Acabava de me despedir da sua irmã que ia à escola, quando me entreguei de corpo e alma para te receber. Andei em círculos. Andei com as mãos na barriga. Chorava e sorria. Sabia que vc estava pronto. E queria que vc soubesse como eu ansiava por te ver. Parece até que foi ontem.
No hospital, de mãos dadas com teu pai, andei mais um bocado. Segundo ele, demos duas voltas ao mundo! Preferia o silêncio dos passos no corredor comprido a cortar a ligação que estabelecera contigo que se posicionava para o nascimento. Falava com teu pai através do olhar. Nos dizíamos tanto.
Imaginei mil coisas para o momento do expulsivo, mas estava indo tudo tão bem, vc saiu tão rápido que só me restou sorrir. Verdade que sorri chorando, mas ver vc saindo, nascendo foi um dos momentos mais lindos da minha vida. Mais uma vez, procurei teu pai com os olhos e nessa hora, parecíamos dizer a mesma coisa. Falávamos lágrima. E quando te olhei pela primeira vez e senti teu cheiro, era como se nós já nos conhecêssemos de muito tempo.
Parece até que foi ontem, que posicionei tua boca sedenta no meu peito, e me deslumbrava vendo tua habilidade em se aconchegar no meu colo, enquanto suava aquele suor da satisfação da mamada - dormindo e acordando. Nem bem pisquei e vc já estava virando de um lado para o outro da cama, sorrindo um sorriso cheio de dentes. Sobre nós, o tempo. Foi lindo te descobrir, te conhecer, acalmar teu choro sentido naquelas madrugadas frias, acalmar o coração sentindo o teu cheiro, saber o verdadeiro significado do plural ao ver vc brincando com sua irmã. Incrível ouvir tua gargalhada, ver vc arriscando seus primeiros passos - sempre tão seguro, tão impetuoso! Mais incrível ainda foi ouvir tua voz ao pronunciar a primeira palavra. Como é linda tua voz! Como é lindo te ouvir falar!
Sobre o tempo, com cuidado, com afeto e com muita intimidade construímos um vínculo, construímos quem somos hoje. Verdade que eu costumava fazer projeções sobre ele. Ao te ver pequenininho, passava a imaginar como vc seria aos cinco, aos dez, aos quinze. Parece que foi ontem. Mas nem nos meus melhores sonhos, te vi assim, como vc é hoje: tão cheio de vida, trazendo nos olhos o brilho do encantamento. Tudo tão genuíno.
Tudo o que é bom parece passar muito rápido e foi assim que se passaram todos os momentos. Os bons e os necessários, como as noites insones. Olhando para trás, vejo o quanto de comprometimento houve! Ora eu te conduzindo, ora vc me modificando.
Estamos crescendo juntos, meu filho.
Que o tempo, esse senhor tão bonito, continue a agir como de seu feitio, já que o respeitamos.
Por todo o tempo ao teu lado, sou grata.
Por tudo o que aprendemos juntos, também.
Feliz 5 anos, meu filho.

Discordo de vc, Balzaca Materna.
ResponderExcluirNão tem nada de breguinha aqui.
Poesia pura!
Esse tempo é mesmo um compositor de destinos, né não?
Parabéns, Dani. A toda a família.
Abraço coletivo daqui praí
<3
"Fofurices" da vida com filhos, só isso! Parabéns Otto! Parabéns Dani. Beijos.
ResponderExcluirMe emocionei...aliás as leituras no seu blog são sempre emocionantes, mas como mãe, suas palavras pro seu pequeno me deixaram chorosa....
ResponderExcluirEm lágrimas.
ResponderExcluirChorando!
ResponderExcluirÉ bem tudo isso mesmo... passa tão rápido, mas tudo é tão intenso!