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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Curtir - a nova forma de interação social






Era dezembro e lembro de estar afoita e cansada. Queria mais, queria tanto, queria tudo. Estava absurdamente cansada daquela agitação, daquelas pessoas, da rapidez com que exigiam de mim e com o pouco que cobrava de volta. Estava cansada daquela superficialidade mascarada.



Entre selfies e braggies, dei de cara com um texto entitulado: Por uma vida mais off-line. Na verdade, é uma entrevista com David Baker, professor na The School of Life e que foi por muitos anos editor-chefe da versão inglesa da revista Wired. Esse cara de quem nunca tinha ouvido falar, falou tudo o que eu precisava ouvir. Guardei nos favoritos. Este trecho em especial chamou a minha atenção e revelou a minha necessidade de férias:



"O que a internet promete é conexão e compartilhamento, mas o que entrega é mais uma sensação do que estamos perdendo. Nós pensávamos que a internet iria aumentar a diversidade, mas, em vez disso, as pessoas tendem a se comunicar com quem já conhecem, a criar pequenos grupos. E também não existe fronteira de tempo. Preciso estar conectado. A ideia de estar sempre conectado é ainda mais jovem que a internet, veio com a conexão banda larga. Nós olhamos como um direito que sempre existiu, mas em 1990, 1992, você tinha que ligar para um número, se conectar na internet, fazer seus negócios, se desconectar. Tínhamos uma atitude diferente: vou me conectar, falar com as pessoas, me desconectar. Mas o always on nos dá a ilusão de que temos que estar conectados o tempo todo, o que é um problema, porque, quando a conexão cai, a gente enlouquece."








isolamento causado pelas redes sociais
via





Este ano chegou promissor com a saída iminente de Saturno {já vai tarde} e a chegada de Júpiter, o pai amoroso. Chegou o tempo de criar, de estabelecer metas e critérios, tempo inclusive, de aproveitar as férias {coletivas} de verão com a família. Estar presente e por inteiro. Sem pensar muito fechei o blog e dei um tempo das redes sociais.



Nesse período questionei a minha postura nas redes sociais e o uso que faço dela.



FACEBOOK - TWITTER - BLOG - INSTAGRAM - PINTEREST - WHATSAPP - "existe uma ideia de que podemos ser melhores por causa dos  números. E o que ferramentas como twitter e instagram fazem é o que os psicólogos chamam de reforço intermitente. É como um jogo de azar. Vencer é o like, que vem de maneira randômica. Continuo jogando roleta porque a próxima rodada pode me fazer ganhar. Continuo postando pra ver se vem um prêmio." ainda o David Baker.






Essa tendência de estar disponível em tempo integral além de cansativo, nos faz reféns do registro e nos afasta da vivência com pessoas reais e dos ambientes que não podemos controlar. Na internet, nós controlamos não só a proximidade mas principalmente, o envolvimento que temos com os nossos contatos. Na vida real, não podemos manipular a realidade que queremos mostrar muito menos editar aquilo que falamos. A maneira como nos expressamos sai sem retoques. Por isso é tão difícil hoje em dia conversar. Afinal, é muito mais fácil e mais prático nos conectar, negando a atenção total ao outro.



Em vez de construir amizades reais nós ficamos obcecados com a promoção pessoal ad infinitum, investindo horas na construção do nosso perfil. Ora, nesse mundo o indivíduo é ou não é medido por suas conquistas pessoais?



No circo das vaidades, quem somos os palhaços?



CURTIR - COMENTAR - COMPARTILHAR - Qual é a realidade que eu vou criar pra mim hoje?



Não posso ser injusta nem poderia dizer que o tempo que gastei e gasto diariamente nas redes sociais foi de todo improdutivo, visto a possibilidade de crescimento e engajamento que a rede propicia. Mas esse reconhecimento não impede meus questionamentos:



- quais são as minhas motivações?

- quantas conversas, diálogos produtivos estabeleço com as pessoas?

