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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Panaceia - Os livros do primeiro semestre


Na mitologia grega, Panaceia era a deusa da cura. E o nome dela passou a ser utilizado com o significado mais abrangente de remédio para todos os males. 





Para mim a leitura funciona mesmo como remédio para todos os males, me emociona, me transforma, me agrega tanto! Retomei este hábito desde que o Otto atingiu uma certa autonomia e já não me sentia tão cansada para acompanhar o raciocínio de uma leitura mais longa que duas páginas. Além de querer também ter um momento que fosse meu, lendo coisas de meu interesse, sem ter que ser necessariamente sobre maternidade.





Esse ano estou até participando de um círculo de leitura! Pessoas bacanas disponibilizaram um livro escolhido entre três títulos, que passeiam pelo Brasil. Estou amando a experiência.





Como não mantive a disciplina de falar aqui no blog sobre cada um deles no momento em que os lia, vou compilar todos os livros lidos do semestre. O ideal seria comentar logo após a leitura, pois muito da paixão se arrefece com o tempo. Está longe de ser uma resenha, mas fica a dica para quem se interessar pelos livros que me fizeram refletir, que me divertiram, que me fizeram companhia.







O Diário de Helga









indicação livro, segunda guerra mundial, livro emocionante, sobrevivente







"Calcula-se que das 15 mil crianças que passaram pelo campo de internamento em Terezín, na Tchecoslováquia, apenas cem chegaram ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Helga Weiss, uma dessas raras sobreviventes, é autora de um dos mais comoventes testemunhos do Holocausto. Seus escritos e desenhos registraram com o olhar infantil tudo o que aconteceu com a sua família, desde a segregação dos judeus ainda em Praga até a desumana rotina de privações e doenças de Terezín, onde um carro fúnebre fazia rotineiramente o transporte de gêneros alimentícios.

Artista Plástica respeitada, Helga Weiss, 83 anos, vive em Praga, no mesmo apartamento onde morou com os pais antes da deportação."





As histórias sobre os horrores da guerra, sempre me fascinaram. Quando um amigo me falou sobre esse livro, fui correndo comprar. Fiquei interessada em ver a guerra sob a perspectiva de uma garotinha. O livro é escrito sob a forma de um diário mesmo e a linguagem claro, bem infantil. O que pode tornar a leitura um tanto enfadonha, mas os desenhos e o desenrolar da história são emocionantes!







A sociedade dos filhos órfãos






responsabilidade dos pais, maternidade ativa, maternidade consciente, relação pais e filhos, o poder de consumo






"Crítico severo do modelo social em que vivemos, o argentino Sergio Sinay, terapeuta, palestrante e pesquisador dos vínculos humanos, sustenta neste livro a predominância atual de uma "sociedade de filhos órfãos" de pais vivos. Para ele, não basta colocar um filho no mundo para ser pai ou mãe. Na sociedade atual, em que pais e mães vivem excessivamente atribulados, crianças e adolescentes carecem de orientação, referências, limites e valores que deem sentido às suas vidas. O autor faz um chamado para que seja assumida a responsabilidade da educação dos filhos, tarefa que não cabe exclusivamente às escolas, muito menos às mídias, apresentando uma reflexão extremamente lúcida das consequências dessa omissão, como a violência crescente entre grupo de adolescentes, a obesidade infantil, números estarrecedores de dependentes menores de idade de álcool e outras drogas etc. Esclarece ainda que o acesso à tv e à internet sem qualquer supervisão de pais que não filtram nem esclarecem mensagens de manipulação publicitária, puramente mercadocráticas, são alguns dos fatores responsáveis pelo desencadeamento dos males que cabe a pais e mães presentes e atentos estancar."




Neste livro, o autor desmistifica a falácia do tempo de qualidade na criação dos filhos, propondo um debate sério sobre a responsabilidade de criar um filho. Numa época em que as relações humanas são tratadas como relações comerciais, é urgente a reflexão sobre o nosso compromisso como pais. Recomendo fortemente essa leitura.





