Sempre achei curioso quem tem o costume de guardar objetos por toda uma vida. O primeiro vestidinho, a roupa do batizado, as roupas das apresentações da escola, do ballet, enfim...nunca tive apego por objetos. A importância dessas pequenas coisas, eu guardava aqui dentro e não no fundo de um armário. Assim evitava que amarelassem.
Pra não dizer que nunca guardei nada, tinha o costume de guardar dentro de uma caixa todos os cartões, todas as cartinhas que ganhava das amigas e dos familiares. Era minha caixinha de tesouros. Tenho tudo guardado até hoje e sempre que bate a saudade, eu revivo um tempo que foi muito especial pra mim.
Quando a Bia aprendeu a escrever, pensei em montar uma caixinha pra nós duas. Pra que ali guardássemos todos os nossos pequenos segredos, todos os pequenos problemas e todas as declarações de amor que pudéssemos fazer uma para outra. Usando dos mesmos artifícios da época de escola: letras de música e poesias pra documentar esse amor, essa relação.
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O tempo passou e nunca concretizei esse projeto. Nem lembro se externei pra alguém minha pretensão. (faço muito isso, pra evitar cobranças) A parte boa é que essa troca já está acontecendo e por iniciativa dela.
Era uma satisfação para a recém-alfabetizada espalhar recadinhos pra nós, por todos os lugares. Os mais inusitados, inclusive. Certa vez, havia um recadinho surpresa, no rolo de papel higiênico!!! Nós os recebíamos e só. Não havia resposta escrita. Por que não, oras...?
Tudo mudou quando a pedido, lhe criei uma conta de e-mail. Desde então, estamos constantemente nos correspondendo. Mesmo que eu esteja numa ponta do sofá e ela na outra.
Hoje recebi um e-mail triste, por conta de uma pequena discussão que tivemos na hora do almoço. Nele, exercitando sua assertividade, me mostrou o seu ponto de vista de que não estava sendo justa, apenas exercendo a minha autoridade de mãe, sem contemplar o seu lado na história.
Engraçado...pois só percebi o erro horas depois, justamente ao ler suas palavras tão cheias de maturidade pra pouca idade. Fiquei envergonhada! - confesso.
A abracei num pedido sincero de desculpas e, mesmo assim, escrevi outra cartinha. Essa troca nos permite falar sobre tudo, sem incorrermos no erro do deixa-pra-lá, de deixar coisas subentendidas. Falamos melhor dos nossos sentimentos escrevendo, é ou não é? A palavra falada ou escrita ainda é a melhor solução para os conflitos. É o poder do diálogo.
Era esse o objetivo da caixinha-não-concretizada: estreitar nosso vínculo, fortalecendo-o - estabelecer uma comunicação que deve permanecer por toda a nossa vida.
Porque a maternidade, é via de mão dupla.
Fiquei me perguntando se não seria melhor ter as cartas guardadas numa caixa...
Pensando bem, melhor do que guardar papel, é guardar aqui dentro, onde tudo se mantém vivo, sem amarelar.

Dani minha mãe é dessas que guarda tudo e eu acho que vou ser igual. Ela tem meu primeiro livro, as cartinhas da escola... E eu acho que com o passar do tempo a memória apaga e é tão gostoso poder reler e reviver esses momentos... Eu adoro...
ResponderExcluirMas acho importante mesmo é guardar os bons momentos e os bons sentimentos....
Bjossssss
Carol
Nossa Dani, que idéia legal, adorei, acho que vou fazer isso com os meninos quando estiverem alfabetizados.
ResponderExcluirBjos
Ana
Sabe que isso acontece comigo e minha mãe...
ResponderExcluirEla mora a 6 quadras da minha casa, mas nos vemos mais nos fins de semana, já que ela trabalha o dia inteiro e eu sou dona de casa (hahahaha já começa aí as inversões, ela começou a trabalhar no mesmo mês que acabou minha licença maternidade),e muitas vezes quando vou na casa dela ficamos num silêncio quase constrangedor, mas pelo facebook e msn passamos horas conversando sobre os mais diversos assuntos e problemas! Muito engraçado isso!!!! E quando quero resgato um diálogo da caixa de mensagens!!!!
Parabéns pela família linda!!!