- estamos verdadeiramente conectados? que conexão seria essa?

- preciso mesmo gastar tantas horas por dia em busca dessa {falsa}conexão?

- o que poderia fazer com esse tempo livre?













Esse vídeo curtinho retrata o isolamento em uma sociedade altamente conectada. Conectada com quem ou o quê, eu vos pergunto. Ao passo que questionamos a vida online e os problemas da falta de conexão com o mundo real usando a rede para gerar o debate e a conscientização, estamos incorporando o paradoxo! Não é irônico?



Aproveitar o instante e saber onde estão as pessoas e as coisas que nos fazem verdadeiramente felizes, esse deveria ser nosso propósito.






8 comentários:

  1. Penso muito nisso, em como necessitamos dessa conexão contínua, mas confesso que a internet trouxe para meu convívio pessoas maravilhosas... pessoas com quem encontro todo mês e novas vão sendo agregadas a cada encontrinho...
    Tenho um professor que EXIGE que os celulares não estejam ligados na aula, ele proíbe acesso às redes no período que estamos em aula, é um exercício loko. Outro dia escrevi sobre a experiência de ficar fora uma tarde inteira sem o celular (eu esqueci em casa)... nos primeiros momentos fiquei desesperada, depois relaxei.
    Eu costumo gostar de estar presente, se estou em uma conversa não fico olhando se tem mensagens e tal, procuro dar atenção a quem está comigo, mas as pessoas no geral não são assim.
    Outro dia estive em um bar, tipo um pub, como já estou cansada, sentei-me na mesa de sinuca e fiquei observando ao meu redor, grupos inteiros com as caras em seus celulares, alguns conversando com estava à sua frente pelas redes... achei assustador.
    Essa discussão que vc traz é muito importante e necessária. Um beijo e seja bem-vinda de volta!!!

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  2. Bem-vinda de volta, Dani!
    Eu queria tecer um comentário sobre isso, mas tenho uma opinião tão longa sobre o assunto que acho que não vou conseguir passar tudo agora, haha! preciso organizar melhor, talvez até num post, rs.

    Mas: me surpreende que hajam pessoas assim. Inda bem que conheço poucas com que convivo pessoalmente que se encaixasse nesse perfil. Acho a internet ótima e útil, se bem utilizada. Não fico sem mesmo: pago minhas contas, faço compras, trabalho. Só que é um "não fico sem" sem neuras de likes e afins.

    Um beijo,
    Re

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  3. Oi Dani, acompanho seu Blog por e-mail, mas hoje, o assunto realmente me chamou a atenção.

    Outro dia li (não me recordo a revista) sobre os traumas que essa nova sociedade estão sofrendo com o uso contínuo da tecnologia, me assustei no dia, mas logo passou.

    Assim como você as vezes me pego pensando nesses questionamentos, pensando em como isso está inserido em nosso mundo, em nosso cotidiano. Penso que os efeitos de tanta tecnologia já começam a surgir, mesmo que sejam encobertos ainda, sendo mais específica, a sociedade stress.

    Ótimo texto!

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  4. Dani, bem vinda de volta!!! Bom, entendo desse outro lado da rede, mas acredito que isso seja uma espécie de refúgio da nossa vida corrida. Veja bem, trabalho num escritório de segunda á sexta dás 8:00 ás 17:00, chego em casa ás 18:00 cuido dos meus filhotes, cachorro, marido, casa, comida e caio na cama!O face fica aberto, estou on line o dia inteiro, e entre um contrato e outro, um orçamento e um telefonema, lei um texto seu, ou de outras blogueiras que adoro, doi um hello pra uma amiga que tenho saudades e em 5 minutos tenho um resumão de como ela está. Vivemos para o trabalho, aquele minutinho que meu whatsup toca e eu vejo uma msg de uma pessoa querida, adoça meu dia tão corrido, tão maluco, tão distante de pessoas. Trabalho num escritório sozinha, o dia inteiro o único barulho que escuto é o meu. Interagir com as pessoas, mesmo que pela internet, dá uma quebrada nisso. E como é bom conhecer novas pessoas, fazer novos amigos, mesmo que seja assim, pela net... Foi assim que conheci vc, a Lígia do cientista que virou mãe, assim que li coisas interessantíssimas nas minhas horas de almoço, coisas que me abriram os olhos, que me conscientizaram, coisas que agregaram tanto valor e amor na minha vida. INTERNET É o que fazemos dela, e no meu caso, uso pra fazer um carinho em quem está longe e conhecer coisas boas.