Reportagens sobre esse livro aqui e aqui.





Precisamos Falar sobre Kevin











psicopatia, mãe omissa, relação conflituosa mãe e filho, pai omisso







"Para falar de Kevin Khatchadourian, 16 anos - o autor de uma chacina que liquidou sete colegas, uma professora e um servente no ginásio de um bom colégio do subúrbio de Nova York -, Lionel Shriver não apresenta apenas uma história de crime, castigo e pesadelos americanos: arquiteta um romance epistolar em que Eva, a mãe do assassino, escreve cartas ao marido ausente. Nelas, ao procurar porquês, constrói uma reflexão sobre maldade e discute um tabu: a ambivalência de certas mulheres diante da maternidade e sua influência e responsabilidade na criação de um pequeno monstro. Precisamos falar sobre o Kevin discute casamento e carreira; maternidade e família; sinceridade e alienação. Denuncia o que há de errado com culturas e sociedades contemporâneas que produzem assassinos mirins em série e pitiboys. Um thriller psicanalítico no qual não se indaga quem mandou, mas o que morreu. Enquanto tenta encontrar respostas para o tradicional onde foi que eu errei? a narradora desnuda, assombrada, uma outra interdição atávica: é possível odiarmos nossos filhos?"






Sabe quando vc lê um livro e fica pensado nele 24h por dias a fio? Esse livro mexe com as todas as nossas certezas. Nos sacode. Nos faz pensar, nos enche de questionamentos. É perturbador. Existe mesmo alguém que nasce ruim? É possível odiarmos um filho? A Eva é uma mulher bem sucedida e tem uma relação muito forte com o marido. Nunca quis ser mãe, porque não queria perder sua independência, muito menos sacrificar a convivência e a intimidade com seu marido. Ele a pressiona querendo um filho, por amor ela cede. Não viu a mágica da maternidade acontecer, viveu o horror de uma gestação indesejada e logo após o nascimento,  rejeitou o filho. Na primeira análise que fiz do livro, tomei partido da mãe, fiquei com asco do pai omisso e permissivo e com ódio do Kevin. Assisti ao filme - péssimo na minha opinião - e o senso aguçado da Pri Perlatti me fez perceber que toda a narrativa era apenas do ponto de vista dela, da mãe. Isso muda tudo. Muda?






Princesa






machismo, misoginia, violência estatal, instituição religiosa do oriente médio, indicação de livro, autoridade de homem







"Filha da Casa Real da Arábia Saudita, Sultana é uma lutadora rebelde inconformada com seu destino - o mesmo de geração de mulheres submetidas à realidade de total restrição e impedimentos imposta pelas instituições familiares, religiosas e sociais no Oriente Médio. Personagem de um relato verídico e comovente, suas palavras são, acima de tudo, um pedido de socorro que vem das desérticas paisagens do Oriente Médio para ecoar na memórias e na consciência do leitor ocidental."






Esse livro chegou até a mim, pelo círculo de leitura do qual participo. Tinha muita vontade de ler, pois retrata o sofrimento de mulheres que têm seus direitos usurpados por uma sociedade patriarcal e mostra a força vital de lutar por equidade. Insurgir-se é um ato de coragem. Foi isso que essa princesa fez ao denunciar abusos, estupros coletivos, privilégios concedidos única e exclusivamente por serem homens. As mulheres, independente de sua classe social, vivem sob constante ameaça, sujeitas a julgamentos bárbaros em nome da honra. Elas são como objetos sem nenhum valor e sua única função é a de adorno. Esse tipo de leitura nos permite traçar um paralelo entre a cultura deles e a nossa que, convenhamos, não é tão diferente assim. A única diferença, é que o julgamento na nossa sociedade, igualmente machista, é de ordem moral. Quero muito ler os outros dois livros. Aqui um trecho:



"A autoridade do homem saudita é ilimitada; sua esposa e filhos só sobrevivem se ele assim o desejar. Dentro de casa, ele é o governo. Esta situação complexa começa na criação dos nossos meninos. Desde a tenra idade, o menino aprende que as mulheres têm pouco valor: elas só existem para o conforto e conveniência dos homens. A criança vê o desprezo com que sua mãe e irmãs são tratadas pelo pai; esse desprezo explícito o induz a desrespeitar todas as mulheres (...)"










