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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Uma prática antiga com ares de novidade




Lembro da primeira vez que usei o meu em público.





Estava radiante e o filhote acomodado sorria sem parar movendo suas mãozinhas inquietas. O trajeto nem era tão curto, nem tão longo. Atraímos olhares. Continuei com a segurança inabalável. Até que chegamos ao nosso destino: o mercadinho do bairro. Escolhendo umas frutas, havia ali uma senhorinha que me lançou um olhar amargo, seco. Nem liguei. Até que ela chega perto e cutuca as perninhas do meu filho, com seu dedo enrugado dizendo que eu era louca por carregar meu fiho naquela posição, todo dobradinho dentro de um saco.





Fiquei completamente sem reação e Otto parecia não se importar. Continuava feliz e babando o saco que o envolvia.





Fomos ao caixa e enquanto usava minhas mãos pra pegar o dinheiro, uma outra pessoa levou as mãos à cabeça, como se o bebê, o meu bebê estivesse num risco de queda iminente. A tranquilizei e disse que era seguro, só pra ouvir um sorriso sarcástico seguido de uma piadinha: ah, essas meninas cheias de moda são tão irresponsáveis.





Gostaria muito de ter voltado pra casa com a mesma confiança com a qual saí. Mas não. Voltei segurando o choro, sentindo a boca entortando ligeiramente pra baixo. Já o bebê, bem....continuava alheio imerso na sua felicidade ou seja, sua própria baba, como é da natureza de todos os bebês.



Um acessório: sling.

Um verbo: slingar.





Qual a causa de tanto estranhamento? - me pergunto.





Sim, porque tudo causa um certo espanto, um desconforto. Falemos de parto, amamentação ou criação com apego. Se olharmos um pouco para o nosso passado histórico recente, podemos imaginar a origem dessa repulsa, dessa rejeição. Não dá pra exigir muito de uma sociedade que foi acostumada a delegar a criação dos filhos, a mucamas negras. As sinhazinhas nem mesmo amamentavam seus filhos, pois pra isso, existiam as amas de leite, que desempenhavam a função de mãe substituta, para que elas pudessem usar seu tempo livre para vivenciar o cotidiano na corte.



Será que essas práticas também não eram rechaçadas de forma inconsciente justamente por ser um hábito reconhecido como de negros/índios?







sling, mulheres pelo mundo, criação com apego, prática antiga, dr. sears








Só algum tempo depois que as mulheres foram incentivadas a abandonar esses hábitos e encorajadas por médicos higienistas a amamentar os próprios filhos. O estímulo era feito à custa de medo e culpa.  Isso ainda nos parece tão atual!














"A prática de carregar o bebê junto ao corpo tem raízes bem antigas. Em diversas culturas da África, da Ásia e da América, é comum transportar os bebês junto ao corpo, usando para isso vários tipos de "faixas." Instintivamente, essas mães procuram fortalecer a conexão com seus bebês, criando uma espécie de "barriga de transição", exatamente como a que os cangurus e outros marsupiais possuem." (via)














O sling tal como conhecemos hoje, foi criado por um pai (!) no Havaí, em 1981.



Pra vc continua sendo moda ou apenas um resgate de uma antiga prática?





{imagens: pinterest}










17 comentários:

  1. coisa mais linda, né, Dani? E olha! Incrível como ainda tem gente que nunca viu ou ouviu falar. beijo querida. Boa semana.

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  2. Lindo! Carrego Sofia ate hoje. Adoro... pra dizer a verdade, deve ser coisa la de Fortaleza. Ninguem usa carrinho de bebe, ne? Eu nunca vejo, eh bem raro. Todo mundo carrega os filhos nos bracos.

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  3. Acho super prático, lindo, charmoso, amoroso, cuidadoso... o sling é o melhor carrinho modelo-mãe que existe no mercado. AMO! Eu uso MUITO!

