Quando temos um filho somos apresentadas a um amor tão grande, somos expostas a sentimentos tão intensos que nos permitem descobrir tanto a nosso respeito...é tudo tão grandioso, tão superlativo que somos levadas a crer que não seremos capazes de amar outro alguém com a mesma intensidade.
É um medo muito comum entre nós, até surgir um segundo filho e mudar todas as nossas certezas.
Somos novamente içados à grandiosidade daquele sentimento tão forte e tão primal. A segunda gestação é sempre tão diferente da primeira e nos brinda com novas possibilidades de aprendizado. Os filhos não poderiam ser iguais e amá-los já não constitui um desafio, pois descobrimos que a capacidade de amar é bem maior do que supomos.
A dúvida inicial é transferida como que por mágica para a sociedade que, por sua vez, a devolvem para nós: de qual filho gostam mais? A pergunta não tem outro propósito senão a de ser cruel. Querem exercer sobre nós uma espécie de vigilância, de controle através da culpa sobre nossa maternagem. Como se existisse uma escala para o amor.
Vou contextualiza-los à minha realidade: tenho uma filha de dez e um filho de cinco anos. Esse lapso temporal que os separa me deixou segura para fazer uma confissão: a de que não os amo da mesma maneira.
Reza a lenda que para sermos bons pais devemos amar todos os filhos de maneira igual, mas penso ser esta uma ideia equivocada de equidade.
Ora, se eu dissesse que os amo do mesmo jeito, os estaria nivelando, portanto, não estaria reconhecendo as diferenças entre eles, estaria negando suas singularidades, suas particularidades. Seguindo a lógica, se tenho filhos diferentes, sou uma mãe diferente para cada um deles.
A mais velha sempre foi muito suave. Chegou serena para apontar a mim, uma iniciante, todos os caminhos a que levam a maternidade. É daquelas meninas encantadoramente questionadora. Tem a mente aberta e sonha com as artes plásticas. Com ela aprendi a me despir de todas as expectativas e de que não devo usar minha condição de mãe para exercer uma relação de poder. O mais novo chegou e mudou toda a dinâmica da casa. É daqueles meninos de pé no chão e coração aberto, é a oportunidade que a vida deu de não levarmos a vida tão a sério.
Eles ensinaram que para amar é preciso liberdade para sentir, para deixar ser. Que este é um sentimento em constante construção e requer de nós empatia. Amar exige intimidade e atenção às necessidades específicas de cada um dos filhos. Não há como amar de forma padronizada. Amar significa acolher o outro na sua essência, considerando as qualidades e abraçando os defeitos; é orientar, dar suporte.
Este definitivamente, não é um sentimento mensurável.
Por isso, quando os vejo, eu os enxergo. E os amo muito.
Não da mesma maneira.
*** texto originalmente publicado no Confessionário.

Coisa linda, Dani! Realmente é tudo diferente. Eu, com dois filhos com 10 anos de diferença, sinto tudo diferente.
ResponderExcluirRealmente, cada filho a gente ama de uma maneira diferente... Quando a gente é filho, a gente acha que esse amor diferente é em quantidades, né? Mas quando chega a nossa vez de sermos pais, percebemos que tudo é muito diferente...
ResponderExcluirMuito legal!!!
Adoro suas reflexões, pois são sempre profundas e verdadeiras, fora do lugar comum! Texto incrível, agradeço por ter podido refletir junto! Estou grávida pela primeira vez e confesso ter esse receio...me sinto invadida por um amor tão avassalador, que parece que nada nunca vai se igualar!
ResponderExcluirE justamente isso, nunca será igual, será sempre diferente a cada experiência de gestar!
Grande abraço
biquetadeouro.blogspot.com
E é um alívio poder dizer isso em voz alta.Amo um de cada jeito, o que não quer dizer mais ou menos.
ResponderExcluirUau, parabéns. Que texto lindo :)
ResponderExcluirMaravilhoso, Dani! E concordo totalmente. Confesso que tive a mesma dúvida, sobre como eu amaria meu segundo filho, até o dia que ele chegou, e percebi que é tudo tão diferente... experiências, momentos... cada um tem sua "caixinha", não é mesmo? Como você disse, como amar pessoas diferentes igualmente? impossível.
ResponderExcluirótimo texto, como sempre.
Um beijo,
Re
É verdade! O amor é único e cada um tem seu espaço no coração dos pais! =)
ResponderExcluirEsse seu texto é lindo, Dani! E traduz muito bem os sentimentos das mães de mais de 1 filho. Beijos!
ResponderExcluirPerfeito, falo como mãe de 3 e o caçula com necessidades especiais, uau...
ResponderExcluirExato!
ResponderExcluirDani acho que você acabou de deixar muitas mães aliviadas...
Nós amamos nossos filhos sim!
Mas cada um da sua maneira,já que cada um é de um jeito.
Lindo texto!
Boa quarta para vocês!
Beijos