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terça-feira, 29 de maio de 2012

"Mãe, eu sou gorda?" - uma questão incidental


Acompanhei os comentários no post sobre os problemas na escola com muita expectativa. Junto com o carinho, todos foram unânimes em dizer que sim, a escola não pode desprivilegiar um grupo em detrimento de uns poucos problemáticos. Ao escrever, me senti egoísta. Mas agora vejo que não, estou apenas fazendo o meu papel.







Quando tinha quatro anos, a Bia se virou pra mim com uma expressão bem triste e perguntou: "mãe, sou gorda? Por que não sou como vc?" Na hora, senti uma tristeza sem tamanho e conversando com ela, descobri que o motivo da pergunta havia sido os insultos dos coleguinhas na escola.





E sim, da sua turma ela era a "gordinha". E esse excesso, tem mais a ver com a constituição genética do que propriamente com sua alimentação. Nisso tenho minha consciência tranquila. Na família do Paulinho, existem pessoas gordas e muito gordas, sendo ele próprio um homem com sobrepeso toda a vida. Ao contrário da minha, que só tem caneludo.





Como ela era muito nova, meu medo era de que desenvolvesse algum tipo de distúrbio alimentar com o afã de ficar magra. Nessa época, líamos muito um livro da Mariana Caltabiano, chamado Jujubalândia, que trata de distúrbios alimentares de uma forma bem apropriada para crianças. 





Um dia perguntou porque todas as bonecas Barbie eram magras...






Sorry, Barbie. Vc gorda também não é a solução







Quando ela cresceu mais um pouco, começamos a trabalhar a ideia de saúde, que vai muito além que a questão magra x gorda. Existem magras saudáveis, mas existem as que são doentes e não são modelos a serem imitados. Já a gordura sempre vem atrelada a problemas de saúde: colesterol, glicose, triglicérides...





Nunca impus regime, já que pelo acompanhamento que ela faz com a endocrino, ela está numa situação limítrofe, sem nem mesmo estar com sobrepeso. Não é porque não faz regime que pode comer toda e qualquer porcaria, o desafio era ensiná-la a comer e fazer substituições mais saudáveis. Sempre a envolvendo, pra que ela entenda todo o processo.



Fico feliz quando ela opta por frutas entre as refeições e quando sai pra pedalar toda manhã por escolha e não por imposição.





Trabalho a sua autoestima sim, mas nunca fiz apologia à gordura.


Porque isso não é só uma questão de estética, mas de saúde - acima de tudo.









10 comentários:

  1. Pedro, meu do meio, nasceu com esse "problema". A vida inteira terá que controlar seu peso. Alimentação aqui também não é problema. A situação dele só amenizou quando começou a fazer esportes com mais intensidade (atualmente é capoeirista e está com 9 anos). Tinha essa coisa dos colegas também, mas nunca deixei que ele desse muita atenção (talvez facilite por ser menino, sei lá). O importante é frisar a coisa da saúde e não deixá-la se incomodar mais que o necessário com isso.

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  2. Dani, não sei o que dizer pra Bia num momento desse. Na adolescência consegui esticar e emagrecer bastante. Mas só aos 27 anos que fui fazer uma reeducação alimentar e hoje entendo que a salada tem que estar pelo menos no almoço e que as frutas devem estar bem presentes, muito mais que guloseimas. Sophia é muito mais magra que eu... não sei de onde. Sorte aí com a mocinha! bjoss da Dani e Sophia

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  3. Dani é muito difícil essa cultura que a sociedade impõe de que bonito é ser magra, silhueta de "barbie"... Isso sempre me irritou, pois eu emagreci depois de adulta.. A vida inteira convivi com esse negócio de ser gordinha... Acredito, com certeza, que a saúde está em primeiro lugar...
    Beijocas
    Carol

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  4. Nao poderia deixar de comentar, tamanha pertinecia da discussao, na minha opiniao. falta se falar mais, discutir mais, incluir mais o olhar da criança que, sim, sofre com isso. eu tenho esse medinho e rezo e me informo para saber como agir, caso passemos por isso... como eu tenho sobrepeso, marido idem, a gente sabe que pode acontecer... no meu caso, eu sofri demais a vida toda, nao tive apoio familiar na adolescencia e a coisa toda me impediu de curtir momentos unicos na minha vida de criança e jovem. hoje, posso dizer que minha cabeça ja esta melhor, mas ainda tenho meus complexos avassaldores... é duro ser gorda, gordinha, whatever... é duro ser diferente, se sentir diferente. na real, a gente se sente pq nem é bem assim.... Eu acho que se meu filho fizer esse questionamento (se é que ele terá mesmo sobrepeso, lutamos para que nao e desde ja investimos em uma excelente alimentacao), eu acho que primeiramente eu sofrerei, demais. depois... concordo com teu modo de agir e tentarei o mesmo. mesmíssimo. dificil....