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  4. Dani adorei... Acho que as "novas" gerações estão resgatando o BOM do antigo... Muitas pessoas nem param para pensar que nossas avós pariram em casa, levavam os filhos a tiracolo, e amamentavam quando a criança "queria"... Acho ótimo podermos viver o que é de mais proveitoso culturalmente falando...
    Adorei seu texto... Mas me entristeci com suas lágrimas... Não ligue para o que os outros falam.. Dane-se quem não soube amar os filhos da melhor maneira... Azar é todo delas...
    Quanto ao sling, eu não tive por não encontrar um que gostasse, mas dessa gravidez comprarei com certeza, afinal tenho dois braços e dois bebes. Como faz???

    Beijocas
    Carol

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  5. Adorei o post: esclarecedor, sensato e cheio de emoção.
    Há 9 anos, quando tive Caio, não se falava muito em sling (eu, pelo menos, nem conhecia direito).
    Gostaria muito de ter podido usá-lo. Fica pra próxima (vida? rs).

    Beijos!!!

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  6. Adorei o post... Sempre acontece algo parecido comigo na rua, quando saio com Cecília no sling, e Elena pela mão... Alguns me param na rua, ou seja onde eu estiver, falam coisas bacanas, outros olham com desprezo e ar de reprovação... por enquanto, ninguém veio falar nada negativo, mas... muitas vezes, nem precisa falar, só a forma como olham, já diz tudo... e eu continuo na minha... Ótimo post, vou compartilhar, para que mais pessoas, possam ler!
    beijos

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  7. Dani,

    Dei uma entrevista para a Revista Pais e Filhos justamente falando de sling, carrinho e canguru e seus usos. Vai sair na edição de agosto.

    Eu usei muito o sling e adorava. Agora que tenho mais "prática", digamos assim, pretendo usar mais ainda. Pq no início com o Vítor demorou um pouquinho para pegar o jeito, saber acomodar melhor o bebê e me sentir confortável com o sling. Mas sim, tbm enfrentei alguns olhares estranhos. O segredo que a gente aprende com o tempo: não dar bola!

    Cheguei a ouvir que eu estava prejudicando a coluna do meu bebê, acredita?

    Beijos, Ananda.

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  8. Olá Dani! Amei o post. Mas ó, o sling também é "típico" da Europa, se você for no meu site www.casulinho.com.br verá várias imagens de bebês russos, espanhóis, escoceses, portugueses, suecos... Coisa de camponesas, trabalhadoras, de quem precisa ter as mãos livres enquanto cuida dos filhos.

    Na verdade eu vejo como se a industrialização/capitalismo tivessem de alguma maneira relegado essa prática ao desuso, criando "novas tecnologias" pro lugar dela. Aqueles bercinhos vibratórios que imitam o acalanto vão bem nessa linha, não?

    Beijos e voltarei por aqui, gostei muito de sua página.

    Mariana

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  9. Ai Dani, seus posts são sempre lindos e cheios de emoção, vc escreve de forma encantadora!

    Olha, vou lhe confessar uma coisa e pode até parecer besteira: uma das coisas que mais sinto não ter feito com as crianças foi ter usado sling. Com Carol eu nunca tinha ouvido falar. Na época de Alice,já sabia o que era mas não liguei pra usar, sei lá, não me esforcei pra conhecer melhor, aprender. E com João, quando me dei conta, já tinha passado muito tempo e assim desisti.

    Se pudesse voltar no tempo, ou tivesse outro filho, certamente usaria muuuuuiittooo!!! Tem coisa melhor do que filho grudadinho na gente??? E o calor,a energia e o amor que vem junto??? Delícia!

    bjo enorme!!!!!!!!!!

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  10. Que post interessante!!!
    Nossa, como tem gente inconveniente, fico abismada!! Até comentei isso no meu penúltimo post!!!

    Olha, eu sempre tive AFLIÇÃO de ver alguém com sling porque realmente parece que o bebê vai cair!!!
    Fui atrás, me informei, UM MONTE DE GENTE usa e diz que é ótimo. Resultado: quero comprar um!!!

    Cada um tem direito a uma opinião mas não a julgar sem conhecer.
    Vendo agora e lendo a respeito, o sling me passa uma imagem de segurança e aconchego!!!
    Não vejo a hora de comprar um.
    Amei seu post. Muito bom mesmo!

