"Às vezes, a vergonha é útil. Ela pode penetrar as defesas que ela mesma construiu.”
O romancista Thomas Keneally disse uma vez: “Escrever um romance é ir nu, não importa o que você esteja escrevendo. Você sempre se revela."
Continuação desse texto.
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Hoje compreendo o exercício de olhar-se no passado, muito comum por pessoas mais velhas. Não sou velha, mas também não sou tão nova. Gosto da minha idade, mas já gostei mais da pessoa que eu era.
Amava aquela menina questionadora e melancólica de natureza. Amava o jeito como ela lidava com os problemas dela e dos outros. Era dessas que estava sempre disposta a ajudar, apesar de manter uma certa distância emocional, que facilitava muito no apoio que ela sempre se dispunha a dar. Lembro que não gostava muito do nariz - sempre batatudo - e das bochechas cheias que convidavam ao amasso.
Ela nasceu velha, com uma maturidade que chamava a atenção. A avó sempre a convidava a viver a infância e a imaturidade natural e vigorosa da adolescência, mas ela sempre respondia que não sabia ser assim. Simplesmente não sabia. Sua alegria era verdadeira, porém comedida. Comedida também era a forma como expressava seu descontentamento. Sempre raivosa, zangada, nervosa - mas nunca, agressiva. Fazia o tipo amável, mas jamais confundida como uma pessoa meiga.
Respeitava a todos e esperava o mesmo tratamento. Tinha pavor a inimizade, tramoias típicas do horário do recreio. Aproveitava seu tempo com quem gostava, não desperdiçava com quem não merecia. Não julgava, só não se misturava.
Essa menina cresceu cheia de poucos e bons amigos e na escola, tinha o respeito e amizade de vários professores, que a tratavam como uma igual. Passou bons recreios nas salas deles, comendo cream cracker e bebendo água.
Tinha uma atração pela noite, pelos discos, por uma vida onde pudesse ser livre. A mãe sempre muito rígida, afetivamente distante, era do tipo controladora. Essa menina queria ir além, morar fora, ter namorados, mas nunca casar (tá, só às vezes). Também não gostava de criança e filhos não estavam em seus planos.
"Atraído" por esse modo de viver, por essa alegre melancolia, um dia um homem a procurou. A primeira investida foi quando ela contava com 13 anos. Um escândalo. Como de boba não tinha nada, logo avisou a quem mais confiava: a avó - que soube limar a audácia desse homem, que por sinal, nessa época, era casado.
Anos depois, foi procurada novamente. Estava naquela fase de descobrir-se mulher, estupefata com o estranho poder que poderia exercer sobre o sexo oposto. Não se pode negar, que essa sensação mexe conosco e dá uma vontade quase irresistível de brincar com isso, só pra saber se ele tem um limite.
Um dia, cedeu às investidas e ficou com ele, que tinha 14 anos a mais que ela. Presa e angustiada com a ideia de estar fazendo algo errado pela primeira vez, novamente procurou a avó, que se chocou ao saber do acontecido. Outro escândalo. Mais escandalizada ficou a mocinha, por não saber o real significado e alcance daquele seu gesto. Mas vem cá? Logo ela, que se julgava tão pé no chão? Iniciou-se um pequeno conflito interno. O primeiro de muitos que viriam.
Só depois da morte da avó, experimentando o luto e a revolta, ela resolveu se entregar a esse cara que ainda a rondava como uma mosca em cima do esterco. Iniciou-se não só um relacionamento conturbado, mas a morte daquela menina de quem tanto gostava.
Pelo luto ela chorava. E aquele caminho que estava escolhendo, a enojava e envergonhava, ao mesmo tempo que a encorajava e "fortalecia". Isso gerou uma perturbação tão grande, que passou a se navalhar no escuro do quarto. Agindo como uma nefelibata, buscava uma espécie de consolo na dor física, quando a emocional se tornava insuportável.
Queria muito ser sozinha. Optar por viver uma vida solitária é uma coisa, sentir-se sozinha, sem amparo por aqueles que deveriam te acolher e amar é outra bem diferente.
Era um amor clandestino - isso eu aprendi com ele que tentava me convencer de que isso era muito bom! Que a vida pra valer a pena, tinha que ser vivida com intensidade. Sabia com quem estava lidando, portanto sabia o discurso que deveria empregar. A partir dali, vi e ouvi coisas que jamais pensei que existiria. Fui apresentada à maldade, ao vício e ao sexo sem sentimento. Estava entregue.
