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| "Vc sabe o que é um perdedor? Perdedor é alguém que tem tanto medo de não vencer, que nem mesmo tenta." daqui |
Se eu perguntar a vcs se mentir é ruim, certamente a maioria esmagadora das respostas será afirmativa. E se eu disser que meu imaginário foi enriquecido por pequenas mentiras recebidas de modo homeopático ao longo da infância? E o responsável, o pequeno mentiroso foi o meu avô!
Existem vários causos, alguns folclóricos, que tem um valor afetivo inestimável que pretendo contar pra vcs agora.
Tínhamos o hábito de viajar todo mês de janeiro, era uma espécie de tradição entre meus avós voltar à cidade natal para os festejos do reizado. A viagem era feita de carro, que era abastecido gentilmente pela vovó de bolo de goma, café, paçoca, balas soft e caramelo toffle. A trilha sonora que nos acompanhava em todo o percurso era do Luiz Gonzaga, vulgo Rei do Baião - aprendi a gostar de suas músicas através do vovô.
Este aproveitando o fato de eu ser fã do cara e se salvaguardando de ter um irmão homônimo, dizia que o famoso cantor era meu tio, chamado na intimidade de Tio Gonza! O que não deixava de ser uma verdade. Afinal, se eu perguntasse a qualquer um na família se o vovô tinha mesmo um irmão chamado carinhosamente de Gonza, todos iriam dizer que sim.
Aprendi a cantar Samarica Parteira inteirinha, que é longa pra cacete, para me exibir no dia em que fosse apresentada ao ilustre tio. Contei para todos os amiguinhos da escola, pros vizinhos, pras meninas do ballet...
Minha avó que era uma cúmplice ao acaso, meio sem querer, acabou tendo que confessar anos depois, quando da morte do Luiz Gonzaga - o cantor, pois eu chorava copiosamente, de luto pelo tio of course.
Ah! E quando pequena tinha um outro ídolo: o Renato Aragão, vulgo Didi - que por sinal é cearense de Sobral, uma cidade que ficava no meio do trajeto da nossa viagem. Tínhamos sempre que passar por ela.
Aperreei tanto o vovô para descobrir a casa onde o Didi nasceu, mas tanto, que ele prometeu averiguar com um amigo o endereço certinho. Na volta da viagem, de posse da informação (a-ham), parou o carro em frente a uma casa, que supostamente era a do famoso trapalhão. Lembro de um silêncio solene. Se tivéssemos um chapéu certamente o teríamos tirado em reverência.
Achei aquilo o máximo. Achei meu avô o máximo.
Tempos depois, vovó acabou confessando a grande traquinagem!
Tinha também as mentiras de menor potencial ofensivo, como o caso do tutano de boi, sabem qual? Esta iguaria {eca!} era disputada à mesa por ele e pelo meu tio. Como eu era muito metida entrava na acirrada disputa. Com medo que minha avó cedesse aos meus apelos, dizia que só homens poderiam comer tutano, pois fazia crescer a barba.
O mais incrível era que eu acreditava em TUDO o que ele dizia.
A cada história que ia sendo revelada um rompante de gargalhadas explodia. Ria eu, ele e toda a família....até hoje!
Contando tudo isso, fico imaginando como ele seria criticado nesse mundo politicamente correto que vivemos hoje. Teria muita gente de dedo em riste apontando falhas nessa educação que a meu ver, não me trouxe nenhum prejuízo. Só me fez sonhar mais e por mais tempo.
Aliás, prefiro não imaginar. Prefiro deixar tudo isso imaculado na minha memória. (por ti sempre afetiva, vô)
Acho que preciso permitir que meus filhos fantasiem mais, né? Ou não?

Com certeza, a fase de fantasiar é uma das mais importantes para as crianças, e tbém não acho que essas mentirinhas façam mal!!!
ResponderExcluirBjos
Ana
www.amaedosgmeos.blogspot.com
Vc ja assistiu Peixe Grande?
ResponderExcluirai que memória gostosa.
ResponderExcluire que avô fanfarrão!!
Dani,
ResponderExcluirRi muuuuuito!
Que avô mais danado de bom! Eu não tive-tenho uma relação assim com meus avós e torço pra que Lorenzo tenha, porque me faz falta.
Beijos
Lendas da Oma(avó em alemão)?
ResponderExcluirMuitas!!!
