Dias e dias tendo o mesmo sonho.
Eram sonhos pesados, desses que não vão embora com simples despertar, mas que te acompanham por todo o dia. Tão nítidos que nos fazem relembrar as mínimas nuances, como se de fato pudesse ter vivido tudo aquilo enquanto meu corpo descansava.
Sonhava com meus partos. Exatamente da forma como aconteceram. Não os estava fantasiando, por isso acordava tão cansada. Depois de tudo, naquele momento em que nos rendemos a maravilha do nascimento, minhas mãos esticadas para receber o filho tão esperado em troca recebia olhares vazios, de comiseração...não recebia nada. E em meio aquela angústia, acordava. Por que não os via?
Dia após dia o mesmo sonho.
Estava angustiada, nervosa e completamente dispersa. Não sabia por que. Também não conseguia chorar. Pensei ser mais uma das minhas TPMs.
Nas páginas finais do livro de cabeceira, tive um insight.
Lembrei com detalhes do dia em que estávamos saindo pra mais uma viagem: minha avó, meu avô, um primo e eu. Era madrugada alta e ela segurava uma papoula nas mãos. A lua tava cheia. Ela cheirou, olhou pra mim e disse que quando era menina, pensou ser poetisa. Não deu. Daí ela passou um tempo calada enquanto o vovô gritava de dentro do carro "fecha o portããããooo" e disse antes de fechar a casa: mas ainda quero ser como essa flor.
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Nessa hora, entendi o porquê dos sonhos. Entendi o motivo de tanta angústia...e consegui chorar. Não adianta fugir do inconsciente.
Não recebia o filho nos braços mesmo tendo passado por todo o trabalho de parto, porque a esse, simplesmente não pude dar à luz. Completaria 2 anos em outubro.
Vovó se foi em setembro, em plena primavera.
Virou flor.

aiiiii q aperto que deu....
ResponderExcluirNossa, amiga!! Os sonhos são manifestações do inconsciente, que bom que vc conseguiu decifrar... Reli o final umas duas vezes... forte! Beijos!!! Saudades!!!
ResponderExcluirO serzinho danado este nosso inconsciente... Me emocionei com seu post! Destas coisas q a gente escreve com a alma: lindo!
ResponderExcluirUau!
ResponderExcluirEstou sem palavras... com aquele nó na garganta!
Ai, me emocionei aqui, não sei se por causa da dor que você demonstrou ter sentido, me coloquei no seu lugar. Vivo coisas do tipo também, sonho coisas loucas sem saber o que é e do nada me pego entendendo de onde vem aquele sonho...muito linda sua forma de descrever tudo isso!!!
ResponderExcluirVanessa Figueiredo
http://vanessinhafigueiredo.com
Cultiva-a e nunca morrerá...
ResponderExcluirChorei!!!
Bjos
Carol
Lindo Dani, lindo! Sua avó orgulharia-se, creia!
ResponderExcluirAin Dani...me veio toda aquelas lembranças boas...das viagens em janeiro e mês de julho...Você sempre usando as palavras certas, fazendo com quem não viveu esse momento, sinta a maravilha que foi. Adoro seus textos da vovó, principalmente os que remetem o quão sonhadora era. beijos!
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