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sexta-feira, 18 de março de 2011

Patchwork de lembranças IV - transitando entre dois universos








Continuando o alinhavo das lembranças que marcaram...





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Transito em dois universos distintos. E não é só porque um é rosa e outro azul. Vai além, muito além das diferenças de sexo...





Cheguei em casa, com o Otto nos braços e a Bia ao lado, pululante, orgulhosa do irmão, de mim e da família que crescera. Estava sempre ao lado, observando quietinha e se sentia tão útil quando me alcançava as fraldas ou a concha de amamentação! O que pra gente era um alívio, já que o ciúme nunca deu as caras por aqui.





Apesar disso, as coisas foram mais difíceis do que havia imaginado. Otto mostrou a que veio ainda no hospital, quando mamou por três horas e meia incansavelmente. Valeu, filho, por ter me ensinado que bebês high need e com refluxo existem na vida real e não no imaginário de mães neuróticas. Cuspi pra cima. Mordi a língua.



E foi no dia-a-dia que fomos nos ajustando a esse amor plural.



* Enquanto um queria mamar, a outra almoçava sozinha, esperando calada, a minha presença. E isso me dóia, porque nunca havia acontecido...



* Enquanto trocava a fralda de um a outra gritava do banheiro: "mamaaaanhêêêê, acabeeeeeiiii.



* Enquanto nascia os dentes de um, caía os dentes da outra.



* Enquanto um aprendia a andar, a outra, orgulhosa de si, aprendia a ler.



* E sempre quando ele chorava à noite, ela levantava para oferecer ajuda.



* Quando ele aprendeu a andar de motoca, ela aprendeu a andar de bicicleta.



* Enquando ele tinha toda aquela atenção, ela conheceu a solidão.



* Ao ver a facilidade que tinha em comprar o que conviesse pro Otto, lembrei dos tempos difíceis da Bia...e chorei  (uma vez, depois de economizar dinheiro do lanche por uma semana - passava o dia no trabalho, pude comprar um móbile bem furrequinha pro berço dela. E pude chegar feliz depois do trabalho com um presentinho pra ela. Coisa de mãe, sabe?)



* Enquanto um estava na escola e o outro tirando um cochilo, eu aproveitava o banho pra chorar de cansaço, pelo peito fissurado, pelas dores nas costas...chorava me sentindo impotente.



* E quando ela me via cambaleando pela casa, letárgica, sempre me pedia pra ter calma, pois tudo aquilo iria passar.



* Enquanto isso tudo acontecia, o coração transbordava, o que o corpo já não conseguia mais demonstrar...



****************



E aos poucos a Bia foi aprendendo que ela não perdeu espaço, apenas GANHOU um irmão.










Feito por ela, semanas depois do nascimento

do irmão



E eu, aos poucos, fui aprendendo que não dividimos o amor por dois.

Somamos mais um.














13 comentários:

  1. Dani,
    Também passei por isso e imagino que tenha tido os mesmos receios e alegrias que vc, pelo menos parecidos...
    Tenha um fds bacana com a familia.
    Bjs para vc,Bia e Otto

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  2. Dani,
    Me emocionei e me identifiquei com seu post.
    Aqui Stella sempre foi tão compreensiva, madura e solícita enquanto tinha uma Lia bebezica que mostrou pra gente que bebês que não dormem não são mitos...
    Por outro lado estamos aprendendo tanto com nossa caçula: ela é tipo o menino maluquinho que inventa o riso pois é cheia de graça, sabe como é?
    Adoro seus posts!
    Beijos mil
    Priscilla

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  3. Daí eu li seu post, vi o desenho da Bia e chorei. FIM
    =ó)

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  4. Chorei...ser mãe é sublime mas cansa!Mas quando eles adormecem olhamos e ouvimos os suspiros nos lembrando de cada pedacinho do dia, de cada gracejo por eles feito e entendemos que não existe nada mais divino que poder ser mãe!

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  5. Posso falar? Fiquei com os olhos cheios de lágrimas com o desenho da Bia. Que menina maravilhosamente sensível!!! Amei!!!!! Beijos, Tati

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  6. Sensacional!
    Quando minha cunhada (que tem uma filhinha) me pergunta como consigo dar conta de 2 meninos, é exatamente por isso, pelas recompensas e alegria de ouvir e ver coisas como essa dos nossos mais velhos (apesar do meu mais velho ter somente 2 anos qdo o irmão nasceu).
    E porque é cansativo sim, mas é como disse o amor não é dividido, ele se multiplica, e acho que isso faz com que nossas forças também sejam maiores para conseguirmos seguir em frente!
    Parabéns, amei seu texto!
    Elaina
    http://www.vidademae.net/

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  7. Amei seu texto. Você conseguiu expressar o que a gente sente em relação à divisão de tempo e afeto. Não divide, soma!
    Obrigada por dividir (ou somar?) conosco.

    Bj
    Marina

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  8. Chorei e chorei.. talvez pq me reconheci.
    "enquanto um mamava o outro almoçava sozinho" isso aconteceu aqui em ksa, cmg. ó céus..
    Lucas tbm sempre compreensivo, amigo, toolerante..
    É isso mesmo Dani.. eles apenas ganharam um irmão =)
    Adorei mto mto essa postagem, uma das mais emocionantes.
    Bjocas

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  9. A sua filha é uma anjinha! Parabéns pela família linda!

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  10. Sacanagem fazer uma mulher grávida chorar assim... que fofa a Bia, meu Deus! Acho que grande parte é temperamento, mas com certeza tem aí uma contribuição do que vc e seu marido passaram a ela.
    Aqui em casa acho que não vai ser bem assim... o ciúme, embora ainda não verbalizado, já está dando as caras...

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  11. Que lindo relato Dani. TU DO o que vivi, senti está aí... Aqui em casa também não tivemos cenas de ciúmes, mas também sofri com a adaptação desse amor plural. E muitas vezes chorei imaginando se minha mais velha sofreria por isso, mesmo sendo tão carinhosa com o irmão. Um dia estava conversando com minha terapeuta justamente sobre isso e entendi que ela seria sim "afetada" pela chegada do irmão, afinal, ninguém passa pela chegada de um novo bebê sem ser "afetado". A importância estava em justamente permitir esses sentimentos, para entendê-los e digerí-los. Era importante dar tempo à nós duas para essa adaptação.

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  12. ...enquanto troco a fralda da helena de 3 meses a Manuela de 6 anos grita deeeeeeeu......,e eu também ouvi: mãe tuas dores vão sumir pq eu rezei pedindo......difícil sofrido e incomparável é o amor que o segundo filho agrega. CHOREI lendo, me reconheci e sofri, sofro e sofrerei, isso é maternidade.

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