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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Brechó é a nova butique?





daqui

Quando estava grávida do Otto, recém chegada à cidade, procurei economizar ao máximo, cortando da lista de enxoval tudo o que uma mãe de dois já considera, pela experiência, supérfluo. E, naquela época, 2008, o brechó estava em seu auge.





Desmanche aquela ideia pré-concebida de brechós empoeirados, com roupas sujas e amontoadas. Estou falando daquele brechó bonito, elegante, com roupas previamente selecionadas, limpas e muito bem dispostas...com a maior cara de butique!



Ali era o destino de muitas peças fruto do exagero consumista, visto que muitas estavam à venda com etiquetas da loja de origem. Quem não se encantaria com a possibilidade de reutilizar lindas roupas, com preços super acessíveis? Ainda mais se tratando de roupinhas de bebê, que tem a inacreditável vida útil de 1 a 2 meses! {eles crescem rápido!!!}



Confesso que compus boa parte do guarda-roupa do baby Otto em lugares assim, mas depois de seu nascimento, observei que estava havendo um movimento contrário ao inicialmente proposto. O mercado não visava mais a reutilização. Já não se podia mais chamar aquilo de brechó, havia se transformado de fato, em uma butique.



O foco eram roupas de grifes internacionais adquiridas especialmente para serem comercializadas, com preços bem salgados. As peças nacionais, já não tinham mais a qualidade de outrora. Roupinhas feiosas, meio tronchas, com preços equivalentes aos da loja perderam seu lugar de destaque junto aos cabides padronizados.



ILÓGICO. INCOERENTE.



Sinceramente, não sei a quantas anda esse mercado "alternativo", mas criei antipatia, muito embora continue a favor do escambo materno e da reutilização. O que vejo muito, pela internet afora, são butiques disfarçadas de brechó. E um dia, conversando com a dona do brechó que costumava frequentar, ela me contou, amargurada, que o comércio entrou em declínio depois da tragédia que houve em Blumenau (2008), pois muitas de suas fornecedoras, preferiram doar as peças que lhe eram dadas em consignação.



Sabe que nunca consegui vender nada que foi dos meus filhos? Não gosto, não me sinto à vontade. Tenho um acordo com a vida: o que ela dá a mim, eu dou de volta a alguém. Agindo assim, faço a roda da vida girar.



E depois dessa conversa, permita-me suscitar algumas dúvidas: até que ponto a sustentabilidade vale a pena? Ou será que a maquiam, criando um mercado onde o único objetivo é consumir, tendo em vista que há sempre novos produtos eco-friendly sendo lançados, quando deveríamos frear o consumo? A doação e o desapego estão em que nível de importância na vida das pessoas? Não seria mais sustentável um mundo mais humano?







* esse post surgiu de tweets trocados com @lubrasil tempos atrás.








17 comentários:

  1. " E um dia, conversando com a dona do brechó que costuma frequentar, ela me contou, amargurada, que o comércio entrou em declínio depois da tragédia que houve em Blumenau (2008), pois muitas de suas fornecedoras, preferiram doar as peças que lhe eram dadas em consignação."
    E daí acaba por confirmar TUDO o que disse naquele dia, quer dizer que a criatura tava amargurada pq estavam DOANDO pra quem tava ferrado? Putz. Continuo dizendo, se ninguem comprasse, todo mundo doaria pra quem nao pode pagar. Bjs

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  2. Dani,
    Por aqui não existem brechós de qualidade também. Dizem que quando começaram eles eram ótimos, mas se desvirtuaram. Não viraram boutique: ou viraram loja normal de roupas novas ou viraram brechós de roupas de qualidade e limpeza duvidosas.
    Eu doo tb, mas tem coisas (muitas) que não consigo doar! Antes de engravidar comprei todo o enxoval do Lorenzo (e da Valentina) nos Eua. Comprei todo de verão pois estávamos nos mudando pro Nordeste (já havíamos até comemorado com champagne caro e tudo). A transferência babou - até hoje não entendi como - e o Lorenzo tem muita roupa que nunca chegou a usar!