    Beijos!!!

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  11. Que post interessante!!!
    Nossa, como tem gente inconveniente, fico abismada!! Até comentei isso no meu penúltimo post!!!

    Olha, eu sempre tive AFLIÇÃO de ver alguém com sling porque realmente parece que o bebê vai cair!!!
    Fui atrás, me informei, UM MONTE DE GENTE usa e diz que é ótimo. Resultado: quero comprar um!!!

    Cada um tem direito a uma opinião mas não a julgar sem conhecer.
    Vendo agora e lendo a respeito, o sling me passa uma imagem de segurança e aconchego!!!
    Não vejo a hora de comprar um.
    Amei seu post. Muito bom mesmo!

    Beijos!!!

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  12. Como outras colegas já disseram eu sinto muito por não ter usado com o Felipe, na época eu não conhecia essa prática e sinto que perdi muito com isso. Perdi pq sinto que as coisas seriam bem mais fáceis se eu tivesse usado. O Felipe era um bebê chorão que não gostava de desgrudar de mim para nada, com certeza isso ajudaria muito nessa transição da barriga e para fora dela. Sem contar que eu ia conseguir fazer meia duzia de coisas a mais tendo as mãos um pouco mais livres. Torço realmente para que as mães de hoje em dia conheçam o sling e se proponham a quebrar preconceitos e experimentá-lo. Ótimo texto. Obrigada

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  13. Eu sempre achei lindo, e sempre achei ridicula essa mania de pessoas se meterem na vida das outras. A pessoa que mais se preocupa com o bem estar do nosso filho é a gnt mesma,oras..na epoca do Enzo eu bem que quis,não achei na cidade onde moro,e ganhei um canguru..o mais perto de um sling que achamos por aqui..O Enzo não curtiu muito,pois já era maiorzinho...e as pessoas ficam olhando mesmo...Se eu tivesse um bebezinho com certeza tentaria usar!! Bjs e boa quinta!

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  14. Com o Gui eu não tive coragem de comprar o Sling porque tinha medo dele "desatar", soltar e o menino cair... mas comprei um canguru e andei com ele "acoplado" em mim até não caber mais no negócio...
    Com a Ciça eu comprei um sling quando fomos pra Buenos Aires e sabia que teria que andar bastante, me arrependi de não ter comprado antes, teria ajudado muito o inicio da vida com dois filhos!!
    Mas é verdade, sempre recebi esses olhares de reprovação, de desconfiança e estranhamento... Sempre me senti um ET usando os dois artefatos, mas sem dúvida nenhuma foram os melhores carregadores de meninos que eu já utilizei!!!!

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  15. Dani, eu tenho sangue no olho e a resposta na ponta da lígua pra gente mal educada como esta senhorinha do comentário infeliz. Não usei o sling por falta de conhecimento, mas após conhecer dei de presente para minha sobrinha que agora está com 11 meses, a mãe adorou ficar com as mãos livres e ao mesmo tempo com a bebê dela agarradinha.

    bjos!

    Priscila - maededudu.blogspot.com

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  16. Amei Dani! O texto, a conclusão de que a repulsa se deve a uma repulsa a tudo o que for negro ou indígena, a comparação com os marsupiais e a primeira foto! Que me deixou boba! Lindo, lindo, lindo. A mãe, tão jovem e tão bela, o bebê ainda abocanhando o peito, os trapos amarrados... fiquei boba!

    Eu tenho um sling que usei uma vez apenas. Fiquei com medo de ela cair! Mas ela era muito novinha ainda. Talvez se eu tivesse insistido. Optei pelo cangurú que atraía tantos olhares quanto e que eu adorava usar. Agora a Isabel já caminha e é muito pesada para o canguru, mas sempre que pode tá no colo, rs!

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  17. Ai Dani, cansei de ouvir que a Isis ia ter problemas na coluna por estar ali dentro no sling.... fala sério!!!
    Deixei falar, usei um tantão e hj em dia Isis brinca de slingar as bonecas rsrsrs

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