Grosso modo, a dicotomia é divisão lógica de um conceito em outros dois, geralmente contrários. Se observarmos bem, e para não sairmos do nosso campo de atuação, veremos que a maternidade tem muitas subdivisões. Sempre em polos distintos. Difícil é dar primazia a cada uma delas.
- Parto - normal x cesárea
- Aleitamento - exclusivo x fórmulas infantis
- Alimentação - natureba x industrializada
- Roupas - marcas caras x produtos licenciados de lojas de departamento
- Brinquedos - madeira de reflorestamento x eletrônicos fisher pricianos
- Música - Palavra Cantada x Xuxa SPB infinitos
- Figura da mãe - tempo integral x trabalha fora
- Babá - desnecessário x necessário
- Escola - pedagogia "alternativa" x tradicionais
- Festas - em casa e crafts x buffet e luxo
- (...)
A lista das dicotomias seria enorme e para aumentá-la, nem precisaria abusar da minha capacidade de imaginação.
Para alguém de fora do nosso universo, essas subdivisões não mereceriam discussões prolongadas, pois tudo ali é uma questão de escolha. E julgá-las por uma delas é no mínimo uma generalização superficial.
As mães não deveriam ser vistas em partes separadas, abstraídas de sua totalidade. A meu ver, isso não está certo. As mães devem ser vistas na sua unidade - que é o resultado de todas as suas escolhas, aspirações e funções desempenhadas. A efeito de ilustração, é pleonasmo dizer "sou mãe e mulher". Dã. Uma não existe sem a outra. Uma não precisa anular a outra.
Essa semana li um texto da Roberta, no Piscar de Olhos, que entre uma gargalhada e outra me deixou uma reflexão. No texto, ela conta como o seu terapeuta acha a blogosfera opressiva, no modo de dizer totalmente particular que um terapeuta tem de dizer as coisas.
Sabe que eu não sei se concordo com ele?
Criei o blog sob o pretexto de escrever tudo o que se passa pela minha cabecinha pensante e constantemente alucinada para extravasar umas emoções e registrar outras tantas. Tá, mas isso me dá o direito de escrever o que eu quiser?
Bom, não posso e nem quero me abster de fazer meus registros, já que escrevo sobre o meu universo sobre o meu ponto de vista. Nada me impede de bradar para o mundo o orgulho por algumas escolhas que deram certo pra mim, dentro do meu universo; nem de chorar as pitangas pra esse mesmo mundo sobre aquilo em que falhei. O importante é ter em mente que nem sempre as coisas saem como planejamos, seja por força do acaso ou capricho do destino E que demos ter culhões pra assumi-las mesmo assim.
Importante é ter essas questões decididas dentro de si, para não culpar os outros por seu próprio ressentimento. Não se pode arranjar algozes pro que vc ainda não é capaz de aceitar.
Sim, mas tudo isso me dá o direito de escrever o que eu quiser? Sim, dá. Embora, tenhamos todos a obrigação moral de não julgar. Tendo em vista que nossas escolhas dependem de variáveis de ambiente - nível cultural e social.
Muita gente age na defensiva, o que reforça a guerra entre as tribos maternas. E isso se deve a quê? Ao fato de já estar cansada dos dedos em riste ou simplesmente por não terem digerido suas próprias frustrações?
Culpar a mãe cesarista é estar cego pra situação como um todo. Ela é só a ponta do iceberg (odeio quem diz isso). A questão é de saúde pública SIM. Os médicos merecem ser melhor remunerados SIM. Devemos discutir esse assunto exaustivamente SIM. Pelo acolhimento de mães e bebês e pelo respeito às suas escolhas.
Não culpo uma mãe que sai pra trabalhar e deixa seu filho numa creche ou com a babá ou com a avó. Já fui dessas e, no meu caso era por necessidade e acho perfeitamente normal quem o faz por prazer. Acho injusto ver alguém se justificando em casos como esse, como se estivesse fazendo alguma coisa errada.
Não culpo uma mãe que decide ficar em casa pra cuidar dos filhos, estou nessa. E dela, não precisamos exigir justificativas. Sou muito grata à vida por ter vivido os dois lados da moeda. E, uma coisa posso garantir, ninguém está satisfeito. Ouvi críticas nas duas situações, só que agora, para elas, ouvidos moucos. Sou feliz com minhas escolhas.
Não culpo ninguém por não comer orgânicos, enquanto uma bandejinha com quatro tomates custar incríveis 9 reais. Ser consciente, tem um custo. Às vezes, muitas vezes aliás, fazemos as escolhas por aquilo que podemos ter e dentro desse universo, tenho certeza de que ninguém faz o mal deliberadamente. É o que tem pra hoje e fim.
Leu coisas por aí que gostou muito? Beleza.
Leu coisas por aí que te fizeram se sentir ofendida? Releve, trabalhe e pense os seus próprios ressentimentos.
As ideias devem ser repensadas, ampliadas ou refutadas. Simples assim.
Atravessar essa barreira é entrar num campo de discussões inócuas, vazias.
E disso, estamos cansados.

