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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ele não corresponde às minhas expectativas - ops! derrapei na maternidade


viagem em família, aceitação, birra, papo de mãe, expectativas de mãe, respeito a infância








Quando não temos filhos, imaginamos como a vida seria se os tivéssemos. Com quem seriam parecidos, de quem herdariam as qualidades e muito otimistas, os imaginamos sem defeitos. Imaginamos também, que tipo de pais seríamos: severos, permissivos, parceiros e diante de uma lista infinita, não vislumbramos nem de longe o desafio que é encarar de frente, a maternidade/paternidade.





É a ideia errônea de que ter filhos é como estar diante de um painel de controle, onde podemos escolher tudo da forma mais conveniente.





O meu medo era projetar nos meus filhos os sonhos inacabados da minha vida. Nunca imaginei filho médico, filha juíza, delegada, falando esperanto, escrevendo em latim. Sempre disse que não queria criar "vencedores", desses meninos prodígio que aos seis anos sabem se comunicar em cinco línguas diferentes. Penso assim, talvez por não levar em conta, que projeto neles o meu desejo mais secreto: o de querer que eles sejam felizes e seguros de si, justamente por não ter tido autoconfiança. 





Sempre fui uma entusiasta das diferenças que conseguia estabelecer entre a minha personalidade e a personalidade dos meus filhos. Simplesmente, por achar que a reprovação paterna, tira muito do viço e da espontaneidade que é só deles. Reprovamos o diferente. Reprovamos aquilo que incomoda.





Vibro com a habilidade manual da Bia e da forma como ela tenta aprimorá-la, de como fica feliz escrevendo suas poesias e de como é perseverante ao não desistir de praticar esporte, mesmo dizendo que não leva o menor jeito pra coisa; vibro com o jeito desconcertantemente feliz com que o Otto encara a vida, da maneira honesta e limpa com que fala dos seus sentimentos, de como questiona tudo aquilo que é incoerente.





Mesmo não querendo criar filhos dentro de uma caixa, mesmo sem querer robotizar a espontaneidade inerente às crianças, eu cansei





Otto está prestes a fazer cinco anos. Deixou de ser bebezinho há tempos, mas ainda assim tem uns rompantes típicos de quem não sabe falar, finge que não existem combinados, pior, na hora do pega pra capar, finge que é surdo. 





Há tempos, ele me dá uma canseira na hora de sair da escola. Tento driblar a infelicidade do retorno para casa com uma esticada no parquinho, até porque sempre temos que esperar pela Bia, que sai um pouco mais tarde. O tempo é sempre pouco, não o satisfaz nunca. Sempre vem chorando, mas considero esse choro normal, tamanha a frustração dele! Nutri a ilusão de que esse ano, nossos combinados seriam levados a sério e que não teria mais que sair de lá, segurando mochila e moleque insatisfeito, que chora e tenta se jogar ao chão. Afinal, ele não é mais bebê, como mencionei. Já vai fazer cinco anos!!!





A verdade é que o choramingo continua, a dissimulação quando me vê também. Ele sempre finge que não estou ali e principalmente, que não me escuta. Tirei o privilégio do parquinho e passei a reforçar os combinados em casa, explicando ad infinitum...





Até que na semana passada, ele descumpriu mais uma vez o nosso combinado. E eu descumpri o combinado com a maternidade afetuosa. E gritei. E gritei muito. Exigia dele respostas (!!!) para esse comportamento tão...tão...tão infantil!





No que ele me responde chorando e também aos berros: "MAS MAMAIN, EU SOU SÓ UMA CRIANCINHA. APENAS ISSO, MAMAIN. Vc me desculpa? Você me des-cul-pa, mamain?"





Daí, quando vi aquela carinha linda tão assustada, articulando sua própria defesa, a minha ficha caiu. Fiquei tão envergonhada....nos abraçamos. Aceitei suas desculpas e ele aceitou as minhas.





Então, hoje li um texto muito bacana, no MMqD que fala sobre a habilidade nata que as crianças têm de ser felizes e de como os pais acabam por sufocar essa capacidade.





Só sufocaremos essa propensão infantil à felicidade se confundirmos exercício da função parental com permissividade. Só sufocaremos, se insistirmos naquela velha educação robotizada, mecanicamente amadurecida. 