Holocausto Brasileiro






holocausto brasileiro, institucionalização do seu humano, medicalização da vida, luta antimanicomial









"Neste livro-reportagem fundamental, a premiada jornalista Daniela Arbex resgata do esquecimento um dos capítulos mais macabros da nossa história: a barbárie e a desumanidade praticadas, durante a maior parte do século XX, no maior hospício do Brasil, conhecido por Colônia, situado na cidade mineira de Barbacena. Ao fazê-lo, a autora traz à luz um genocídio cometido sistematicamente, pelo Estado brasileiro, com a conivência de médicos, funcionários e também da população, pois nenhuma violação dos direitos humanos mais básicos se sustenta por tanto tempo sem a omissão da sociedade. Pelo menos 60 mil pessoas morreram entre os muros da Colônia. Em sua maioria, haviam sido internadas à força. Cerca de 70% não tinham diagnóstico de doença mental. Eram epiléticos, alcoólatras, homossexuais, prostitutas, gente que se rebelava ou que se tornara incômoda para alguém com mais poder. Eram meninas grávidas violentadas por seus patrões, esposas confinadas para que o marido pudesse morar com a amante, filhas de fazendeiros que perderam a virgindade antes do casamento, homens e mulheres que haviam extraviado seus documentos. Alguns eram apenas tímidos. Pelo menos 33 eram crianças."





Um livro que relata os horrores dentro do maior hospício do Brasil, num passado recente e desconhecido da maioria dos brasileiros. Eis o perigo da institucionalização que, disfarçado de política pública visa tão somente, uma limpeza social com a manutenção da violência e da medicalização da vida. Os que recebiam o passaporte para o hospital, tinham sua humanidade confiscada. "O fato é que a história do Colônia é a nossa história. Ela representa  a vergonha da omissão coletiva que faz mais e mais vítimas no Brasil. (...) O descaso diante da realidade nos transforma em prisioneiros dela."











Marina











carlos ruiz záfon, literatura gótica, indicação de livro, mistério
[reprodução]





"Na Barcelona dos anos 1980, o menino Óscar Drai, um solitário aluno de internato, conhece Marina, uma jovem misteriosa que vive num casarão com o pai idoso. Em passeios pela cidade, os dois presenciam uma cena estranha num cemitério e se envolvem na resolução de um mistério que remonta aos anos 1940. Numa tentativa inútil de escapar da própria memória, Óscar abandona sua cidade. Acreditava que, colocando-se a uma distância segura, as vozes do passado se calariam. Quinze anos mais tarde, ele regressa à cidade para exorcizar seus fantasmas e enfrentar suas lembranças - a macabra aventura que marcou sua juventude, o terror e a loucura que cercaram a história de amor."




O primeiro livro que li do Zafón foi A Sombra do Vento e amei seu estilo, a leitura fluida e uma história bem construída, cheia de suspense. Com esse livro não foi diferente. Marina é um livro tocante, com uma trama envolvente e bem amarrada. Já posso dizer que sou fã do estilo e desse autor.