Adorei esse post, principalmente quando diz que ninguém faz o mal deliberadamente. E também quando diz que, se não gostamos, deixa pra lá... Vai ficar sofrendo com o que o outro fala pra quê?
ResponderExcluirParabéns!
Falou muito , e falou bonito ....
ResponderExcluirGostei, temos a liberdade de falarmos o que quisermos desde que assumamos o que foi dito e que não tenhamos ofendido alguém. O que conta é a capacidade de pensarmos sobre o que escrever e o que falar. Bjus Ju
ResponderExcluirGostei do texto....claro podemos falar o que quisermos mas respeitando o outro e isso fica claro no texto!!
ResponderExcluircompartilho muitos pensamentos
beijos
www.sublimeamordemae.blogspot.com
Clap, clap, clap, clap!
ResponderExcluirSem mais.
Vc é ótima Dani!!
Beijão
Muito bom!
ResponderExcluirBeijo,
Roberta
Muito bom!
ResponderExcluirCada um tem suas escolhas e isso não significa que a minha é melhor ou pior que a de ninguém!!!
Beijos,
Ana Carolina
Adorei o texto!
ResponderExcluirQuando entrei na blogosfera me senti um julgada mesmo que indiretamente pois sou uma mãe de cesária. Mas com o tempo fui analisando e vi que falar sobre o PN me fez bem aprendi!Obrigada!
Não sou radical nem nenhuma das alternativas estou sempre ponderando.
Beijos e parabéns pelo texto
Dani, concordo muito, inclusive com esse lado opressor da blogosfera materna, ô! E como! Essa maternidade "virtual" poderia ser mais "leve" se não precisássemos ficar, de certa forma, "defendendo" essas dicotomias todas. Vivi uma situação com a minha família ontem, em que uma mãe disse que não iria jantar conosco, pois a filha estava de castigo, tinha prova no dia seguinte e precisava estudar. Ela foi bombardeada na mesma hora com inúmeros comentários que a julgavam pela atitude e daí para frente, dá para imaginar a cena. Quer dizer, nem em família ela pode admitir que deixou a filha de castigo, tentar mantê-lo, assim como a sua autoridade materna sem precisar se justificar e ouvir alguns absurdos? Tem alguma coisa errada e é cansativo mesmo...
ResponderExcluirBjos,
Camila
www.mamaetaocupada.com.br
cada vez que leio os seus texto eu fico cheia de sabedoria, eu adoro seu blog!
ResponderExcluirE concordo super com vocês, essas questões são realmente polemicas, não gosto quando vão defender suas teses negativando outras.
Trabalho, estudo e deixo minha filha metade do tempo na escola metade com avó e a outra metade comigo!
faço isso enquanto posso!
seria otimo tb ficar integralmente para filho isso e muito bom, mas hoje nao posso!
Falou TUDo!
ResponderExcluirImportante é ter essas questões decididas dentro de si, para não culpar os outros por seu próprio ressentimento. Não se pode arranjar algozes pro que vc ainda não é capaz de aceitar.
Parabéns Dani! Conseguiu expor com belas palavras a verdade!
Beijão
Dani, muito boas reflexões. Eu estava pensando em escrever sobre isso. O problema é que, quando você escreve "eu fiz assim", a pessoa lê: "todas devem fazer assim, e quem não faz está errada". Nesse caso, eu concordo com o terapeuta da Roberta, porque é bem opressor você ter de ficar o tempo todo pisando em ovos, não poder compartilhar suas experiências, não poder dizer quem você é e no que você acredita porque sempre vai ter alguém que vai se ofender. Mas, enfim, isso não é só uma coisa da blogosfera materna. É uma coisa da vida, infelizmente.
ResponderExcluirDani,
ResponderExcluirIncrivel como o seu texto reflete perfeitamente o meu pensamento. É cada uma com sua escolha e todas respeitando a escolha de cada uma. No mais é seguir em frente sem perder tempo com discussõs que em nada acrescenta.
Beijo
Voto em vc pra Presidenta do Clube Materno Mundial Virtual Real Etc e Tal!
ResponderExcluirÉ isso aí! Coisa chata ficar se justificando, dando satisfações pra quem na real, nem se importa com a gente.
As pessoas precisam aprender a viver de forma mais leve.
To contigo! Beijocas
Como disse Fabi Coltri:clap clap clap clap. Você é de-mais!
ResponderExcluirbeijos
Post Maravilhoso!!!
ResponderExcluirEu sempre passo por aqui mas hoje você se superou.(na minha opinião)
Concordo em absoluto com você.
bjo.
Oi Dani! Éa primeira vez que entro aqui e já me deparo com puta post! Adorei!
ResponderExcluirE a frase "muita gente age na defensiva, o que reforça a guerra entre as tribos maternas" foi perfeita!
Mais respeito, mais tolerância não só na esfera materna, mas na vida de maneira geral, né?
Grande beijo, e não tem como não te acompanhar.
Gabi
Mas como bem essa menina nota 10!!!
ResponderExcluirFalou tudo,Dani...
