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Dia 5 de junho, a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados o projeto de lei do Estatuto do Nascituro. O texto de lei define que deverão ser garantidos, desde o momento da concepção, todos os direitos do nascituro, como o direito à vida, saúde e todos os demais direitos de personalidade. E não apenas isso, prevê ainda o direito ao pagamento de pensão pelo Estado às crianças concebidas através de estupro no caso do pai - o estuprador - não puder arcar ou não foi identificado. Isso tem até apelido, é a Bolsa Estupro. O projeto segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça e espero, por todas nós, que não seja aprovado.
Se você apenas ouviu falar de um tal projeto que é contra a descriminalização do aborto e mesmo assim está julgando, por achar que o que está em questão é a apenas a proteção de um embrião indefeso, sugiro aqui alguns textos - dos mais didáticos ou incisivos que circularam na internet nos últimos dias, para que possamos entender as graves implicações que esse projeto terá na vida das mulheres.
Estatuto do Nascituro: mulheres são apenas um vaso de plantas, do Sakamoto:
"Não há defensora ou defensor do direito ao aborto que ache a interrupção da gravidez uma coisa fácil e divertida de ser feita, equiparada a ir à padaria para comprar uma rosca de torresmo. Também não seriam formadas filas quilométricas na porta do SUS feito um drive thru de fast food de pessoas que foram vítimas de camisinhas estouradas. Também não há pessoa em sã consciência que defenda o aborto como método contraceptivo. Aliás, essa ideia de jerico aparece muito mais entre as justificativas daqueles que se opõem à ampliação dos direitos reprodutivos e sexuais do que entre os que são a favor. A interrupção de uma gravidez é um ato traumático para o corpo e a cabeça da mulher, tomada após uma reflexão sobre uma gravidez indesejada ou de risco. Defender o direito ao aborto não é defender que toda gestação deva ser interrompida. E sim que as mulheres tenham a garantia de atendimento de qualidade e sem preconceito por parte do Estado se fizerem essa opção.
(...)
É extremamente salutar que todos os credos tenham liberdade de expressão e possam defender este ou aquele ponto de vista. Mas o Estado brasileiro, laico, não pode se basear em argumentos religiosos para tomar decisões de saúde pública ou que não garantam direitos individuais, como poder abortar em caso de estupro. A justificativa de que o embrião tem os mesmos direitos de uma cidadã nascida é, no mínimo, patético."
Os argumentos contra a legalização do aborto são poucos e previsíveis, até porque todos já foram discutidos e rebatidos nos países em que o aborto é legalizado - nada menos que em 74% do mundo; somos nós que estamos atrasados em algumas décadas. Um argumento constante contra a legalização é que ela forçaria médicos a fazer algo que vai contra seus princípios. Claro que essa argumentação quer fazer crer que toda a classe médica é contra a legalização, o que não é verdade em nenhum lugar. Em geral, médicos são pessoas racionais, que sabem que abortos acontecem clandestinamente (mais de um milhão por ano no Brasil).
Abortos clandestinos são a quarta maior causa de morte materna no Brasil (por exemplo, aborto supera câncer de mama em internações pelo SUS).
Mas já ouvi e li muita gente dizer "bem feito". Essa gente quer que mulheres morram. Essa gente não tem a menor empatia por mulheres e nem por seus filhos. A empatia é toda por um feto, algo abstrato, sem nome, que eles chamam de criança. Assim que o bebê nasce, já não é mais preocupação deles. Agora se vira, dizem eles para a mãe. Quem mandou fazer filho?
(...)
"Há dois tipos de sociedades que condenam o aborto: as que têm um poder religioso tão forte a ponto de submeter as liberdades ao dogma, como as muçulmanas, ou as democráticas porém hipócritas, como a nossa".
(...)
E, no entanto, continuamos criticando pessoas que engravidam sem planejar, e achando que só quem aborta é menina adolescente. Não é. Só 2,5% das mulheres que abortam ficaram grávidas de uma relação eventual. A brasileira média que aborta tem 25 anos, é casada, católica, e já é mãe (pense em quem você está condenando à prisão ou à pena de morte). Mas a brasileira média que morre de aborto clandestino é pobre e negra. Aquela que não pode pagar por uma clínica com as mínimas condições de higiene.
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| Imagem da página Monólogos com Deus |
Menos leviandade, por favor - de Eliane Brum - um texto da época da campanha eleitoral, mas que parece que foi escrito ontem.
