A expectativa para esse filme aqui em casa estava beirando à histeria desde que assistimos o trailer no cinema. Otto era um dos mais entusiasmados, talvez por causa do arco e flecha. Já o que aguçou a minha curiosidade foi justamente não ter visto nenhum príncipe dando sopa.
{sinopse aqui}
Sempre adorei os filmes da Disney, mas nunca vi com bons olhos as histórias sobre princesas e seus amores que tinham por fim o óbvio viveram felizes para sempre. Sempre acompanhadas para serem felizes. Sempre tão machistas. Elas não me representavam, não representavam as mulheres da minha geração que corriam todas para serem donas de seus narizes.
"Meus irmãos podem tudo enquanto eu, não posso nada." - assim tem início a história de Merida, uma menina {linda} de cabelos tão rebeldes quanto ela mesma, de cor intensa, tal como ela quer viver sua vida. Não se veste como princesa, não come como uma princesa, não se porta com a delicadeza exigida por seu título de nobreza. Seu único anseio é pela liberdade de ser quem é e de decidir por si.
Sim, chamou a minha atenção a exuberância da personagem, embora em nenhum momento suas características físicas sejam ressaltadas. Tenho certeza de que meninas de cabelos crespos se sentirão representadas e espero, não tentem mais se amoldar a conceitos homogêneos de beleza.
Talvez esse seja o primeiro filme sobre princesas da Disney-Pixar que não tenha uma subtrama romântica. O enredo gira em torno dos conflitos entre Merida e sua mãe, que reprime, que controla - mesmo sem ter a real consciência da forma como faz, que tenta lhe impor os costumes, as tradições de seu povo e que a educa para ser uma boa esposa, uma rainha à altura de seu reino. O curioso é que ela não encontra resistência no pai, uma figura bastante afetuosa.
No torneio proposto por sua mãe, para que os candidatos disputem a sua mão, Merida usa de coragem para voltar-se contra ela se lançando como candidata a sua própria mão. Como atos corajosos requerem ímpeto, Merida terá que arcar com seus rompantes.
Uns dizem que esse é um personagem feminista. Outros discordam. Talvez estes estejam esperando uma feminista estereotipada, mas ao meu ver, ela é sim feminista porque se insurge contra a ordem, porque questiona posições, porque requer o controle sobre sua própria vida, enfim porque se rebela contra qualquer tipo de tutela.
Merida e sua mãe, Ellinor rompem. Se buscam. Lutam uma pela outra. Se conhecem. Se perdoam. E percebem que o diálogo as aproxima. Esse é o cerne do filme.
A natureza beligerante da princesa encontra o equilíbrio no diálogo, no afeto e no respeito, que tanto busca para si.
Valente é aquela que tem coragem de mudar, que luta por seus ideais e por seu destino, que descobre que não precisa romper para ser livre e que o afeto tem papel preponderante em nossas vidas.
Reconheço que esse é um referencial mais saudável para nossas meninas. Que possam se inspirar nela.
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| Se vc pudesse mudar seu destino, vc mudaria? |
É um filme lindo, envolvente. Otto não desgrudou da cadeira um minuto, não conversou, mal comeu tamanha sua atenção. Não queria perder um detalhe. Bia, por sua vez, ficou feliz por perceber, pela primeira vez que nem sempre um final feliz precisa de um par.
Valeu a pena.



Fantastico Dani! Comprei ingresso para amanhã, estou doida pra ver! Confesso que estou mais animada que as crianças,rsrsrs, mas estou com esperança de que elas saiam do filme tocadas. Bjos e um ótimo final de semana!
ResponderExcluirDani, acho que é por aí mesmo essa sua reflexão. Já venho pensando há tempos sobre tudo isso, desde que um dia, do nada, Stella me perguntou: Por que nenhuma princesa tem mãe? Por que as mães delas sempre estão mortas?
ResponderExcluirComo mãe de meninas, acompanho de perto a vida das princesas mais do que as celebridades. Além de Merida (também adorei o filme!), a última princesa a ser lançada foi Tiana, da Princesa e o Sapo (cujo mote do filme, aparte do enredo do príncipe, é que ela quer juntar dinheiro para montar seu próprio restaurante), e somente essas duas contam com a presença da figura materna nos filmes. Acho (acho não, tenho certeza) que é uma grande jogada de marketing, pois hoje uma princesa submissa, que não vai atrás de seus ideais, que NÂO TEM ideais além de se casar e limpar a casa não é vendável (ainda mais num país como os EUA).
Branca de Neve e cia são modelos femininos das décadas de 50/60, mas que não colam mais nos dias de hoje (apresar de ainda venderem horrores). As meninas precisam de mais, e os filmes se encarregam de nos fornecer esses novos personagens. PAra o bem e para o mal de nossas crianças.
Que venham mais Meridas e Tianas, mas mesmo assim, estamos de olho!
Beijos
Pri
Ps. Desculpe o comentário giga, mas acho esse assunto fascinante!
Esqueci da Rapunzel, que foi recente também e que tinha esse espírito aventureiro. Mas que, assim como Tiana e todas as outras, conta com uma cena de "viveram felizes para sempre" no final. Blé.
ResponderExcluir:-*
Deu mais vontade ainda de ver!!!
ResponderExcluirConcordo plenamente!
ResponderExcluirFoi a primeira coisa que disse para meu marido quando saímos do cinema: Finalmente, uma princesa que não precisa do "príncipe" pra ser feliz.
Adorei, de verdade, tanto o filme quanto o post!
Concordo com tudo que vc escreveu! Geralmente, não comento em blogs, mas tive que comentar aqui! Achei o filme o máximo! Levei minha filha de quase 3 anos e curti demais a liberdade da princesa ruiva e cacheada, fora dos padrões de perfeição que são impostos a todas nós. Vale muito a pena ver e rever!
ResponderExcluirBeijo e parabéns pelo post!
Uau! Sua descrição foi tão rica e interessante que eu quero assistir ao filme! Minha filha ainda é pequena demais para isso e eu vou ao cinema sem ela depois desse post! Juro! Adoro o blog! Não é àtoa que ele está na minha lista de blogs favoritos! (www.roteirobaby.com.br)! Ah! E acho Otto um nome LINDO!
ResponderExcluirBeijos!
Iza