    Como eu quero mais filhos, como tenho um irmão que recém casou, espero ainda usá-las...

    Beijos

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  3. Dani confesso que fiquei boaberta com o comentário... Se bem entendi chamou doação de tragédia, devido a tragédia.... que absurdo... Sem comentários...

    Aqui doamos tudo... E agora em casa funciona assim... Não usou há mais de um ano, não usa mais... Tira e dá pra quem precisa.... Fazer volume no guarda-roupa pra acumular poeira, pra que???

    Só não doei as roupinhas da Laura ainda, pois pretendo ter outro filho e se vier menina, economizarei em tudo, pois como você mesma disse a vida útil é de apenas 1 ou 2 meses, então está tudo novinho... Comprar duas vezes pra quê???
    E segundo filho, consumismo pela metade....kkkkkkkkkkk Pobre dos segundinhos...kkkk

    Vejo que a noção de sustentabilidade das pessoas está em reciclar plásticos e papéis e se esquecem que o consumo desenfreado seja de qualquer coisa também prejudica o meio ambiente, pois polui do mesmo jeito....
    #oremosporummundomelhor

    Beijos
    Carol

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  4. Dani, vejo brechós aqui no bairro em shoppings que vc nem percebe que é brechó! A começar pelos preços, quase igual o da loja!!!!

    Eu confesso que sou chata com isso, penso na energia da pessoa/ família ali no objeto ou roupa usada. Pra mim não rola, sou chata mesmo com isso!

    Mas meus meninos tem 2 primos irmãos, de 5 e 6 anos, recebemos muitas roupinhas deles, e sendo assim, eles usam sem problemas! Já comprar algo de desconhecido, não!

    Beijão!

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  5. Oi Dani!!
    Pois é, mulher! Aqui em casa damos tudo! A não ser aquelas roupas micro que hoje servem em algumas bonecas da Luísa, o resto "dou" mesmo para as amigas. Não posso dizer "troco", porque não sei porque cargas d'água, Luísa nunca foi de ganhar coisas usadas, principalmente roupas. Pra não generalizar, há algum tempo uma prima começou a se "desapegar" das roupas da filha, hoje com 11 anos, e passar para a Luísa. É muito legal! Mas até então, sempre tínhamos que comprar.E eu dando as dela! Um dia meio que me revoltei, sabe! Pôxa, dou tudo e ninguém me dá nada? Será minha cara de c...? Minha cara de rica, talvez? haha..que nada! Tô pensando assim: um dia tudo isso virá em dobro! Em forma de outra coisa, talvez. Afinal, estou ensinando minha filha a doar, a dar para os que não tem.
    Beijos!
    Nanda
    Mãe da Lulú

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  6. Nossa Dani, muito bacana sua reflexão. E to contigo e não abro. A vida me presenteia muito com coisas que se eu fosse colocar na ponta do lápis teria um gasto enorme. Então não penso duas vezes em retribuir sempre que está ao meu alcance. Eu e o Rafa damos uma geral no guarda-roupas 2x por ano - 1 no primeiro semestre e outra no segundo, e sempre separamos para doação o que não usamos ou que não serve mais.

    Gastamos super pouco com roupa para Clara, pois recebemos muitas coisas das primas que já vão voltar pra irmãzinha delas que nascerá em breve... e assim vai, um ciclo, usamos até o fim!
    Não curto muito brechó não, tenho um pouco de nojo pq fico imaginando quem foi que usou, que cheiro e hábitos a pessoa tinha. rs...

    bjs pra vc, boa semana!!!

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  7. Oi Dani,
    Mês passado meu marido entrou em um brechó pensando que era uma loja, só se deu conta lá dentro do brechó! Não costumo comprar de brechó, não me sinto a vontade de usar roupas de quem eu não conheceço, sei lá! Mas sou a favor da doação. Já dei muito e ganhei algumas pra minha caçula. Até na igreja tá dificil de doar, fiz uma sacola pra dar p/ familias cadastradas, que precisam... mas eles colocaram muitas peças de roupas no brechó da igreja, quer dizer, no bazar. Fiquei decepcionada.