Existe, sim, uma questão de saúde pública que não deveria ser ignorada por nenhum candidato sério. Segundo reportagem do jornal O Globo deste domingo, o aborto ilegal mata uma brasileira a cada dois dias. Segundo a Pesquisa Nacional do Aborto, realizada pela UnB e Anis, aos 40 anos uma em cada cinco mulheres já fez aborto, o que equivale a mais de 5 milhões de brasileiras. Segundo a mesma pesquisa, 15% das mulheres que abortam são católicas, 13% protestantes ou evangélicas, 16% de outras religiões e 18% não responderam ou não têm religião. Segundo o Ministério da Saúde, o aborto é a quarta causa de mortalidade materna no país. Em algumas regiões do Nordeste, segundo a Rede Feminista de Saúde, chega a ser a principal causa de morte.
Você pode e tem o direito assegurado pela Constituição de acreditar no que quiser, professar a fé que bem entender ou não ter fé nenhuma. O que ninguém deveria poder – seja candidato a presidente ou cidadão – é ignorar a morte de seres humanos. Todos nós, que não somos hipócritas, sabemos que as mulheres mais ricas procuram boas clínicas e abortam em segurança. E todos nós, que não somos hipócritas, sabemos que são as mulheres mais pobres que morrem em procedimentos clandestinos, porque não têm dinheiro para pagar as boas clínicas. Quando estas jovens mulheres morrem, deixam filhos que não podem cuidar e famílias que se desfazem pela sua ausência, provocando problemas sociais em cadeia. Esta é uma tragédia que começa com a morte de uma pessoa e vai causando muita dor pelo caminho dos que ficam. Transformar a vida destas mulheres em moeda de barganha política, como temos assistido no início deste segundo turno, é uma indignidade.
Acho curioso que algumas pessoas que se dizem religiosas acreditam ter o monopólio do discurso da vida. E que estes que acreditam terem privatizado a verdade, ao falar em nome da vida não se preocupem com a morte destas mulheres. Não se coloquem por um minuto sequer no lugar destas mulheres para tentar alcançar seu desespero e sua dor. E então, por empatia e humanidade, perceberem que ninguém deveria morrer por falta de assistência. Assusta-me a rapidez com que estes supostos religiosos julgam e condenam outros seres humanos. Acho a compaixão um sentimento profundo, redentor. E não consigo compreender a compaixão seletiva que move estes dedos em riste.
Estatuto do Nascituro: a mulher que se foda - de Clara Averbuck
"Quer dizer: se uma menina for estuprada pelo próprio pai e engravidar, ela vai ter que carregar o filho/irmão, parir, criar e ainda ter que lidar com o pai de ambos, ou colocar o filho para adoção, como se os orfanatos fossem lugares bacanérrimos, como se o processo de adoção fosse algo fácil, como se isso tudo tivesse alguma conexão com a realidade. Se uma mulher for estuprada por desconhecido, até parece que vão caçar o cara para que ele dê pensão. Não sei o que é pior, o Estado oferecer a pensão ou sugerirem que o ESTUPRADOR pague pensão. Ele deveria estar preso, não deveria? Se encontrado, o estuprador não seria preso, mas obrigado a sustentar um filho? Vão querer visita obrigatória também? É completamente fora da realidade. Completamente. É de uma falta de empatia que eu nunca vi nessa vida. Obrigar uma mulher a carregar o fruto de uma violência é acabar com a vida dela. Ou seja, mais uma vez: FODA-SE A MÃE.
É basicamente isso que diz o Estatuto do Nascituro: foda-se a mãe, foda-se a mulher que sofreu violência, foda-se a vida delas. O que importa é a vida que foi gerada.
E isso é baseado em que, mesmo?
Crenças. Crenças de que DEUS mandou essa vida. Gente, olha só, eu sou atéia, eu não tenho DEUS ALGUM. Se você tem um deus e ele não quer que você aborte, apenas NÃO ABORTE. Mas tire as suas idéias, as suas crenças e essa violência toda do corpo das outras mulheres.
Das mulheres. De todas as mulheres.
O Estado não pode mandar em nossos corpos."