Eu tenho o costume de escrever em cartas pro meu marido qd estou brava, assim evito falar besteira e arrumar confusão a toa, ou que saia palavras da minha boca que depois sei que vou me arrepender,então depois de cabeça fria escrevo o que não gostei e ele sempre responde por cartinhas tbm, acho ótimo esse "diálogo" pois colocamos nossos pontos de vista sem gerar brigas desnecessárias, claro que as vezes rola, mas as cartinhas me salvam muito de ter que pedir perdão por algo que falei no calor da discussão.
ResponderExcluirbjs
Que delícia essa troca que vc tem com sua filha! Meus meninos por serem meninos não são tão adeptos a mostrarem o que sentem, muito menos escrever assim, detalhes do que pensam. Uma pena!
ResponderExcluirMas tento fazer essa via de mão dupla com diálogo. Nunca deixo de pedir desculpas quando erro e sempre peso se realmente estou sendo coerente quando entro numa discussão com ambos!
Bjs
Belo texto!
Ai Dani, que coisa mais linda. Eu fico louca pro Pedro aprender a escrever, pois talvez seja essa a única troca que teremos. É a possibilidade única que consigo enxergar. E espero que ela se concretize. Aliás, um dia a minha ex-cunhada escreveu "oi mãe" no Facebook, dizendo que o Pedro havia pedido. E eu chorei. Porque sou dessas, sabe? Choronas, mesmo, e com esse teu post não foi diferente... rs.
ResponderExcluirDani, amiga, você é luz!!! Escreve tão bem que nos leva pro cenário dos textos...às vezes sinto-me dentro das suas histórias...parabéns pelo dom da escrita!!! beijos
ResponderExcluirQue lindo, Dani. Gosto tanto de trocar cartas... e nunca tinha pensado em trocá-las com meus filhos, veja só. Obrigada por me abrir uma porta! ;)
ResponderExcluirBeijo!
acho que a minha esta indo pelo mesmo caminho, lindo post.
ResponderExcluirOlá Dani!
ResponderExcluirAdorei seu depoimento e achei prático seu modo de dialogar e expressar os sentimentos entre vc e sua filha,vou tentar fazer assim com as minhas filhas,talvez seja mais fácil escrever ao invés de falar...
bjs!!!
Que lindo, Dani. Também sou adepta do escrever pra expressar melhor sentimentos, além de ser uma maneira bonita de guardar lembranças. Tenho certeza que mesmo em forma de emails, sem papel, essas lembranças de diálogo entre vcs duas vão ficar guardadas com muito carinho no coração da sua filha.
ResponderExcluirBjos
Dani, aqui trocamos bilhetinhos e o que vale mesmo é a gente conseguir expressar o que sentimos e tabém ouvir o outro, seja de que forma for.
ResponderExcluirAcho linda a forma como constrói a relação com seus filhos, com sinceridade e respeito. Muito bacana mesmo.
"Era esse o objetivo da caixinha-não-concretizada: estreitar nosso vínculo, fortalecendo-o - estabelecer uma comunicação que deve permanecer por toda a nossa vida".
ResponderExcluirDani, sua querida, sempre favorecendo que façamos grandes reflexões sobre o ser mãe, a relação com os filhos.
Que ótima idéia e também sou da opinião que na maioria das vezes "falamos", expressamos melhor o que estamos pensando, sentindo através da escrita. A tendência com isso é estreitar ainda mais os laços.
Linda vocês duas! Que assim continue...
Agora, me conta dessa imagem. Linda! Linda! Vou dar uma espiada de onde você tirou...
Beijos
Que lindo,Dani..a maternidade nos surpreende e fascina sempre...é uma escola pra vida...
ResponderExcluirBjs e uma excelente semana pra vcs!! :)
Lindo, Dani! E como eles vão nos ensinando a cada dia!!
ResponderExcluirAqui tenho guardados desenhos e cartinhas, inúmeras... e tem poema escrito no meu diário!Tem cartão de natal, de aniversário, dia das mães e por aí vai... Guardo a roupinha do batizado e de saída da maternidade!!! Coisas que aquecem o coração, mas amarelam realmente!!
Que vcs continuem assim, mais próximas que nunca!
A Su tbém fazia isso logo que abri o hotmail pra ela, recadinhos sempre!! Agora nem liga pra mim no FB, kkkkkk!!!
Bjs, amiga!
Que demais hein!! Adorei!
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