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terça-feira, 19 de julho de 2011

Série 20 e poucos anos - o dia em que virei mau exemplo




Se existe uma habilidade que eu adorava ter nos meus 20 e poucos anos, era a de devolver a bola quicando.



Sempre que provocada, eu respondia, não era do meu feitio deixar passar nada...seja pra responder um elogio ou um desaforo. Não perdia a oportunidade de ficar calada. Isso nunca!





E essa prepotência altiva parece ser bem típico das pessoas dessa faixa etária. Aliás, foi uma fase deliciosamente megalomaníaca, onde eu sabia de absolutamente tudo o que me rodeava e tinha certeza de tudo o que eu jamais seria.





As palavras usadas para compor um discurso petulante eram fortes e antagônicas. Isso dava mais credibilidade e passava a maturidade que eu fingia de forma exasperada ter. Glorioso era aparentar ter mais idade e ser o que, de fato, não era.



Vomitava Bucowski e arrotava  Dostoiévski nas mesas de bar, divagando incríveis teorias de buteco. A piedade vinha sempre quando via mulheres casadas, grávidas ou com neném de colo. Coitadas! Passariam o resto de suas vidas lavando cuecas e cueiros. (a-ham)





O tempo passou, as coisas mudaram, o discurso minguou. O cuspe caiu certeiro num olho, que me deixou temporariamente cega e como efeito colateral, passei a ver tudo de forma diferente. O ar prepotente foi perdendo força, estava com medo de brincar com a energia do universo. Vai que...


















O tempo é agora, ou quase. Aconteceu há um ano atrás e na ocasião eu já era balzaca... e materna!





Estava visitando a senhora que tão bem nos acolheu aqui, em Floripa. A saber: ela é mãe de um homem de 30 e poucos e de uma mulher com quase 30.


Conversávamos e ela aproveitava para desabafar suas angústias de mãe e me confessou que sua filha dava muito trabalho. "Imagina que agora a menina quer casar. E, pior: ter filhos" - detalhe, a menina é médica e ganha bem, obrigada.





Ouvia tudo educamente, sacudindo minha cabeça para trás e para frente, para um lado e para o outro, da forma que me convinha. Aí de repente, no meio do desabafo acalorado e angustiado dessa mãe, ela diz: " o que vc quer? Ficar igual a Daniele, sendo uma dona de casa aos 30 e mãe de dois. DO-IS filhos? É isso que vc quer?"





(cara de koo)





"Ahh, desculpe, minha linda, mas tive que ser honesta com minha filha e usei vc como exemplo."





(cara de koo, again)





Apoplética - fiquei paralisada em muda frustração.



Tive preguiça de fazer um resumão da minha vida pra ela e de lhe dizer que não me sinto uma derrotada, apenas que tive a possibilidade de fazer uma escolha. E que hoje, ao contrário de alguns anos atrás, tenho qualidade de vida, que ficar em casa cuidando dos meus próprios filhos faz parte de um grande plano materno para dominarmos o mundo.





No fundo, também calei por respeito e por consideração. Alguém na platéia pode estar gritando: maturidade! Vc cresceu! Ah, é? Prefiro ser aquela metaformose pedante E ter aquela velha opinião formada sobre tudo.





Depois de todo esse conflito interno que não foi oralizado, fiquei com vontade de confrontar essa senhora com meu- eu- de- 20- e- poucos- anos. Ela ia ver o que era bom pra tosse.





E vcs já passaram por isso, algum dia, durante o exercício da maternidade?


O que vcs diriam? Joguem os dardos.










31 comentários:

  1. cho-quei!ahahahahahahah
    O pior não foi te citar como "mau" exemplo, mas sim ter a audácia de escancarar isso para você como se estivessem sentadas na mesa do almoço e te pedisse para passar a batata... Nunca passei por isso, mas acho que minha cara seria de "nada" em forma de protesto, e assim como você me calaria diante da pessoa por "N" motivos. Algumas coisas não valem a pena ser verbalizadas, só você sabe a dor e a delícia que é viver o que você vive e o peso das suas escolhas não é mesmo? E também ela já tinha o seu pré-conceito formado, talvez de nada adiantaria argumentar...
    Saber calar ao contrário do que muitos pensam é sinal de grandeza, amadurecimento.
    bjs.
    PS - firme e forte na abstinência?

