hahahahahah
    Eu parei também, precisava. E ai engravidei. Cuidado gente, parar faz filho!
    Pena que não foi num paraíso como Floripa.
    Que essa nova fase seja tão boa quanto a que passou ;)
    Beijo!

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  13. Dani, no mundo louco de hoje é praticamente impossível a gente não parar pra pensar nisso: viver em paz, com tranquilidade, por dentro e por fora, aliás.

    Lindo texto, AMO suas reflexões!

    Bjos!

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  14. Dani como me identifiquei com seu post.. pra variar um pouco rs
    Adorei o que escreveu. Me vi assim um tempo atrás quando morava no Brasil e agora novamente. Interessante como sempre temos vontade de mudar, de sair daquela rotina. Por que será? rs
    Um grande beijo.

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  15. Dani,
    nossa, já pensei nisso milhões de vezes, e já morei em Floripa idealizando isso,mas foi diferente!
    Acho que por mais que queremos fugir, tem fases da vida que não dá mesmo, a gente tem planos, em alguns anos que sabe não fugiremos!
    Adorei!
    Beijos
    Angi

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  16. Ai que eu queria viver um pouco me sentindo como se vivendo uma novela...

    Mas tudo passa mesmo... e tb tenho essas vontades de mudar, mas mais de atitudes e comportamentos do que de lugar propriamente dito.

    Gosto mesmo é de raízes... vai entender neh?!

    Beijocas, Dani!
    Fiquei aqui me deliciando com os bons momentos vividos por vcs, eternizados na memória, para sempre. E adorei aquela "a roda gira". E é inevitável, ne?! Ainda bem...

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  17. Dani,
    faz pouco mais de 2 anos que conseguimos trocar a loucura de Sampa por Salvador, foi uma grande mudança na nossa vida, inclusive de estilo!
    estou muito mais tranquila, curtindo essa fase d vida quando os filhos estão crescidos e cuidando cada um da sua vida, agora só marido e cachorros em casa, o coisa boa!!!

    vai mudar pra onde agora?
    boa sorte! mudanças sempre são para melhor, mesmo que no inicio não pareçam assim...

    beijo
    Ju

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