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Aos 18 anos tivemos a nossa primeira noite. Foi tudo muito forçado pra que parecesse inesquecível, afinal, uma virgem merecia uma pequena tenda para que se armasse um espetáculo. Foi tudo meio nojento e eu tentava me convencer de que estava fazendo a coisa certa a qualquer repente de lucidez.
Ele era uma criatura sem nenhum atributo especial. Era feio, magro e esquisito. Falava alto, tinha um sorriso falso e um olhar malicioso. Mas conhecia o mundo, a vida - justificava. E era aquilo que eu buscava naquele momento. Uma quebra de paradigma. Queria viver perigosamente, queria ousar, queria chocar. Enfim, queria fazer tudo aquilo que nunca havia feito. Estava negando a minha essência.
Fui iniciada no mundo do álcool e dos remédios tarja preta que ele dolosamente punha na minha boca. Dizia que era bom, que iria me acalmar, que me deixaria melhor. Experimentei embriaguezes de corpo e de alma enquanto ele ria, orgulhoso.
Minha família preocupada com os constantes ataques, com as brigas homéricas, com as crises de choro que descambavam pra agressão, com o fato de eu me cortar, procurou um psiquiatra. O diagnóstico foi certeiro: síndrome maníaco-depressiva. Isso foi em 97, quando a bipolaridade ainda recebia essa denominação.
A fragilidade me tornava vulnerável às investidas dele. Sempre que me via assim, provocava situações até que elas descambassem para o vexame. As brigas começavam do nada, em momentos que elas não tinham porque acontecer. Isso me tirava do eixo, em estado constante de beligerância.
Tomava remédios fortíssimos e a cada crise, eu comia cartelas e mais cartelas de comprimidos. Não era pra morrer, claro, mas fazia isso sempre que queria apagar por uns dias. Funcionava.
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A pior parte, se é que podemos eleger uma, foi quando a mocinha sempre tão cheia de ideais, levou seu primeiro tapa. O estrondoso som do silêncio, do espanto. O som daquele ato ecoaria por anos. Lembro dela correndo pro espelho. Naquele momento, com a mão no rosto, já não se reconhecia. Diante do pavor do ato, viu um filme da própria vida. Viu as convicções escoar em lágrimas. Viu o olho inchar no mesmo momento em que o valentão desmoronava em cuidados e arrependimentos falsos.
Estava cheia de vergonha. Um sentimento tão forte e tão desconcertante. Já havia sentido vergonha de muitas coisas, mas nada se comparava a isso. Estava vulnerável pela primeira vez na vida e sem a avó como refúgio.
Não conseguir esconder uma marca de agressão é como estar nua em meio a uma multidão.
Chegar em casa e encarar a minha mãe foi ainda mais doloroso. Um olhar doído de pena e raiva.
Segui adiante mesmo sabendo que seria perigoso. Não podia de uma hora pra outra dar o braço a torcer e abdicar daquele que julgava ser o meu amor. Não podia olhar pra todos que me avisaram, que eles estavam sim, certos.
Enquanto hesitava, ele fazia como todos que tem esse padrão de comportamento fazem: transferia a mim a responsabilidade por seus atos. Pedia para ser salvo, dizia que ninguém me amaria daquela forma, que amor é intenso mesmo, que eu era uma menina e precisava aprender de uma vez, que era só um pobre homem atormentado sem jamais ter a intenção de ser violento.
Fui orgulhosa e paguei o preço.
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Pra que submeter-me à violência desse homem? Por que escutar e dar crédito à essas historinhas de arrependimento tão patéticas, tão manjadas? Por que dar credibilidade pra alguém que bate, humilha e vive sob efeito de álcool?
A ação violenta trata o ser dominado como objeto. Como sujeito, é silenciado e torna-se dependente e passivo. Perde sua autonomia, sua liberdade e sua capacidade de autodeterminação para pensar, querer, sentir e agir.
Quão fundo é o poço?
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Houve outras agressões, verbais e físicas. Sempre imaginei a dor que mulheres sentiam em situações como aquela...mas senti-la foi infinitamente pior. Vulnerável estava sob o verniz perigoso de um fetiche. Fiquei deformada por uns dias. Qualquer movimento era doloroso, e causava medo (e nojo) de olhar o meu próprio corpo.
Nesse momento, decidi levar a minha vida adiante. Estudava quase 12h por dia pra conseguir passar no vestibular. Passei aos 19. Logo no primeiro semestre, consegui um emprego no fórum. Todas essas conquistas o deixaram ameaçado. Afinal, estava, sim, me sentindo mais autoconfiante, retomando as rédeas, assumindo o controle. Sentia-me capaz e experimentava o gostinho doce da autoestima.