Tipo: se vc não arrumar a cama, o anjo da guarda não levanta pra te proteger, ou chupar muita mexirica dá gripe, assoprar joaninha faz o papai noel trazer o presente pedido...
pequenas mentiras que não me fizeram mal... e até digamos de passagem me ensinaram coisas.
Avó e avô são tudo de bão!
Muito bom o texto!
Com total certeza Dani.Adorei ler esse post,como deve ter sido bom ser criança ao lado de pessoas tão incríveis. Aqui em casa eu falo que uma mentirinha "boa" as vezes é necessário, e quantas mentiras boas você não deve ter ouvido, criado em sua imaginação a realização de sonhos, como ter visto a casa do Didi.
ResponderExcluirTudo bem com vocês????, tenham um ótimo final de semana.
beijos e carinhos
Certamente Dani. Linda a história de vocês e a iniciativa de seu avó em dar asas à sua imaginação. Fantástico!
ResponderExcluirAliás, esse filme também é tudo de bom!
Bjs e um ótimo final de semana!
se fosse hoje, seu avô seria acusado de bulying! imagina: ficara a família inteira rindo de vc!
ResponderExcluirolha, dani, por aqui as coisas são muito parecidas, cresci ouvindo muitas lenas e meus filhos crescem ouvindo outras... acho ótimo!
beijoca
Que delícia de vô!!!
ResponderExcluirO meu é muito realista! Todos os ensinamentos dele eram baseada na moral e nos costumes!
Bom também!
Mas sonhar de mão dada com um avô deve ser DEMAIS!!!
E essas chatices de pliticamente correto tem limite!!"!!
Bjo
Dani,
ResponderExcluirem nosso tempo, muitos querem cuidar de todos e ninguém cuida de si.
"se perdemos a oportunidade de sonhar, o que mais nos restara?"
Adorei o texto; abração,
Rodrigo Davel
Lembrei-me da minha avó, agora. Quando eu e minhas irmãs éramos pequeinininhas, ela sentava na área, numa cadeira de balanço e contava muitas estórias (sim, com "e" mesmo) mirabolantes. E cantava cantigas. Tinha uma que era assim (vou escrever como entendíamos):
ResponderExcluir"La na sombra do Alvoredo,
onde eu tava descansando,
quando olhei para cima
Vi um passarinho cantando..."
E por aí vai....
Muito mais tarde, depois de ela falecer, descobrimos que o tal Alvoredo não era o homem dono das terras a qual tinha a sombra. Alvoredo era o "arvoredo"...
Enfim, eu acho que devíamos contar sim para nossas crianças - filhos, sobrinhos, amigos - "estórias" que fizessem nossa caixola funcionar, pensar, imaginar. Isso é sadio, gostoso. É saudável!
E, como você disse, não morremos por causa disso. Ao contrário. Temos ótimas e queridas recordações.
Mentirinhas e fantasias são ótimas para ajudar a levar a vida.
ResponderExcluirCada com as suas...
Só não gosto de contar as história que terminam no "felizes para sempre" porque acho que me deixaram um pouco traumatizada e deprimida...
mas tudo vale para fazer a vida mais bela!
Terminei a leitura como vc terminou o post... também preciso soltar mais a fantasia por aqui. Não só nas datas comemorativas... mas assim, como fez seu avô, no cotidiano...
ResponderExcluirDani parabéns pelo blog!!! Perfeitinho!!! Adorei!!! Li mtos posts!!!
ResponderExcluirBjsssssss
Dani querida, existem mentiras e existem fantasias. O que seu avô fazia era fantasiar a realidade, para que você pudesse sonhar. É mais ou menos o que nossos pais fazem quando nos fazem acreditar em papai noel. É uma mentira, mas a gente sonha, fantasia e isso é tão bom. E no momento em que crescemos e começamos a perceber o mundo ao nosso redor, vamos deixando de acreditar nessas pequenas mentiras, mas até hoje, nunca soube de uma criança que tenha ficado traumatizada irremediavelmente por acreditar em papai noel.
ResponderExcluirFantasiar é tudo! E o que é realmente a verdade? Você pode achar que é uma coisa, eu posso achar que é outra e na realidade, a verdade pode ser uma terceira coisa.
Bom final de semana!
Beijos
Dani e qual foi o grande problema nisso! Uma imaginação, um tempo de fantasiar e achar o avô o maior exemplo. Afinal, tinha muitas referências. Muito bom!
ResponderExcluirAcho que nesse caso ele fez para total diversão. Algo pensado. Muito esperto!