Por favor, cuide da mamãe






indicação de livro, por favor, cuide da mamãe, família, reencontro, busca







"Park-SO-nyo, 69 anos, esposa e mãe, levou uma vida de sacrifícios. Há alguns anos, sofreu um derrame que a deixou vulnerável e confusa. Certo dia, viajando do interior da Coreia do Sul até Seul para visitar seus filhos já crescidos, Park perde-se do marido quando as portas do metrô se fecham. Ela nunca mais é vista. Começa então a procura, liderada pela família, que se transforma em uma exploração emocional, repleta de remorso, de lembranças do passado e da triste descoberta da mãe que eles nunca conheceram."






Em que ponto da nossa existência ficamos invisíveis?  O sumiço da mãe dá início a uma busca repleta de fortes emoções e remorso. Os filhos têm a possibilidade do reencontro consigo mesmos e com essa mulher que eles nunca conheceram. Apesar de sensibilizada com a história, fiquei um tanto decepcionada com a forma confusa com que a narração é construída.









Leu ou ficou com vontade de ler algum desses?



Já estou preparando a listinha para o segundo semestre, alguma indicação?







5 comentários:

  1. Dani,
    Não li nenhum, mas já coloquei pelo menos a metade deles na minha lista.
    x

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  2. Que legal vc fazer um post sobre suas leituras Dani! Tenho comentários sobre todos hahaha....

    Diario de Helga - quero ler faz tempo. Também me interesso por histórias sobre sobreviventes de guerras. Acho que vc vai gostar de um que está no círculo e que li esse mês, Zoológico de Varsóvia. Segue essa linha.

    Sociedade dos filhos órfãos - Não conhecia este, entrou já pra lista dos que quero ler.

    Precisamos falar sobre Kevin - Estou lendo agora. Realmente a narrativa é toda pelo ponto de vista da mãe. Não deixa de ser interessante, mas percebi traços de egoísmo e auto-centralização nesta mulher, que podem ter influenciado em toda sua relação com a maternidade... viajei, será? Depois que terminar de ler terei uma opinião mais definida e podemos falar mais sobre!

    Princesa - Estou super interessada neste, é outro tema que me atrai. Já li vários sobre a submissão feminina no Oriente Médio (já leu A cidade do sol? é ótimo) e sempre me chama a atenção. Quero que chegue logo para mim no círculo!

    Holocausto Brasileiro - Conheci por vc e está na fila da leitura.

    Marina - já li, gostei bastante também. Foi o primeiro que li do Zafón, outros estão na fila.

    Por favor cuide da mamãe - Este eu que disponibilizei pro círculo. Engraçado que eu gostei da forma da narração! No princípio dei uma perdida, mas depois achei bem interessante, para mostrar a perspectiva dos outros envolvidos na história.

    Agora, sobre dicas de livros... vixe, tenho milhares hahahha!! Um que comprei agora é Brilhante, de Kristine Barnett, conhece? Não li ainda mas já tive boas recomendações. Outro bem interessante é Olga (Yolanda Scheuber), na temática sobreviventes da guerra. Este eu tenho, posso te emprestar ou colocar na próxima rodada do círculo.

    No mais (que este comentário ficou gigantesco), dá uma olhada na minha lista do skoob, ou podemos falar mais por mensagem!
    beijos

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  3. Opa! Deu vonta de ler muitos. São todos leituras densas, né? Já me senti um tanto angustiada só com a descrição dos livros (sinopses e tua opinião). Fiquei aqui pensando no quanto somos reféns de outras pessoas, da nossa imagem, do quanto é difícil ser ou mesmo se senetir livre.
    Já vou procurar se tem algum em versão digital.
    Obrigada pelas dicas, Dani.

    (Daise, miudasalegrias.wordpress.com - no iPad não consigo preencher os formulários)

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  4. Adoro indicações de leitura! Já anotei e procurei nos sebos virtuais. Ultimamente li e gostei muito de:
    Uma ponte para Terebin-Leticia Wierzchowski

    Livre-Cheryl Strayed
    A ilha-Victoria Hislop
    Equador-Miguel Souza Tavares
    Um ano na Provence

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  5. dica: o diário d Anne Frank, você vai adorar

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