Lembro nitidamente da última vez em que fui agredida, pois foi a última.
Sentindo que estava perdendo terreno, ele me convidou para almoçar num dos restaurantes mais badalados na cidade. Característica muito comum de homens com esse perfil: se fiam em coisas para demonstrar sentimentos, para barganhar perdão e mostrar arrependimento.
Do nada, iniciou-se uma pequena discussão. De repente um acesso de fúria. Dizia que eu era ingrata e que agora que estava na faculdade iria facilmente me interessar por um garotão ou na pior das hipóteses, me tornar uma daquelas acadêmicas chatas e estudiosas que ninguém iria querer comer. Sim, minha gente, esse tipo de homem é extremamente, estupidamente machista.
Saí de lá não puxada pela mão, mas arrastada por um carro em movimento por quase 200m. Infelizmente tenho uma cicatriz pra lembrar desse dia. As pessoas que viram aquele ato covarde nada fizeram. E posso até imaginar o que pensaram, afinal, com o machismo se condena a vítima, nunca o agressor. Vai ver pensaram, "ela mereceu". O espetáculo continuou em seu apartamento. Naquele dia saí de lá, com a certeza de que jamais voltaria.
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O que é mais perigoso nesse tipo de homem-violento-atormentado-coitadinho é que eles não sabem, ou não querem, ouvir um não como resposta. Não aceitam que suas vítimas deem um basta às agressões. Não aceitam. Simplesmente não aceitam.
A minha vida se tornou um inferno. As ligações eram constantes, era surpreendida por ele em todos os lugares para onde ia, era seguida, vigiada. Fui procurada inclusive no trabalho. Foi tudo arquitetado com o sentido de me desabonar, de acabar com o moral, de achincalhar-me em público. Ele não me procurou na secretaria onde trabalhava. Fui pega na porta de entrada do fórum, no horário pleno de funcionamento. Estava lotado. Ele tentou conversar e quando disse educadamente que não tínhamos mais nada para falar, que fazia votos de que ele fosse feliz e....armou-se o maior escândalo do universo.
Gri-ta-va que já tinha me comido tanto que eu não tinha mais serventia alguma; que eu era uma pobre suburbana a quem ele havia transformado; que não queria mais me comer...comer...comer...essa palavra foi repetida infinitas vezes em tom de deboche, de escárnio, de desprezo. Coisificada - era assim que estava. Saiu de lá algemado dentro de um camburão.
Passei por mais alguns episódios dessa natureza, com o mesmo propósito. Onde era "achada" nos lugares e execrada na frente de todos. Conseguiu inclusive entrar na faculdade. Na ocasião, foi ao Rio de Janeiro fazer vestibular para entrar como transferido, sem prestar vestibular - era prática comum nessa época.
Não esqueço o primeiro dia de aula do semestre que dei de cara com aquela expressão cínica, sorrindo pra mim. Desde então, perdi a paz. Ele não assistia às aulas dele, só para ficar na frente da minha sala, me encarando. Era uma espécie de pressão psicológica. Ia atrás de mim o tempo inteiro. Um dia, tentou conversar, mas pedi que ele me deixasse em paz e seguisse sua vida. Na hora do intervalo, com todos os alunos fora de sala, entrando e saindo do bloco, ele deu mais um show. Escondi-me no banheiro. Ele gritava da porta, que por eu ser uma vagabunda ele não iria querer mais nada comigo (inverter toda a situação é especialidade desse tipo); que eu parasse de persegui-lo, que ele estava cansado de dizer que não me queria mais, vejam vocês....sentada num vaso sanitário, eu chorava. Saímos de lá e fomos ao Reitor que providenciou que este saísse de lá, direto pra uma delegacia. Nessa ocasião, minha mãe me defendeu. Sentia-me menos pior, apesar de toda a fragilidade em que me encontrava.
Abrimos um TCO, fomos a audiência no Juizado Especial e experimentei o gosto amargo do desamparo de quem espera por justiça. No sistema penal brasileiro, não se pune a intenção (ameaça), mas o crime consumado. Ou seja.
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Cansada de tanto terror psicológico, de andar me escondendo pelo campus e de ser ameaçada de morte, tranquei a faculdade e um pouco de mim morria naquele momento.
Só pra ilustrar e situar vcs no tempo. Passei quase três anos com esse cara, nem sei ao certo. Parece que foi em outra vida. A perseguição na faculdade se deu exatamente um ano após o término.
