inicio sobre o blog blogroll clipping

quarta-feira, 2 de março de 2011

Patchwork de lembranças II - do exílio e do planejamento


Continuando o alinhavo de lembranças, que não fazem parte simplesmente do passado, fazem parte de mim.






daqui






A Bia sempre foi uma criança super tranquila, dessas que não chora pra nada, que não quebra nada, que não sobe em nada...isso era bom, mas ao mesmo tempo me inquietava. Gostaria que ela fosse mais parecida comigo, que era praticamente o capeta em forma de guri. E, observando como ela reagia a determinadas situações, compreendi que o que a influenciava a ser daquele jeito, não era a minha criação, mas sim  seu temperamento.





Nessa época eu trabalhava, não dava pra me dedicar exclusivamente à maternidade e sempre tive que correr tanto atrás, que talvez esse privilégio nunca tenha me passado pela cabeça. Ou melhor, passava sim. Era um segredo que eu confiava a ela todas as noites e em cada amanhecer.





Passamos muitas dificuldades financeiras. Perdi um emprego "estável" de sete anos e meu marido acabou saindo do dele pra ficar mais tempo comigo. Decidimos empreender com o que tínhamos a mão. Compramos uma kombi e com ela fazíamos frete e aprendemos a vender de roupas a perfumes. Por várias vezes tive que empurrar a kombi catatônica de salto alto ladeira acima, ladeira abaixo.





Até que um dia, já exaustos de esperar e trabalhar, Paulinho decidiu estudar pra concurso desafiando todos os céticos de plantão. Estudava durante as madrugadas sob a luz fraca do carro, enquanto esperava a turma que havia contratado os seus serviços. Se recordo bem, eu era a única que acreditava em seus esforços. Eram cinco vagas e ele passou em oitavo lugar. Mais essa...





Tivemos mais uma vez que apelar para que o universo conspirasse a nosso favor. E deu certo! Chamaram os dez primeiros....esperamos um ano que valeu por vinte!!! Até que enfim,  nos mudamos para Manaus.





Aprendi que coragem e força a gente sempre tem escondido e que aparecem sempre quando a vida as requisita.





******





Encaramos com muito entusiasmo essa folha de papel em branco. Emigrar fortaleceu ainda mais os laços e nos devolveu a esperança perdida anos atrás. Ao entrar numa terra estranha, perdem-se as muletas que serviram de apoio até então. Não interessa muito quem vc era ou o que vc fazia...



Apesar de benéfico pra nós, esse distanciamento de tudo e de todos começou a ter um peso maior para a Bia que passou a se queixar frequentemente de solidão. Daí que ela começou a pedir por um irmãozinho...e como não havia mais impedimentos financeiros, comecei a considerar a ideia.



******



Só o fato de planejar já tornava essa gravidez diferente. E era isso que eu queria. Reviver um momento tão especial de uma forma mais intensa, mais feliz...com toda a tranquilidade que merecem as grávidas.



A Bia protagonizou uma das cenas mais lindas de companheirismo ainda no hospital, no dia em que fui receber o exame, apesar de eu ter mentido sobre a natureza do mesmo. Quando vi o positivo tão esperado, não contive as lágrimas e logo ela percebeu que não se tratava de um exame comum..."mamãe, vc está mesmo grávida???" - levando as mãos à minha barriga. E com um movimento tímido de cabeça, afirmei. Ela começou a chorar e me deu um abraço que comoveu quem estava perto.



Começamos bem - pensei. E de fato, não me enganei.



******



Lembrando: essa história não acaba aqui...





9 comentários:

  1. dani, que maravilhosa essa parte " do retalho de lembranças". como ja lhe falei, você consegue nos transportar, praticamente, ao momento da cena, e me peguei imaginando quantas coisas não passaram pela sua cabeça com a mudança para manaus.

    adorei a parte que você fala

    "Aprendi que coragem e força a gente sempre tem escondido e que aparecem sempre quando a vida as requisita.

    ...Ao entrar numa terra estranha, perdem-se as muletas que serviram de apoio até então. Não interessa muito quem vc era ou o que vc fazia..."

    tomei para a minha vida, pois sempre que eu vou prestar concurso fora me dá um frio na barriga.

    fora isso.. é muito lindo ver a cumplicidade de vocês, vocês se apoiam desde o inicio e assim será sempre.

    Que Deus sempre abençoe a vocês... amo d++

    bjão

    ps: vou cobrar meu doce, pois esta dizendo aqui que vale um doce..hauhauha

    ResponderExcluir
  2. Ahhhh q fofura!

    Agora tô ansiosa pra continuação da história!!

    Beijooos

    ResponderExcluir
  3. Olá Dani...
    Estou pansando por aqui para convidar você para conhecer meu blog.

    Quando puder passe por lá, bvai ser um prazer ter sua companhia!
    bjs

    www.tatidesignercake.blogspot.com

    ResponderExcluir
  4. Nossa Dani, quanta história cabe em uma vida né? E quanto aprendizado pode ser repassado através da vida de outros. É bom refletir sobre as coisas que vivemos, analisar os acontecimentos, ponderar as situações, mesmo quando já pudermos olhá-las de "fora", de um ângulo mais privilegiado, e então sacar que, meu, como a vida é surpreendentemente maravilhosa, né?

    ResponderExcluir
  5. Dani,
    Vim aqui porque (não dá risada, tá? hehehe)vc fez um comentário no blog da Carol falando que seu blog não tinha saído da toca na blogagem paterna, vim saber porque.
    E me deparei com um texto lindo e super pessoal de sua história! Adorei!
    Estou te seguindo e vou linkar no Mãe de Duas.

    Bj

    Priscilla

    ResponderExcluir
  6. Lindo, chorando e aguardando o próximo capítulo....

    ResponderExcluir
  7. me trouxe lágrimas aos olhos!

    renata

    ResponderExcluir
  8. Me emocionei, conte mais!
    Um beijo e uma coca-cola!

    ResponderExcluir
  9. Estou em lágrimas!!!
    Que lindooooooo...
    Tô adorando as suas histórias... voucontinuar lendo... volto já!!!

    ResponderExcluir