Continuando o alinhavo das lembranças que marcaram...
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Transito em dois universos distintos. E não é só porque um é rosa e outro azul. Vai além, muito além das diferenças de sexo...
Cheguei em casa, com o Otto nos braços e a Bia ao lado, pululante, orgulhosa do irmão, de mim e da família que crescera. Estava sempre ao lado, observando quietinha e se sentia tão útil quando me alcançava as fraldas ou a concha de amamentação! O que pra gente era um alívio, já que o ciúme nunca deu as caras por aqui.
Apesar disso, as coisas foram mais difíceis do que havia imaginado. Otto mostrou a que veio ainda no hospital, quando mamou por três horas e meia incansavelmente. Valeu, filho, por ter me ensinado que bebês high need e com refluxo existem na vida real e não no imaginário de mães neuróticas. Cuspi pra cima. Mordi a língua.
E foi no dia-a-dia que fomos nos ajustando a esse amor plural.
* Enquanto um queria mamar, a outra almoçava sozinha, esperando calada, a minha presença. E isso me dóia, porque nunca havia acontecido...
* Enquanto trocava a fralda de um a outra gritava do banheiro: "mamaaaanhêêêê, acabeeeeeiiii.
* Enquanto nascia os dentes de um, caía os dentes da outra.
* Enquanto um aprendia a andar, a outra, orgulhosa de si, aprendia a ler.
* E sempre quando ele chorava à noite, ela levantava para oferecer ajuda.
* Quando ele aprendeu a andar de motoca, ela aprendeu a andar de bicicleta.
* Enquando ele tinha toda aquela atenção, ela conheceu a solidão.
* Ao ver a facilidade que tinha em comprar o que conviesse pro Otto, lembrei dos tempos difíceis da Bia...e chorei (uma vez, depois de economizar dinheiro do lanche por uma semana - passava o dia no trabalho, pude comprar um móbile bem furrequinha pro berço dela. E pude chegar feliz depois do trabalho com um presentinho pra ela. Coisa de mãe, sabe?)
* Enquanto um estava na escola e o outro tirando um cochilo, eu aproveitava o banho pra chorar de cansaço, pelo peito fissurado, pelas dores nas costas...chorava me sentindo impotente.
* E quando ela me via cambaleando pela casa, letárgica, sempre me pedia pra ter calma, pois tudo aquilo iria passar.
* Enquanto isso tudo acontecia, o coração transbordava, o que o corpo já não conseguia mais demonstrar...
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E aos poucos a Bia foi aprendendo que ela não perdeu espaço, apenas GANHOU um irmão.
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| Feito por ela, semanas depois do nascimento do irmão |
E eu, aos poucos, fui aprendendo que não dividimos o amor por dois.
Somamos mais um.

Dani,
ResponderExcluirTambém passei por isso e imagino que tenha tido os mesmos receios e alegrias que vc, pelo menos parecidos...
Tenha um fds bacana com a familia.
Bjs para vc,Bia e Otto
Dani,
ResponderExcluirMe emocionei e me identifiquei com seu post.
Aqui Stella sempre foi tão compreensiva, madura e solícita enquanto tinha uma Lia bebezica que mostrou pra gente que bebês que não dormem não são mitos...
Por outro lado estamos aprendendo tanto com nossa caçula: ela é tipo o menino maluquinho que inventa o riso pois é cheia de graça, sabe como é?
Adoro seus posts!
Beijos mil
Priscilla
Daí eu li seu post, vi o desenho da Bia e chorei. FIM
ResponderExcluir=ó)
Aiii tb chorei.. que lindooooo
ResponderExcluirChorei...ser mãe é sublime mas cansa!Mas quando eles adormecem olhamos e ouvimos os suspiros nos lembrando de cada pedacinho do dia, de cada gracejo por eles feito e entendemos que não existe nada mais divino que poder ser mãe!
ResponderExcluirPosso falar? Fiquei com os olhos cheios de lágrimas com o desenho da Bia. Que menina maravilhosamente sensível!!! Amei!!!!! Beijos, Tati
ResponderExcluirSensacional!
ResponderExcluirQuando minha cunhada (que tem uma filhinha) me pergunta como consigo dar conta de 2 meninos, é exatamente por isso, pelas recompensas e alegria de ouvir e ver coisas como essa dos nossos mais velhos (apesar do meu mais velho ter somente 2 anos qdo o irmão nasceu).
E porque é cansativo sim, mas é como disse o amor não é dividido, ele se multiplica, e acho que isso faz com que nossas forças também sejam maiores para conseguirmos seguir em frente!
Parabéns, amei seu texto!
Elaina
http://www.vidademae.net/
Amei seu texto. Você conseguiu expressar o que a gente sente em relação à divisão de tempo e afeto. Não divide, soma!
ResponderExcluirObrigada por dividir (ou somar?) conosco.
Bj
Marina
Chorei e chorei.. talvez pq me reconheci.
ResponderExcluir"enquanto um mamava o outro almoçava sozinho" isso aconteceu aqui em ksa, cmg. ó céus..
Lucas tbm sempre compreensivo, amigo, toolerante..
É isso mesmo Dani.. eles apenas ganharam um irmão =)
Adorei mto mto essa postagem, uma das mais emocionantes.
Bjocas
A sua filha é uma anjinha! Parabéns pela família linda!
ResponderExcluirSacanagem fazer uma mulher grávida chorar assim... que fofa a Bia, meu Deus! Acho que grande parte é temperamento, mas com certeza tem aí uma contribuição do que vc e seu marido passaram a ela.
ResponderExcluirAqui em casa acho que não vai ser bem assim... o ciúme, embora ainda não verbalizado, já está dando as caras...
Que lindo relato Dani. TU DO o que vivi, senti está aí... Aqui em casa também não tivemos cenas de ciúmes, mas também sofri com a adaptação desse amor plural. E muitas vezes chorei imaginando se minha mais velha sofreria por isso, mesmo sendo tão carinhosa com o irmão. Um dia estava conversando com minha terapeuta justamente sobre isso e entendi que ela seria sim "afetada" pela chegada do irmão, afinal, ninguém passa pela chegada de um novo bebê sem ser "afetado". A importância estava em justamente permitir esses sentimentos, para entendê-los e digerí-los. Era importante dar tempo à nós duas para essa adaptação.
ResponderExcluir...enquanto troco a fralda da helena de 3 meses a Manuela de 6 anos grita deeeeeeeu......,e eu também ouvi: mãe tuas dores vão sumir pq eu rezei pedindo......difícil sofrido e incomparável é o amor que o segundo filho agrega. CHOREI lendo, me reconheci e sofri, sofro e sofrerei, isso é maternidade.
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