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  8. Dani adorei a reflexão! olha não encontro brecho nenhum que seja realmente brecho e nao botique, loja e afins! desisti de procurar! Recebo muitas coisas da familia e fiz meu enxoval nos EUA, fui gravida a trabalho e já sabia o sexo (maravilha né? todo dinheiro economizado na viajem foi pro enxoval, rs).
    Aqui sempre separamos coisas pra doar, principalmente quando compramos coisas novas, depois da compra já vem no pensamento o que vai sair, aqui em casa se entra alguma coisa, outra tem que sair, e pelo menos umas 3,4x ao ano fazemos uma geral no quarda roupa, brinquedos, teve presente da mari que nem saiu da caixa foi direto pra doação, não era repetido não, mas ela ainda nao tinha idade pra usar ou tinha muitos do mesmo genero! espaço aqui é muito pequeno não da pra acumular! mas mesmo se tivesse uma mansão não iria deixar de doar (tenho uma mae super acumuladora, por causa de uma infancia muito mas muito pobre, fiquei traumatizada e faço questao de não acumular nada!!! rs)

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  9. Q saudades de passar por aqui!!! Voltei de férias com muitas novis...
    Por aqui, os brechós ainda são antigos, sujos, escuros e com cheirinho de naftalina...rsrsrs....
    Bjs e fik c Deus.

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  10. Dani, aqui aonde eu moro os brechós continuam nessa ideia de roupas sujas e mal acabadas..rs
    Ainda aonde encontro mais ou menos e pela internet, compro muita coisa via internet por que aqui em palmas o comercio não tem variedade.
    A maioria das roupas da maria julia são roupas feita pela minha mãe, seria impossível eu vender as roupas, temos o custume de passar para outras gerações.
    A maria julia tem uma roupinha que foi da minha prima mais velha e passou por quase todas e ja tem 30 anos..rs
    tenho sacolas de roupas que doou para assistência social da minha igreja as mulheres necessitam muito.

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  11. Ontem eu passei um tempão pensando o que responder para uma amiga, relacionado ao assunto. Resumidamente, todo ano ela faz um bazar com algumas peças dela. Eu, que não tenho a capacidade de vender nada, disse-lhe que sou meio vadia porque acabo dando pra todo mundo. Enfim, ela me disse que fora essas que vão para o bazar virtual, já doou duas sacolas para uma instinuição de caridade. Pois é, eu entendo a diferença. Eu também mando para doação sacolas enormes. E separo algumas para vender. Não sei exatamente porque, mas algumas eu fico imaginando que, por terem um valor para mim, quero que vão para quem as valorize. Do tipo minhas roupas de caveiras, pinups e afins. Itens que eu gosto. Talvez não me sirvam mais. Ou nunca ficaram bem em mim como eu gostaria. Separo, sim, para vender. Só essas. As especiais. As sacolas enormes de brinquedos e roupas mais básicas, assim como sapatos, bolsas e móveis, todos doados. Quando comprei meu apartamento ele veio com lustres antigos bonitos, mas que nada tinham a ver com o estilo de decoração que eu queria. Dúvidas que coloquei para vender no ML? Grata a surpresa da compradora, quando chegou lá cobrei dela apenas a comissão do site de vendas. Sim, eu só queria alguém que valorizasse as peças. Eram relíquias, antiguidades, algo que eu queria que ficasse nas mãos de alguém que valorizasse. O mesmo aconteceu com todas as minhas coisas especiais que separei para venda. Até hoje não vendi uma. Eu sempre achava alguém que daria valor. E dava. Podia cobrar um valor simbólico que fosse. Mas pergunta se consigo??? Eu não condeno quem vende, não. Nem os brechós. Nem mesmo as boutiques. Condeno mais o meu péssimo hábito de comprar sem pensar. Acho que o prazer que eu sinto em DOAR / DAR o que acabo por não usar é uma compensação pelos meus exceços (porque nada me falta), principalmente quando é doado para alguém que precisa, não poderia comprar ou (no caso das peças que tenho apego) alguém que valorize. Em épocas que precisei levantar dinheiro e não tinha possibilidades de realizar meus desejos consumistas, eu não tinha dificuldade em vender. Hoje, sinceramente, só sei doar, dar e presentear. E eu fico feliz assim. Na boa, não tenho nenhum opinião rígida ou conceito concebido sobre o assunto, mas adorei essa postagem e a questão que levantou... :)