Estamos falando de mulheres. De seus direitos e suas responsabilidades - que, não são exclusivas. As leis são feitas e votadas por homens e onde eles entram nessa história toda? Pela primeira vez, em todos esses dias de intenso burburinho na rede, vi alguém levantar essa questão e as palavras de Ana Carolina Frazon, coeditora do Blog Parto no Brasil, vão ao cerne da questão:
"Os caras não "deixam" abortar, mas bem que gostam de exercer sua sexualidade sem se preocupar com a reprodução - além dos 114 estupros registrados diariamente país afora. Pílula, DIU e laqueadura são os métodos anticonceptivos utilizados pela absoluta maioria da população brasileira - todos efeitos adversos sob responsabilidade do corpo feminino. Depois, a falta de creches vira um problema das mães (e não da sociedade), ainda, 5 milhões de estudantes não têm pai declarado em sua ficha escolar. Por tudo isso, minha filha, minhas três irmãs, minha mãe, minha avó e eu PRECISAMOS do feminismo."
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| Imagem da página A Favor da Despenalização do Aborto |
Não podemos admitir que dogmas religiosos se sobreponham a direitos coletivos. E como bem define, Roberto Lyra Filho: " O dogma, afinal, atravessa a história das ideias, como uma verdade absoluta, que se pretende erguer acima de qualquer debate; e assim, captar a adesão, a pretexto de que não cabe contestá-la ou a ela propor qualquer alternativa. Neste viés, terá, sempre, uma tendência a cristalizar as ideologias, mascarando interesses e conveniências dos grupos, que se instalam nos aparelhos do controle social, para ditarem as normas em seu próprio benefício."
Assine também a petição.
Como disse o Min. Ayres Britto, o grau de civilização de uma sociedade, se mede pelo grau de liberdade da mulher.



Eu fico com o estomago embrulhado cada vez que falo/leio/escrevo sobre esse estatuto. Fico tão indignada.
ResponderExcluirUm retrocesso nesse país, que não avança!
Compartilhei o teu resumão no face viu! Pq já não tenho condições de falar sem perder os argumentos e partir pra briga - a raiva faz isso comigo! kkkkkk
beijos
Acho absurdo complicarem tanto um tema que realmente só deve saber a dor que causa um estupro quem o sofre, mais absurdo ainda é o estado oferecer a "bolsa estupro" como se fosse resolver o trauma sofrido por essa mulher.
ResponderExcluirBjcas, Grazi
É um tema polêmico, que gera muita discussão sim. Eu não consigo ver esse "tal projeto que é contra a descriminalização do aborto" como ajuda somente para mulheres que sofreram estupro.
ResponderExcluirVai 'favorecer' sim aquelas mulheres que não estão nem aí, simplesmente não se previnem. Fiquei sabendo de uma que está no 11o. filho ! Sim, 11o. ! vive de bolsa família, porque as crianças têm pais diversos, a maioria alcoolatra e desempregado. Esse tipo de mulher - e agora estou julgando sim - não tem essa consciência toda que voce citou ao fazer um aborto não. Não está nem aí, na semana seguinte está num boteco na favela enchendo a cara.
Quando voce cita 'Mas a brasileira média que morre de aborto clandestino é pobre e negra. Aquela que não pode pagar por uma clínica com as mínimas condições de higiene'. Essa é a característica do exemplo que eu citei, que tem 11 filhos ! Desculpe, realmente não acho que o Estado deva arcar por uma clínica que dê condições a ela de se desfazer do filho que ELA GEROU, quando se deitou com mais um. Se estou sendo ignorante quanto ao assunto, peço que alguém aqui me corrija, corrija mesmo, me mostre que estou errada nesse exemplo que eu citei. Porque hoje, com os argumentos que ouço, não sou a favor não. Mulheres vítimas de estupro, aí é outra história. Ela não buscou aquele ato sexual (e todas as consequências que vem junto), ela foi violentada, praticaram ato sexual com ela SEM A PERMISSÃO DELA. A brasileira negra e pobre do meu exemplo não, ela encheu a cara e se deitou (às vezes nem isso, é em pé mesmo numa viela qualquer de favela) com um cara qualquer, se lixando se estaria ou não gerando mais uma vida.
Esqueci de citar: se meu tom pareceu meio afetado, perdoem-me, esse tema me irrita porque moro no RJ e vejo sempre esse tipo de mulher que tem 11 filhos e os colocam pra vender bananada no sinal de trânsito. Comentei de novo pra marcar pra receber acompanhamento dos comentários por e-mail, porque gostaria mesmo de levantar aqui um debate, uma mesa redonda. Talvez eu esteja totalmente enganada no meu ponto de vista, vai ser bom ouvir o de outras.