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  5. Dani,
    fui e sou gordinha, bebê, criança e adulta. Sempre foi muito difícil, principalmente na época dos namoradinhos, mas minha personalidade nunca me deixou sucumbir, mas é verdade sempre me destaquei (ou trabalhei para me destacar) em outros campos... Fui sempre a mais contestadora, a representante de turma, a animada, a divertida.
    Espero realmente que a Bia consiga superar a maldade das crianças e ser feliz com seu corpo. Se precisar conversar, ou se ela quiser conversar com alguém que já passou por tudo isso, estou à disposição!!!!

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  6. Fui gordinha quando criança e adolescente, mais tinha tantos problemas que o bullyng por conta disso que sofria na escola, era nada diante das coisas que eram piores.
    Sei Dani que vc faz um trabalho fantástico com teus filhos, e que Bia vai tirar isso de letra =)

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  7. Querida ...

    Eu sempre fui A gordinha da turma! Para minha "sorte", havia uma obesa, o que fazia de mim apenas a gordinha!

    Meu problema nunca foi a escola, a sociedade ou as amigas ... mas minha família! Essa sim sempre me chamou de GORDA!

    Pior que não sei o que fazer, eu engordo de pensar na comida e posso passar dias sem comer, nada disso será suficiente para perder 0,001g!

    Acho que ter uma mãe e pai legais, como vocês, já é uma ótima solução. Apenas chamar o filho de gordo, não ajuda, piora!

    Com olhar de filha, queria que minha família tivesse a visão que você tem, com certeza seria bem diferente!

    Parabéns!

    Beijos, Marcella
    monmaternite.com

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  8. Vim te convidar para uma blogagem coletiva muito especial: no dia 30 de maio, sobre o amor! Faz parte da campanha "GASTE TEMPO COM QUEM VOCÊ AMA"! Se der, vai no meu cantinho e confere como é. Participa com a gente??? Bj e fk c Deus.

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  9. Li seu post umas 10 x, e o sobre a escola tb.Acho que uma das coisas mais dificeis da gente,como mãe é ter que ajudar o filho a viver.E isso implica ensinar o certo ,e para isso ele ter que passar pelo errado.Doi ver um filho sofre,porr.. como dói.Da vontade de por numa redoma pra que nada aconteça,que ngm magoe,que ngm faça nada nunca..
    Meu pequeno passa por isso ao contrario.magro demais,sempre o mais magrinho de qualquer lugar.è saudavel,porem é genetico.Sou um palito e ele tb.Fui massacrada na escola a vida inteira com isso e morria de complexo,chorava com vergonha de ir na escola... ele hj não liga,mas eu sim.Chamam ele de td que é nome.Eu não faço alarde,pq ele não liga,e não vou ser eu a por minhoca na cabeça dele..ja que ele n se importa..pelo menos até agora.Mas n sei ate que ponto a vaidade vai começar a aparecer e isso vai doer nele.E só em pensar nisso doi em mim...ele sempre foi o mais bonzinho,o mais legal da escola...e logico que tem garotos que se aproveitam..hj chegou falando que pela segunda vez na semana seu coleguinha "roubou" as figurinhas que ele levou pra mostrar..Como explicar a ele que uma criança de 5 anos não tem principios e como não esquentar o sangue e querer falar: tome de volta!! vai la e se imponha!!
    Maternidade é escola..e as mais dificeis dela..da vontade de por de volta na barriga e mandar o mundo se danar,que nosso filho quer "apenas" ser feliz e pronto.
    Vc está no caminho certo,em ambos os casos.Espero que juntas consigam crescer cada vez mais..ela está no caminho certo!! bj enorme em vcs todos!! ;*

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  10. E não é tarefa fácil fazer as crianças porem em prática a ideia de ter uma alimentação saudável, de serem menos sedentárias, de se mexerem mais...
    Tenho dois enteados que adoooram videogames, é uma "batalha" tentar ajudá-los a melhorar os hábitos sedentários e alimentares. Pelo menos nós damos exemplo, e sei que isso é muito importante para reforçar a ideia, e não ficar só no discurso, no blablablá. E pra eles, tadinhos, tem um agravante: são filhos de pais separados, o que torna tudo mais difícil, mesmo entender qual é o padrão a ser seguido, de qual casa (nos casos em que não há consenso quanto a isso, claro). Não é fácil pra eles (nem pra nós, que queremos vê-lo fazendo o que é melhor pra eles logo). Às vezes eu vou pro chão com eles brincar de Lego, para tentar deixá-los um pouco longe do videogame ou do computador (por que será que eles sempre acham mais divertido quando tem um adulo junto? se ameaço sair da brincadeira eles também querem desistir).
    É preciso isso mesmo, exemplo, diálogo e muita calma, para não tornar esse processo de cuidado nosso uma chatice para eles, desmotivando-os.

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