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  2. é, tem certas horas que a gente nao sabe se é melhor retrucar ou ficar calada, confesso que muitas vezes opto pela segunda opção mas depois me arrependo, tem gente que merece ouvir certas coisas

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  3. Querida... que delícia ler seu post. Eu passei por isso ontem, hoje e passarei amanhã, certeza!
    E a Patrícia dos 20 e poucos (tenho 29 ainda, pode?) não deixa muito barato. O sangue ferve e eu saio divagando pra quem quiser ou não ouvir.
    É fogo!
    Acho triste ser julgada por optar cuidar dos filhos. Lavar, secar e passar, sabe?
    Acho que a mulher perdeu o foco querendo entrar nessa busca fervorosa por um lugar ao sol.
    Nossas antepassadas já fizeram isso, queimaram os sutiãs e tudo mais. A gente agora tem o poder de decidir o que quer sem ter de aguentar preconceito por isso.
    Temos que pensar que estamos criando filhos melhores para um mundo melhor.
    Eu sempre fui super feminista. Brigando pelos direitos e tal. E ainda sou. Mas a maternidade me mudou... e te digo, sou tão feminista que lutei pelo meu parto normal não acatando a decisão do médico. Isso sim é ser feminista.
    Tô tão cansada, Dani...
    Beijo!

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  4. Nossa, Dani que situação não é? rsrsrsrs


    Haja paciência!

    Beijos

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  5. Mas hein?????

    Sei lá se eu conseguiria ficar quieta, talvez até sim.
    Mas depois com certeza eu ia chorá de raiva, na cama que é lugar quente!!

    Eu ouço algumas coisas do tipo:

    ¨Nossa, vc tem q pedir dinheiro pro seu marido até pra comprar calcinha, isso não te cansa? Eu é q não quero essa vida pra mim...¨

    É...duro!
    E eu não fico mais tentando explicar minhas razões nem nada, me acha ridícula por cuidar da minha filha, casa e marido? Sinto mto.
    Aprendi a evitar contato com gente assim.

    E se falam isso na cara, imagina o que não fala por trás?!

    Beijooos

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  6. Pooooooooooor Deus!
    Mas eu diria,educadamente hehehehe: "Bom, se a senhora foi e é infeliz nesta tarefa de mãe, eu não. Eu estou realizada e muito feliz! Até pq se estivesse infeliz, meus filhos não tem culpa nenhuma, as escolhas foram minhas!"
    Ai que ódio desta senhora hahahahaha.
    E nos conte, voltou a visitá-la?

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  7. Haha...sou esse exemplo até hj. E mais interessante, minha mãe usa isso para mostrar a minha filha que ela tem que trabalhar, estudar pra não ficar igual a mim em casa. kkkkk
    Depois que casei com meu atual marido mudei muito e digo sem culpa que posso passar por aperto ficanceiro, não ter uma casa própria ou nã ser "a profissional de sucesso" mas sou uma mãe e uma mulher feliz.

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  8. Não consigo comentar porque MORRI.

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  9. hahaha não acredito que essa senhora fez esse comentário... Você poderia ter dito o quanto está melhor agora com 30 e dois filhos! ;)
    Beijo

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  10. Eu preciso ser como você. Pq numa hora dessas meu sangue ferve, sobe de uma vez só, não ia aguentar. O problema é que qdo se está com o sangue quente, sabe-se lá o que se diz, as vezes se fala algo que na verdade nem queria falar, faz só pra machucar, por raiva mesmo. Acho que o melhor foi mesmo ficar calada. Vai aparecer a ocasião de devolver a "gentileza"