    Beijos!

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  12. Ah, sobre as doações na tragédia, fiquei meio chocada da pessoa se amargurar com isso! Tão chocada quanto ao saber que as pessoas voluntárias para ajudar com as doações recebidas pegavam para si as melhores peças...

    Realmente é um assunto interessante!

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  13. Dani... eu amo brechó!! Já achei muita coisa legal tanto pra mim quanto para as crianças!!! Minhas meninas adoram, porque elas conseguem comprar as roupinhas delas com a mesadinha que ganham.
    Minha família tem a política de "passar a roupa pros menores" desde que eu era criança e hoje, isso continua com nós primos que crescemos e tivemos nossos filhos. Aqui onde moro (em Blumenau - vc tbm é de Bnu???), acabei "ensinando" às amigas e hoje nós passamos as roupas das crianças umas para as outras.
    Isso está incutido na minha mente como coisa MUITO natural...
    O que adoro em Bnu é tbm poder comprar peças bem baratas de segunda linha, que muitas vezes nem parecem... fica difícil saber como e onde foi decidido que tal peça seria de segunda linha.

    beijos, flor!!!!

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  14. Essa da tragédia de Blumenau foi forte...
    Nunca vendi nada para brechó. As roupas de todo mundo daqui casa sempre tem alguém para dar.
    As do Lucas divido para 3 mães.
    Aqui tem um projeto muito legal. Móveis, eletrodomésticos que a pessoa não quer mais a prefeitura recolhe e leva para ser reformado, consertado e é doando para pessoas cadastradas carentes da cidade.
    Eu não gosto de acumular nada em casa que não é mais usado. Energias tem que circular. E doar com certeza traz muitas energias boas.
    Beijos!

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  15. Oi Dani.
    Diferente de você, eu já vendi algumas coisas que eram da minha filha. Moro em Estocolmo e por aqui, isso é bem comum, mas be comum meeesmo.
    Com o valor que eu arrecadei pela venda dos produtos de RN e brinquedos até um ano de idade, eu estou montando o novo espaço dela brincar. Também compro algumas coisas usadas.

    Usamos um site chamado "tradera" e as pessoas dão lance, porque é mesmo um leilão.

    Dentro de alguns dias vou postar o espaço novo que montei para minha filha brincar, adaptado a sua fase. Próximo ano, reciclo novamente, e assim vai.

    Bom, eu vejo pontos positivos e os second hands tem sido de muita utilidade para nós.

    Beijos

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  16. Concordo com vc,Dani...tbém ñ vendo roupas,sempre faço doação pra pessoas carentes,para o Grupo dos Vicentinos da Paróquia, lá a´te tem um brechó,mas nunca coloquei minhas roupas lá...
    Acho q essa é a verdadeira sustentabilidade...
    Esse negócio de eco,verde está gerando muito consumismo mesmo...outro dia vi um site pra animais... 60,00 um "apartamento" para gatos feito de papelão(falar nisso já perdeu o medo deles?)voltando, daí q vi uma ideia da Simone Miletic e da Tifanny Stica e fiz pra Lady Cat com caixas usadas que eu tinha em casa,ela se divertiu muito e eu reciclei...é isso...
    bjs!!!!!

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