Seja peluda ou pelada.
Toda mulher saudável menstrua. Ou um dia já menstruou.
Mas ninguém gosta de falar sobre isso. Causa repúdio. Causa nojo. A tal ponto de não a chamarmos pelo nome. Na tentativa de lhe estirpar o poder, lhe atribuímos apelidos. Toscos.
Muita gente inclusive, deve estar se perguntando o porquê de um blog focado na maternagem estar falando de vagina. Afinal, vagina nada a ver com maternidade, não é mesmo? Talvez (só talvez) a gente tenha tanta dificuldade em sentir prazer, parir, em aleitar.
Acontece que eu tenho uma filha. Que tem vagina. Que menstrua.
Que está com seu corpo em pleno desenvolvimento. Quase que por completo desenvolvido.
Como todo mundo, ela tem pelos. Ela tem fluidos.
E por causa disso já começou a chamar atenção da sociedade.
Da sociedade que não fala em vagina, que tem nojo dos fluidos, que tem pavor de pelos. A mesma que não gosta de mulheres.
Já estão ensinando a minha menina-moça-que-um-dia-será-mulher a sentir o peso da inadequação. O peso da insatisfação. O peso dos julgamentos. Estão ensinando a minha filha que existe um padrão a ser correspondido, que tem um objetivo a ser alcançado: o da perfeição do corpo.
Não. Não é isso que eu, como mãe, quero ensinar. Não é isso que ela deve aprender.
Quero que ela aprenda o poder que tem como mulher e de como é importante a aceitação do feminino. Quero que ela veja esses padrões como uma tentativa pífia de fazê-la se sentir inferior e de como isso é lucrativo para quem os cria. Quero que ela sinta amor por seu corpo, por ser quem é, do jeito que é. E que isso não a impeça nunca de ser feliz.
"Merecemos mais - mais que ter dias horríveis por pensamentos ligados a nossa péssima forma física, desejando que ela fosse diferente. E não é só sobre você e eu. É também sobre Violet. Sua neta tem apenas 3 anos e eu não quero que esse ódio ao corpo tome conta dela e estrangule sua felicidade, sua confiança, seu potencial. Eu não quero que ela acredite que a aparência é o maior ativo que ela possui, e que vai definir o valor dela no mundo. Quando violet nos olha para aprender a ser uma mulher, precisamos ser os melhores modelos que pudermos. Precisamos mostrar pra ela, com palavras e com as nossas ações, que as mulheres são boas o suficiente exatamente como são. E para ela acreditar, nós precisamos acreditar primeiro."
Trecho do texto "Quando sua mãe diz que é gorda", que precisa ser lido por todos e que propõe uma reflexão urgente.
Faço aqui um convite (apelo): tenham essa conversa com seus filhos. Mostre a eles que perfeição é um conceito imaginário portanto, inalcançável.
Que devemos aceitar as pessoas pelo que elas são, não pelo que aparentam ser.

Perfeitooooo!
ResponderExcluirEu já tinha pensado em escrever sobre isso no meu blog, mas vou te ser bem sincera: precisei pensar e repensar trocentas vezes na forma como eu abordaria o assunto. Terminei deixando pra trás, pelo mesmo motivo que você citou no início.
Parabéns pela exposição tão urgente e necessária acerca do ser mulher.
Beijo!
Sílvia
Li ontem este texto e adorei! Me identifiquei muito pois sempre sofri por não querer me render aos padrões que nos são impostos, quase todos os dias tenho que ouvir críticas e brincadeirinhas até de pessoas que considero amigas e é bem chato. Acho super importante tentarmos mostrar para nossas filhas que não, elas não precisam viver maquiadas, elas não precisam ser princesas, não precisam fazer tanta coisa que dizem ser necessárias... Uma ótima reflexão que vc colocou, tenho pensado em escrever sobre isso tb...
ResponderExcluirAbraços
seus textos sempre nos fazendo refletir, esses dias conversei sobre isso com uma amiga, alertando ela sobre esse peso que acaba por colocar na filha, não é o que quer fazer, mas é uma pessoa que se preocupa absurdamente com a aparência e a filha com apenas 4 anos está seguindo esse rumo, triste demais, dei uma chamada pra realidade, espero que a faça refletir, mandarei seu texto.
ResponderExcluirbjs
Adorei, Dani! Texto perfeito! É exatamente o que tenho feito... tanto com as meninas, quanto com meu filho... porque a cobrança tbm é feita aos meninos! Infelizmente!
ResponderExcluirbeijoca, flor
A vida das mulheres seria bem mais fácil se nos ensinassem a aceitar desde sempre nosso corpo, pelos, odores e fluídos desde cedo.
ResponderExcluirOi Dani, eu já tinha lido o texto e adorado. Amei mais agora que você trouxe a reflexão. As nossas meninas entrando na adolescência que já traz uma carga de mudanças enorme e com o peso de atender a padrões impostos. Que elas aprendam a se valorizar como mulheres. Isso é o que euquero ensinar pra minha teen.
ResponderExcluirbeijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/