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  11. Ah, esses 20 e poucos anos onde tudo é agora e a gente fala o que quer... Parece que voltam quando a gente fica mais velho e acha que pode falar o que quer, mas dessa vez, porque já é uma senhora vivida, cheia de experiência e conhecimento - será mesmo?
    Não faço idéia do que responderia, ia depender um pouco da lua, do meu humor no dia. Mas acho que ainda a melhor resposta quem vai dar é a filha dela, de qual exemplo ela vai querer seguir mesmo!!
    Beijocas,
    Aretusa, mamãe da Doce Sophia

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  12. Hahaha, plmdds
    Olha em certos casos eu tambem fico é calda, nao por respeito mas pq me sinto tao superior que nao vale gastar saliva nao.

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  13. Tem vezes, Dani, que o melhor mesmo é se calar e isso aprendemos com a idade, pra que se desgastar?
    Para início de conversa essa senhora foi bem grosseira e justamente por isso não merece resposta, vc está certíssima.
    Tem gente que passa a vida prestando atenção na vida dos outros, melhor faria se crescesse, neste caso, uma mãe que não respeita os filhos, é o que parece.
    Gosto muito de ler vc!
    beijo
    Ju

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  14. Recentemente ouvi algo parecido da minha "querida" sogra.

    Um dia após o casamento de seu outro filho, ela me solta o seguinte:
    - Já falei pra fulana(a outra nora dela), que o casamento dela vai ser muito diferente do seu. Pq ela é formada, tem carro, apartamento, emprego bom.. ou seja não vai virar uma esposa como você.

    Dani, se fosse uma pessoa que nunca tivesse me dito algo esplendoroso como isso, eu calaria pela minha maturidade ou pra evitar confusão, mas dela não aceito não! Já passei dessa fase de me calar aos absurdos que ela me fala e respondi na mesma hora:
    - Engraçado, eu me casei com 19 anos, a sra já viu alguém nessa idade ter tudo isso que a sra citou? E mais engraçado ainda é que a sua nora tem tudo isso e nenhum dos seus filhos nunca tiveram né? Hoje com 30 anos pelo menos tenho algumas coisinhas sendo e sou "esse tipo de esposa" que a sra citou. E a senhora que nessa idade ainda não tem nada, deve ser muito ruim né?!

    Pronto. Calou-se.

    Tem horas amiga, que dá pra aguentar, mas tem horas que no way!!! rsrs!!

    Beijoo!

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  15. Me enxerguei no seu post. Tenho 36 anos e agora estou começando a ir atrás da maternidade. Acho só que invertemos a ordem das coisas, muitas mulheres primeiro foram mães, e depois foram atrás de realizações pessoais ou do tão difícil processo de individuação. Acho que fiz o contrário, e agora me sinto feliz e preparada para lavar cueiro e correr atrás de crianças catarrentas....rs
    Adorei seu blog.

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  16. Minha xará e vizinha de Estado eu sou tu e tu é eu. Eu também já fui um ser petulante que achava que sabia de tudo, também mudei e as vezes também fico dias amargando a maturidade e me arrependendo por ter abandonado a rebatedora que um dia fui.

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  17. Sério o que lea quis dizer com isso????
    Ela tbém foi mãe de dois!!!
    não entendi!
    Bjos
    Ana
    http://amaedosgmeos.blogspot.com/

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  18. Dani... já passei por isso uma infinidade de vezes. Calcula eu, mãe em tempo integral de 4 filhos. Completamente preenchida pela função mãe-donadecasa-esposa... e blogueira!! rsrs... vivendo numa cidade onde as mulheres vão para o mercado de trabalho (Blumenau por ser uma cidade têxtil, as mulheres dominam no mercado de trabalho), onde os filhos são criados em creches domiciliares desde bebês... Elas acham que venho de outro mundo. E quer saber?! Apesar dos discursos e das milhões de "idéias" que já vomitaram em cima de mim, acho que a maioria morre de inveja. E mais... sou MUITO feliz com a ESCOLHA que fiz. Nada paga o prazer de criar e acompanhar cada passo dos meus filhos.

    beijoooooos!!!