E a gente precisa deixar nossos filhos imaginarem, fantasiarem...É tão gostoso! Como acreditava no Papai Noel. Só eu sei...rs rs rs Meus pais faziam muito bem!
Aproveitando quero agradecer "quase pessoalmente" rs o carinho no meu post de ontem. Como foi bom conhecer um pouco da sua vivência, da sua opinião. Me deu um conforto, sabe?! Estava precisando muito! Valeu mesmo!
Um grande beijo.
Me identifiquei com o seu avô. Sempre “menti” para os meus irmãozinhos. Eu inventava feitiços e dizia que era uma feiticeira.... eles acreditavam. Uma vez também disse que eu falava “Gatês” (a linguagem dos gatos), e cada vez que os meus gatinhos miavam eles perguntavam “O que ele disse????” e eu respondia. Rs Hoje eles já são quase adolescentes e dão risada quando lembram disso.
ResponderExcluirhttp://madrelandia.blogspot.com/
Dani querida! Que delicia ler teu post. Me identifiquei, me "finei" de rir, voltaram lembranças gostosas da minha infância e da minha avó materna. Que gostoso...
ResponderExcluirBeijinhos
Lili
Ficaria mais algumas horas lendo as peripécias de seu vovô... Que delícia de história. Meu avô não era assim, mas mesmo assim a participação dele em minha vida teve muito valor... Me ensinou muitas coisas...
ResponderExcluirAcredito que você se sentiu a perfeita pequena Miss Sunshine...rs
AMEI...
Sou fã!!!
Beijinhos
Carol
Hahahaha! Avos sao otimos! O meu tambem era mestre em inventar e "enganar" as netas. Eu lembro q sempre q chovia ele olhava pela janela e falava "Ai, q pena, eu queria tanto levar vcs nos Playcenter". E a gente ficava doida esperando a chuva passar e dps ele dizia q estava tarde demais. E a gente nunca se sentiu enganada ou passada pra traz ou seofrendo bullying. Também tem uma estória q ele inventou qdo eu perguntei pq os negros têm as palmas das mãos e colas dos pés mais claros. Ele pensou e disse "No começo éramos todos negros. Até q D-us mandou uma ordem pra entrarmos no mar q viraríamos brancos. Todo mundo correu, mas a água não deu pra todo mundo e alguns só conseguiram molhar as solas dos pés e as palmas das mãos".
ResponderExcluirToda essa besteira só pra nã me deixar sem resposta! Acho q avós são pra isso mesmo, como t~em mais tempo do q os pais, podem curtir essas fantasias...
Beijos
Sabe que também me lembro do meu avô assim. ^^
ResponderExcluirE o comentário da Renata sobre o filme PEIXE GRANDE. Que por sinal me lembrou muito o meu avô. Se não viu, deveria ver.
Permito um pouco de sonho aos meus filhos, principalmente quando lemos livros que estimulam. Mas assumo que sou cruel quando corto alguns deles pela raiz. Aff
Bjos
Ôoo que este post me fez pensar, hein Dani?! Aliás, ainda estou pensando e por isso nem sei direito o que escrever...
ResponderExcluirNão gosto de mentiras e por aqui sempre falo a verdade e vez ou outra estou fuzilando meu pai com um olhar quando ele inventa umas mentirinhas para o Lucas. Será que devo ser mais flexível?
Afinal, tb cresci acreditando em algumas mentiras e não acho que tenham me causando grande prejuízo (tirando aquelas assustadoras que quase me mataram de medo!)
... ainda pensando...
Beijos, Dani!
Bom domingo para vcs :)
Chuvoso, por aqui. Muuuuito chuvoso!
Ju
Meu avô paterno era assim também,cheio de histórias... Deu saudade!!!
ResponderExcluirQue delícia. Senti uma invejinha branca. Quase não tive contato com meus avós. E espero de verdade que minha filha tenha e possa guardar lembranças deliciosas, como as suas, pro resto da vida.
ResponderExcluirbeijo!
Que delícia. Senti uma invejinha branca. Quase não tive contato com meus avós. E espero de verdade que minha filha tenha e possa guardar lembranças deliciosas, como as suas, pro resto da vida.
ResponderExcluirbeijo!
Acho que foi nesse dia que descobri seu blog Dani... 26 de agosto de 2011... e adoro!!!
ResponderExcluirAdoro a maioria dos posts (não vou mentir só para agradar)... comento os que me tocam e compartilho também.
bjos e sucesso!