Os homens violentos, machistas, misóginos - eles não tem limites.
Portanto, tenham cuidado ao menor sinal de desrespeito. Não aceitem. Não se calem. Não confiem. Não queiram consertá-los. Não achem que o amor regenera esse tipo de gente. Não tome essa responsabilidade como sua. Não se intimidem.
Senti vergonha por tudo isso, senti um nojo de mim, impossível de descrever.
Até perceber de uma vez por todas, que esses eventos não precisavam ser negados, apagados na memória e que não era eu quem deveria se envergonhar.
Também não poderia fazer de conta que eles não existiram, mas incorporá-los a minha vida.
Pois tudo isso que aconteceu, fez de mim a mulher que sou hoje.
Norteou as escolhas da minha vida.
Hoje, liberto-me dos fantasmas, dos pudores.
{continua}

Dani, tô sem palavras. Só me ecoa na cabeça como é fácil julgar situações pelas quais a gente não passou, fácil dizer q devia ter feito isso ou aquilo, mas estar no olho do furacão é outra coisa.
ResponderExcluirÉs uma mulher completa e infinitamente forte e doce, o que é uma mistura muito interessante.
Fico feliz de ver que vc conseguiu superar e reviver isso tudo em palavras que certamente vai ajudar muita gente. Te admiro! Bjs
Não sei se a palavra "parabéns" eh adequada para transmitir o que eu senti ao ler o seu depoimento, mas queria dizer o quanto vc eh corajosa em ter conseguido colocar tudo isso em palavras e trazer a publico. Coragem sim, pois tudo isso dói demais - acho que o que dói mais para a mulher eh ser agredida em publico; senti suas lagrimas qdo vc disse ter chorado sentada num vaso sanitário... Mas te digo mais: vc eh uma vencedora, pois conseguiu renascer desse pesadelo e hoje consegue pensar em tudo isso como se fosse "em outra vida", como vc disse. Eh isso aih, cabeça erguida!
ResponderExcluirDani q loucura, que psicopata!
ResponderExcluirMe diz q esse homem sumiu pra sempre!!!
Q bom q vc conseguiu amadurecer sobre a vergonha e ver q quem precisa de vergonha é esse BANDIDO.
Que azar ele surgir bem num momento de fragilidade como a perda da tua avó. Muito azar.
Esse texto tomara que chegue aos olhos de muitas mulheres e meninas, que possam se livrar de um tipo desses a tempo de evitar tal gravidade de agressões.
Beijos guria
Dani, parabéns pela coragem, te admiro muito e tenho certeza de que esta escrita te ajuda a libertar-se dos seus fantasmas internos. E sabemos que todos nós os temos.
ResponderExcluirBeijo
Dani, minha querida: um grande abraço viu.
ResponderExcluirApertado...
Bj
Meu Deus, Dani, que pesadelo...
ResponderExcluirNão posso imaginar o sofrimento que seja ter vivido isso. E o quanto escrever agora seja ao mesmo tempo revivê-lo e libertador.
Quanta coragem, quanta força, quanta vontade de (bem) viver! Te admiro muito.
Um beijo e um abraço apertado
Dani, impressionante a sua história, que bom que está conseguindo escrever e se libertar, não consigo imaginar o que você passou com um monstro desses!
ResponderExcluirUm Abraço bem forte!
Ana
Dani, parabéns pela sua coragem e sua vontade de se libertar.
ResponderExcluirBeijos!
Dani, nem sei ao certo o que dizer. Tô entre o choque pelo que vc passou, o orgulho pelo que você se tornou apesar disso tudo e a alegria de saber que enfim vc se libertou.
ResponderExcluirFalar sobre essas coisas é muito difícil, mas quando finalmente conseguimos é libertador.
Falar, encarar de frente, é ter finalmente a certeza de que vc não tem de que se envergonhar, que vc foi vítima e não algoz.
Sempre te admirei muito, agora tenho um motivo a mais para isso.
Desejo que o teu relato estimule outras pessoas a perderem o medo de si mesmas e falarem também, estimule denúncias e punições.
E que este grito de liberdade seja um grande passo para que tu te tornes ainda mais plena e feliz.