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  5. Bem-vinda de volta! Ficou linda a nova roupa do Balzaca!

    Me incomoda bastante essa nova realidade. Eu sou conectada, tenho facebook e mantenho o blog. O resto não uso nada (instagram, twitter etc). Não uso por preguiça e por achar que, quanto mais redes sociais e interação virtual, maior a prisão! "Temos" que manter tudo atualizado, conquistar mais likes, adicionar mais amigos.... uma coisa vai puxando a outra e, quando nos damos conta, estamos feito as pessoas do vídeo aqui do post (que acho muito bom aliás).

    Acho legal sim manter certa conectividade, nos mantermos por dentro do que rola e atualizados nas novidades. Mas há que se ter um limite. A vida real lá fora é mais concreta e mais honesta por não permitir edições, como vc bem destacou aqui.
    bjo grande!

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  6. Oi Dani, acabei de chegar aqui através das redes sociais no caso o facebook, não vou mentir eu entro todos os dias úteis da semana, no meu e-mail, facebook e blog, a fora o blog dos outros, sabado e domingo raramente, mas faço coisas pensando nas redes sociais, tipo uma receita para meu blog, um PAP etc e tal, no meu caso as redes sociais (até hoje) só me trouxe vantagem, pois minhas ações reais em volta do meu blog que é virtual, só trazem benefícios para a minha vida pessoal, profissional, familiar em geral, mesmo entrando todos os dias úteis da semana, não me considero viciada, pois fico dias sem postar quando não estou a fim ou quando me vejo com atribuições na vida pessoal, celular nossa acho que sou a única pessoa do meu convívio que não tem um celular com internet e nem câmera e pra falar a verdade recebo até bronca por esquece-lo em casa, fico muito P da vida quando estou com alguém que só fica olhando o celular ai falando assim parece que não fico horas na net né!! fico sim, meu trabalho precisa disso e eu acabo ficando horas e as vezes sinto que extrapolei mesmo, por isso as vezes fico off-line.

    bjs

    e parabéns pelo texto maravilhoso

    Gélia

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  7. Eu amo Internet. Amo redes sociais. Amo, principalmente, os grupos bacanas sobre maternidade, alimentação consciente, parto, etc. Mas vc tem razão: não dá pra ficar 100% conectada. Uma coisa que eu faço é nunca comprar um celular bacanudo. Meu celular não tem nada! Só liga e manda sms. Só! Aliás, ele escangalhou e eu nem tô sentindo falta. Foi uma maneira que encontrei de não estar 100% on. ;-)

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  8. Dani, que felicidade quando tentei abrir seu blog (sempre nos meus favoritos) e desta vez deu certo!!
    Entendi perfeitamente sua pausa. Eu, que sequer tenho blog ou afins, ao final de dezembro estava exausta com a 'obrigação' do facebook. Cancelei minha conta e foi, de longe, uma das melhores decisões.
    Em poucos dias me descobri grávida (depois de anos esperando)! E brinco, dizendo, que foi somente cancelar minha conta, eu fiz um filho!! Brincadeiras à parte, olhar para mim e para os meus, de perto, estava me fazendo falta.
    Gosto muito do seu blog porque sempre procuro pessoas mais inteligentes do que eu. Você escreve muito bem e neste mundo de milhões de blog, precisamos ser seletivas.
    Abraços, Cláudia.

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