Aprendi que não é justo exigir do Otto a maturidade que ainda não tem, mas sei que posso afetuosamente lhe indicar os limites - mesmo que repetindo-os à exaustão





Educar com amor, não é ser condescendente. Educar com amor, é nortear - sendo referência, dando orientação, é assumir uma responsabilidade.





E eu que achava que a maternidade perderia a graça à medida que os filhos fossem envelhecendo. Tsc, tsc.













13 comentários:

  1. Eu sou você ontem.... e tinha esperanças de que amanhã seria mais fácil... como diz minha filha, com seus três anos: "si finei" kkkkkk

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  2. Oi, Dani!! Sempre estou por aqui e no FB, mas nunca comento... Aquelas coisas que a gente gostaria que fizessem conosco mas não fazemos com os outros, sabe?

    Mas não resisti ao ler seu post - assim, no meio de uma segunda-feira. Porque isso já aconteceu - e acontece ainda - muitas vezes comigo... De ficar "brava" porque meu pequeno (que também tem 4 anos)quer apostar mais uma corridinha da cozinha até o quarto dele na hora de dormir, ou só mais uma montadinha de Lego antes de por o uniforme...

    A gente esquece que as crianças não sabem o peso que os ponteiros do relógio podem ter nos nossos ombros, se dermos esse poder para eles. E, o pior, a gente esquece mesmo de como é bom se sentir assim. De vez em quando eu lembro, lendo textos como o seu, e tento segurar esse sentimento comigo o máximo de tempo possível...

    Ainda bem que pessoas como você não cansam de nos ajudar a lembrar, pelo menos. Obrigada pelo excelente texto!

    Abraços
    Cris

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  3. Ola, que tal uma musica personalizada com o nome do seu Bebê?

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  4. Dani,
    Meu filho acabou de completar 2 anos, ta aquela fase que em um minuto faz uma gracinha tão fofa que dá vontade de morrer de amor e no outro segundo faz uma birra que da vontade de morrer de raiva, vergonha tudo junto.
    E tenho me pegando pensando o quanto é muito mais difícil educar uma criança do que acordar de hora em hora com um RN.
    Sou super favorável a maternidade com carinho, mas muitas vezes tenho medo de que toda essa compreensão acabe tendo efeito contrario e eu acabe sendo permissiva. É difícil sabe?
    OBS: adoro seus textos!

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  5. Dani, aqui em casa tb tenho a mesma questão: educar com amor, com respeito, mas ensinar tb a respeitar. E é difícil demais! Muito mais que cuidar de RN, como bem disse a Juliani!
    Beijos!
    Nine

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  6. Muito bom, Dani. Adorei te ler: porque o texto é òtimo, mas sobretudo pela sinceridade. Eu diria que o nìvel de complexidade e abstraçao da coisa cresce proporcionalmente aos anos, e o desafio do respeito ao outro continua. Tenho 3 meninas, a mais nova com 13 e a mais velha com 20. Sempre me achei uma maezona: dedicada, carinhosa. Mas, o tempo passa, e a gente acaba percebendo que é sò mais um ser humano (que, como qualquer, somos "perfeitos" porque nao poderìamos ser diferentes naquele instante, mas sempre imperfeitos, pois em eterno aprendizado...). Saber parar pra pensar e reconhecer acertos e erros ja é um grande passo. bj, boa sorte, Adriana

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  7. Dani..
    Poxa que texto perfeito. Fico tranquila em saber que estamos no mesmo barco.. adoro seus textos! Mais uma vez parabéns!!
    Nanda

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  8. Educar deve ser uma missão complexa.

    Como não tenho filhos, me inspiro nos professores e os universitários, que já lida com gente grande, mas muitas vezes sem a menor estrutura psicológica para assimilar as coisas.

    Seu filho está desenvolvendo a personalidade ainda. Vejo essas fases da criança como bem decisivas na vida de cada um, pois é aí que ele constroi a estrutura psíquica dele.

    Claro que as vezes deve dar vontade de gritar, bater, mas sei que esses comportamentos só o leverão a uma terapia no futuro. Nem todos, mas a maioria.

    O problema é que hoje as pessoas apenas tem filhos. Não educam. Se você viu a reportagem das empregadas domésticas de domingo no fantástico, você pode perceber que TODAS as crianças estão no colo das babás. Me desculpa, mas isso não é ser mãe na minha concepção. Fazer filho é mole, mas educar são outos 500.