Antes confesso q tinha receio em falar q levo meus filhos ao MC Donald´s,q ñ comemos legumes todos os dias,que sim,eu faço batata frita em casa e que eles comem miojo tbém...Qto PN,fiz dois aí fico entumarda,rsrsrs,mas nunca condenei ninguém,tudo tem um motivo...ñ estamos aqui para julgar,mas vemos isso todo santo dia nas redes sociais,haja paciência...
Vc falou bem e falou tudo!!!Bj!!!!
Que poderoso esse teu texto! Verdadeiro. Ando pensando muito nisso, nas escolhas que faço, nas culpas que carrego... e como a gente vive achando mais motivos para se culpar...
ResponderExcluirMas acho que essas dicotomias acabam por nos enriquecer... é bom poder TER opção, escolher, mesmo que nem sempre o que PENSAMOS que é certo, realmente é.
Beijos!!!
Dani,
ResponderExcluirAdorei esse post. Realmente muito bom! Parabéns!
Uma lição sobre as dicotomias que existem, sobre a maneira de ser, agir e pensar de cada uma. Acho que é isso mesmo! Assino embaixo de tudo que disse. Precisa haver respeito perante o outro, se colocar no lugar do outro. E isso muitas vezes é difícil. Principalmente no mundo da blogosfera materna, pois muitas pessoas julgam, criticam apenas lendo um simples texto. E muitas vezes tem um tanto que vai muito além disso... sentimentos, desejos...
Um grande beijo.
Dani:
ResponderExcluirSeu texto é perfeito. Não só porque trata de algo que tem doído muito no mundo virtual, mas porque mostra que os dois lados tem problemas: tantos os que julgam quantos os que se sentem ofendidos.
Sou dessas que se ofende com pouca coisa, que detesta esses julgamentos. Por isso, seu texto me fez refletir mais um bocado sobre o que andei escrevendo quando me revoltei com tantos julgamentos...
Obrigada, querida, pela oportunidade em refletir!
Beijos
Sofia
Concordo. Também canso. Nem mais uma linha sobre isso...
ResponderExcluirBeijos
E na minha dicotomia tenho que simplesmente aplaudir... clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap, clap,clap.
ResponderExcluirBeijos
Carol
Nossa, acho que é minha primeira vez aqui, ou faz tempo que não venho... Não sei! Essa blogosfera materna é tão imensa e tão variada não é? E esse é o lado positivo. Você escolhe o que lê... E escolhe escrever, portanto, aguenta o que vier.
ResponderExcluirTenho pouco tempo de "casa" e comecei a blogar para escrever e não para ler. Com o tempo, vi que uma coisa está ligada a outra e pronto. Dicotomia de blogar? Ler X ser lida.
E isso pode ser bom ou ruim. Ser lida tem suas vantagens, como um parto normal. Ler é como cesárea, você escolhe quando, onde e com quem.
Você disse tudo e nem tem como te complementar. Mereceu ir para meu blogroll! Já está lá de agora em diante.
Beijos
Bia
www.maedacabecaaospes.com.br
Sempre me identifico com os seus textos mas com esse...putz, nem sei que palavra usar, sério!Ás vezes me pego desabafando com o maridão aqui sobre as coisas que leio e não concordo.Penso bem como vc, cada mulher faz sua escolha, cada uma tem um sonho, um desejo, uma realização em determinada área da vida. Algumas conseguem o parto natural outras não, algumas são felizes na amamentação outras não, algumas se contentam em ficar em casa por conta dos filhos outras não...e daí, cada uma sabe o que lhe faz feliz, não eh!?
ResponderExcluirAmei o texto, a forma como foi escrita, aprendo muito com sua experiência...
Ah, e só pra ressaltar ainda ontem falei essa mesma coisa p o maridão: "Ela é só a ponta do iceberg (odeio quem diz isso)."kkkkk e quando li fiquei dando gargalhadas sozinha...rs
Vanessa
http://vanessinhafigueiredo.com
oi dani! belo post!
ResponderExcluirConfesso que na primeira parte, falei, ai, de novo esse assunto...
Mas depois você toca no ponto: a questão do parto como saúde pública e não como simples "escolha", e a questão das escolhas de certa forma determinadas por fatores socioculturais... A ideia do "que tem pra hoje" foi pra fechar. A gente faz o que pode, por vezes tenta fazer o impossível, e vamos errar e acertar dentro das nossas possibilidades de escolha.
E acertos compartilhados deveriam ser comemorados (e não tachados de "exibicionismo"), assim como os erros compartilhados deveriam ser acolhidos e amparados.
Mas que não haja mal em admitir que erramos e nem em poder gritar que acertamos!!!
beijo grande e mais uma vez parabéns pelo post.
thaís
Uauuuu!
ResponderExcluirMas que post hein?!
Gostei muito da forma abordada... penso que é bem por aí sim, temos o direito de escrever o que quisermos em nossos blogs sem no entanto, julgar. Porque cada um é um, e cada situação é unica.
Infelizmente, enquanto trabalhamos diariamente para não julgar, somos alvos constantes de julgamentos. No entanto, como vc disse, quando assumimos as consequências de nossas escolhas, não há por que darmos ouvidos a tais pensamentos!
Belo post, Dani! Belo post!
Beijos
Ju