Paradoxal é que buscamos a independência e achamos que a alcançamos quando saímos de casa, nos casamos, temos filhos. Engana-se quem pensa que é simples assim.
Estamos sempre esperando o aval de nossa mãe em quase todos os passos da nossa vida adulta. Apesar de desdenharmos sua presença com muxoxo - imagine admitir uma coisa dessas! Numa retrospectiva curta ela sempre vai estar lá como coadjuvante, nos momentos mais importantes das nossas vidas.
O dia em que entramos na universidade; formatura; é aquela que faz aqueles interurbanos que saem caríssimo no final do mês, quando resolvemos fazer um curso/morar em outra cidade, outro país, só pra saber se estamos bem; é aquela que está ali no dia do casamento, acalmando e torcendo pra que nossas vidas sejam felizes; a cúmplice quando nos tornamos mães e decidimos fazer tudo diferente do que ela fez...
Requeremos os palpites dela nem que seja pra desprezá-los...mas saber que o ombro dela está ali ao alcance de nossos olhinhos chorões é reconfortante. Sim, porque a vida adulta às vezes é tão dura que requer a presença de um adulto.
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Reconheço tudo isso mesmo não tendo tido nada disso. Mesmo não tendo essa generosidade personificada na figura da minha mãe. Sofri um bocado - preciso ser honesta.
Tentava inultimente entender os porquês. É inútil: porque perdemos tempo, porque reforçamos a mágoa, porque desperdiçamos energia...
E no momento, que eu enxuguei as lágrimas, botei minha filha embaixo da asa e voei pra longe passando a viver a minha vida sem cobrar dos outros, mesmo que "os outros" em questão seja a minha mãe, atitudes que me pareciam certas é que passei a ter tudo o que sempre idealizei.
Ilógico, também acho. Mas é assim que as coisas funcionam.
Então, reformulando o que disse acima: não é que não tive a presença cúmplice da minha mãe na minha vida. Não a tive na hora que julgava ser certa, na hora que quis. E, hoje, tentando me livrar das mágoas, tento aproveitá-la da melhor maneira possível.
A roda da vida está sempre girando e até pessoas como as nossas mães, estão amadurecendo, revendo atitudes e pedindo perdão. Estamos todos em evolução.
Vc, eu, elas.
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Somos como crianças arriscando os primeiros passos na vida adulta, inseguros, cambaleantes e ainda assim, como nossos filhos, sorrimos empolgados e pé-ante-pé avançamos....por saber, por ter a certeza que a mãe estará ali na frente, de braços abertos pra amparar quando cairmos.
Lindo Dani...Adorei o final, somos mesmo como as crianças, sempre aprendendo e evoluindo.
ResponderExcluirNossa, eu sou muito filhinha da mamãe...moro longe e sinto muito a falta do colinho dela e dos pitacos mesmo que seja pra brigar como vc disse...sempre fomos muito próximas e a distancia física dói pq emocionalmente estamos sempre juntas.
Dani, eu tenho 40 anos. QUARENTA. E ainda me preocupo com o que minha mãe vai pensar disso ou daquilo. Já contei lá no blog, no post em que anunciei a minha primeira tatuagem, que nunca a tinha feito antes porque minha mãe não gostava e temi meu encontro com ela após ter feito. Minha mãe cometeu muitos erros e ainda os comete, assim como eu com meus filhos, mas ela é minha mãe. Nem toda mágoa do mundo é capaz de me fazer esquecer isso. Também me ressinto da falta que ela me fez em momentos cruciais, mas ela nunca me faltou com amor e dedicação, é apenas uma pessoa que independente de ser mãe, tem vida própria e se eu quero ser respeitada, preciso respeitar isso também.
ResponderExcluirOdeio quando minha mãe se mete na minha vida, mas PRECISO das suas intromissões para me sentir perto dela e amada por ela. E isso acontece também com meu pai, que me trata como se eu ainda tivesse 5 anos de idade e que quando esta junto comigo, até minha mão ele quer segurar para atravessar uma rua! Acho chato, pegajoso, mas ao mesmo tempo, acho fofo. Eles estão ficando velhinhos, eu é quem deveria cuidar deles, mas eles estão sempre ali, tomando conta de mim como se eu ainda fosse criança...
Beijos, lindo post!
Dani, um dia eu estava deitada na rede com meu filho, isso foi semana passada eu acho e minha mãe disse assim:"ah! só lembro da minha mãe deitada na rede"
ResponderExcluirem outro meu filho dizia:"vovó, vovó, vovó" ela lembrou de novo da minha vó que faleceu há uns 8 anos
E eu disse: "amor de filho, neto, não substituei amor de mãe, né mãe?"
Minha mãe nos ama muito com certeza, mas esse amor nunca suprirá o amor que ela recebia da mãe dela... Mãe é mãe..
Bjs cearenses
Olha que assunto que rende muitos posts hein!!!
ResponderExcluirEu sempre tive um relacionamento bom com a minha mãe, mas nada muito próximo, com declarações de amor a todo momento, e olha, isso é uma coisa que faço com os meus filhos, falo bastante o quanto os amo. Mas mesmo não falando sempre soube do amor que minha mãe sentia por mim, estranhas essas relações mãe/filha (o), não?
Bjos
Ana
Bacana essa crônica; adorei!
ResponderExcluirEu ainda sou hiper-dependente de minha mãe. -rs
Não faço questão alguma de deixar de ser. -rs (adoro!)