    As próprias escolas tratam de enquadrar as crianças para elas serem bem quietas e não encherem o saco. Que escola que gosta de criança questionadora? Esse tipo de criança dá trabalho.

    Quando criança você precisa ser quieto e obedecer. Quando adulto precisa ser questionador e proativo. Só me explica como que consegue se você nunca foi estimulado a isso né.

    Admiro a forma como educar seus filhos. Isso é para poucos hoje.

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  9. Olha Dani, tendo um bebê de 5 meses recém feitos e uma criança de 3 anos em casa, assino embaixo: é muito, muito, muito mais difícil educar a criança que o trabalho praticamente braçal que é cuidar de um bebê. Já desconfiava disso mas agora podendo comparar em tempo real, tenho absoluta certeza. Minha maior dificuldade aqui em casa é parecida com a sua, tenho muito medo de confundir permissividade com respeito ao tempo da criança. Mas acho que impor regras faz parte da nossa obrigação de pais e mães. As estratégias pra fazer com que sejam respeitadas podem variar, normalmente o combinado é o que funciona, mas temos sim que fazê-los entender que há coisas que não podem ser negociadas, disciplina é importante para prepará-los para a vida. Agora, como mediar isso respeitando a espontaneidade e o tempo deles, eis a questão...

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  10. Nossa Dani penso exatamente como vc. Minhas expectativas são exatamente as mesmas que as suas. Acho que pelo memso motivo tbém.
    Mas, confesso que tenho tanto medo de reproduzir no meu pequeno as falhas e faltas que cometeram comigo. De cometer excessos. Robotizar. Mas, ao mesmo tempo tenho medo de não colocar limites, não educar. Acho tão dificil encontrar a medida certa. bjos

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  11. Perfeito Dani. Eu também tenho falhado nesse mesmo aspecto: às vezes canso e grito, até me lembrar que meu pequeno é só uma criança. O repetir à exaustão é massacrante, mas tenho certeza (quer dizer, assim espero!) que nos dará bons resultados. E, mesmo com falhas, prefiro a maternidade assim do que a permissividade, a passividade, ou pior, a indiferença!
    bjos

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  12. Dani, pensei até hoje sobre o seu post! Não conseguia fechar na minha cabeça a minha opinião!

    Minha filha está com 3 anos e faz tudo isso aí que você falou, eu penso muito como você, não quero rotular (como eu fui rotulada), porque adjetivos de mãe e pai marcam de uma maneira intensa. Também não quero exigir mais do que uma criança é capaz de dar.

    Por outro lado, quero que ela entenda que eu sou capaz de amar e "aguentar" a intransigência dela, a teimosia, as birras, etc, MAS o mundo não será assim. Essa, pra mim, é a questão principal.

    Não sei dizer com quantos anos uma criança deve passar a entender que precisa se adequar, que não adianta fazer um show quando se sentir contrariada, que é desagradável conviver com alguém assim. Acho que nós, os pais, somos o termômetro do mundo, já conversei muito com o pediatra da minha filha sobre isso e ele é enfático: "o limite dela é quando encher o seu saco".

    A questão calou tão fundo em mim que eu vou procurar a psicóloga da escola pra conversar, além de consultar amigas psicólogas!

    Será que nós devemos entender que eles são pequenos, ou devemos ser firmes em exigir que eles parem com esse comportamento?

    Fico admirada com a sua paciência, porque no seu lugar eu não aguentaria um mês sequer de birra pra sair da escola! Acho que eu sou brava, sinceramente falando!

    Obrigada por dividir conosco as suas experiências! Refletir é sempre fundamental!

    Um beijo!

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  13. Dani, me emocionei com seu post, de lacrimejar olhos, me vi e olha que meu filho acabou de completar 2 anos! Essa semana mesmo gritei com ele, como nunca o tinha feito, ele levou um susto e chorou mais ainda do que ele estava chorando, no impulso o agarrei e chorei com ele... Manter o controle é um exercício e um hábito, qnt mais tentarmos mais conseguiremos, mas não somos de ferro né! De fato a maternidade nos surpreende e levo comigo três palavrinhas depois que Ju nasceu. Amor, paciência e persistência, acredito que o educar se baseia nelas! Beijos Pri
    http://www.roteirobabycampinas.com.br

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