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  19. Que situação chata!!! Sem noção essa senhora, hein?!
    Estou realizando o sorteio de um lindo adesivo decorativo lá no meu blog! Participe!
    Um abç,
    Maura

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  20. Pergunta: você ainda fala com essa senhora? Eu teria mandado um "vatapá no seu caruru!" sem dúvida!!
    Ahahahahahahahahhaha!

    Beijos!

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  21. Achei interessante imaginar o que foi a experiência da maternidade para essa senhora... por trás de algumas pérolas sempre tem uns descaminhos... fiquei curiosa!

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  22. Com 20 anos eu tinha certeza que sabia tudo. Com 30 tenho certeza que sei muito, muito pouco.
    Será que só os ignorantes são felizes?

    Bjs
    Pri

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  23. Se tem uma coisa que aprendi com o tempo, com a vida é ser tolerante. Mas certas coisas que não mudam, como o sangue de barata ao ouvir uma coisa dessa e ficar calada! Comassem minha gente!?

    Tô com a Dani acima. Podem falar o que for, mas no fundo o que elas tem é inveja! De se assumir e assumir para a sociedade que pode-se ser muito feliz sim sendo mãe 24hrs. É preciso coragem!

    Bjos, post M A R A V I L H O S O!

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  24. ah...minha senhora, ninguém deveria querer ser como eu.
    minha vida é muito ruim mesmo, a senhora tem razão.
    bom mesmo é ser médica e solteira. e sem filhos, para todo o sempre!

    investir bastante e somente na carreira, ser rica a independente, gastar muito com viagens e no frigir dos ovos dividir todas as lembranças com os velhos do asilo que sua mãe também frequentou - quando você estava muito ocupada consigo mesmo, viajando e conhecendo o mundo, e trabalhando e tals...

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  25. Dani, o silêncio muitas vezes é a melhor resposta. Temos o livre arbítrio para fazer nossas escolhas, e cada um sabe de suas verdades, infelizmente a ignorância é uma coisa assombrosa, Infelizmente sou daquelas pessoas que só depois que o fato acontece e é que a ficha caia, ai fico P.. da vida, querendo dar as devidas respostas, mas já passou deixa pra lá, engulo o sapo de passo mal.
    beijos e carinhos (adorei o post)

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  26. Dani amiga,não sei se teria o mesmo sangue frio,mesmo no auge dos meus 40(digo,30,protestos fizeram eu mudar minha idade,rsrsrs),ñ tenho toda essa sabedoria em calar...
    Q abusada!!Gostei do comentário da Anne Rami,terminar sozinha...
    Eu vi isso no período que acompanhei a bisa dos meus filhos no hospital.Bisa Juju tinha quase gente se estapeando para ficar com ela,netas,filhas,amigas das filhas,noras no mesmo quarto havia uma senhora,bióloga,nunca teve filhos,pagou empregada p/cuidar dela,brigava o tempo todo o irmão qdo avisado de que ela estava de alta disse isso "o que eu tenho com isso?)
    Aqui ouço às vezes "como vc aguenta ficar o dia todo em casa?" "vc não vai trabalhar mais não?" Respondo que adoro minha vida,acompanho meus filhos,vou às reuniões,faço o que quero na hora que quero e não morri por isso...
    Cada um com seu cada um,né assim que o povo diz?Bjs,Dani!

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  27. Dani,
    ouço isso desde os idos dos 20 anos, quando decidir casar, como fui a primeira amiga a casar, a primeira a ter filhos, a primeira a ter casa... nossa, renunciei a tanto (por escolha própria) e ouvi tanto por isso, mas não me arrependo de nada!!!
    Força na peruca!!!

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  28. adoooorei este texto! tenho que dizer.

    passo sempre por isso, com minha sogra, que fica me comparando a outra nora. detalhe: a outra vive far far way e só vem no verão e eu, a que estou junto levo a pior, afinal não sou novidade. haja maturidade pra ouvir, sem retrucar e sem deixar que afete a minha relação com minha cumadre

    beijoca

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