ResponderExcluirEu não sei mais o que dizer sobre esse Projeto absurdo. Talvez se as mulheres fossem mais presentes na Câmara, no Senado não tivéssemos essas coisas horrendas aparecendo.
ResponderExcluirótimo, ótimo, ótimo, Dani! Já assinei a petição e acho mesmo que a gente tem é que ficar de olho pra essa excrescência não ser aprovada de fato. E, se for, seria de bom tom que alguma organização de defesa dos DHs entrasse com uma ação de inconstitucionalidade no STF. Porque esse estatuto é de um absurdo há muito não visto por aqui, não só pelo conteúdo em si, mas porque sua aprovação seria a prova de que nosso estado laico está sendo, aos poucos, num acordo aqui outro acolá, desconstruído pelas conveniências políticas de uns e pela "esperteza" gananciosa e fanática de outros.
ResponderExcluirEu queria comentar só uma coisa a respeito dos comentários.
ResponderExcluirA pessoa " LASTA" que comentou, vamos fazer umas contas:
Viver de bolsa família - O benefício do bolsa família é variavel de acordo com a idade da criança, se está matriculada na escola, etc. O benefício vai até os 18 anos da criança.
O valor varia de R$ 70 a R$ 300, vamos encontrar uma média e supor que ela receba R$120 por criança
120 x 11 = 1.320,00
(mil trezentos e vinte reais).
Agora vem cá e me explica como se sustenta ONZE CRIANÇAS com esse valor!? Porque não existe. Não existe essa de viver de bolsa família.
Outra coisa, se vivesse de bolsa família: esse é um direito garantido por lei.
Somente nós, Brasileiros, recebemos bolsa do governo e achamos que é esmola, isso é super normal na maioria dos paises europeus e na américa do sul.
O Governo não está fazendo um favor para ninguém, afinal, pagamos impostos gente!
Só uma dica.
A outra dica é: Usei metodo contraceptivo ( anticoncepcional, o mesmo durante 4 anos, tomando certinho todo os dias) e engravidei.
E agora?
América do NORTE, não do sul. Sorry
ResponderExcluirConcordo com a Isabela, só os brasileiros é que acham que receber incentivo do governo é esmola. Moro num país europeu onde se tem bolsa para tudo e para todos os gostos: bolsa que ajuda nos estudos, incentivo em dinheiro por filho, desconto nos impostos pra quem tem filhos, aluguel social pra pessoas que não têm condições de pagar um aluguel "comum", e o mais incrível disso tudo é que tá todo mundo feliz e ninguém acha que vive de esmola, não!
ResponderExcluirViver de bolsa família, de onde foi que tiraram isso?
Ah sim, e aqui o aborto é permitido sem que você precise implorar ou se justificar, e é pago pelo governo. E pensando friamente em termos econômicos, como o governo daqui faz, ainda é muito mais barato bancar aborto do que assumir total responsabilidade mais tarde caso essa criança venha a ser abandonada ou mal cuidada pela mãe: escola, alimentação, saúde, apoio psicológico, etc.
Interessante é que sempre falamos desse "tipo de mulher" que maltrata, que aborta, que é irresponsável.
Gostaríamos que falássemos mais "desse tipo de homem" também, que direta ou indiretamente permite que isso aconteça. A maioria das mulheres que abortam o fazem por falta de apoio, seja ele financeiro ou pssicológico. Portanto, cadê a culpa do parceiro nessa história toda? Aonde é que ele entra nessa história toda?