Abração,
Rodrigo Davel
Oi Dani!! antes de comentar sobre o post,eu tenho que fazer outro comentario: adorei teu video no mamatracas!ja tinha lido aqui no teu blog teu relato do mico,mas dei risada de novo quando vi o video,hahaha!!!:-P
ResponderExcluirE sobre as mães...ah..sou supeita pra falar,a minha é meu porto seguro,meu juizo e minhas redeas,rrsss...
beijo e otimo fds!!! ;-)
Lindo, Dani.
ResponderExcluirTambém carrego uma porção de cicatrizes da relação com a minha mãe (ela é uma pessoa meio difícil, um dia posto sobre), mas moro com ela, porque preciso do cheiro e da mão dela. Ela é uma pessoa diferente de mim, até demais, mas é parte de mim também. E talvez... briguemos por sermos iguais.
Beijos!
Olá, querida
ResponderExcluirE mesmo sim, se a tua mãe te abandonar... Deus estará por ti... acredite!!!
Bjm de paz e ótimo fim de semana.
Dani muito forte seu texto, e posso imaginar o quanto cicatrizes devem marcar a vida de filhas e mães quando os problemas surgem na relação. Eu tive uma mãe muito participativa, uma amiga de fato, que bom. Hoje ela não está mais aqui, sofremos um acidente de carro juntas e ela partiu. Mas a sinto todos os dias, e isso já tem 20 anos...Beijos
ResponderExcluirSeu post foi super oportuno por aqui... eu estou passando - mais uma vez - por um corte de cordão umbilical. Acho que a gente vive diversos desses cortes ao longo da vida, não?! Eu tô numa fase forte, densa em que minha mãe apesar de me apoiar em tudo, também me vira as costas. O faz com a certeza de que esse é meu momento de bater asas. Também tento entender e às vezes não consigo. Já culpei até a menopausa!rs Mas fato é que ela sempre estará me guiando... mesmo que fisicamente estejamos distantes.
ResponderExcluirMinha mãe é tudo!!
Gostei da reflexão, Dani!
Beijos
Dani,mãe é isso paradoxo,ilógico,surreal,e muitas outras coisas...tem hora que queremos elas o mais longe possível e ao mesmo tempo coladas conosco...
ResponderExcluirMinha mãe é exemplo para mim em tudo,já passou por muita coisa nesta vida,mas tem hora que ela tece uns comentários que me irritam,rsrsrs...mas passa logo
amo seus textos,bom fim de semana...
E eu preciso aprender a lidar com a minha mãe. É triste que a gente brigue tanto...
ResponderExcluirDani, tenho uma relação muito diferente com a minha mãe da que você descreveu aqui em cima. Claro que a aprovação materna é uma condição que nos é cara, principalmente para nós mulheres que nos tornamos mães, mas minha vivência como filha me leva a outras conclusões.
ResponderExcluirTexto lindo!
bjos
Pri
Dani, Dani,
ResponderExcluirEngraçado como nós tentamos fazer tudo diferente, mas ao mesmo tempo queremos que nossas atitudes sejam por elas aprovadas né?
Acho que relação de mãe e filha é conturbado por natureza. Mulheres competem e o fato de ser mãe não extingue o fato de ser mulher...
E mães também erram. Elas perdem a capa e os poderes mágicos pra virarem seres humanos que erram, bem diante dos nossos olhos e isso é mesmo difícil.
Fiquei só com questionamentos, sem nenhuma conclusão!
Beijos
Eu ainda nao sei direito o que comentar... esse assunto me pega, vc sabe. estou confusa.
ResponderExcluiracredito que precisamos de uma referencia de maternidade para sempre mais do que a figura em si da mãe, entende? precisamos da imagem de mãe. essa anda conosco sempre.
me pegou.
beijao!
A gente cresce, passa um bom tempo ao lado delas e de repente começamos a dar conta de uma lista enorme de coisas que gostaríamos de fazer diferente, que gostaríamos que ela fizesse também.
ResponderExcluirAcho que sempre precisamos ter em mente que mãe é mãe. Que independente das ações, dos momentos que sentimos falta, que ela agiu diferente... há a presença do amor. Dúvido, qual mãe não ame realmente seu filho.
O que há são jeitos diferentes de agir, de pensar. Além do mais depois que o filho cresce, talvez queira dar asas para eles voarem. Talvez façam questão de saber de tudo, detalhe por detalhe.
Quem dá um basta nisso. Quem dá o limite realmente somos nós.
Infelizmente ou sei lá felizmente as pessoas agem diferente, são diferentes.
Como é família. Temos que agradar, aceitar e fazer de tudo para viver bem. Sempre pensando em fazer a nossa parte. Não é mesmo?
Será que viajei? Mas seu post me levou a essa reflexão toda. Fiquei pensando, lembrando da relação que tenho com minha mãe.
Um grande beijo.
Nossa Dani, que texto mais verdadeiro.
ResponderExcluirEu acho que chega um momento na vida de um filho em que ele deixa de precisar de um pai, de uma mãe e passa a precisar simplesmente de um amigo. E os pais e as mães parecem não entender isso.
Minha relação com minha mãe é bem complicada também. Seu texto me faz refletir muito. Especialmente esta parte:
"A roda da vida está sempre girando e até pessoas como as nossas mães, estão amadurecendo, revendo atitudes e pedindo perdão. Estamos todos em evolução.
Vc, eu, elas."
Obrigada pela oportunidade e por me deixar ver que eu não sou a única. Beijos.