Bjks
Dani, chorei ao ler o texto, não parei de chorar um só minuto, queria encontrar coragem em algum lugar para poder colocar pra fora tudo que um dia já passei também, não fui agredida fisicamente,mas por palavras, por gestos, por ações e até mesmo sexualmente, tenho sim grande mágoa dentro de mim pela pessoa, não esqueço, sinto nojo, perdi grandes fases da minha vida por causa desse realcionamento...queria em algum lugar encontrar essa coragem para me expor completamente,acho que seria uma forma de quem sabe reviver tudo aquilo e talvez conseguir deixar pra trás os cheiros,os gostos, as palavras,os sons...espero um dia encontrar essa coragem!
ResponderExcluirBeijos
Dani, estou orgulhosa! Escrever nos ajuda a aliviar a pressão de carregar algo assim consigo. Sabe, vi muitas semelhanças na minha vida e na sua, felizmente para mim saí de um relacionamento abusivo aos 18 anos, quando entrei para a faculdade e mudei de cidade, mas consigo me ver em vc, se não tivesse conseguido me livrar disso. Um grande abraço!
ResponderExcluirNine
Dani, parabéns pela coragem. Com certeza verbalizar tudo isso ajuda a exorcizar as marcas dentro da gente. Também passei por um relacionamento abusivo quando jovem - bem menos do que o seu, mas também com direito a humilhação pública e perseguição - e só depois de muitos anos deixei de sentir vergonha e passei a valorizar mais a pessoa que me tornei por conta disso.
ResponderExcluirUm grande abraço e muita força!
Daninha...
ResponderExcluirO que te dizer num momento como esse, em que eu sou só consigo chorar, em pleno serviço?
(escrevi um monte de coisas e apaguei. Você sabe pelo que eu passei. Conhece a minha história. Também entendo de dor...mas não posso imaginar a sua! Então, sinto muito, amiga, estou sem saber o que fazer.)
Assim como eu escrevi um blog e verbalizar o que eu sentia me ajudou DEMAIS com o luto, espero que essa escrita seja "terapêutica" pra você!
Bjos e bençãos, com muita admiração pela sua coragem!
Em resistir. Em escrever.
MIrys
www.diariodso3mosqueteiros.blogspot.com
Quem história de ficção, meu Deus!!!
ResponderExcluirPessoas como esse monstro que vc descreveu são os protagonistas daqueles tipos de casos que a gente fica dias sem dorimir pensando...
Caso de polícia mesmo!!!
Ainda bem que a sua teve um final feliz e não acabou nos jornais...
Que bom que vc compartilhou... Joga fora todo esse peso!!!
beijão
Dani,
ResponderExcluirSei que ando sumida, mas hoje nao poderia deixar de vir aqui e te deixar um beijo e um abraço bem apertado de carinho e admiracao.
Parabens pela sua coragem!!
Paula Dreger
Dani, que bom colocar tudo pra fora, né? E serve de alerta... muitas vezes meninas fragilizadas, com a auto-estima abalada, caem na conversa e na ilusão, sofrem horrores e não conseguem sair da situação, ou porque acham que merecem, ou porque têm a ilusão de que o cara, no fundo, é legal, e elas vão conseguir mudá-lo. Nunca passei por uma situação tão extrema, mas já aceitei relações que me faziam mal simplesmente por não enxergar nada além daquilo, acreditando que tudo ia mudar e ficar bem. Ilusão que pode machucar de verdade!
ResponderExcluirAdmiro muito sua coragem, e acho que contar publicamente essa história só vai fazer bem. Pra você e pra todas(os) que lerem. Se não por si próprios, talvez por alguém próximo que eles possam ajudar...
Todo mundo conhece alguém em uma situação assim, abusiva, e que não enxerga ou não sabe como sair!
beijo, querida, parabéns pelo texto!
Maria Helena
Dani,
ResponderExcluirOlha estou muito orgulhosa, escrever tudo isso não deve ser facil,eu também sofri um relacionamento abusivo e nunca consegui falar assim com calma, só em crises isso vem a tona.
Beijos
Sempre fico pensando em quantas de nós passamos por violência, tenho a impressão que a imensa maioria das mulheres já passou. Mas nos calamos, vítimas que se envergonham, que sentem culpa.
ResponderExcluirRelatos como o seu são libertadores. Para quem escreve, bpara quem lê também.
Admiro sua coragem de expor-se e de enfrentar seus fantasmas.
Beijos
Oi Dani. Sabe bem que tenho enorme carinho por você.
ResponderExcluirSua história me comove. Dói. E faz pensar na certeza que carrego comigo a cada dia: mulher não gosta de apanhar. Não existe. Somo humanos, fracos, fortes, corajosos, medrosos. Já aceitei, não somos perfeitos, amadurecemos, mas a cada dia nos conhecemos e damos um passo rumo ao conhecimento, mas ele nunca será absoluto.