Post necessário e com ótima abordagem, compilando o que saiu na net nesta semana. Absurdo total ess projeto! Adorei teu ponto de vista, Dani.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirPosso compartilhar? :)
ResponderExcluirEu sou CONTRA o aborto, mas sou mais CONTRA ainda a criminalizacao do mesmo. O aborto, na minha opiniao nao eh a melhor saida para melhorar a sociedade, mas a sua criminalizacao definitivamente nao eh solucao!! Nao eh o assunto do post, mas as drogas caem no mesmo patamar. Criminalizar apenas gera uma industria milionaria que soh marginaliza e prejudica as classes socio-economicas mais baixas, como a Dani lindamente explicou no seu texto. Mundialmente, a prevalência de aborto inseguro é estimada em 19 a 20 milhões, dos quais 97% pertence a países em desenvolvimento. A maior prevalencia eh para a America Latina com 20 abortos por 1.000 mulheres entre 15 a 44 anos. Clinicas clandestinas performam a retirada do feto sem o minimo possivel de higiene, medicos que nao tem incentivo profisisonal em cuidar e nem respeito com a mulher. Os 19 milhões de abortos realizados anualmente de forma insegura no mundo resultam em aproximadamente 68.000 mortes de adolescentes e mulheres adultas, representando 13% de óbitos maternos. No Brasil, persiste uma importante subnotificação das mortes por aborto, já que muitos óbitos devido à septicemia e hemorragia decorrentes de complicações de abortamentos nao sao devidamente computados. Apesar da subnotificação dos abortamentos nas declaracoes de óbitos, em 2002, um estudo nas capitais brasileiras, com utilização de um fator de correção, permitiu identificar que o abortamento correspondia à terceira causa de morte materna. ( 11,4%) Nao importa se a mulher tem nenhum ou 11 filhos, se eh aborto calculado ou espontaneo. Na sua ecolha, ela tem o direito de ter o melhor em cuidado e saude e preservacao da sua vida. Se o argumento contra a discrimanalizacao eh o profissional de saude ser obrigado a fazer o aborto caso a mulher o queira, esta obrigacao deveria sem anulada e aenas performar o aborto profissionais da saude que acreditam estar fazendo o melhor para o seu paciente. Esta discussao para mim eno gira em torno de assitencialismo d governo e sim saude e preservacao de vida da mulher.
ResponderExcluirTratar o aborto como se tivéssemos tirando um tumor, uma verruga do nosso corpo - e que verruga, pelo que consultei, é um tumor benigno - não me parece o ideal. Concordo plenamente com a Lasta quando fala sobre "geração de vida". O que distingue nós, adultos, de um feto é o tempo de nutrição, e claro, da supremacia "aparente" que os mais nutridos têm em relação aos menos.
ResponderExcluirEu queria que alguém me explicasse quando um ser humano passa a ser considerado uma vida!
ResponderExcluirÉ na concepção? Alguns meses depois? No nascimento? Alguns meses depois?
Uma gravidez fere a autonomia da mãe? E um recém nascido também não?
E que tal uma criança com 2 anos, será que não tira a liberdade da mãe?
E só pra esclarecer, o aborto em caso de estupro é garantido por lei, e pelo que li do projeto do Estatudo do Nascituro, a lei que o libera não sofrerá alteração. Há que se ter cuidado com as interpretações equivocadas.
Lasta, acho que meu maior argumento para discutir a descriminalização do aborto é justamente o que você frisa no seu post! Uma pessoa com 11 filhos criados com descaso, na miséria... será que se pudesse abortar não teria evitado que essas 11 VIDAS estivessem dessa forma? E a vida da mulher, com 11 filhos, sem dinheiro, sem acesso à educação, à boa assistência de saúde, sem creche... Que vida deve ser, não? Justamente é uma das reflexões possíveis com esse post... É o corpo dela, ela dispõe dele como bem entender... e OBRIGÁ-LA a gerar, parir e cuidar dessas onze vidas é manter a característica punitiva 'não foi bom fazer? agora crie!'. Como se punindo a mãe pelo seu 'desfrute' se fizesse realmente algo bom pela vida dos filhos. E vou me valer dos comentários já feitos sobre o bolsa família, concordo não há como sustentar um filho com o valor e também acho-o irrisório, serve apenas para que as pessoas não morram de fome.
ResponderExcluirMoro na Alemanha, TODOS tem direito ao um dinheiro por filho (até os 18 anos). O primeiro e o segundo recebem 184 EUR por mês por crianca. Os próximos recebem mais. Praticamente todos os países europeus dao uma ajuda.
ResponderExcluirQuanto ao aborto a Cá Pires expressou minha opiniao.
Num mundo ideal todos teriam instrucao, usariam métodos anticoncepcionais adequados e estes nao falhariam nunca. Só que o mundo nao é ideal.
Anonimo, a diferenca de um feto para uma pessoa é que ele nao é independente, nao sobrevive sem a gestante. Enquanto o feto nao sente dor (a ciencia fala em 12 semanas) acho o aborto válido, embora nunca desejável, se essa for a vontade da grávida.
Enquanto a sociedade achar bem feito a mulher ser punida pelo seu "desfrute" (seja sendo obrigada a ter/cuidar desse filho indesejado ou sofrendo consequências de um aborto mal feito - nao se iludam a lei atual só pune as pobres!) essa discussao nao vai evoluir. Por favor, tenhamos mais empatia por essas mulheres.
Elisa