Eu permaneci calada por muito tempo após minha primeira agressão. Sempre me achei "esperta", mas na pele é outra coisa. Sequer denunciei.
Dói em lugares que ainda não existem palavras para descrever. Deve ser uma outra parte de nós que é agredida, uma parte dfícil de atingir, uma escala muito baixa dos nossos sentimentos.
E estamos aqui. Seguindo novas vidas. Um beijo,
Re.
Muito corajoso seu depoimento. Que sirva para que outras mulheres também descubram coragem em si, para saírem de relacionamentos nocivos.
ResponderExcluirBeijos!
Pensamento da semana:
ResponderExcluirNa vida não existe antecipação nem adiamento, somente o tempo propício de cada um.
Tenha uma semana abençoada.
Bju
Toninha
Dani, eu li num fôlego só!
ResponderExcluirParabéns por estar conseguindo ultrapassar essa barreira. Vc não tem que ter vergonha de nada. Concordo com o que vc falou, nesse mundo machista é comum a culpa sobrar sempre pra vitima.
Mas temos que mudar isso. A culpa é do misógino, do cretino. E a nossa querida justiça tem muito que melhorar nesse âmbito!
Mais uma vez, parabéns!
Beijão
Dani, sabe quando você lê um texto e fica o tempo todo pensando "não acredito, não é possível, como assim???". Olha amiga, eu só posso te admirar ainda mais, que coragem. Vc já imaginou quantas mulheres se sentiram acolhidas com seu depoimento? Querida, um abraço bem apertado em você.
ResponderExcluirque história!!!! Fico imaginando o tempo que vc ficou se torturando, querendo apagar isso da sua vida.... Mas seu relato mostrou um outro lado também, o de se libertar, e mais deu dicas para mulheres que conhecem ou se relacionam com " homens" desse tipo. você é uma guerreira.
ResponderExcluirVc conseguiu superar com muita forca e dignidade: prova de seu grande amor por si própria! Isso é fundamental para encorajar uma pessoa a enfrentar situações e deixar para tras aquilo q nada agrega e so tenta afundar. Obrigada por dividir sua experiência! Bjks e seja sempre muito forte!
ResponderExcluirDani, não consegui comentar antes, mas não posso deixar de registrar minha admiração por você. Por ter enfrentado essa barra, sofrido, superado e encarado esse fantasma aqui, publicamente. Quantas mulheres enfrentam situações como a sua e não conseguem sair daquela vida, ou não conseguem superar o trauma. Parabéns, mesmo mesmo.
ResponderExcluirbjo grande
tirando a violência física, sei do q vc fala... o pior pra mim é a inversão da "culpa" nas discussões... ele sempre fez aquilo pq eu o levei a fazer.... :(
ResponderExcluirNossa... como me vi nessa tua postagem, como é dificil retomar as rédeas da vida depois de tanta coisa louca né? Mas , sim, somos capazes e só depende de nós, pq a imensa maioria nos olha e diz: Ahh eu no teu lugar... Parabéns Dani, que a vida te recompense sempre.
ResponderExcluirAi, Dani, querida! Primeiro, meu abraço... Não fosse Lígia eu teria passado por este texto corajoso e necessário! Não sei mais o que lhe dizer além de agradecer pela bravura em expor algo tão doloroso. E esperar que o processo de colocar para fora se torne cura para você e para outras mulheres.
ResponderExcluirBeijos
Dani, cheguei aqui hoje pelo post da Ligia. Ler o seu relato... não posso dizer que me emocionou: é pouco. Estou esgotada, até fisicamente. Meu deus!
ResponderExcluirO que podemos fazer, Dani? Como podemos garantir que os filhos que parimos vão crescer se indignando com este tipo de gente, que as nossas filhas vão ter em nós amparo e apoio, para se protegerem destas situações... Esta é a paz que me falta depois que fui mãe.
Sinta o meu abraço, querida :(
Estou com a mão estendida para a amizade.
Meu abraço sincero para você. Compartilhar tua história com esse texto, ajuda tenho certeza, outras mulheres que passam por essa prisão, a se libertarem. É difícil mas existe saída. Quem souber de uma história assim acontecendo do lado, não se omitam. Ajudem! As vezes as pessoas estão tão destruídas que simplesmente não conseguem...
ResponderExcluirDeus abençoe teu caminho.
Dani, que mulher corajosa vc é!! Te parabenizo pela coragem e me solidarizo com sua história.
ResponderExcluirSua história me emocionou demais, ela precisa ser compartilhada para que mais mulheres que passam por situações parecidas possam ter a mesma coragem de se libertarem. Abraços solidários!!
Estou escrevendo esse comentário, pois não sei se consegui postar o que tinha escrito antes.
Dani, só li o texto hj pela repercussão q e ele teve no FB (e olha q já tinha comentado no seu blog mais cedo). Enfim, receba o meu abraço e toda a minha admiração pela coragem e pela força. Infelizmente, histórias como a sua são mais comuns do q a gente imagina. Nem todo mundo sabe como se reerguer e se recuperar, ou mesmo ajudar os outros como vcs fez, está de parabéns! Se eu puder dar uma dica, estudei sobre misoginia na faculdade e tinha um livro (nada acadêmico, mas bem claro e ilustrativo da situação) interessante. Chama-se "Mulheres que amam homens que amam demais",
ResponderExcluirSuper bjo pra vc!
Camila
http://mamaetaocupada.com.br
Olá Dani,
ResponderExcluirParabéns pela coragem,não existe dor maior do que calar, mulheres como você fazem a diferença.
Dani,
ResponderExcluirPassei alguns anos com um homem violento tb. A agressão física aconteceu uma vez, já a verbal, a psicológica era diária... Morávamos juntos, usávamos muita cocaína. Quando terminei,depois de 4 anos sofridos, senti que tinha que sair da cidade para ter paz...
Falar sobre sua história é algo incrível, porque precisamos, sim, tentar avisar a outras mulheres sobre homens como esses...
Não sei se a dor passa, mas acredito que, algum tempo depois, ela passa a nos fortalecer como mulher, pra saber o que quer e onde ir...
Um abraço muito carinhoso a vc, mulher guerreira e extraordinária!
Sofia
Passei por isso... não cheguei tão fundo pq minha mãe não permitiu... se não fosse pela intervenção dela, os puxões e empurrões que levei teriam se transformado em coisas piores... mas isso pq ela tinha experiência e tmb já sofreu agressão no passado... li suas palavras vislumbrando o futuro q eu teria se nao fosse isso... apos o termino fui perseguida por anos... era como um fantasma em todos os lugares que eu ia, todas as pessoas q eu conhecia... até hoje eu tenho medo... pq esse tipo de doença não sei se tem cura...
ResponderExcluirenfim... só queria que vc soubesse q entendo e admiro vc.. pq vc é uma sobrevivente.. é uma mulher forte e corajosa.... eu guardei tudo no mais profundo de mim e procura esquecer tudo isso... mas vc coloca tdo pra fora e ajuda mulheres que passam pela mesma coisa...
Dani, passei por uma situação parecida com a sua, tive que namorar escondido pois minha mãe não aceitava, casei com ele, durou 4 meses, foi um inferno...passei pelas mesmas situações qdo resolvi me separar, tive que sair da casa dela fugida, fiz BO, pq ele me seguiu do trabalho pra faculdade e me bateu, fez escandalos, foi horrível...enfim, quase não falo mais desse assunto, foi muito doloroso...parabéns pela coragem, bjs
ResponderExcluirEu passei 8 meses da minha vida ao lado de um psicopata! Não cheguei a sofrer agressão física, mas a psicológica era diária... É engraçado como as histórias se repetem... Eles têm um padrão!! Nem preciso dizer o quanto foi horrível o pós término... Os dois b.o., as brigas no meio da rua, e o pior, nossos amigos dando razão pra ele e eu sendo a vagabunda que partiu o coração do pobrezinho!! Eu sinto dor e medo até hoje... Força Sempre Dani!! Bia Garbelini
ResponderExcluirOlá Dani! Me comovi mto com suas palavras e me identifiquei tb!
ResponderExcluirHá exatos 16 dias vi minha vida nas mãos de um psicopata com quem vivi 17,sim 17 anos,um relacionamento doentio,um vicio,desde os 15 anos fui escravizada por ele em todos os sentidos,sofri todo tipo de agressão,fugi varias vezes e ele sempre conseguia me convencer de que me amava demais e por isso agia assim e que eu é quem estava errada,eu voltava acreditando que o problema estava comigo e que aquele homem era bom,o mal dele era amar demais,era assim que todos resumiam ele,eu tinha medo e vergonha de contar pra alguém o q eu sofria,sempre escondia,após alguns anos comecei a fazer b.o mas sempre escondida de todos,e nunca ia adiante,eu acreditava q o amedrontaria e q ele não faria mais,desse relacionamento tive dois frutos,dois filhos maravilhosos,q infelizmente presenciaram muitas agressões e cresceram num lar de brigas. Fiquei depressiva,virei uma dependente de remédios pra dormir,e qd eu tinha crises ele se realizava,dizia a todos: "estão vendo,ela é louca,e não é capaz de se cuidar sozinha,mas eu a amo e vou cuidar dela..."mal sabiam todos o pq eu estava a beira da loucura.
Após 17 anos,resolvi me libertar,depois de tanto ele me mandar embora de casa mas na certeza de q eu era doente o suficiente pra ouvir aquilo e jamais sair,surpreendi e fui,peguei tudo q era meu no dia 25 de março de 2012 e fui para casa dos meus pais,a partir dai começou meu corredor da morte,ele me perseguia,me ameaçava de morte,dizia q tinha mudado e q eu tinha q voltar e q se eu não ficasse com ele não ficaria com mais ninguém, escândalos eram frequentes,em todos os lugares,então resolvi denunciar e abri um inquérito de ameaça,mas de nada resolveu,como a justiça é lenta,da ameaça ele resolveu consumar o fato,no dia 21 de janeiro de 2013 ele tentou me matar,na frente dos nossos filhos,me feriu,tenho vários cortes no rosto,os pontos ainda inflamados,ele foi preso e 9 dias depois foi liberado sob pagamento de fiança,está livre para concretizar o q me prometeu na frente dos nossos filhos,q se não me matasse naquele dia faria isso depois,mas q eu iria morrer pelas suas mãos.
Pergunto hj,oq eu faço?
Não durmo mais, não como, estou completamente deprimida e sem auto estima nenhuma,meus filhos estão traumatizados e eu estou perdida,tento ser forte pq meus pequenos precisam de mim,mas confesso q em alguns momentos penso em desistir.
Espero q assim como vc eu consiga superar,mas nesse momento está mto difícil.
Parabéns pela força!!!
Bjsss...
Dani, parabéns! Expor essa realidade ajuda quem já passou por isso, e pode ajudar a evitar que aconteça com outras! Também tive um relacionamento assim, também achei que ia morrer, também fugi, larguei tudo, e graças a Deus, recomecei minha vida! A vc, anônima do dia 06.02.2013, força!!!Consiga uma medida restritiva, se puder, mude, mude de ares, mude de cidade, se não, exponha o caso, coloque luz nessa situação, não se intimide, quem tem que ter medo é ele... infelizmente, nós nos sentimos acoadas... vc não está só! bjs
ResponderExcluirAinda bem que a vida venceu. Admirável coragem e determinação. Que as feridas se curem com o amor e calma.
ResponderExcluirAmiga, me desculpa por não ter vindo antes???
ResponderExcluirEstou aqui ainda em choque com tudo que passou... não fazia ideia de tudo isso, não imaginava...
Vc é uma vencedora, uma mulher que merece todo o respeito e que serve de exemplo para tantas outras que passam pela mesma situação e ficam aprisionadas neste relacionamentos...
Como já vi alguém escrever é muito fácil julgar de fora...
Imagino o seu psicológico como ficou e as marcas que deixou até hoje! Sei que vou me deparar com muitas situações como a sua na profissão que estou escolhendo, espero ter sabedoria para saber lidar e ajudar.
Um grande bj, minha amiga!!
Olá, boa tarde!
ResponderExcluirEstou por aqui pela primeira vez, li seu depoimento e realmente te digo: você é uma fortaleza de mulher e não tem que ter vergonha de nada que passou. Tenho certeza que estas palavras podem confortar muitas mulheres ...Parabéns pela garra e coragem!
Um abraço
Alline K.
http://www.felicidadeseespalha.blogspot.com.br/
Chocante. Ainda bem que você se livrou dele e nada de pior aconteceu. Porque com esse sistema de justiça, a oportunidade é toda do agressor...mas confesso que achei ótimo ele ser tão burro a ponto de tentar te agredir no fórum, bem-feito que saiu algemado no camburão. Espero que a sua história sirva como alerta para outras meninas e mulheres por aí, porque nem sempre elas tem finais felizes como o seu. Obrigada por compartilhar.
ResponderExcluirNosso Deus!!!É minha hostória vivenciada também por você!Vivi momentos muitos, mas muitos parecidos com o que vc descreveu neste texto.E aprendi muito com tudo que vivi.Somos vencedoras, pois muitas não sobrevivem para contar. E nós, por benevolência Divina estamos vivas, apesar de que muito se morre e muito se vive com experiências tão intensas.
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